Cinco cidades do Centro de Portugal fazem parte da Rede das Cidades Criativas da UNESCO.
Venha conhecê-las.

A Rede de Cidades Criativas da UNESCOUNESCO Creative Cities Network – foi criada em 2004. As cidades que integram este projeto têm, como objetivo comum, a utilização da cultura e da criatividade como instrumentos de transformação das cidades em lugares seguros, inclusivos, sustentáveis e preparados para o futuro. A Rede serve como uma plataforma internacional de intercâmbio e colaboração entre cidades para a implementação dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 das Nações Unidas, designadamente o Objetivo 11 sobre cidades e comunidades sustentáveis. 



Covilhã Cidade Criativa do Design


A Rede Cidade Criativa da Unesco é composta por 246 cidades em sete áreas criativas – que vão desde o artesanato, arte folclórica, design, cinema, gastronomia, literatura, media e música. As cidades que integram a Rede assumem o compromisso de partilhar experiências, conhecimentos e boas práticas criativas, assim como desenvolver parcerias envolvendo os setores público e privado, associações, comunidade civil, organizações e instituições culturais.

No Centro de Portugal são cinco as cidades que integram este projeto. Na Região do Oeste, a cidade de Caldas da Rainha foi distinguida na categoria de Artesanato e das Artes Populares e a Vila de Óbidos na categoria de Literatura. Na Serra da Estrela, a Covilhã integra a categoria do Design. Na Beira Baixa e na Região de Leiria as cidades de Idanha-a-Nova e Leiria, respetivamente, são ambas Cidades Criativas da Música.

Conheça as cinco cidades do Centro de Portugal que integram a Rede de Cidades Criativas da UNESCO.

1 – CALDAS DA RAINHA
# Cidade Criativa do Artesanato e Artes Populares (2019)

Caldas da Rainha, Cidade Criativa do Artesanato e Artes Populares, integra a Rede de Cidades Criativas da UNESCO desde 2019. É conhecida pelos seus produtos cerâmicos centenários que fazem parte da cultura e da identidade da cidade. A indústria cerâmica, remonta ao final do século XV, aliou a oferta da matéria prima – argilas de qualidade – à mão de obra qualificada para produzir artigos utilitários destinados à população e ao hospital. 

Já no século XIX, um dos artistas mais conhecidos, Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905), tornou-se famoso pelas suas ilustrações, caricaturas, esculturas e cerâmica. Atualmente, os antigos motivos naturalistas, figurativos e satíricos coexistem com o design contemporâneo e podem ser observados nos edifícios, lojas e museus, por toda a cidade.

Em 2018, na Escola Superior de Artes e Design do Instituto Politécnico de Leiria, nas Caldas da Rainha, foi criada a Cátedra Unesco de Artes e Gestão Cultural, Cidades e Criatividade, com o objetivo de promover um sistema integrado de investigação, formação, informação e documentação sobre as artes visuais, a gestão da arte e da criatividade, contribuindo assim para reforçar os setores criativos ligados ao artesanato e às artes populares.


Fachada de Azulejos

Fundada no século XV, a cidade onde se encontra o mais antigo Hospital Termal do mundo, é conhecida pelas suas águas e por cinco séculos de tradição cerâmica, afirmando-se como forma de expressão artística que se foi reinventando sobre si mesma, sendo hoje um dos principais elementos identitários da cidade.

A cerâmica das Caldas remonta ao final do século XV, fruto da qualidade das argilas locais que os oleiros utilizavam para produzir artigos utilitários destinados ao Hospital Termal e à população que aqui se fixava.

No século XIX assistia-se nas Caldas da Rainha a uma produção profícua, assente em pequenas fábricas familiares, e a louça utilitária ganhava formas de gosto popular, vindo a ganhar um traço distintivo pela sua figuração naturalista, com as famosas folhas de couve, de alfaces, peixes, fruta, enchidos, entre outros objetos que aliam o decorativo ao utilitário.

A vincada atividade em torno da cerâmica que se vivia nas Caldas, motivou o interesse de Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905), famoso pelas suas ilustrações, caricaturas, esculturas e cerâmica, tendo escolhido as Caldas para aqui fundar uma Fábrica de Faianças.

O génio artístico de Bordalo perdura até aos dias de hoje, presença viva nas Caldas, pelas suas figuras estereotipadas de maneira sarcástica, o pendor naturalista com traço inovador que conferiu à louça produzida na sua Fábrica e a forma com aliava outras expressões artísticas com a cerâmica.

Com o século XX, faz-se sentir nas Caldas um rasgo inovador, sobretudo com a criação da SECLA – Sociedade de Exportação e Cerâmica SA., e o conjunto de ceramistas que ali desenvolveram o seu trabalho, colocando as Caldas no mapa da cerâmica contemporânea, como Hansi Staël, Thomaz de Mello (Tom), José Aurélio, António Quadros, Júlio Pomar, Alice Jorge, Ferreira da Silva, José Santa-Bárbara, Jorge Vieira, Maria Antónia Paramos, Miria Toivola Câmara Leme, Ian Hird e Herculano Elias, para além dos proprietários da fábrica e igualmente criadores, Pinto Ribeiro e Ponte e Sousa.

Nos dias de hoje, memória e inovação andam de mãos dadas – o design contemporâneo abraça os característicos motivos naturalistas, figurativos e satíricos, numa profusão de estilos artísticos e encontro geracional, sentindo-se a presença da cerâmica por toda a cidade, nos edifícios, lojas e museus.

Enquanto cidade criativa, encontramos nas Caldas uma fortíssima comunidade criativa, impulsionada pela Escola Superior de Artes e Design do Politécnico de Leiria e pelas muitas associações culturais da sociedade civil, um conjunto de museus dedicados ao património (escultura, pintura e cerâmica), inúmeras instituições dedicadas ao desenvolvimento cultural e criativo e às artes em geral, mas também um tecido empresarial que abre perspetivas criativas através do design.

Persiste na cidade uma relação rica entre pequenos ateliers e a indústria, o que possibilita a expansão de fronteiras convencionais da relação entre o artesão e a indústria.

Fachada de Azulejo

Caldas da Rainha é membro fundador da Associação Portuguesa de Cidades Cerâmicas e as suas políticas culturais procuram expandir as redes internacionais.

LOCAIS DE INTERESSE

Conhecer a cidade na sua vertente criativa, convida também à descoberta património termal, através de um percurso pela mão de Rafael Bordalo Pinheiro, através das suas obras que assumem um papel gigante, em tamanho e valor, que se vão encontrando pelas ruas da cidade, num percurso que se faz de arte e património, pelos lugares mais emblemáticos.

# Rota Bordaliana – Pelas ruas da cidade, as figuras mais emblemáticas de Rafael Bordalo Pinheiro assumem dimensão gigante. Zé Povinho, Maria Paciência, a Ama, o Padre, os animais que Bordalo Pinheiro não se cansava de retratar, rãs, andorinhas, caracóis, lagartos, apenas para dizer alguns, são 20 as figuras de Bordalo espalhadas pela cidade, dão as boas vindas a visitantes, num percurso que passa pela Praça da Fruta, Hospital Termal e Parque D. Carlos I, locais de visita fundamental nas Caldas.

Rota Bordaliana

# Praça da Fruta – Realiza-se todos os dias de manhã, onde se comercializam produtos produzidos na região, tais como: produtos hortícolas e frutícolas, flores, cerâmica tradicional, entre outros produtos. O único mercado diário do País realizado ao ar livre, sendo este o ex-líbris da cidade.

# Parque D. Carlos I – no local onde por excelência se passeavam as águas depois dos tratamentos termais, nasce este jardim romântico, contíguo ao hospital termal, como local de bem estar e relaxamento para os aquistas. Idealizado por Rodrigo Berquó, transforma-se numa área de lazer e ócio, com um lago central artificial e largas alamedas,  tornando—se ponto de encontro de caldenses e turistas.

Parque D. Carlos I

# Hospital Termal Rainha D. Leonor – No ano de 1484, no decorrer de uma viagem para a Batalha, a Rainha Dona Leonor avistou um grupo de plebeus que se banhava em águas enlameadas. Curiosa, indagou sobre tal ritual. Foi-lhe explicado que se tratavam de águas milagrosas que, de acordo com a lenda, após as ter testado, curou-se das maleitas que padecia à época. Satisfeita com tamanho poder curativo, mandou erigir no ano seguinte o Hospital Termal, para que os enfermos nele se pudessem curar. Foi a partir deste lugar que, em sua homenagem, surgiram as Caldas da Rainha.

Este, que é o Hospital Termal mais antigo do Mundo, sofreu algumas transformações ao longo dos séculos.
As suas águas, analisadas pela primeira vez em 1743, confirmaram a sua riqueza mineral. Talvez por isso mesmo, o Rei Dom João V tenha ordenado a construção de um Palácio Real nas traseiras do Hospital Termal, para hospedagem da família real.

