Quase 700 km de trilhos, percursos pedestres e de bicicletas

A aposta num desconfinamento seguro leva-nos a umas férias de verão passadas num reencontro com a natureza em toda a sua beleza e potencialidade. Aliando o útil ao agradável, a Beira Baixa propõe os seus cerca de 700 quilómetros de trilhos, percursos pedestres e de bicicletas para atingir a forma física ideal e reduzir o stress. A escolha é para todos os gostos, dos mais preguiçosos aos mais atletas. São praticamente meia centena de circuitos ao dispor dos turistas que visitem a região.

As férias do verão 2021 devem ser feitas em território nacional. Um ano passou e o mundo continua virado do avesso por causa da pandemia de Covid 19. Enquanto se vacinam uns e se desconfinam todos, temos de trilhar o futuro com muita precaução. Na Beira Baixa tem-se estado a preparar o verão com todos os cuidados que a situação exige.

Um dos grandes atrativos, e que têm ganho destaque nos últimos anos, são os trilhos e percursos pedestres.  Na Beira Baixa são quase meia centena. De Penamacor a Vila Velha de Rodão. De Proença-a-Nova a Salvaterra do Extremo, passando por Oleiros, Castelo Branco e Idanha-a-Nova, que aproveitou o confinamento para recuperar os seus percursos.

Há trilhos para todos os gostos e feitios

Para a observação dos grifos na fronteira com Espanha, pode escolher-se a “Rota dos Abutres” (PR1 IDN). O percurso pedestre inicia-se junto à Igreja Matriz de Salvaterra do Extremo, em Idanha-a-Nova, rumando ao antigo posto da Guarda Fiscal (Gaseia, como é ali conhecido) pelo caminho (quelha) que lhe dá acesso. É neste local que nidifica e tem o seu habitat uma importante colónia de abutres.

Durante a pré-história, o território da Beira Baixa oferecia condições de habitabilidade a comunidades agro-pastoris que viviam também da caça, da pesca e da recoleção. Por isso, outra das sugestões é – “Os Caminhos da Pré-História” (PR4 VVR) – o território de Fratel compreende o espaço entre o rio Tejo, o rio Ocreza e a crista quartzítica formada pela Serra das Talhadas.

A tradição, a cultura e a história andam sempre de mãos dadas com a Natureza. A “Rota da Vila – Percurso Pedestre de Penamacor” (PR1 PNC) é um circuito fechado de 10 km que parte do Museu Municipal seguindo até ao Geossítio – “Miradouro da Casa do Ramalho. Este percurso não deixa ninguém indiferente.  

Outro trilho que o pode ajudar a reviver o passado é “A História na Paisagem” (PR1 PNV). Uma pequena rota por caminhos rurais e tradicionais, trilhos e levadas. É junto ao largo da igreja das Moitas que se encontra o princípio do percurso circular à descoberta dos monumentos megalíticos do concelho de Proença-a-Nova. O percurso pode ser realizado em ambos os sentidos, observando as marcações no terreno.

Um dos circuitos mais cobiçados é: “A Grande Rota Muradal Pangeia – Trilho Internacional dos Apalaches” (GR38 OLR), com aproximadamente 37 km, que contém quatro pontos alternativos de inicio e/ou chegada, no centro das aldeias de Montanha de Estreito, Sarnadas S. Simão, Vilar Barroco e Orvalho. Os trilhos recuperados serpenteiam, em geral, pela linha de cumeada que se desenvolve ao longo do relevo Apalachiano da Serra do Muradal.

Se se sente preparado para uma aventura, experimente a Rota da Gardunha (PR1 CB). São mais de 17 quilómetros, o percurso pedestre inicia-se à entrada de Louriçal do Campo (470m de altitude). Passando pela Igreja Matriz de S. Bento (séc. XVI), as ruas sucedem-se até sair, por entre hortas e olivais, na direção das abas da serra. Se, por outro lado, prefere algo mais leve, faça “O Caminho das Virtudes” (PR2 VVR), com vista para as Portas de Ródão e com um contexto geomorfológico especial, as paisagens deste percurso mostram a beleza deslumbrante de toda a região.

Para os fãs incondicionais das bicicletas, sugere-se a Rota 26 do Centro BTT das Sarzedas. Passa pelas aldeias de Valbom e Martim Branco, segue em direção a Chão da Vã, Salgueiro do Campo e Palvarinho. Percurso com elevado grau de dificuldade recomendado apenas para praticantes experientes – quase 100 km de sobe e desce – dureza! Podem, também, pedalar pela Rota 22. Desenvolve-se ao longo da Ribeira de Almaceda em direção à aldeia de Rochas de Baixo, retomando o percurso para Almaceda. É um percurso fácil, acessível a todos os praticantes da modalidade.

Todos os percursos da Beira Baixa podem ser encontrados no site www.beirabaixatour.pt patrocinado e gerido pela Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa, uma associação pública de autarquias locais, que pretende ajudar no desenvolvimento da região, composta pelos concelhos de Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Oleiros, Penamacor, Proença-a-Nova e Vila Velha de Ródão. Vasto, de vales cavados e profundos, e de grandiosas planícies, o território designado por Beira Baixa está situado no centro do país, junto à fronteira com Espanha, sendo delimitado a norte pela Serra da Gardunha e a sul pela planície alentejana.

A natureza aguarda o reencontro com os turistas no verão 2021. Uma vez mais vai ser um verão atípico. O coronavírus deixou marcas em todos, contudo na Beira Baixa os espaços verdes, a natureza a perder de vista, o ar puro e quente da região perfila-se como o local ideal para recuperar de mais uma temporada em confinamento. Nunca é demais recordar que o Interior do país continua a ser a região menos povoada. Se por um lado é um problema, precisamos de gente a povoar e fertilizar as nossas terras, por outro, é uma dádiva termos um local quase virgem para fugir do coronavírus e do reboliço das cidades.