Desde 2011 que, no dia 26 de abril, se celebra o Dia da Produção Nacional. Esta comemoração vem, não só salientar a importância do consumo de produtos nacionais, como também relembrar aos portugueses a qualidade dos produtos que produzimos, alguns deles tão valorizados pelos mercados externos. 

A Região Centro de Portugal orgulha-se de poder afirmar que produz produtos que contribuem para a afirmação da identidade cultural dos municípios!

Fique a par de alguns deles, pois nunca é demais relembrar. 

Ria de Aveiro 

Nas Salinas de Aveiro, é produzido artesanalmente Sal Marinho, bem como ‘Flor de Sal’, que se obtém por meio de técnicas ancestrais a partir de um processo natural de evaporação e recolha manual.  Ao contrário do sal produzido de forma industrial, este método permite que se mantenham todos os minerais nos cristais de sal, sendo por isso também apelidado de “ouro branco”. Por sua vez, este é também mais rico em nutrientes, em magnésio, cálcio, potássio e iodo e, ainda, mais saboroso. 

A ‘Flor de Sal’ é considerada um produto gourmet, devido ao facto de os cristais não serem tão comuns e apenas surgirem em condições climatéricas especiais e em determinadas horas do dia. Sugere-se que seja utilizado para tempero de saladas ou então alimentos já confecionados, ao contrário do sal marinho que pode ser utilizado para temperar qualquer refeição diária. 

Se estiver interessado em conhecer melhor os processos, métodos e ferramentas utilizadas na safra, pode sempre optar por uma visita guiada às Marinhas de Sal de Aveiro e, no final da visita, adquirir os produtos aí produzidos! 

A Bairrada, é uma região vinícola, onde, por norma, se come e bebe muito bem. Os vinhos da Bairrada são classificados com a Denominação de Origem Controlada (DOC) e a sua qualidade é assegurada pela Comissão Vitivinícola da Bairrada. 

Os vinhos espumantes, são já uma referência no mercado nacional e internacional. Podem ser Brutos, Secos ou Meio-secos, consoante o grau de doçura e, ainda, mais frutados ou florais.  O branco mais importante da região é o da uva Maria Gomes, mas a Bical, a Cercial, a Arinto e a Rabo de Ovelha, plantadas em solos mais arenosos, também dão origem a vinhos delicados com aroma mais frutado ou amadeirado. Quanto ao tinto, a casta que mais se destaca é a Baga, apesar da Touriga Nacional, da Alfrochoeiro, Tinta Pinheira, da Castelão e da Aragonez, plantadas em solos argilosos, também terem relevância. 

Recomendamos-lhe que visite o Museu do Vinho da Bairrada para ficar a conhecer melhor a história sobre a produção deste vinho. Não perca também a oportunidade de provar e brindar com este vinho que é ideal para qualquer ocasião especial! 

Viseu Dão Lafões 

As olarias de barro negro de Molelos são peças que também contribuem para a promoção turística e cultural do Concelho de Tondela, onde os oleiros procuraram manter a tradição, mas têm inovado no design das peças. As púcaras e bilhas, produzidas de forma artesanal, são peças utilizadas para conservar os cereais, azeitona e azeite, mas também para cozinhar refeições no forno e armazenar água e vinho. A produção deste tipo de louça passa pela cozedura em Soenga, num “forno” feito numa cova pouco funda, onde as peças são cozidas a altas temperaturas, dando-se o abafamento no fim da cozedura. É graças a este abafamento que surge a cor negra na louça e que esta fica parcialmente impermeabilizada. Um segredo do Património desta Região é que no final todas as peças são polidas, corrigindo-se eventuais imperfeições e dando-lhes um pouco mais de brilho.  

Vitela de Lafões tem denominação IGP e é originária de bovinos abatidos em tenra idade, ainda em fase do desmame, entre os 5 a 7 meses.  As raças mais comuns são a raças autóctones: Arouquesa, Mirandesa ou seus cruzamentos. Esta carne muito saborosa e tenra, habitualmente assada em forno de lenha faz as delícias de muitos portugueses, sendo utilizada para confecionar diversos pratos típicos! 

Região de Coimbra 

Na Lousã a produção de mel é feita com base num antigo método de apicultura. 