Para além do Rei, o arquiteto Rodrigo Berquó foi também um grande impulsionador do Hospital Termal e do seu espaço circundante. Administrador do mesmo nos finais do século XIX e motivado pela chegada às Caldas dos caminhos-de-ferro em 1887, gerou transformações ao nível da organização dos espaços, a fim de alcançar uma perfeita simbiose entre o Hospital Termal, o Parque Dom Carlos I, o Lago, os jardins e o Palácio Real.

Caldas da Rainha, sendo uma cidade de artes, oferece um conjunto de Museus que acolhem variados estilos artísticos – como a cerâmica, pintura e escultura – dos quais destacamos o Museu da Cerâmica, o Museu Malhoa e o Centro de Artes.


# Museu da Cerâmica – Situado num Palacete em estilo romântico revivalista, nas imediações da antiga Fábrica de Bordalo Pinheiro, o espaço com ainda com um jardim, de traçado romântico, com as suas alamedas, floreiras e lagos, destacando-se as decorações cerâmicas que ornamentam o conjunto.

Nas coleções do Museu da Cerâmica encontramos produção caldense, desde as formas de olaria, à produção artística do século XIX, com autores como Manuel Mafra, introdutor neste centro do estilo naturalista de Bernard Palissy, até à produção contemporânea de alguns ceramistas caldenses como Ferreira da Silva ou Eduardo Constantino.

Destaque para o importante núcleo de cerâmicas de Rafael Bordalo Pinheiro, executado na Fábrica de Faianças de Caldas da Rainha, e para a produção Arte Nova de Costa Motta Sobrinho. A miniatura, com destaque para as obras de Mestre Elias, tem também um núcleo no Museu, bem como a azulejaria.

# Museu Malhoa –  O Museu José Malhoa, situado em pleno Parque D. Carlos I, foi o primeiro edifício a ser projetado para fins museológicos em Portugal.
As coleções do Museu são essencialmente constituídas por doações, articuladas de forma a permitirem reunir um acervo de referência do Naturalismo português centrado na obra de José Malhoa (1855-1933), representado por um conjunto de trabalhos que incluem “Os Bêbados” (1907), “Rainha D. Leonor” (1926), “As Promessas” (1933). Contempla ainda a época precedente, enquadrada por artistas que revelam valores românticos de transição para um pré-naturalismo, principalmente Alfredo Keil (1850-1907) e pintores do “Grupo Leão” (1881-89), que Malhoa também integrou, e outros pintores contemporâneos cultores do mesmo género.

Museu de José Malhoa

A escultura pontua todo este período, com relevo para o núcleo de estatuária oficial e de retrato do séc. XX, com obras de Francisco Franco (1885- 1955), Leopoldo de Almeida (1898-1975), António Duarte (1912-1998) e João Fragoso (1913-2000).
A secção de cerâmica estabelece uma panorâmica pela produção local centrada na figura de Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905), podendo-se apreciar a “Paixão de Cristo” (1887-99), conjunto de esculturas em terracota policromada.
No Parque D. Carlos I, distribui-se a coleção de Escultura ao Ar Livre, com cerca de três dezenas de peças que remetem para o discurso estético delineado no percurso do Museu.

# Centro de Artes – Estrutura municipal, tem como missão apoiar o desenvolvimento das Artes e da Cultura. Para além dos Museus Municipais, integra diversas infraestruturas que têm vindo a ser criadas pela Câmara Municipal desde há cerca de duas décadas, que têm como função apoiar a produção artística e promover eventos e atividades de âmbito cultural.
O Centro constitui-se num dos mais importantes núcleos de escultura portuguesa do século XX, reunindo os seguintes espaços museológicos:

# Atelier-Museu António Duarte – Inaugurado em 1985 após doação da colecção de arte do Mestre escultor à sua cidade natal, Caldas da Rainha. Podemos aqui encontrar, distribuída por várias salas, grande parte da sua produção escultórica, desde escultura pública (sobretudo esbocetos, modelos e maquetas) que constituem a expressão mais conhecida da sua obra, a um registo mais intimista e pessoal. Um interessante núcleo de Arte Sacra pode também ser apreciado.

# Atelier-Museu João Fragoso – Inaugurado em 1994 no seguimento da política cultural da autarquia iniciada com o Atelier-Museu António Duarte. Como no caso anterior, este museu foi criado com o intuito de acolher parte significativa da obra de um grande escultor da cidade e simultaneamente criar um espaço oficinal que permitisse dar continuidade à sua produção artística.
O espaço de nave única percorre as três etapas fundamentais da sua obra, que notavelmente coincidem com os movimentos mais significativos da arte do século XX: figuração, abstração e arte conceptual.

# Museu Barata Feyo – Inaugurado em 2004 e projetado por um dos seus filhos, o Arquiteto António Barata Feyo, acolhe um importante acervo de obras deste escultor da escola do Porto. Escultor, ensaísta e pedagogo, foi como estatuário que mais se notabilizou. Podemos admirar os aspetos mais significativos da sua obra, de onde se destacam três grupos temáticos principais: o retrato, a escultura oficial e escultura religiosa.

# Espaço da Concas – Inaugurado em 2009, está patente parte da obra plástica da pintora Concas (1946-1991), doada pela família ao Município das Caldas da Rainha.
Estão representadas as várias fases da sua obra desde os primeiros desenhos ainda em Moçambique (década de 60), passando por trabalhos do período em que frequentou a Escola de Belas Artes de Lisboa, até à obra que terminou na véspera da sua morte.

Museu Barata Feyo

Experiências que o turista poderá usufruir

Existem um conjunto de experiências promovidas por ceramistas locais, como dias abertos e workshops, uma oportunidade única para contactar com a cerâmica e aprender esta arte local.
Ainda no domínio das experiências, são vários os operadores locais que dispõem de visitas guiadas pela cidade, com diferentes vertentes – artísticas, culturais e gastronómicas.
De forma autónoma, o Posto de Turismo da Cidade, dispõe de diferentes roteiros, que conduzem os turistas pela cidade, conhecendo o seu património artístico e cultural, como é exemplo a Rota Bordaliana, acima mencionada.
A par da visita à cidade, realçamos também a diversidade do concelho que têm uma importante dimensão rural, com um vasto património natural, com paisagens verdejantes, pontuadas por extensos pomares e trilhos para caminhadas, através dos quais se pode também encontrar património edificado, como moinhos, igrejas e uma ponte romana.
Junto à costa, destacamos a Praia da Foz do Arelho, onde se pode apreciar a extensão do Atlântico, com as Berlengas à vista, num passeio pelos passadiços de madeira. A Lagoa de Óbidos, rica pela sua biodiversidade, onde se pode usufruir de um passeio de barco, caminhadas e observação de pássaros.

2 – COVILHÃ
# Cidade Criativa do Design (2021)

Inserido no território do Estrela Geopark da UNESCO, a Covilhã é a primeira cidade em Portugal a integrar a categoria Cidade Criativa do Design na Rede UNESCO. Trata-se de um reconhecimento pelo compromisso em colocar a Cultura e a Criatividade no centro do desenvolvimento urbano sustentável, compartilhando conhecimento e boas práticas a nível internacional.

A cidade convida a percorrer as rotas de Arte Urbana e Arte Nova. A descobrir Judiarias, a conhecer o Património Industrial e a Rota da Lã. Mas é em espaços como o New Hand Lab e no Museu Nacional dos Lanifícios da Universidade da Beira Interior que se promove a criatividade, a inovação e o empreendedorismo assente no respeito pela história e pela identidade cultural do seu povo.

New Hand Lab
New Hand Lab

A integração da Covilhã na Rede de Cidades Criativas da UNESCO radica-se na história local e no orgulho coletivo relativamente ao seu passado, indissociável do vanguardismo da indústria têxtil e dos lanifícios. Esta cidade portuguesa é um dos principais centros urbanos do interior português, situada na província da Beira Baixa, possuindo no seu território concelhio cerca de 46 500 habitantes, distribuídos por 21 freguesias (555 km² de superfície).

Os milenares vestígios de ocupação humana transformam o concelho e a cidade num autêntico mosaico vivo, repleto de inestimável riqueza patrimonial, cultural e natural. A cidade situa-se na vertente sudeste da Serra da Estrela e estende-se, pela encosta, entre os 450 e os 800 metros de altitude. O ponto mais alto de Portugal Continental (Torre, 1.993 metros) dista cerca de 20 km da Covilhã, inserindo-a na área abrangida pelo Estrela Geopark, que ingressou na rede de Geoparques Mundiais da UNESCO em 2020. Esta proximidade à natureza orientou a estrutura Covilhã, Cidade do Design para a priorização de políticas de desenvolvimento alicerçadas na sustentabilidade e na gestão responsável de recursos. É da natureza e missão do Design ser responsável, mas o projeto da Covilhã privilegia a reciclagem/reutilização de produtos e materiais e configura novos horizontes, através de processos criativos contemporâneos que evidenciam a relação entre Arte, Cultura e Meio físico, contribuindo simultaneamente para a valorização da Natureza.

