Prémio Camões em 2001, Eugénio de Andrade foi um dos maiores autores da literatura portuguesa do século XX. Nasceu há exatamente 100 anos, em Póvoa da Atalaia, no concelho do Fundão.
Ao longo da sua carreira literária, publicou uma extensa obra poética e traduziu outros poetas.
As inúmeras distinções que recebeu, quer em Portugal e quer no estrangeiro, demonstram o reconhecimento do seu talento.

URGENTEMENTE

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.


É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

Eugénio de Andrade

Considerado um dos maiores poetas da literatura portuguesa contemporânea, nasceu, em 1923, na aldeia de Póvoa da Atalaia, no Fundão, onde morou até aos oito anos, altura em que foi viver para Castelo Branco.

Ao longo de sua vida, Eugénio de Andrade produziu uma vasta obra poética, caracterizada pela delicadeza e sensibilidade onde os versos dos seus poemas eram marcados pela simplicidade e pela capacidade de retratar o amor, a intimidade e a natureza de uma forma única e tocante. A sua poesia, influenciada pelo movimento surrealista, apresentava um olhar profundo sobre o mundo, assim como a procura pela palavra precisa.

Além de sua vasta obra poética, escrita em prosa e literatura infantilA História da Égua Branca, tão conhecida dos mais novos – Eugénio de Andrade dedicou-se também à tradução de poesia, onde deu a conhecer as obras de García Lorca. Em 2001, recebeu o Prémio Camões, considerado o prémio literário mais importante da língua portuguesa.

A sua obra foi também reconhecida internacionalmente, sendo traduzida para várias línguas e elogiada pela crítica literária e leitores de todo o mundo. Partiu em 2005, deixando um legado poético incomparável que pode ser visitado na Casa da Poesia de Eugénio de Andrade, uma oportunidade de conhecer melhor o escritor e a sua obra.

Hoje, reconhecido pela crítica literária como “um poeta que soube transformar palavras em emoções e transmitir, através de seus versos, a beleza e a intensidade da existência humana”, convidamo-lo à leitura e deste grande escritor e à descoberta de um território único onde as estações do ano definem a paleta de cores e pautam os sons da paisagem…


Casa da Poesia Eugénio de Andrade

A Casa da Poesia Eugénio de Andrade está situada na Póvoa da Atalaia, no concelho do Fundão. Trata-se de um espaço interpretativo dedicado à vida e obra do poeta, onde ficamos a conhecer o percurso biográfico e a obra literária do Prémio Camões de 2001.

Na “Casa Materna”, situada numa antiga escola primária, o visitante fica a conhecer muito do espólio do autor, incluindo manuscritos escritos pela mão de Eugénio de Andrade. ”Póvoa de Atalaia é a minha terra. Fazia falta dizê-lo com o coração. Fica dito”.

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Exposição “Eugénio de Andrade: A Arte dos Versos no Fundão”

De 20 de outubro a 17 de novembro, o Museu e as Bibliotecas do Porto e a Biblioteca Municipal Eugénio de Andrade (Fundão), apresentam um programa com mais de uma dúzia de atividades com participação gratuita. Oficinas, conversas, documentários, recitais, derivas e visitas guiadas marcam um mês de atividade gratuita para os mais velhos, os mais novos e famílias.

Com programação de Jorge Sobrado e Rita Roque, curadores da exposição 𝑬𝒖𝒈𝒆́𝒏𝒊𝒐 𝒅𝒆 𝑨𝒏𝒅𝒓𝒂𝒅𝒆: 𝑨 𝑨𝒓𝒕𝒆 𝒅𝒐𝒔 𝑽𝒆𝒓𝒔𝒐𝒔, este programa coloca em evidência diferentes abordagens à poética de Eugénio através da palavra, da imagem fixa e em movimento, do objeto e da paisagem.

20 OUTUBRO
SEX | 15H—17H | oficina
𝑇𝑒𝑟𝑟𝑎 𝑑𝑒 𝑀𝑖𝑛ℎ𝑎 𝑀𝑎̃𝑒 – Oficina de fotografia com Miguel Flor
→ Biblioteca Municipal do Fundão

17H—18H | conversa
𝐴 𝐴𝑟𝑡𝑒 𝑑𝑜𝑠 𝑉𝑒𝑟𝑠𝑜𝑠
Conversa com o consultor científico Arnaldo Saraiva
Moderação: Jorge Sobrado e Rita Roque
→ Biblioteca Municipal do Fundão

21H | documentário
𝐸𝑢𝑔𝑒́𝑛𝑖𝑜 𝑑𝑒 𝐴𝑛𝑑𝑟𝑎𝑑𝑒, 𝐶𝑜𝑟𝑎𝑐̧𝑎̃𝑜 𝐻𝑎𝑏𝑖𝑡𝑎𝑑𝑜
Projeção do documentário de Arnaldo Saraiva (57min/RTP)
→ Sala da Concha – Casino Fundanense

