24 MAIO 2019
6.ª edição do Fórum Vê Portugal foi a melhor de sempre!

Centenas de pessoas participaram no 6.º Fórum de Turismo Interno “Vê Portugal”, que decorreu nos dias 21 e 22 de maio, no Cine-Teatro Avenida, em Castelo Branco. Esta foi, sem dúvida, a melhor edição de sempre da iniciativa, com um programa de grande interesse e oradores de qualidade superior.

O Fórum Vê Portugal é uma iniciativa anual do Turismo Centro de Portugal, que junta especialistas de várias áreas, membros do Governo, autarcas e empresários para uma abrangente discussão sobre o presente e o futuro do turismo interno. Castelo Branco sucedeu a Viseu, Aveiro, Coimbra, Leiria e Guarda, as capitais de distrito que acolheram as edições anteriores, num sucesso sempre crescente.

No primeiro dia, a sessão de abertura esteve a cargo de José Augusto Alves, vice-presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, e de Pedro Machado, presidente do Turismo Centro de Portugal. Na qualidade de anfitriões, desejaram as boas-vindas a todos os participantes e enalteceram a importância deste debate, o maior que se realiza em Portugal a nível do turismo interno. Antes, os espectadores puderam assistir a uma interessante atuação das Adufeiras da Usalbi.

O primeiro painel do dia teve como tema “Turismo Cinematográfico – O Cinema ao Serviço do Turismo”. Moderado por Luís Lima Santos, Coordenador do Citur – Centro de Investigação, Desenvolvimento e Inovação em Turismo de Leiria, contou com intervenções de Maria Mineiro, vice-presidente do ICA – Instituto de Cinema e Audiovisual; Bruno Manique, presidente da CPFC – Centro Portugal Film Commission; Eugeni Osácar, professor no CETT-UB – Campus de Turisme de Barcelona; e Francisco Dias, professor no Instituto Politécnico de Leiria – IPL e diretor do Festival ART&TUR.

Todos os intervenientes salientaram o enorme potencial de Portugal, e em particular do Centro de Portugal, para acolher grandes produções cinematográficas e audiovisuais internacionais. Maria Mineiro destacou o facto de o país estar a ser “descoberto pelo mundo”, o que, aliado à aposta do Governo em atrair produções estrangeiras, está a permitir criar condições para que Portugal se torne um destino para a realização de filmes e séries. Foi exatamente com esse objetivo que o Governo criou a semana passada a Portugal Film Commission, recordou.

Esta perspetiva foi acompanhada por Bruno Manique, na qualidade de presidente da Centro Portugal Film Commission. Sublinhando que esta região tem “todas as condições para receber produções internacionais”, elencou uma série de produções que estão, já estiveram ou vão estar em breve no terreno.

Francisco Dias mostrou aos espectadores as vantagens para os territórios que acolhem produções cinematográficas ou de séries. “O impacto do cineturismo é maior que a publicidade”, disse, sublinhando que “um terço do que se gasta numa produção é no local das filmagens”.

O segundo painel do dia foi dedicado ao tema “Turismo 4.0 – Portugal, Hub de Inovação Digital”. Moderado por Paulo Zacarias Gomes, jornalista da “Visão” e do “Exame”, contou com as participações de Sérgio Guerreiro, diretor de Gestão de Conhecimento do Turismo de Portugal; Lidija Lalicic, responsável da IFITT – International Federation for Information Technology and Travel/Tourism; e a dupla Urška Starc-Peceny e Tomi Ilijaš, da Arctur – ‘Living Lab Slovenia”.

As intervenções giraram em torno dos desafios que a Economia 4.0 coloca à atividade turística. Sérgio Guerreiro sublinhou que Portugal é o 14.º país mais competitivo do mundo no Turismo, mas que há que pensar todos os dias em como melhorar a experiência dos visitantes, os quais, cada vez mais habituados à economia digital, têm exigências crescentemente elevadas. Nesse sentido, recordou que o novo Centro de Inovação do Turismo será instalado na Covilhã, bem perto de Castelo Branco.

Os convidados internacionais destacaram os contributos que a inteligência artificial, aliada à visão dos empreendedores, pode fornecer à área do Turismo. Como referiram Urška Starc-Peceny e Tomi Ilijaš, a indústria do Turismo sempre revelou capacidade de adaptação às novidades tecnológicas. “Atualmente, a era da digitalização é um novo desafio”, que só será vencido com a colaboração de todos, criando “experiências enriquecedoras” para os visitantes.

“O mundo digital é uma revolução que já chegou, os nossos filhos vivem nele”, lembraram.