A Covilhã retira partido de paisagens de exímia beleza, da abundância de águas cristalinas e da excelente qualidade do ar de altitude. Os sinuosos percursos e rotas atravessam um território de memórias e de contrastes, incentivando à descoberta de pitorescas aldeias de montanha, minas (Panasqueira e Recheira), praias fluviais, piscinas naturais, paisagens graníticas, lagoas encantadas, trilhos seculares, formações rochosas naturais, cascatas e termas. A criatividade impera, desde logo, na imponente paisagem que confronta e recebe quem chega à cidade.

Museu

A valorização paisagística e ambiental vem sendo uma prioridade da Câmara Municipal da Covilhã, reforçada através de vários projetos e intervenções como a criação de uma Rede de Miradouros no concelho, enquadrando-se no plano de Conservação, Proteção e Desenvolvimento do Património Natural e Cultural. Em todos os recantos se vão revelando excertos de passado e de presente, que lhe imprimem identidade e caráter. A orografia ímpar, que acompanha as curvas da montanha, faz dela uma autêntica “cidade presépio”. Além da neve, tão aguardada anualmente, o território atrai os visitantes pela ambiência proporcionada pelos colossais relevos montanhosos da Serra da Estrela, moldados há mais de 20.000 anos pelo degelo dos vales glaciares.

A Covilhã é, também, cidade-berço de navegadores e cosmógrafos como Pêro da Covilhã, os irmãos Francisco e Ruy Faleiro e o Mestre José Vizinho, entre outras dezenas de figuras relevantes para o sucesso das navegações ultramarinas europeias, entre os séculos XV e XVII. Os espaços culturais, maioritariamente gratuitos e com ampla oferta de programação, conservam e divulgam esse passado através do trabalho em rede, do serviço educativo, do recurso a tecnologias e a formas de expor inovadoras e contemporâneas. Tome-se, como exemplo, o recente Museu da Covilhã (Prémio APOM “Museu do Ano 2021” e Prémio Linguagem Clara 2022), a Galeria António Lopes, o Museu de Arte Sacra e o Museu de Lanifícios da Universidade da Beira Interior; o Teatro Municipal da Covilhã e Centro de Inovação Cultural, bem como o Centro de Inovação Empresarial da Covilhã e o NEST – Centro de Inovação do Turismo; o C3D Makerspace da Biblioteca Municipal da Covilhã, o New Hand Lab e o Musée Maison, espaços onde se promove a criatividade e a inovação.

Teatro Municipal

O seu diverso e rico património arquitetónico atravessa um amplo arco temporal, profundamente influenciado pela história e pelas características geográficas do território: os miradouros urbanos, os espaços verdes, os palacetes Art Nouveau da burguesia industrial, os magníficos elementos em ferro que ornamentam os edifícios, as antigas muralhas do castelo, e as capelas, conventos e igrejas centenárias. A Ponte sobre a Ribeira da Carpinteira é uma das mais impressionantes do mundo, tendo sido premiada com um AIT-Award (2012) e candidata ao prémio Mies van der Rohe (2011). Valeu à Covilhã o destaque de World’s Coolest Design Destination pela Travel+Leisure (2011).

Ponte sobre a Ribeira da Carpinteira
Ponte sobre a Ribeira da Carpinteira

A Covilhã é, ainda, território de folclore e de ancestrais manifestações de património cultural imaterial. A gastronomia local, divulgada pelos restaurantes locais, hotéis e confrarias, envolve os sentidos e recupera sabores antigos em iguarias como o pastel de molho, a panela no forno, o brulhão, o bacalhau à Assis, as bolachas de cerveja, os massapães, as talassas, as papas de carolo, o mogango, o requeijão, a cereja, o afamado Queijo da Serra e a famosa cherovia. No coração da cidade, é possível usufruir de experiências gastronómicas de qualidade, em restaurantes como Alkimya, Casa das Muralhas,  DAbeira, G-treze, Montiel, Paço 100 Pressa, Taberna Laranjinha, entre muitos outros.

A importância das primeiras manufaturas, instaladas junto às ribeiras da Goldra (finais do séc. XV) e da Carpinteira (séc. XVI), foi inquestionável no desenvolvimento de técnicas e práticas produtivas e na especialização, vindo a justificar a atribuição do título de Notável à então Vila da Covilhã, em 1570. Foi também a relevância dos Lanifícios que determinaria, em 1870, a elevação a Cidade. Poucos centros urbanos podem afirmar assumir a mesma atividade económica regular durante tanto tempo. Por ser o maior produtor de lanifícios do país e um dos principais do mundo, a Covilhã foi apelidada de “Manchester Portuguesa”.

As suas ribeiras alimentaram, constante e abundantemente, todas as fábricas que ali se instalaram até ao século XX. A lã e os lanifícios são parte do ADN da cidade há mais de oito séculos, até um presente em que os têxteis se aliam a novas áreas da inovação e de vanguarda, uma transformação na qual o Design tem um papel preponderante. Hoje, os exemplares que sobrevivem de património industrial – em particular as imponentes chaminés de tijolo – ainda povoam as margens das ribeiras.

Museu dos Lanifícios

A Covilhã é uma Cidade do Design avant la lettre, isto é, antes de ser já o era. A sua candidatura – e posterior designação – vão muito além da sua longa tradição industrial têxtil, que se sustenta no Design enquanto precioso instrumento de criação de valor, marcando indelevelmente o seu património arquitetónico. A cidade apresenta uma ampla oferta formativa a nível médio e superior neste domínio, contabilizando-se várias entidades que ministram o ensino secundário e a formação profissional neste setor, além, obviamente, da Universidade da Beira Interior, que há mais de vinte anos assegura cursos de 1º, 2º e 3º ciclos em Design, sendo a principal parceira do projeto. A Covilhã é, hoje, um centro urbano que soube criar capacidade e competências para a formação de jovens altamente qualificados, uma realidade complementada pelas zonas industriais e rurais circundantes.

Museu dos Lanifícios

O Design está no centro de dinâmicas de participação cívica e de resposta às necessidades específicas das populações. Através do Design e das Artes, a Covilhã enquadra uma estratégia de reabilitação urbana e territorial, aumentando a sua atratividade cultural, económica e turística; permitirá também concretizar objetivos estratégicos relacionados com a internacionalização, aumentando o cosmopolitismo do município, seja pela integração nas redes e dinâmicas internacionais da UNESCO, seja pelo estímulo à circulação de pessoas, bens e serviços de Design. A Covilhã, Cidade do Design entende este campo criativo como fundamental para a agenda pública e como prioridade política e cívica, promovendo a cooperação cultural entre os diversos setores. Entende-se o Design como poderoso mediador entre a educação, a indústria, a academia e a administração pública, capaz de impulsionar a afirmação da Covilhã como cidade de Cultura, Conhecimento, Investigação e Inovação.

A Rede de Cidades Criativas da UNESCO, que a Covilhã passou a integrar no ano transato, conta já com 294 cidades que, a nível mundial, se comprometem em colocar a inovação e a criatividade no centro do seu desenvolvimento social, cultural e económico, promovendo-os colaborativamente como fatores-chave do desenvolvimento urbano sustentável e inclusivo. Das 49 novas cidades que, no ano transato, ingressaram na UCCN, apenas 3 são de Design: Covilhã (Portugal), Doha (Qatar) e Whanganui (Nova Zelândia). Não obstante a sua diversidade, as Cidades Criativas apresentam uma constante que passa, precisamente, pelo reconhecimento do valor ecossistémico da Criatividade e da Cultura. Ou seja, compreendem que uma cidade não pode ser criativa num domínio sem privilegiar os domínios conexos, que se nutrem e alimentam reciprocamente.

A candidatura à Rede foi um processo longo, que começou a ser preparado em 2018. O Plano de Ação, que contempla dezenas de atividades distribuídas pelo quadriénio 2022-2025, foi apresentado em sessão pública em abril de 2021. A sessão foi presidida por Vítor Pereira, Presidente da Câmara Municipal da Covilhã, com a participação da estrutura e dos órgãos da Candidatura, bem como de diversas entidades da Parceria e uma panóplia de convidados institucionais, incluindo a Rede de Cidades Criativas da UNESCO (UCCN). Antecedeu essa sessão um vasto conjunto de diligências e contactos, que resultaram, nomeadamente, no apoio unânime da Assembleia da Comunidade Intermunicipal da Beiras e Serra da Estrela, que congrega 17 municípios da região, e da Assembleia Municipal da Covilhã, que reiterou o sentido e o interesse estratégico deste desiderato.

