Os cinco elementos da família estão debruçados sobre a janela, que se abre para as montanhas do Centro de Portugal. Estão todos vestidos com camisolas grossas de lã e estão todos cativos da mesma expetativa: “Será que vai nevar?”. Atrás deles, há uma lareira acesa e uma mesa rústica de madeira com uma travessa com queijos, mel, presunto e broa. Faltam sete horas para 2021. 

O mais novo lembra-se de ir buscar o papel à mala. Quer rasgá-lo e queimá-lo na lareira. “Não, é só mais logo, como combinámos, lembras-te?”, diz a Mãe, com um sorriso. “Só quando chegar a meia-noite”.

Decidiram passar o ano no aconchego de uma aldeia antiga. Só eles, uma casa de xisto e, quem sabe, um pouco de neve. “Se vier é bem-vinda, mas se não vier, o que importa é que esperámos por ela todos juntos”, diz o pai. Ri-se quando o filho mais novo lhe pergunta “o que isso quer dizer”. “Um dia vais perceber”, diz, enquanto lhe passa a mão pela cabeça. Os mais velhos sorriem. Já têm noção da importância da união nos momentos de ânsia ou incerteza, do prazer da partilha, da força da esperança quando se torna uníssona. Faltam seis horas para 2021.

Sentam-se no tapete junto à lareira e trocam todos ideias sobre o que gostariam de fazer no ano seguinte. No chão estão cinco chávenas com chocolate quente, daquele mais espesso, ainda a fumegar. Enquanto esperam que arrefeça, usufruem do cheiro, que é doce e aprazível e parece misturar-se com o dos planos que estão a fazer. Têm um aroma de recomeço, de alento, de cor, vida e entusiasmo. De normalidade. Faltam cinco horas para 2021.

“Vamos fazer passadiços, há tantos passadiços no Centro!”, diz a filha do meio. “Levam-nos a paisagens tão lindas, a rias, praias, serras, cascatas, vales, florestas cheias de verde e lagoas”.
“Ou então também temos os baloiços”, refere a mãe. “Há imensos baloiços panorâmicos no Centro onde podemos tirar fotos fantásticas! São ‘instagramáveis’, como se diz, não é?”. Perante o riso da filha e do filho mais velho, prossegue: “Existem no topo de montanhas com vistas maravilhosas, nas praias e nos rios; na Lousã até existe um onde podemos baloiçar por cima da água, vejam lá”, afirma, entusiasmada. Faltam quatro horas para 2021.

Ouve-se o destrancar pesado da porta de madeira. O pai saiu para ir buscar o jantar. Encomendaram um prato típico num restaurante da aldeia. É perto, por isso ele ignora o carro e vai a pé. Agrada-lhe essa sensação de proximidade, de ser tudo tranquilamente alcançável. Sorri com esse pensamento, faz-lhe lembrar uma frase que, meses antes, tinha lido num artigo algures e que tinha influenciado a escolha da família para este destino. “Território com baixa densidade e alta tranquilidade: O Centro de Portugal”.
Aperta todos os botões do casaco. O ar aqui é frio, mas puro. Inspira-o enquanto continua a caminhar, satisfeito, por ruas de pedra que parecem existir só para ele. Faltam três horas para 2021.

Após pousar os talheres no prato vazio, o filho mais velho diz: “Ouvi as vossas propostas todas, e alinho na boa, mas tenho de vos lembrar uma coisa. Esta Região está cheia de aventura, de emoção, de experiências novas, de momentos que vivemos e nunca esquecemos! Porque não irmos todos descer cascatas em rappel no canyoning? Ou caminhar nas copas das árvores no arborismo? Ou explorar uma gruta? Ou trancarmo-nos num escape room e termos de descobrir a saída juntos? Podemos até fazer um passeio de jipe na serra para ver vida selvagem. Ou então marcarmos todos uma aula de surf. Podia continuar a noite toda, o que não faltam são cenas porreiras para fazer”. Enquanto leva a chávena de café aos lábios, a mãe sorri ao antever a cara dele quando lhe revelar que ela já fez, pelo menos, duas atividades dessas em iniciativas de teambuilding da sua empresa. Faltam duas horas para 2021.

De regresso à lareira, o pai contempla, pensativo, o copo de whiskey na sua mão. Vai ter de ser estratega. Está ansioso por usufruir do imenso património arqueológico que há no território do Centro. A imponência dos menires, o mistério dos dólmens ou outros monumentos megalíticos, como as mamoas, batizadas pelos romanos. Mas está ciente da reação dos miúdos, caso use essas palavras: “Pai, não queremos uma aula de história nos nossos tempos livres, ok?”.  Não, vai ter de reformular melhor a sua sugestão. Vira-se para eles e diz: “Também podemos ir andar de bicicleta nas várias ecopistas do Centro ou explorar a natureza de mochila às costas nos imensos percursos pedestres, o que acham?”. Perante os múltiplos olhares de concordância, sorri em pensamento: “Claro que vou sugerir os que tenham vestígios arqueológicos lá perto”. Falta uma hora para 2021.

As peças do jogo de tabuleiro espalham-se pelo chão. O filho mais novo largou-as e desatou a correr, entusiasmado, quando ouviu as palavras da mãe: “Ok, já podes ir buscar”.
Regressa com o papel cuidadosamente dobrado, perante o olhar emocionado de todos. É mais do que um papel. Estão lá todos os planos cancelados, todas as viagens que ficaram por fazer, todos os beijos por dar, todos os adeus e todos os abraços que se perderam, todos os sonhos adiados, todas as memórias que não foram construídas. Ele olha uma última vez para essa folha do calendário de 2020, ergue-a com as suas mãos pequeninas e atira-a para a fogueira. Ouvem-se as doze badaladas e todos sorriem. Emoção misturada com alegria.

Alado ou não, todos acreditam no ser que vai renascer daquelas cinzas: Uma vida inteira.

FELIZ 2021!

Passagem de Ano no Centro de Portugal (algumas sugestões):
Noite de Passagem de Ano, em Coimbra
Passagem de Ano no Hotel Moliceiro, em Aveiro
Passagem de Ano, em Peniche
Passagem de Ano, em Viseu

em atualização.

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