O início de tarde foi marcado pela intervenção da secretária de Estado do Turismo. Ana Mendes Godinho subiu ao palco para se referir às principais estratégias e programas do Governo para esta área.

Entre outras iniciativas, como o Programa Valorizar, a governante enalteceu a criação da Portugal Film Commission, que pretende atrair produções audiovisuais ao nosso país e que se insere na estratégia de fazer com que “o turismo seja uma bandeira do país”. “O Turismo é uma arma de transformação, que consegue mobilizar vários players e que tem a capacidade de abrir o mapa de Portugal, alargando-o a todas as regiões e transformando assim o território”, sublinhou.

O foco está, frisou Ana Mendes Godinho, em conciliar “a autenticidade com a inovação e a sofisticação”, a mesmo tempo que se pretende assegurar “a sustentabilidade dos recursos naturais e a sustentabilidade económica”.

A mensagem da secretária de Estado foi antecedida de uma pequena intervenção de Célia Teixeira, gestora da RBTTTI do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, que apresentou a Reserva da Biosfera Transfronteiriça Tejo / Tajo Internacional. Esta é uma nova classificação territorial, a cargo da Unesco, e que introduz um desafio integrado na sua dinamização, intitulado “Reserva da Biosfera: Território Com Vida”.

A tarde continuou com o terceiro painel, intitulado “PROVEREs – Estratégias de Valorização e Promoção”. Moderado por Paula Ribeiro, diretora da revista Up Magazine – TAP Portugal, teve como participantes os responsáveis por alguns dos mais significativos PROVEREs da região.

Rui Simão (Rede das Aldeias do Xisto 2020), Adriano Barreto Ramos (Valorização das Estâncias Termais da Região Centro), Dalila Dias (Aldeias Históricas de Portugal), Luís Pereira (Beira Baixa – Terras de Excelência) e Miguel Vasco (iNature – Turismo Sustentável em Áreas Classificadas) mostraram a toda a audiência os avanços e as novidades registadas nos projetos em que estão envolvidos.

“ADN de Projetos Vencedores – Diferenciar para Ganhar” foi o tema do 4.º painel, moderado por Isabel Damasceno, Vogal Executiva do programa Centro2020. No Cine-Teatro Avenida, foram apresentados alguns projetos diferenciadores e de grande sucesso.

Pedro de Mello Breyner, membro do Executive Board da Portugal Ventures, António Carlos Duarte, coordenador executivo da Associação Geoparque Arouca (que falou dos Passadiços do Paiva), Luís Rocha, diretor do Dino Parque da Lourinhã, e Paulo Costa, diretor geral da GlobalSport Portugal (organizador das mais emblemáticas provas de atletismo do país), mostraram as razões por detrás do sucesso dos respetivos projetos – verdadeiros case studies, e não só do Centro de Portugal.

 

Turismo Centro de Portugal homenageou personalidades e instituições no jantar oficial “Vê Portugal”

O Turismo Centro de Portugal homenageou, no decorrer do Jantar Oficial “Vê Portugal”, personalidades e instituições que têm contribuído para o desenvolvimento e notoriedade do turismo na região Centro de Portugal. O Jantar Oficial, que decorreu na Quinta da Dança, em Castelo Branco, constituiu um dos pontos altos do 6.º Fórum de Turismo Interno “Vê Portugal”.

Após discursos de boas-vindas, por parte de Pedro Machado, presidente do Turismo Centro de Portugal, e de Luís Correia, presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, foram revelados os homenageados. A cada um foi oferecido uma peça em vidro, produzida artística e manualmente na Marinha Grande.

Os homenageados foram:

Associação das Termas de Portugal. A Associação das Termas de Portugal é uma associação empresarial sem fins lucrativos, constituída por entidades públicas e privadas que se dedicam à atividade termal em território nacional. Recebeu esta homenagem o Presidente da Associação das Termas de Portugal, Vítor Leal.

Mestre Manuel Cargaleiro. Manuel Alves Cargaleiro nasceu em 16 de março de 1927 no concelho de Vila Velha de Ródão, distrito de Castelo Branco. Realizou os seus estudos em Lisboa, onde frequentou a Escola Superior de Belas Artes para se dedicar às Artes Plásticas. Hoje, Cargaleiro é um dos mais notáveis artistas portugueses. A homenagem foi recebida por Cláudia Baltazar, do Museu Cargaleiro, que leu uma mensagem do Mestre.

Vasco D’Avillez. Foi Presidente da Comissão Vitivinícola da Região dos Vinhos de Lisboa, com sede em Torres Vedras. Em dezembro de 2015, foi condecorado com a Comenda da Ordem do Mérito Agrícola, pelo Presidente da República. Em 2016 foi eleito a Personalidade do Ano pela Associação dos Municípios Portugueses com Vinho.