Em junho de 2021, a Câmara Municipal da Covilhã foi notificada pela Comissão Nacional da UNESCO em Portugal relativamente à aceitação formal e ao apoio à sua candidatura. A confirmação da designação oficial da Covilhã como Cidade Criativa da UNESCO em Design foi anunciada a 8 de novembro do mesmo ano.

Ao ver confirmada a designação, a Covilhã tornou-se a primeira Cidade Criativa portuguesa em Design e a segunda da Península Ibérica, sucedendo a Bilbao como membro da sub-rede Cities of Design.  O desiderato da candidatura a Cidade Criativa visava, fundamentalmente, afirmar a Covilhã como uma Cidade de Cultura, Conhecimento, Investigação e Inovação na área do Design, pelo que a sua integração na Rede deverá sustentar e orientar políticas e estratégias públicas, envolvendo todas as entidades (empresas/instituições), parceiros e especialistas, as comunidades escolares e universitária, bem como a comunidade em geral.

New Hand Lab

Em fevereiro de 2022, a equipa Covilhã, Cidade do Design foi acolhida na Reunião de Boas-vindas com Stijn Debaillie (Kortrijk) e Cindy Lee (Wuhan), respetivamente Coordenador e Sub-Coordenadora da UNESCO Cities of Design Network (COD). Ainda nesse mês, deu-se a primeira reunião de trabalho, via Zoom, entre todos os membros da sub-rede Cities of Design Network (COD), na qual foram apresentadas as três novas Cidades Criativas em Design. Mais tarde, em março – seguindo as orientações emanadas pela UNESCO – foi aprovado um novo logótipo Covilhã, Cidade do Design. Este ícone, desenvolvido por Francisco Paiva (diretor executivo da Candidatura), de acordo com os valores de modernidade, criatividade e empatia, substituiu o utilizado durante o processo de candidatura, passando a representar a cidade em todos os eventos realizados no âmbito da integração na UCCN. No seu primeiro ano como membro da Rede, a Covilhã marcou presença em eventos de caráter internacional, como a Biennale Internationale Design Saint-Étienne 2022 e a XIV Conferência Anual da Rede de Cidades Criativas da UNESCO (Santos, Brasil).

New Hand Lab

A Covilhã, Cidade do Design procura, por um lado, integrar as componentes académicas e formativas com a vertente expositiva, produtiva e empresarial do Design e, por outro lado, sensibilizar todos os públicos para a realidade e o desempenho do Design na melhoria da qualidade de vida, refletindo-se na otimização das condições do habitat, na otimização energética, no uso dos recursos disponíveis, no desenvolvimento da mobilidade e nas dinâmicas de relação entre a cidade e o campo. O Design está no centro das dinâmicas de participação cívica, de resposta às necessidades específicas das populações e à emergência ecológica e climática. Através do Design e das Artes, a Covilhã enquadra toda uma estratégia de reabilitação urbana, aumentando a atratividade cultural, económica e turística, tanto da cidade como do território circundante, aumentando o seu PIB, designadamente no setor das indústrias criativas, com efeito transformador nos modelos de produção e de consumo.

New Hand Lab

Sem descurar o seu passado como centro industrial, a Covilhã soube adaptar o património fabril a novas funções e inovar em processos e produtos, mantendo sempre uma identidade associada ao que de melhor se produz no âmbito da indústria têxtil e dos lanifícios, nacional e internacionalmente. Passado e presente dialogam, também, nas sinuosas ruas do Centro Histórico da cidade, que apresentam um notável conjunto de obras de arte resultantes do mais antigo festival de arte urbana do país, o WOOL. O Festival WOOL presta homenagem ao passado industrial da Covilhã e cria um autêntico “museu a céu aberto”, com obras de artistas como Vhils, Bordalo II, Pantónio, Mistaker Maker, Bosoletti, entre muitos outros.

Arte Urbana

Ao longos dos séculos, a cidade desenvolveu-se de acordo com elevados padrões de conhecimento e inovação, nos campos das Ciências e das Artes. A Universidade da Beira Interior é, atualmente, uma referência internacional no ensino e na investigação. Já o Parkurbis e o UbiMedical incubam e potenciam empresas de base tecnológica. Muitas personalidades das Artes e das Letras nasceram ou viveram na cidade, incluindo Eduardo Malta, Morais do Convento, Costa Camelo, Frei Heitor Pinto, Alçada Batista ou Ernesto Melo e Castro. Além de alinhar as estratégias municipais com os objetivos definidos no Plano de Ação do próximo quadriénio – não só da área cultural – a Câmara Municipal da Covilhã tem vindo a evidenciar o seu posicionamento e diferenciação, nos últimos anos, na principal Feira de Turismo em Portugal (BTL). Foram, igualmente, criados novos eventos (Natal com Arte; Verão no Centro Histórico; Industrial – Encontros com a Cidade Fábrica; Diafragma – Covilhã International Photofestival and Visual Arts), espaços (Espaço C3D; Tecer – Inovação e Criatividade), intervenções socioeducativas (Eu sou+; Arte Inclusiva), bem como outros projetos multidisciplinares, de âmbito municipal (Portas do Sol – À Descoberta do Centro Histórico) e intermunicipal (Este Zêzere que nos Une; Festival Cultural das Beiras). 

A pertença a uma rede mundial de cidades que elegem a Criatividade como fator estratégico para o desenvolvimento sustentável e a inclusão relaciona a Covilhã com mais «mundos» e potencia a nossa identidade e território, nomeadamente como destino turístico. Iniciativas privadas têm aumentado e inovado a oferta de alojamento na cidade e no concelho, nomeadamente em unidades hoteleiras como D. Maria – Meliá, H2 Hotel, Pena D´Água, Pousada Serra da Estrela, Puralã, Santa Eufémia e Sport Hotel, além de residenciais como Casa com História e Quinta da Amoreira, contribuindo determinantemente para que a Covilhã continue a liderar o turismo na região.

Pena D’Água Boutique Hotel & Villas

Os antepassados, preconizadores e obreiros da Cidade Fábrica, como os visionários da Cidade Universitária, inspiram e alentam a prossecução do projeto – de acordo com o Plano de Ação para o Quadriénio 2022-2025 –, tanto mais que o envolvimento e a participação de pessoas, instituições e empresas locais tornam mais fortes e coloridas as teias que tecem este anseio. “À Beira Lã Plantada”, orgulhosa do seu passado e com visão orientada para o futuro, a Covilhã é construída pelos sonhos e expectativas da sua comunidade. Por cultura e conhecimento. Por audácia e naturalidade. Por originalidade e autenticidade.

3 – IDANHA-A-NOVA
# Cidade Criativa da Música (2015)

Em 2015, Idanha-a-Nova tornou-se a primeira Cidade Criativa da Música, em Portugal.

Um território da ruralidade que, graças ao seu património musical e à vivência que a música proporciona no concelho, passou a integrar a Rede UNESCO, conquistando o seu lugar entre as grandes capitais e cidades de todo o Mundo. 

Situada na Beira Baixa, Idanha-a-Nova tem uma identidade intimamente ligada à música: investiga profundamente as suas tradições; aposta em infraestruturas culturais; desenvolve o ensino da música e o fabrico e restauração de instrumentos musicais; acolhe um número raro e diversificado de grupos tradicionais e promove, ao longo do ano, uma quantidade impressionante de eventos ligados à música, desde a eletrónica mais moderna aos sons tradicionais, passando pelo registo erudito.

A entrada de Idanha-a-Nova na Rede de Cidades Criativas da UNESCO é o reconhecimento do investimento realizado no sector cultural e, sobretudo, da ambição de, através da cultura e das indústrias criativas, promover o desenvolvimento social, económico e cultural sustentado do território.

A candidatura foi apresentada pela Câmara Municipal de Idanha-a-Nova e preparada em colaboração com diversos stakeholders locais, nacionais e internacionais, contando com o apoio da comunidade idanhense, que tem no Adufe, símbolo maior da riqueza e da tradição musical do concelho, o “porta-voz” do projeto.

Na altura, Idanha tornou-se a primeira comunidade do Mundo Rural a aderir a esta rede internacional. Demonstrou que os territórios da ruralidade são capazes de concretizar projetos de afirmação no contexto internacional.

O património musical e a vivência única e inovadora que a música proporciona neste concelho – o quarto maior do país em termos geográficos – foram alicerces da candidatura a Cidade da Música.