O que torna este produto tão especial é, sem dúvida, o aroma floral a urzes, o sabor intenso com alguma adstringência, a cor âmbar mais escura do que o normal, a viscosidade e o facto de ser um produto de origem protegida (DOP). A abelha ibérica, que voa pelas montanhas e vales da Serra da Lousã, é a principal responsável pelo néctar que muitos consideram ser o melhor mel do Mundo, algo de que nos devemos orgulhar. 

Em Coimbra , na freguesia de Almalaguêsmaior centro de tecelagem da Europa, é produzida a tecelagem de Almalaguês. Num processo 100% manual, desde a preparação da teada, ao seu emparelhamento, passando pela preparação do fio e, por fim ao minucioso e rigoroso processo de tecelagem, são produzidos os panos, toalhas, cortinados, colchas, tapetes e caminhas, de algodão ou linho que ornamentam as casas de muitos portugueses. Saiba mais aqui.  

Serra da Estrela 

Feitos artesanalmente com 100% lã de ovelha bordaleira, uma raça autóctone da Serra da Estrela os cobertores de papa, produzidos em Maçainhas, Guarda contam com acabamentos feitos à mão, e são fiados e tecidos num tear manual e posteriormente secados ao sol. Antigamente, eram bastante utilizados pelos pastores, pois ofereciam um excelente conforto graças ao pelo. Este produto, pode-se encontrar com ou sem padrão, mas normalmente possuí riscas vermelhas, amarelas, castanhas e verdes. Se estiver à procura de um cobertor aconchegante, este é o produto ideal para si! 

Terminamos com a cereja no topo do bolo. A cereja do Fundão com indicação geográfica protegida (IGP) é o ex-líbris da região. É consistente, firme, carnuda, muito doce e vermelha. A colheita, é feita à mão, através de um processo bastante delicado entre os meses de maio, junho e início de julho. Existem diversas variedades de cerejas, mas consta que a Burlat é a mais saborosa! Podemos consumir este fruto ao natural, ou ainda em doces, compotas, bolos e sobremesas. 

Região de Leiria 

A história da Marinha Grande, vem normalmente associada à indústria vidreira. Na cidade há inclusive referências a esta indústria, como é o caso do  Museu do VidroMuseu da Fábrica de Vidros Santos BarosaEstátua do “Vidraceiro”, o Monumento ao Vidreiro e a própria cidade é já considerada a “Capital do Vidro”. 

O vidro é formado a partir da mistura de matérias-primas naturais: areia, calcário barrillha, e alumínia. Quando aquecidos a altas temperaturas, dão origem a uma mistura transparente que, posteriormente, é trabalhada pelo artesão vidreiro, que colhe o vidro fundido no forno a cerca de 1200 graus, com a ajuda de uma cana que tem que ser permanentemente manuseada e por onde também sopra e molda as peças. 

Hoje, é possível ser produzido de três formas distintas: processos manuais, semiautomáticos e automáticos, que conjugam a antiga tradição do vidro soprado com técnicas industriais contemporâneas como: a pantogravura – gravação no próprio vidro com a ajuda de agulhas que reproduzem o desenho gravado na chapa; vidro manual soprado – onde o artesão sopra por uma das extremidades da cana e molda o vidro; lapidação – depois de ter o desenho marcado, pressiona-se a peça contra discos de ferro rotativos para esculpir em fosco a gravação pretendida; pintura – que pode ser feita numa peça exclusivamente à mão ou em série e, ainda, foscagem– que trata, despole e cria relevo, através de um ácido ou jato de areia. 

Estas técnicas, dão origem às peças decorativas em vidro, que vão parar às casas dos portugueses e que têm passado de geração em geração, desde jarras, castiçais, taças, copos, garrafas e peças de iluminação de diferentes cores e formas. Saiba mais aqui

Na Ilha, freguesia de Pombal ainda está bem presente a arte do bracejo. Aqui, as artesãs fazem um trabalho manual lindíssimo que inclusive é alvo de avaliação pelas 7 Maravilhas da Cultura Popular. Este material normalmente necessita de ser comprido e flexível para poder ser facilmente trabalhado à mão, em jeito de tranças. 

Antigamente os cestos eram utilizados para transportar couves ou para espalhar o estrume, hoje em dia já servem outros propósitos. Esta peça de artesanato pombalense faz falta em qualquer casa de um português! 