 

Prémios José Manuel Alves e prémios de teses académicas

No decorrer do Jantar Oficial foram também entregues os Prémios do Concurso de Empreendedorismo Turístico “José Manuel Alves”, instituídos pelo Turismo Centro de Portugal, e que visam apoiar projetos inovadores no setor do Turismo com implementação na região Centro. Os prémios recebem o nome do ex-presidente da Região de Turismo do Centro, numa homenagem ao homem que esteve na génese da criação do gabinete de apoio ao investimento turístico na região.

Nesta quarta edição, foram apresentadas 63 candidaturas, mais 10 do que em 2018. O júri final, composto por Miguel Mendes (Turismo de Portugal), Miguel Barbosa (Portugal Ventures) e Carlos Cerqueira (Instituto Pedro Nunes), escolheu os seguintes projetos: 1.º classificado – “Zipline Nazaré / Ocean Zipline” (Geração GIVE); 2.º classificado – “Abrigo do Queijo Serra da Estrela DOP” (Joaquim Lé de Matos); 3.º classificado – “Gravity F” (António Matos / Cláudia Passos).

O Concurso de Teses Académicas – de mestrado e de doutoramento – tem o objetivo de valorizar o conhecimento gerado no seio da comunidade científica sobre a atividade turística e de o aproximar das empresas do setor do Turismo e de todos os interessados em desenvolver projetos de empreendedorismo turístico.

Este ano, a terceira edição do concurso recebeu 20 candidaturas nas suas duas vertentes, mais quatro do que no ano anterior. O júri final, composto por Teresa Ferreira (Turismo de Portugal), Joaquim Felício (CCDRC) e Carlos Martins (Opium), distinguiu as seguintes teses: Tese de Doutoramento – “A Satisfação Turística: Uma Análise aos Turistas Estrangeiros que Visitam os Centros Históricos em Portugal” (Ana Sofia Duque); Tese de Mestrado – “Turismo Acessível: A Importância da Formação na Alteração das Atitudes” (Nuno Cunha Leal).

O Jantar Oficial Vê Portugal contou ainda com uma breve apresentação da marca Castelo Branco, por Carlos Coelho, da Ivity, e com um discurso de encerramento por parte de Maria do Céu Albuquerque, secretária de Estado do Desenvolvimento Regional.

Turismo no litoral e turismo no interior

A manhã do segundo dia do 6.º Fórum Vê Portugal começou com um painel intitulado “Turismo no Interior do País – Ativos Diferenciadores”. Moderado pelo diretor do jornal Expresso, João Vieira Pereira, contou com intervenções de João Paulo Catarino, secretário de Estado da Valorização do Interior; Ana Abrunhosa, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro; Carlos Filipe Camelo, presidente da Câmara Municipal de Seia e da CIM Beiras e Serra da Estrela; António Fernandes, presidente do Instituto Politécnico de Castelo Branco; e Rodolfo Baldaia de Queirós, presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior.

Os intervenientes focaram o discurso nos ativos diferenciadores que tornam – ou podem tornar – a região Centro de Portugal atrativa para os visitantes.

João Paulo Catarino destacou as enormes potencialidades do interior do país para atrair turistas. “No interior está a autenticidade do povo lusitano, temos é de continuar a encontrar formas de levar os fluxos de visitantes do litoral para o interior. Todos os territórios têm o seu canhão da Nazaré, é preciso descobri-los”, disse. Isso passa, continuou, por “aumentar os incentivos aos turistas que chegam a Lisboa ou Porto para visitarem outros territórios”. Necessário é também assegurar que “os turistas deixem retorno económico nos locais que visitam, que interajam com os habitantes locais”. “Não queremos que o interior seja apenas uma sala de visitas para quem passa”, frisou.

Ana Abrunhosa realçou os fatores que levam as pessoas a querer visitar as regiões de interior. “Autenticidade, liberdade, recordações, raízes… A maioria dos portugueses tem o coração aqui e quando aqui vêm sentem-se em família”, sublinhou. E são também fatores decisivos para os investidores, considerou: “Quando se investe, o coração é decisivo, não se investe só com uma folha de cálculo. O mais importante são as pessoas”.

Carlos Filipe Camelo frisou o facto de “aqueles que visitam a região da Serra da Estrela começam a fazê-lo todo o ano, o que não acontecia até há pouco tempo”. Isso deve-se “ao trinómio montanha, ambiente e produtos endógenos”, em que esta região é exemplar e que atraem cada vez mais pessoas e durante mais tempo.