Idanha tem uma identidade intimamente ligada à música: aposta em infraestruturas, investiga profundamente as suas tradições, acolhe um número raro e diversificado de grupos tradicionais e promove, ao longo do ano, uma quantidade impressionante de eventos ligados à música, desde a eletrónica mais moderna aos sons tradicionais, passando pelo registo erudito, num contexto de experiência extraordinariamente diversificado e transversal a todo o território.

Viola Beiroa
Orquestra Filarmónica Idanhense

O Boom Festival, o Fora do Lugar – Festival Internacional de Músicas Antigas e o Eco Festival Salva a Terra são alguns dos mais representativos, entre os eventos dedicados à música que se realizam no concelho, onde as residências artísticas constituem outro fator de destaque no plano da intervenção cultural associada à música.

Boom Festival (@Jakob Kolar)
Foto de Noa Noa no Fora do Lugar

Em 2020, a UNESCO revalidou a presença de Idanha-a-Nova como membro da Rede de Cidades Criativas no âmbito da Música. A revalidação decorreu da avaliação muito positiva do desempenho de Idanha-a-Nova, relativa ao período de 2015-2019.
Entre os elementos destacados estão a cooperação ativa de Idanha no âmbito da Rede de Cidade Criativas da UNESCO; o papel da música e da criatividade como agentes de desenvolvimento económico e social; o apoio e a valorização da comunidade cultural; a promoção do ensino da música; e a preservação e a construção de instrumentos tradicionais.

A primeira avaliação de desempenho foi conduzida pela cidade australiana de Adelaide, uma das cidades espalhadas pelo mundo igualmente classificadas como Cidade Criativa da Música, pela UNESCO.

A chancela da UNESCO tem sido um reconhecimento e um estímulo. Permitiu reforçar a estratégia de desenvolvimento do concelho, estimulando a criação de riqueza e emprego e contribuindo para a fixação e captação de população.

Idanha-a-Nova afirma-se, assim, enquanto destino de excelência no âmbito das indústrias criativas e parceiro de exceção na troca de experiências e conhecimentos com várias cidades nacionais e internacionais, abrindo um precedente extraordinário ao consagrar o reconhecimento do valor das capacidades de desempenho dos territórios de baixa densidade a uma escala global.

LOCAIS DE INTERESSE / EXPERIÊNCIAS

# Centro Cultural Raiano, em Idanha-a-Nova. É o “centro estratégico” de toda a programação cultural.

À descoberta de Idanha-a-Nova, Cidade Criativa da Música (“Boa Cama Boa Mesa”, 01 de outubro 2022)

4 – LEIRIA
# Cidade Criativa da Música

Leiria é uma cidade onde se constrói o Futuro. No século XIII, o rei trovador, D. Dinis, compôs aqui as cantigas de amigo que marcam o cancioneiro galaico português. Do altaneiro Castelo, olhou a vastidão até ao mar e mandou plantar o Pinhal de Leiria, de onde dois séculos depois sairia a madeira para as caravelas que fizeram a primeira globalização.

Do Teatro D. Maria Pia, desde os finais do séc. XIX, ao atual Orfeão de Leiria, por aqui passaram os grandes concertos das principais salas europeias e os melhores intérpretes nacionais e internacionais, da música e do bailado.

Pedro Rodrigues – Guitarra clássica – Estudante leiriense na Hochschule für Musik Franz Liszt, em_Weimar – Alemanha

Esta presença constante da música na vida dos leirienses é em grande parte responsável pela sensibilidade artística, pela capacidade criativa e predisposição para consumir cultura que os caracteriza.
Aqui têm nascido e crescido músicos, bailarinos, escritores e artistas de várias áreas.
Aqui nasceram, também, projetos musicais inovadores e precursores, emblemáticos quer no âmbito da educação, da musicoterapia ou do impacto social, de referência nacional e internacional, que reforçam a relação da Música com a dignidade humana, como o projeto Ópera na Prisão ou os Concertos para Bebés, entretanto replicados para todo o mundo. 

Concertos para Bebés

Leiria iniciou um processo de transformação, como se de um laboratório de experimentação musical se tratasse, aproveitando, para isso, o seu rico património natural, e arquitetónico, e fazendo nascer novos espaços públicos, de braços abertos para receber as pessoas e viver a cultura. Lugares dotados de vida, que se inspiram na dinâmica das pessoas e refletem um caráter social profundo.

Cidade eclética no que à música concerne, em Leiria há projetos musicais para todos os gostos e os concertos multiplicam-se ao longo de todo o ano.

A criatividade na utilização do espaço público é um dos grandes trunfos desta cidade criativa da música, tornando a vivência de cada espetáculo ainda mais única e irrepetível.   

As praças, os jardins, o Rio Lis, as ruas e as salas de espetáculos são lugares vivos e dinâmicos, de encontro de pessoas, onde se vive cultura através de eventos como o Festival A Porta, o Entremuralhas ou a Música em Leiria, ou pelas bandas pop e rock, as bandas filarmónicas centenárias, os coros e os grupos folclórico.

Festival A Porta

Em 2019, Leiria passou a integrar a Rede de Cidades Criativas da UNESCO, na área da música. Hoje, Leiria é assumidamente uma cidade de música e de músicos, considerada, por muitos, como um verdadeiro hub de produção musical no país!

Enquanto Cidade Criativa da Música, Leiria procura envolver os agentes culturais na procura de novos processos que renovem o potencial da música, numa sociedade mais coesa e numa cultura comum revitalizada, que seja pertença de todos, desde o folk à música clássica, do pop à música sacra, da ópera ao Kizomba. 

Ano após ano, a Cidade oferece-se em forma de Música.

LOCAIS DE INTERESSE

# Casa da Cidade Criativa da Música
A Casa da Cidade Criativa da Música é um espaço privilegiado para a apresentação e potenciação de projetos culturais, com programas e residências artísticas no âmbito da Rede das Cidades Criativas da UNESCO.
Além de um espaço de oferta artística da cidade, este é também o lugar de eleição para a definição de estratégias em articulação com os agentes culturais, setores empresariais e económicos e ensino superior.
O edifício, localizado em pleno coração do centro histórico da cidade, é da autoria do arquiteto Gonçalo Byrne e foi desenhado para enquadrar o Castelo de Leiria na fachada espelhada, refletindo toda a sua imponência.

Casa Cidade Criativa da Música – Leiria


# Castelo de Leiria
Ainda hoje o Castelo de Leiria permanece como um símbolo monumental da história da Cidade, guardando no interior das imponentes muralhas vestígios das diversas fases de ocupação, desde a fortaleza militar ao palácio real.

Foram vários os reis e rainhas que se deixaram deslumbrar pela paisagem fantástica que é possível observar do topo do morro. D. Dinis terá sido o monarca que mais tempo passou em Leiria, juntamente com a sua esposa, a Rainha Santa Isabel, a quem é atribuída a lenda do Milagre das Rosas, sendo esta apenas uma das várias histórias que nasceram em Leiria graças a estes reis. Vários séculos depois, o Castelo, bem como a cidade, viriam ainda a sofrer danos, com as invasões francesas, ficando quase ao abandono. Valeu o esforço da Liga dos Amigos do Castelo e do famoso arquiteto suíço, Ernesto Korrodi, que ali realizaram obras de recuperação e que devolveram a ligação entre este magnífico monumento e a população.

Em 2021, foram concluídas as obras de requalificação de grande parte do espaço, que permitiram não só valorizar ainda mais a sua riqueza patrimonial e aumentar o seu potencial turístico, como torná-lo mais inclusivo e aberto a todos os cidadãos, através da construção de dois acessos mecânicos (no lado norte e no lado sul), que são de utilização gratuita.

Em 2022, o Castelo de Leiria foi distinguido com o Prémio Cinco Estrelas Regiões, na categoria Monumentos Nacionais.
Com um auditório exterior que propicia a realização de eventos e a magnífica Igreja de Nossa Senhora da Pena, palco privilegiado para concertos intimistas, o Castelo de Leiria reúne todas as condições para a realização de festivais e eventos temáticos, como é o caso do Entremuralhas.

Leiria - Vista do Castelo

# Museu de Leiria
O Museu de Leiria é uma janela aberta sobre a memória de um território longamente habitado que, à entrada do século XXI, se revela com um novo olhar sobre uma realidade complexa. Ideia surgida ainda em tempos da monarquia liberal, o museu ficou a dever a sua concretização aos esforços persistentes de Tito Larcher (1865-1932), que tomaram forma com a criação do Museu Regional de Obras de Arte, Arqueologia e Numismática de Leiria, em 1917.

Em 2006, iniciou-se o processo que devolve à vivência da cidade o Convento de Santo Agostinho, monumento construído a partir de 1577 (a igreja) e 1579 (o complexo conventual), e agora habitado pelo novo Museu de Leiria.

