Com o Verão regressam os grandes festivais de música ao Centro de Portugal, que está recheado de eventos memoráveis, de naturezas tão diversificadas e ecléticas, que a única dificuldade é mesmo escolher. É precisamente esse o cerne da questão de um grupo de cinco jovens amigos, que esgrimem sugestões numa esplanada em Coimbra.

Marco defende uma ida ao Somnii, organizado pela RFM na Praia do Relógio, na Figueira da Foz. “Malta, é o maior sunset de música eletrónica do mundo. Sim, do mundo! Um festival em plena praia, a dançar na areia com o sol a pôr-se no mar mesmo ali ao lado? Estão a brincar ou quê?”. Não aguarda por uma resposta à sua pergunta retórica e prossegue: “O DJ Snake, o Don Diablo, que é só o número sete do top 100 mundial da DJ Mag? E o Ozuna vem pela primeira vez a Portugal, praia e reggaeton, querem melhor combinação do que essa? Já para nem falar do Alesso, o Afrojack ou os Masiksoul. E quando o Jonas Blue partir tudo com o remix dele do “Fast Car”? Estão a imaginar-se a ouvir isso à noite, com a brisa morna, o céu estrelado e o barulho das ondas? Vai ser inesquecível!”

“É engraçado usares esse termo”, diz Rui. “Queres algo mais original e memorável do que os concertos góticos do Extramuralhas em Leiria?”.  Alguém questiona o nome, Rui elucida: “Este ano, tal como no anterior, não se chama Entremuralhas porque o Castelo de Leiria está em obras, por isso os concertos decorrem em vários espaços da cidade. Conseguem imaginar a sonoridade misteriosa dos ‘Wulfband’ num dos jardins da cidade? As canções viking dos Skald num teatro? A atmosfera dos violinos e do piano dos ‘Les Fragments de la Nuit’ dentro de um museu? Ou o som melancólico e poético que nos faz viajar dos italianos ‘ASHRAM’ a ecoar nas paredes ancestrais do Mosteiro da Batalha? Queres experiências que fiquem mais na memória do que essas?”

No canto da mesa, o Rúben riposta: “Nem acredito que estão a falar de experiências e não mencionam o ‘Bons Sons’. Uma aldeia do interior transformada num recinto de festival de música portuguesa, com as suas ruas, praças, largos ou até a igreja a servir de palco? Tudo isto durante quatro dias inteiros? Nem vou falar das dezenas de bandas e artistas que lá vão tocar, mas conseguem sequer imaginar o ambiente? A interação com os locais, a partilha dos hábitos e das tradições? Ou os momentos de convívio nas tabernas? Ainda por cima, ao mesmo tempo, decorrem feiras de artesãos, exposições de arte, montes de atividades”.

André aproveita esta última frase para intervir. “Mau, se é atividades que se pretende, então vamos falar do ‘Festival dos Canais’ em Aveiro. Não há festival mais interativo do que esse. Duzentos espetáculos, com mais de 350 artistas nacionais e internacionais a dar vida a um cartaz cultural e artístico único? Teatro de rua, projeções cheias de luz e cor nos edifícios, música, circo contemporâneo, instalações artísticas, artes de rua cheias de criatividade e aptidões surpreendentes, enfim, tudo o que possam imaginar a acontecer nas ruas cheias de encanto desta cidade a quem chamam Veneza portuguesa”.

“É irónico falares em surpresas”, refere o Pedro. “É que o festival que mais surpresas oferece é o Forte, em Montemor-o velho. Aí, surpresa é a palavra de ordem. Podes nem conhecer o cartaz, mas vais e abraças o desafio, porque tudo é meticulosamente organizado para te proporcionar uma experiência surpreendente. A mistura das sonoridades, o ambiente, a arte visual, a história e o património envolvente… estás dentro de um castelo medieval a levar com tudo isto, pá! Na última noite costumam fazer uma maratona alucinante de 24 horas de música. 24 horas! Não é de admirar que venha gente de todo o mundo a este festival.”

O Diogo aproveita a deixa. “Queres falar de festival que atrai multidões? Então temos de ir à Festa dos Tabuleiros em Tomar. É uma das maiores e mais antigas festas do país e costuma reunir mais de meio milhão de pessoas só no Cortejo dos Tabuleiros. Decoram as ruas históricas da cidade com flores, há quem pendure colchas coloridas nas janelas, enquanto centenas de raparigas vestidas de branco transportam tabuleiros todos ornamentados com flores e papel colorido, com espigas de trigo e pães, em homenagem às colheitas. É uma tradição que já vem dos tempos medievais e já se tornou um ícone cultural nacional. Ainda por cima é uma festividade rara, só acontece de quatro em quatro anos. Este ano temos a oportunidade de fazer parte disto!”.

Os seis amigos continuam a debater, cada um a defender o seu evento predileto com cada vez mais convicção. Diana, até então calada, esboça um sorriso sarcástico. Após sorver um último gole da sua bebida, resolve intervir: “Por acaso os excelentíssimos génios, que estão aí quase aos gritos uns com os outros, já se deram ao trabalho de analisar as datas dos eventos? E constatar que nada do que estiveram a sugerir é mutuamente exclusivo? O Somnii é nos dias 5, 6 e 7 de Julho, o Festival dos Canais é de 17 a 21 desse mês e a Festa dos Tabuleiros decorre de 29 de Junho a 8 de Julho. Os outros três são em Agosto, o Bons Sons de 8 a 11, o Festival Forte de 22 a 25 e o Extramuralhas de 29 a 31. O que nos impede de marcar presença em todos os eventos?”.