Fatores que foram igualmente destacados por António Fernandes. “Temos clima, paisagens, património, sossego, cheiros, museus, património, gastronomia… Falta ligar melhor estes recursos. Felizmente, a oferta começa a ser complementar”, disse. Igualmente importante é o facto de que “o turismo começou a ser uma prioridade dos autarcas. Há uma vontade muito clara nesse sentido”.

O painel foi encerrado por Rodolfo Baldaia de Queirós, que enalteceu as potencialidades dos vinhos da Beira Interior, e que enunciou o próximo passo: uma Rota do Vinho da Beira Interior.

No painel seguinte conversou-se sobre “Turismo na Orla Costeira – Ativos Diferenciadores”. Conduzida por Rui Baptista, jornalista da Agência Lusa, a conversa teve como protagonistas Walter Chicharro, presidente da Câmara Municipal da Nazaré, Pinto Moreira, presidente da Câmara Municipal de Espinho, António José Correia, ex-presidente da Câmara Municipal de Peniche e Diretor da Fórum Oceano, e Marta Sá Lemos, diretora do departamento de cruzeiros da APDL – Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo.

Walter Chicharro apresentou a estratégia que tem colocado a Nazaré como um case study de sucesso internacional. Cavalgando a onda gigante do Canhão da Nazaré, a cidade tem conseguido atrair cada vez mais visitantes. Uma estratégia que, segundo o autarca, tem como pilar essencial “a comunicação”, a “realização de eventos” mediáticos e a “digitalização” da promoção. Como resultado, a Nazaré recebe visitantes durante todo o ano, combatendo o problema da sazonalidade.

Combater a sazonalidade tem sido igualmente uma estratégia há muito seguida pela cidade de Espinho, de acordo com Pinto Moreira. Desde logo com o casino, com a maior feira semanal do país, com o torneio de golfe mais antigo da Europa e com muitas outras iniciativas. No entanto, por estar na orla costeira, o autarca mostrou-se particularmente preocupado com as alterações climáticas e com o efeito que estão já a ter a nível da erosão da costa portuguesa.

António José Correia apresentou o projeto das Estações Náuticas como uma aposta decisiva no mar, enquanto ativo turístico importante. “Mobilizando os territórios, Portugal todo ele será náutico”, sublinhou. O congressista incidiu também a sua participação na dimensão do “ecoturismo”, que deve estar na base da estratégia turística nacional.

Marta Sá Lemos mostrou à audiência o caso de sucesso do porto de cruzeiros de Leixões, grande porta de entrada de turistas no norte do país.

Marques Mendes falou do futuro do turismo

À tarde, Luís Marques Mendes, advogado, comentador político e Conselheiro de Estado, brindou o Fórum Vê Portugal com uma interessante palestra dedicada ao tema “Binómio: Portugal para Viver, Portugal Destino Turístico”.

Marques Mendes começou a sua intervenção elogiando o Fórum Vê Portugal, que considerou ser “uma iniciativa muito feliz, importante e pertinente”.

Para o comentador, “o turismo é um dos ativos mais importantes para desenvolver o país”. Marques Mendes recusa que haja turismo a mais no país: “Antes turismo a mais do que turismo a menos”, sintetizou. E recordou alguns dados estatísticos: nomeadamente, que o turismo representa 9% do PIB nacional, é o maior setor exportador, é responsável por mais de 10% do emprego, e faz entrar no país cerca de 1 milhão de euros por hora.

“Só podemos orgulhar-nos desta mudança”, frisou Marques Mendes, que identificou quatro razões prioritárias para esta mudança. Em primeiro lugar, “reforçar a boa imagem do país no exterior”. “Portugal está associado a uma imagem de hospitalidade e de segurança que atrai visitantes”, sublinhou. Em segundo lugar, “potenciar grandes ativos estratégicos”, destacando entre estes “o clima, a gastronomia, a História ou a cultura”, entre outros. Para isso, é vital “apostar na qualificação dos recursos humanos”. “Não basta receber, é preciso receber bem. O turista atual é cada vez mais exigente, procura a excelência. E procura também a diversidade e a especificidade dos territórios”, considerou. A terceira razão é “a aposta sem preconceitos na iniciativa privada”. “É essencial que o Estado não estorve, que seja amigo dos investidores. O excesso de burocracia e de carga fiscal mata o investimento”, sublinhou. Finalmente, a quarta razão é “a aposta na imprensa internacional e no marketing digital”. “Ninguém liga à publicidade institucional, mas liga-se muito a um artigo ou reportagem sobre um destino que seja publicado na imprensa internacional. Isso atrai turismo”, referiu.