O espólio do Museu inclui as coleções artísticas municipais e a reserva arqueológica, dividindo-se em dois espaços.
Numa leitura geral da história do território, as exposições de longa duração propõem um caminho por entre a rica e densa floresta de objetos, acontecimentos e mitos, que definem uma identidade central do país.
No segundo espaço, são apresentadas exposições temporárias que permitem aprofundar temáticas e coleções específicas. Desde a sua reabertura à população, o Museu de Leiria tem sido reconhecido tanto a nível nacional como internacional, tendo recebido diversos prémios.
O Museu de Leiria é, também ele, muitas vezes palco de concertos, seja em sala ou no claustro, ao ar livre.

Museu de Leiria

# m|i|mo – museu da imagem em movimento
O m|i|mo – museu da imagem em movimento é um espaço de homenagem à fotografia e ao cinema, juntando arte, ciência e técnica.
As suas coleções de objetos dão a conhecer a evolução da cinematografia, numa magnífica viagem pelos limites da imaginação, num caminho de luz e sombra, cor, ritmo e volume, engenho e arte… ilusão e realidade!
O m|i|mo nasceu no âmbito das comemorações do centenário do Cinema Português (1996) e, para além de exposições, promove regularmente atividades lúdicas e criativas. Em 2011, o museu foi premiado pela APOM – Associação Portuguesa de Museologia, com uma menção honrosa na categoria de Melhor Museu Português. Em 2022, o m|i|mo foi distinguido com o Prémio Cinco Estrelas Regiões, na categoria Museus.

# BAG
Construído em 1923 para agência do Banco de Portugal, o edifício faz parte da história e da paisagem urbana de Leiria. Esta é uma das inúmeras marcas deixadas pelo arquiteto Ernesto Korrodi, sendo hoje um dos principais espaços culturais da cidade.
No BAG, pode encontrar uma multiplicidade de exposições, que exploram o imaginário, a criatividade e a originalidade de artistas locais e nacionais.

# Centro Cultural Mercado de Sant’Ana
O edifício do Mercado de Sant’Ana foi construído onde outrora se ergueu o convento de Santa Ana, extinto em 1880. Projetado em 1921 pelo arquiteto Ernesto Korrodi para albergar o mercado municipal, as obras de reconstrução tiveram início em 1924 e terminaram em 1931, tendo sido, durante 50 anos, um dos principais locais de encontro do centro de Leiria.
Durante a segunda metade do século XX, o edifício começou, lentamente, a receber outro tipo de ocupação e atividades, devido à descentralização do mercado municipal.
Em 2002, foi objeto de obras de requalificação que dotaram o edifício de infraestruturas para o desenvolvimento de atividades culturais.
Atualmente, o Mercado de Sant’Ana conta com um espaço expositivo, 2 auditórios, galerias ao ar livre para eventos e espaços de comércio nas arcadas abertas para o exterior, assumindo-se como um espaço intergeracional que propicia a partilha e a vivência social.
Entre os principais eventos e feiras que decorrem no Mercado de Sant’Ana destaca-se o Prove Leiria Doçaria e a Feira do Livro.

Centro Cultural Mercado de Sant’Ana

# CDIL – Centro de Diálogo Intercultural de Leiria
A criação do Centro de Diálogo Intercultural de Leiria, inaugurado em 2017, exige a salvaguarda e a divulgação do património cultural, arquitetónico e urbanístico que se lhe associa.
O CDIL assentou na reabilitação da Igreja da Misericórdia que, tal como a Casa dos Pintores, assim chamada devido à grande quantidade de artistas que retrataram a sua fachada, se adapta a funções culturais, tornando-se em espaços de contemporaneidade.
Com este projeto pretende-se conjugar a valorização histórica e patrimonial com a fruição cultural e turística, criando um espaço de preservação e interpretação da memória das distintas comunidades que, ao longo dos séculos, povoaram e construíram a região, com destaque para a época medieval, durante a qual aqui se fizeram sentir mais fortemente as presenças muçulmana, cristã e hebraica.

# Moinho do Papel
O Moinho do papel, equipamento reabilitado pelo Arquiteto Álvaro Siza Vieira, é um ex-libris da história da indústria. No ano 1411 consagra o início da história do moinho do papel de Leiria, um dos primeiros da península ibérica, numa época em que a indústria da moagem era determinante para o desenvolvimento económico. Nas recatadas margens do rio Lis, o moinho destaca-se pelas estruturas dos antigos rodízios que submergem no edifício, e pelas grandes azenhas que sublimam a imagem de uma industria artesanal de outrora. 
No interior, vivencia-se o processo tradicional de produção de papel em que os visitantes podem participar, e de moagem de cereais, protagonizada com a mestria do moleiro. No final é possível comprar as farinhas produzidas com a energia do rio.

# Praça Rodrigues Lobo
A calçada à portuguesa, a realização de iniciativas culturais e de lazer e a vista para o Castelo são alguns dos atrativos que levam leirienses e visitantes a frequentar esta praça. A sua história inclui a existência de vários monumentos, como a Casa da Câmara, a Cadeia, o Pelourinho e o Paço dos Tabeliães.
No atual edifício do Ateneu de Leiria, antigo palácio setecentista da família Oriol Pena, cujo brasão ainda ostenta na fachada, funcionou, no século XIX, a Assembleia Leiriense de que Eça de Queirós era sócio e onde ia ler os jornais.
No seu romance “O Crime do Padre Amaro”, são várias as referências à Praça, que servia de local de encontro dos notáveis da cidade. Hoje, tem o nome de um grande poeta leiriense do século XVI, Francisco Rodrigues Lobo. No coração de Leiria, a Praça Rodrigues Lobo assume-se atualmente como a sala de visitas da cidade, espaço de lazer e convívio nas muitas esplanadas ali existentes.

Praça Rodrigues Lobo

Experiências que o turista poderá usufruir

# LIZBRASS- Festival de Metais de Leiria
O LIZBRASS é um Festival de Metais, sob a direção artística do Ensemble de Metais de Leiria, que visa mostrar aos seus participantes e ao público em geral a versatilidade destes instrumentos, trabalhando vários estilos de música. 
O festival agrega um número significativo de participantes, nacionais e internacionais, provenientes dos mais diversos backgrounds culturais e artísticos.
Ao longo de uma semana é, simultaneamente, promovida a aprendizagem através da partilha de experiências entre todos e com os artistas e professores convidados, de reconhecido valor internacional. 
A par do trabalho de Academia, entre masterclasses e workshops, o LIZBRASS apresenta também uma forte componente artística trazendo ao público em geral a possibilidade de verem as performances dos artistas convidados e dos participantes envolvidos através de uma programação diária de concertos.
O LIZBRASS Festival de Metais realiza-se em agosto e, em 2022, teve lugar no Museu de Leiria, Teatro José Lúcio da Silva, Teatro Miguel Franco e Centro Cultural Mercado de Sant’Ana.

Decateto de Metais de Leiria

# Festival Extramuralhas
Organizado pela Fade In – Associação de Ação Cultural, o festival gótico Entremuralhas teve a sua primeira edição em 2010 e, desde então, tem dinamizado o produto turístico urbano, afirmando-se como um importante evento, com efeitos acumulados na atratividade territorial.
Todos os anos o festival recebe, em média, 3000 visitantes oriundos de diferentes países que buscam, não só as singulares construções artísticas, como a vivência dos espaços onde decorrem os espetáculos, sendo o Castelo de Leiria e a sua sublime Igreja de Nossa Senhora da Pena os expoentes máximos desta efeméride.
O Entremuralhas alinha, portanto, com a estratégia global de reposicionamento no competitivo mercado das cidades.
Este ano, mais uma vez na versão EXTRAMURALHAS, o festival contará com espetáculos fora das muralhas do Castelo, nomeadamente Teatro José Lúcio da Silva e Jardim Luís de Camões.

# Jornadas Europeias do Património
As Jornadas Europeias do Património têm como principal objetivo reunir as pessoas em torno do seu património e cultura, através de uma oferta mais alargada no que respeita à programação dos espaços culturais, alcançando e trabalhando com públicos diversos.
As Jornadas realizam-se durante o mês de setembro de 2022, sob o tema “património sustentável”, destacando-se a criação de experiências abertas e acolhedoras destinadas a todas as pessoas.

# A maior flor do mundo – Centenário de José Saramago
No âmbito das comemorações do centenário de José Saramago, o Teatro José Lúcio da Silva e o Teatro Miguel Franco, em Leiria, vão ser receber alguns espetáculos em torno da obra “A Maior Flor do Mundo”, a decorrer durante o mês novembro.