21 OUTUBRO
SÁB | 14H30—18H30 | oficina
𝑇𝑒𝑟𝑟𝑎 𝑑𝑒 𝑀𝑖𝑛ℎ𝑎 𝑀𝑎̃𝑒
Oficina de fotografia com o fotógrafo Miguel Flor
→ Póvoa da Atalaia

14H—16H | deriva
𝐿𝑢𝑔𝑎𝑟𝑒𝑠 𝑑𝑒 𝐸𝑢𝑔𝑒́𝑛𝑖𝑜
Percurso com Arnaldo Saraiva
→ Póvoa de Atalaia

21H—21H50 | recital
𝐴 𝑃𝑜𝑒𝑠𝑖𝑎 𝑛𝑎 𝑀𝑢́𝑠𝑖𝑐𝑎 𝑒 𝑎 𝑀𝑢́𝑠𝑖𝑐𝑎 𝑛𝑎 𝑃𝑜𝑒𝑠𝑖𝑎 𝑑𝑒 𝐸𝑢𝑔𝑒́𝑛𝑖𝑜 𝑑𝑒 𝐴𝑛𝑑𝑟𝑎𝑑𝑒
Interpretação ao piano por Sofia Lourenço, leitura de poemas por Morena Pissolatti
→ Sala de Imprensa – Casino Fundanense

4 NOVEMBRO
SÁB | 15H—17H | oficina para famílias
𝐸𝑢 𝑉𝑜𝑢 𝐶𝑜𝑚 𝐴𝑠 𝐴𝑣𝑒𝑠Oficina de Origami com a educadora Ana Cancela
→ Biblioteca Municipal do Fundão

14H30—17H30 | oficina para adultos
𝐿𝑖́𝑛𝑔𝑢𝑎 𝑑𝑜𝑠 𝑉𝑒𝑟𝑠𝑜𝑠 Oficina de escrita criativa com a poeta Rosa Alice Branco
→ Biblioteca Municipal do Fundão

19H—20H | conversa
𝐸𝑢𝑔𝑒́𝑛𝑖𝑜 𝑑𝑒 𝑝𝑟𝑜𝑥𝑖𝑚𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 – Conversa com o poeta Luís Filipe Maçarico e a poeta Rosa Alice Branco
Moderação: Rita Roque
→ Biblioteca Municipal do Fundão

5 NOVEMBRO
DOM – 1ª sessão: 15H—16H15 / 2ª sessão: 16H30—18H | oficina
𝐵𝑎𝑟𝑟𝑜 𝑃𝑜𝑒́𝑡𝑖𝑐𝑜 – Oficina de cerâmica com a artista Cátia Pires
→ Casa do Barro – Telhado

11 NOVEMBRO
SÁB | 15H—17H | oficina para famílias
𝐷𝑒𝑠𝑒𝑛ℎ𝑜 𝐶𝑜𝑛𝑠𝑡𝑒𝑙𝑎𝑐̧𝑎̃𝑜 – Oficina de desenho com a artista Constança Araújo Amador
→ Biblioteca Municipal do Fundão

DOM | 15H—17H | oficina para famílias
𝐷𝑒𝑠𝑒𝑛ℎ𝑜 𝐶𝑜𝑛𝑠𝑡𝑒𝑙𝑎𝑐̧𝑎̃𝑜 – Oficina de desenho com a artista Constança Araújo Amador
→ Centro para as Migrações – Seminário do Fundão

17 NOVEMBRO
SEX | 16H—17H | visita guiada
Exposição 𝐴 𝐴𝑟𝑡𝑒 𝑑𝑜𝑠 𝑉𝑒𝑟𝑠𝑜𝑠 𝑛𝑜 𝐹𝑢𝑛𝑑𝑎̃𝑜
Com curadores Jorge Sobrado e Rita Roque
→ Biblioteca Municipal do Fundão

18H—19H | conversa
𝐴 𝑇𝑎𝑟𝑒𝑓𝑎 𝑑𝑜 𝑃𝑜𝑒𝑡𝑎 𝑒 𝑎 𝐴𝑟𝑡𝑒 𝑑𝑎 𝐼𝑚𝑎𝑔𝑒𝑚
Conversa com os convidados Rui Lage e Isabel Pires de Lima
Moderação: Jorge Sobrado
→ Biblioteca Municipal do Fundão

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Torre das Palavras

Situado na Casa do Barro, este é um espaço dedicado ao poeta Albano Martins, por muitos considerado o poeta das paisagens. Aqui dá-se a conhecer a vida e obra do poeta, através de alguns dos seus livros, fotografias e manuscritos.

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A poesia, se não for o lugar onde o desejo ousa fitar a morte nos olhos, é a mais fútil das ocupações.

Eugénio de Andrade

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Artigo em atualização