Marques Mendes recordou também que existem riscos que podem afetar a atividade turística. Nomeadamente, o risco de guerras comerciais a nível internacional, o risco de insegurança e terrorismo, o risco dos populismos, o risco das alterações climáticas ou o risco dos novos pobres e excluídos, entre outros. Acresce que, numa Europa “com uma crise de liderança”, “Portugal tem a vantagem de não ter nacionalismos nem clivagens”.

O Conselheiro de Estado concluiu a sua intervenção alertando para o facto de que “Portugal tem um grande desafio nos próximos anos: o desafio do crescimento”.

 

Conversa sobre a realidade das Entidades Regionais de Turismo foi um dos momentos altos

A colaboração entre as Entidades Regionais de Turismo, as autarquias e as Comunidades Intermunicipais foi um dos temas que marcou a tarde do segundo dia do Fórum Vê Portugal.

Em primeiro lugar, com uma breve palestra do secretário de Estado das Autarquias Locais, Carlos Miguel. Depois, com a mesa redonda “Promoção Turística Nacional – Que Modelo?”, moderada pelo presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, e em que participaram vários presidentes e dirigentes das regiões de turismo nacionais: João Fernandes, presidente da Região de Turismo do Algarve; Ricardo Valente, presidente da Associação de Turismo do Porto e Norte de Portugal; Pedro Machado presidente do Turismo Centro de Portugal; António Ceia da Silva, presidente do Turismo do Alentejo e do Ribatejo; Vítor Costa, presidente do Turismo da Região de Lisboa; e Luís Pedro Martins, presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal.

Carlos Miguel foi o autor de uma intervenção a propósito da Lei-Quadro da Transferência de Competências para as Autarquias Locais e Entidades Intermunicipais. O governante subiu ao palco do Cine-Teatro Avenida para explicar os pormenores do diploma, nomeadamente a nível do Turismo. Carlos Miguel defendeu as virtudes da Lei-Quadro, que, no seu entender, permite estreitar a colaboração entre as entidades regionais do Turismo, as autarquias e as Comunidades Intermunicipais, aumentando a coesão nacional. Outra das vantagens que elencou é a possibilidade que abre de estes organismos concorrerem diretamente a financiamentos europeus.

Seguiu-se uma animada mesa redonda entre os protagonistas das regiões de turismo do continente. Uma ocasião rara, por ter juntado as várias regiões. Como referiu um membro da assistência, “era bom que este painel pudesse durar o dia todo”, pela pertinência das intervenções. Mais do que um dirigente sugeriu que os encontros entre todos passassem a acontecer de forma regular e articulada, na persecução de uma estratégia de promoção comum. “Temos muito mais a unir-nos do que a separar-nos”, sublinhou Pedro Machado.

E foi essa estratégia de promoção comum, ou articulada, que esteve na base de várias intervenções, intercaladas com apresentações da realidade atual das regiões de turismo. As dificuldades na estruturação de produtos turísticos que abarcam mais do que um território, ou os desafios que o futuro coloca às entidades, foram alguns dos temas centrais da conversa.

Os dois dias de intensos e aliciantes trabalhos terminaram com a Sessão de Encerramento, no Cine-Teatro Avenida, em Castelo Branco.

Luís Correia, presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, deixou elogios à organização do evento. “O Fórum Vê Portugal passou a ser uma referência para nós a partir de hoje. É uma honra ter-vos recebido”, sublinhou. O autarca recordou que “Castelo Branco não tem uma tradição forte a nível do turismo”, uma situação que tem vindo a reverter com aposta em “produtos turísticos, em cooperação com concelhos vizinhos”.

Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo Português, salientou o facto de o Turismo “viver um momento desafiante”. “Os últimos cinco anos foram muito bons. Portugal é o 14.º destino turístico mais competitivo do mundo, o que significa que está na Champions League. Acredito que ainda há condições para aumentarmos o crescimento de visitantes, em especial nas regiões de interior”, considerou.

Coube a Pedro Machado encerrar os trabalhos. Depois de agradecer à autarquia e ao Instituto Politécnico de Castelo Branco, o presidente do Turismo Centro de Portugal realçou o sucesso que constituiu esta edição do Fórum Vê Portugal e sublinhou o muito que foi conseguido durante os dois dias. “Atingimos o mais volumoso número de inscrições de sempre deste evento. Este Vê Portugal é uma aposta ganha na indústria do turismo e constitui um marco no debate sobre o mercado interno. Além disso, reforçou os laços entre os agentes privados e públicos, por um lado, e entre territórios, por outro”, finalizou.

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