# Alepo e outros silêncios – Luís Tinoco
Em Dezembro, o Teatro Miguel Franco será o palco do concerto “Alepo e Outros Silêncios”, de Luís Tinoco.

# Roteiro cultural d’O crime do Padre Amaro
Um roteiro que parte da Praça Rodrigues Lobo e que passa por alguns lugares emblemáticos que fazem parte daquela que é uma das mais reconhecidas obras literárias de Eça de Queirós.
Eça de Queirós chegou a Leiria nos finais de julho de 1870, após ter sido nomeado Administrador do Concelho, com apenas 25 anos de idade.
À sua chegada, Eça é recebido protocolarmente pelas entidades, mas também pelos curiosos da terra, que queriam conhecer o novo Administrador.
É Júlio Teles, seu copista, quem o aconselha a ficar na pensão situada na Rua da Tipografia, n.º 13, onde estavam igualmente hospedados um padre, um médico, um deão da Sé, um funcionário público e o proprietário da farmácia, que se entretinham ao serão a jogar à bisca e a ouvir as guitarradas de Júlio Teles.
Nessa altura, Leiria era uma cidade pequena, com três mil habitantes, mexeriqueira, provinciana e pitoresca.
No entanto, serviu de inspiração e do observatório social de que Eça necessitava para sua composição literária, que resultou na obra “O Crime do Padre Amaro”, cujo enredo tem como palco principal a cidade de Leiria, fazendo referência a vários locais.

# Roteiro cultural da Judiaria de Leiria
A presença judaica em Leiria remonta a inícios do século XIII, estabelecendo-se uma comuna fora das muralhas da vila, que foi crescendo até ao seu apogeu no século XV. A Judiaria é ainda hoje percetível na malha urbana de cariz medieval, onde em 1492 se instala o tipógrafo Samuel de Ortas, imprimindo, em 1496, o Almanach Perpetuum, de Abraão Zacuto, fundamental para os descobrimentos portugueses.
Da judiaria permanece a memória da Igreja da Misericórdia como templo construído no local da antiga sinagoga, que hoje é o CDIL – Centro de Diálogo Intercultural, local onde começa este roteiro, que percorre grande parte da velha Leiria.

# Rota Leiria histórica
Neste percurso, num conceito diferente dos restantes, predomina a história e a cultura de Leiria, passando por alguns dos locais mais emblemáticos da cidade. Nestas ruas cheias de história e sempre com o Castelo à vista, destaca-se os traços da antiga judiaria e as marcas deixadas pelo arquiteto Ernesto Korrodi, podendo usufruir de uma vista fantástica sobre a cidade.
Dos tempos antigos à modernidade dos nossos dias, conheça Leiria e a beleza que aguarda pela sua visita.

# Fora da cidade
Além dos passeios pela cidade de Leiria, sugerimos que os visitantes se atrevam pelas redondezas, igualmente ricas em história, cultura e Natureza.
Falamos da aldeia de Cortes e o contíguo lugar de Fontes, berço do rio Liz, de uma incrível riqueza natural.
Seguindo para norte, vale a pena parar na vila de Monte Real, que foi outrora um dos centro termais mais procurados, e visitar as ruínas dos paços reais, atribuídos à Rainha Santa Isabel, de onde se pode desfrutar de uma vista magnífica sobre o vale do Lis.
Por último, visite a Praia do Pedrógão e aproveite para testemunhar, ao vivo, a ancestral Arte Xávega, que ali ainda se pratica, tal como antigamente.

5 – ÓBIDOS
# Cidade Criativa da Literatura (2015)

A Vila de Óbidos integra a Rede de Cidades Criativas da UNESCO, desde 2015,  na categoria de Cidade Criativa da Literatura. Entre os vários projetos culturais que contribuíram para esta classificação destaca-se o “Óbidos Vila Literária” evento cultural que nasceu, em 2011, numa parceria entre a Livraria LerDevagar e o Município de Óbidos. Este projeto foi construído no pressuposto de que haveria uma Rede de Livrarias dotadas de espaços específicos para organização de exposições de artes, concertos, conferências e performances. 

Livraria de Santiago - Município de Óbidos - Foto de Carlos Duarte
Livraria de Santiago | Município de Óbidos @Carlos Duarte

# Óbidos | Vila Literária
E assim nasceu Óbidos Vila Literária. Um projeto literário e artístico, único, no contexto das manifestações artísticas e culturais que se realizam em Portugal, cuja  qualidade tem o reconhecimento da comunidade local, regional, nacional e internacional. Óbidos integra igualmente IOB-International Organisation of Booktowns e participa em inúmeros Festivais Literários Internacionais.

A vila de Óbidos encontra-se localizada a cerca de 80 quilómetros a norte de Lisboa e é, hoje, considerada uma das principais joias do país, e um bom exemplo de arquitetura medieval bem preservada. Assumindo a vocação turística, por excelência, Óbidos, ostenta um acervo patrimonial, dos velhos tempos de poder e de glória, que constitui um polo de captação de milhares de visitantes, registando-se uma média de dois milhões de visitantes, por ano, provenientes dos quatro cantos do mundo. Porém, para que o Turismo se constituísse num verdadeiro instrumento de desenvolvimento, este setor necessitou de se diversificar e aproveitar o potencial do território criando, para o efeito, produtos turísticos alternativos.

O início do projeto Óbidos Vila literária, em 2011, teve a finalidade de abrir caminho a uma progressiva etapa de regeneração de um centro histórico, cuja força estava mais do que provada após uma década de revitalização económica a partir de uma coleção de eventos, dos mais populares como o mercado medieval, aos mais eruditos como a ópera. Essa experimentação teve uma correspondência tão forte que a Vila se afirmou como um gigante mediático com uma capacidade de mobilizar estonteante.

Em 2015, a UNESCO considerou Óbidos como Cidade Literária, integrando assim a Rede de Cidades Criativas. Velhos espaços, abandonados, encontraram a partir desse momento uma nova função, o que resultou na abertura de um conjunto considerável de livrarias temáticas. Quando, em 2012, foi aberta a maior livraria portuguesa dentro de uma igreja, chamámos a atenção para as novas configurações entre espaços e atividades e entre talentos locais e de fora. Por outro lado, e com esta nomeação da UNESCO, o município apostou, de forma ainda mais assertiva, nesta estratégia, bem como no compromisso de olhar para os livros e para a literatura como uma das principais forças de desenvolvimento económico deste território. Este projeto trouxe um posicionamento muito interessante para Óbidos, não só pela sua relevância cultural, mas também pela diferenciação turística.

Óbidos Vila Literária é um projeto único no contexto das manifestações artísticas e culturais que se realizam em Portugal. A qualidade deste projeto literário e artístico tem o reconhecimento da comunidade nacional e internacional, tanto do público, como dos seus pares a nível mundial.

# Programa de residências Literárias
O Programa de Residências Literárias de Óbidos permite a cada autor selecionado uma estada que pode variar entre duas semanas e dois meses. O envolvimento do autor-residente na comunidade é incentivado, embora o objetivo principal da sua estadia seja a escrita. É objetivo acolher autores de todo o mundo, permitindo-lhes mergulharem num ambiente de refúgio propício para relaxar e criar trabalhos, bem como contactarem, de forma privilegiada, com Óbidos, a sua História e Identidade.
Óbidos tem um acordo de parceria com Granada (Brasil), também Cidade Criativa da Literatura, e acolhe anualmente dois escritores vindos desta cidade.
Existem duas residências disponíveis para este programa: a Residência Literária Ruy Belo e a Residência Literária Josefa de Óbidos.

# Folio
O Festival Internacional de Literatura de Óbidos teve a sua primeira edição em 2015 e tornou-se num dos principais eventos de referência na área da literatura em Portugal.
Com uma programação diversificada espalhada entre onze dias intensos, o mesmo é dividido em várias linhas de programação estratégicas: Folio Autores, Folio Educa, Folia, Boémia e Folio Ilustra. De entre as várias iniciativas, destacamos as exposições, concertos, masterclasses, lançamentos de livros, cursos de literatura, conferências, seminários, performances, tertúlias e mesas de autores, ciclos de cinema, entre muitas outras atividades.
O Folio é um passo enorme na estratégia do desenvolvimento regional sustentável e diferenciador. É um evento com uma ambição e ousadia tão grandes como a confiança de todos aqueles que apostaram no projeto ao assumir esta vontade de criar o melhor festival literário da atualidade.
Este festival não limita a literatura ao espaço dos livros, mas cria relações improváveis de humanização, compreensão e comunidade, e torna possível a convergência entre o espaço que a literatura ocupa e o espaço que se ocupa da literatura, ampliando a conceção e a possibilidade de multiplicar a literatura e os outros setores de atividade económica numa relação exponencial, onde a criatividade dá lugar à inovação.
Em 2022, o FOLIO irá decorrer de 6 a 16 de outubro e tratará o tema do Poder.