Médio Tejo 

Alcanena, também conhecida por “capital da pele” fabrica vários tipos de pele, em várias cores, aproveitando tudo desde camurças, curtumes, peles, couros de origem animal para a produção, quase sempre artesanal, de artigos em pele, calçado, marroquinaria e ainda mobiliário. Nos últimos anos, esta indústria tem procurado continuar a transformar peles, diminuindo os encargos para o meio-ambiente. Fique a conhecer melhor a história desta Indústria, visitando o Museu do Cortume

O Maranho é um produto tipicamente associado a esta região, em especial ao concelho da Sertã, embora se suponha que esta iguaria tenha surgido durante o período das Invasões Francesas. Este produto, especialidade da cozinha portuguesa, é constituído por um conjunto de carnes: bucho de borrego ou carneiro, carne de borrego, presunto, chouriço magro, toucinho entremeado, mas também arroz carolino, hortelã, azeite, sal, limão, pimenta e vinho branco. Bastante semelhante à imagem de um estômago, distingue-se dos restantes maranhos produzidos em Portugal pelo facto dos produtores locais fecharem o fole, cozendo-o à mão. Para os apreciadores, este produto é de comer e chorar por mais! 

Oeste 

A ginja ou “ginjinha”, é um ex-líbris da vila de Óbidos e um dos mais famosos licores nacionais. Esta bebida espirituosa é avermelhada, de cor rubi à base de frutas, com um sabor e cheiro intensos graças ao agridoce das ginjas, fruto bastante semelhante às cerejas. Segundo se sabe, para a sua preparação apenas necessitamos da maceração da fruta da ginja, de açúcar, água e álcool. Presume-se que a receita tenha vindo dos Monges de Cister, que antigamente acreditavam que as frutas curavam os males. Habitualmente, é servido num copinho de chocolate e faz as delícias de qualquer um! 

A maçã produzida em Alcobaça  e qualificada como Indicação Geográfica Protegida (IGP), inclui nove variedades distintas: Casa Nova, a única de origem portuguesa, Golden Delicious, Red Delicious, Royal Gala, Fuji, Granny smith, Jonagold, Reineta e Pink, produzidas com os saberes passados de geração em geração. 

Cada maçã possui características singulares, desde a forma, a cor, textura, polpa ou acidez e caracterizam-se sobretudo pela sua consistência, crocância e aroma intenso. São também consideradas por muitos o fruto mais apetecido e há até quem diga “uma maçã por dia, nem sabe o bem que lhe fazia”! 

Beira Baixa 

queijo picante da Beira Baixa é um queijo curado sem crosta, que se obtém através do leite de ovelha cru, estreme, ou mistura de leite cru de ovelha e cabra, por ação do coalho animal. Considerado um dos queijos mais fortes produzidos em Portugal, supõem-se que este queijo tenha surgido, pois os “queijoeiros” apenas o recolhiam de três em três semanas, o que obrigava a que tivessem de utilizar sal e salmora para conservar o queijo, atribuindo-lhe características singulares. Quem é que não aprecia uma boa fatia de queijo, ainda por cima com um toque de picante? 

Bordado tradicional de Castelo Branco, antigamente designado por “Bordado a Frouxo” tem um desenho próprio e uma simbologia diferenciadora. Podemos então contar com diferentes motivos nos bordados como um pássaro bicéfalo que representa duas almas num só corpo, ou ainda dois pássaros que simbolizam um casal, mas também o galo que representa a virilidade e os lagartos que descrevem o amuleto da felicidade. Também podemos encontrar cravos que simbolizam o Homemrosas que simbolizam a Mulherlírios que simbolizam a virgindade e ainda árvores que representam a vida ou então o galo que reflete a virilidade e ainda romãs e pinhas que são sinónimo de união e solidariedade. Saiba mais através de uma visita ao Centro de Interpretação do Bordado

Estes bordados estão presentes em colchas de linho bordadas com fio de seda natural, geralmente em policromias harmoniosas com cores fortes sobre panos de linho artesanal cru e são ideias para oferecer como presente! 

O Dia da Produção Nacional procura sensibilizar a população portuguesa para o consumo dos produtos produzidos em Portugal, pois, dessa forma, contribuímos para a criação de postos de trabalho, para a afirmação da produção nacional nos mercados externos, ajudamos os pequenos produtores e garantimos que o saber antigo de muitos mestres, artesãos, oleiros e produtores não se perde, e se desenvolve. 

Orgulhamo-nos do que é genuinamente português e consumimos o que é nacional!

Viva o Centro de Portugal!