# Latitudes – Literatura e viajantes
O Latitudes é um evento dedicado à literatura e viajantes assumindo-se como um ponto de encontro para nomes sonantes da literatura de viagens. Viagens escritas, faladas, ilustradas, por livrarias, por terra, céu e mar até à mesa são algumas das propostas apresentadas nos quatro dias de evento, que decorre no mês de abril. Conta também com lançamentos de livros, exposições, oficinas e experiências literárias para os mais novos, workshops, música e conversas.

# Prémio de Poesia Armando da Silva Carvalho
O Prémio Literário Armando da Silva Carvalho destina-se a premiar, com periodicidade anual, uma obra de poesia, escrita em língua portuguesa e cuja primeira edição tenha sido publicada em qualquer país da lusofonia. Pretende promover a divulgação da cultura, do nosso património literário e contribuir para a defesa e enriquecimento da língua portuguesa. Tem, ainda, como missão homenagear um poeta natural do concelho de Óbidos.

# Prémio Literário Fernando Leite Couto
A Câmara Municipal de Óbidos estabeleceu parceria com a Fundação Fernando Leite Couto e a Câmara de Comércio Portugal Moçambique para o Prémio Literário Fernando Leite Couto. O Prémio Literário terá como objetivo estimular a produção de obras literárias, na língua de Camões, trazendo à ribalta novos e talentosos escritores. Irá premiar os melhores, mostrando a relevância literária e cultural dos territórios que integram esta comunidade.

# Cela – Connecting Emerging Literary Artists
O projeto – CELA integra-se no Programa Europa Criativa. O seu objetivo é o de aumentar a capacidade de uma nova geração de criadores literários para trabalhar numa escala internacional e para o público europeu. Permite uma cooperação transnacional intensiva entre escritores, tradutores e profissionais literários em início de carreira. O projeto proporciona um percurso de quatro anos (2019-2023) com formação, instrumentos e uma rede que visa tornar possível uma carreira internacional e estabelecer uma prática profissional integrada.
Ao longo do projeto, as organizações literárias orientam os escritores, tradutores e profissionais literários e proporcionam-lhes um programa multinacional de residências, formação e masterclasses para os preparar para trabalhar no mercado europeu. Os participantes são ainda inseridos, por via de uma campanha de marketing internacional, numa digressão que passa por vários festivais europeus.

Obidos_Winehouse_Bookshop – (c) Edgar Libório


ESPAÇOS A VISITAR

# Livraria de Santiago
A igreja de Santiago, templo iniciado no século XII e um dos edifícios mais emblemáticos da Vila, é agora a Grande Livraria de Santiago. Situada dentro das muralhas da Vila, na Cerca Velha, junto à entrada do Castelo. Neste espaço, pode encontrar além de uma grande variedade de livros, projeção de filmes, debates, lançamento de livros e exposições, ou tomar um chá ou um café.
Este espaço é um exemplo de reabilitação urbana e do património através de conceitos de criatividade e inovação, neste caso ligados  à literatura e aos livros, que permite acreditar no desenvolvimento e preservação de áreas de baixa densidade populacional através de conceitos não convencionais.
Temática: Livraria Generalista – Novidades e Fundos de Catálogo.

# Livraria e Mercado Biológico
O Mercado Biológico de Óbidos funciona na Rua Direita da Vila, num antigo quartel de bombeiros. Aqui pode encontrar diversos produtos biológicos da região. Neste espaço, poderá encontrar Alfarrabista e Livros Raros, de Viagem, Gastronomia e Vinhos.
Temática: Especializada em Livros Usados (em várias línguas); Gastronomia (livros novos e usados).
Editoras independentes / Edições de autor / Fanzine, Artesanato de autor.

# Literary Man Hotel
Recentemente a Estalagem do Convento, em Óbidos, deu lugar a um hotel temático, The Literary Man. Apresenta uma nova oferta literária especializada tematicamente com coleções internacionais em excelentes condições – Best-Sellers, Ilustração Infantil, Livros Antigos, Coffee-Table Books e coleções editoriais da Penguin Books, Pan Books e Pelican Books. Este acervo corresponde atualmente a 40.000 livros e metade deste espólio já se encontra disponível.  

Óbidos - Cidade Criativa da Literatura_Carlos Duarte
Livraria de Santiago

OUTROS ESPAÇOS A VISITAR

# Biblioteca Municipal – Casa José Saramago
A Vila de Óbidos recebe, no espaço Casa José Saramago, a Biblioteca Municipal. Este espaço integra um novo projeto cultural e educativo, desenhado a pensar nas pessoas e nas suas histórias.
A programação, assenta em quatro eixos – som, palavra, imagem e objeto – pretende possibilitar uma troca direta de conhecimentos e experiências, saberes e fazeres entre todas as gerações, numa relação direta com a comunidade.
É neste edifício, localizado no coração da Vila, que também se começa a construir a primeira Sala da Memória de Óbidos, um espaço que irá contar a várias vozes e em vários formatos, alguma da história deste território. Este novo projeto que valoriza o compromisso com a democratização do acesso à informação e ao conhecimento, através da promoção de experiências de partilha, participação, colaboração e cocriação.

# Livraria Artes e Letras
Temática: Livros antigos e de coleção. Numa antiga adega centenária, com um pequeno bar de vinhos regionais.

# Josefa de Óbidos Bookcrossing
Tendo como ponto de partida a prática de se deixar um livro num local público (para que outros o encontrem e o leiam), o projeto #josefabookcrossing do Josefa d’Óbidos Hotel colabora para o posicionamento de Óbidos, em termos de relevância cultural e de destino com diferenciação turística. Este projeto literário inspira-se no movimento internacional de bookcrossing e pretende estimular à criação de hábitos de turismo&leitura, associados ao destino Óbidos Creative City of Literature.

# O Bichinho do Conto
Numa antiga escola primária em Óbidos, construída no âmbito do plano centenário, levado a cabo entre as décadas de 1940 e 1960, mora “O Bichinho de Conto” – um projeto literário pensado para acolher leitores de todas as idades. Neste espaço poderá encontrar livros infantis.
Temática: Livraria temática infantil. Encontros com autores, contos, workshops, formações, exposições e atividades para grupos escolares.

# Livraria D. Maria – Museu Municipal de Óbidos
Temática: História de Portugal, Edições sobre Óbidos.

# Museu Abílio
O Museu Abílio de Mattos e Silva nasceu da vontade de Maria José Salavisa, há mais de dez anos. Inicialmente previsto para a Casa do Facho, em 2002, esta ideia foi abandonada, passando-se a dispor do edifício dos antigos Paços do Concelho (que até 2004 albergaram o Museu Municipal), em articulação com a Casa do Arco onde o artista viveu. Abílio de Mattos e Silva foi pintor, cenógrafo e figurinista, nascido no Sardoal, em 1908, e falecido, em 1985. Não sendo natural de Óbidos, esta era a sua terra de eleição, onde foi criado e onde manteve uma residência com a sua mulher, Maria José Salavisa, arquiteta de interiores.
Apesar de se ter revelado um artista promissor nas artes plásticas, acabou por se dedicar a uma atividade criativa cheia de grande vitalidade, ligada ao teatro e à ópera.
Neste espaço, poderá encontrar livros sobre Ilustração, Património e Livro Antigo.

# Galeria nova Ogiva
Conhecida por Galeria Ogiva, este espaço foi criado em Óbidos, em 1970. A Galeria surge hoje como um marco na História da Arte, da Arquitetura e da própria História da Vila e dos Museus em Óbidos; sendo o ponto de partida para exposições e outras manifestações culturais associadas a expressões artísticas contemporâneas.
Neste espaço poderá encontrar uma Livraria, Exposições, Projeções e performances.

Óbidos Vila das Rainhas
Ruelas de Óbidos

Faça já o download do ROTEIRO CIDADES CRIATIVAS DA UNESCO NO CENTRO DE PORTUGAL

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O que escrevem sobre este roteiro:

“Animais gigantes convidam a percorrer Rota Bordaliana nas Caldas da Rainha, Cidade Criativa”, Boa Cama Boa Mesa, 17/10/2022

À descoberta de Idanha-a-Nova, Cidade Criativa da Música” (Vídeo), Boa Cama Boa Mesa, 29/10/2022

“Entre o Castelo e o Rio Lis: O que visitar em Leiria”, Susana Sousa Ribeiro, 06/10/2022, para a SAPO

“Cidades Criativas da UNESCO no Centro de Portugal”, A Cachopa

“Cidades Criativas do Centro de Portugal: O que visitar”, Ir Em Viagem, 23/10/2022

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