Era uma vez um jardim maravilhoso, cheio de grandes tílias, bétulas, carvalhos, magnólias e plátanos.
Havia nele roseirais, jardins de buxo e pomares. E ruas muito compridas, entre muros de camélias talhadas.
E havia nele uma estufa cheia de avencas, onde cresciam plantas extraordinárias, que tinham, atado ao pé, uma placa de metal onde o seu nome estava escrito em latim.
Sophia de Mello Breyner Andresen, em O Rapaz de Bronze

Ao longo da História, os jardins foram sempre fonte de atração e objeto de inspiração ligados ao lazer e ao bem-estar. Mas nunca como hoje a importância dos espaços verdes para a sustentabilidade do planeta e para a coesão territorial foi tão debatida! 

No Centro de Portugal, podemos encontrar uma grande diversidade de jardins, zonas arborizadas com árvores centenárias de características raras, espaços cuidadosamente preservados, fruto do trabalho de biólogos, paisagistas, arquitetos e jardineiros.

Ao longo do território, encontramos jardins inspirados na antiguidade greco-latina, como os Jardins das Ruinas de Conimbriga, com a casa de repuxos, as termas e um jardim central decorado com mosaicos, que representavam cenas mitológicas.

Mas também encontramos jardins de inspiração renascentista, assentes no conceito clássico de ordem e beleza, destinados ao prazer da vista. Decorados com vasos de limoeiros e ornamentados com flores coloridas, numa profusão de cores e de sons, onde a fonte com a escultura no meio reúne, em torno de si, a maioria dos elementos do jardim.

Ou jardins de influência barroca, com traçado geométrico, como o Jardim do Paço Episcopal de Castelo Branco ou o Jardim do Paço Episcopal do Fontelo, em Viseu. Testemunhos de uma época de apogeu, estes jardins foram implementados por influência de eminentes figuras do alto clero que, tendo permanecido alguns anos em Roma, quando regressavam a Portugal traziam com eles as ideias, os conceitos dos jardins italianos.   

E ainda jardins de orientação literária, decorados com espécies botânicas de diferentes ecossistemas e que reportam à época dos Descobrimentos, como o Jardim-Horto de Camões, em Constância, que reúne toda a flora referida na obra de Luís Vaz de Camões. Aqui, o visitante pode conhecer mais de 50 espécies de plantas provenientes de África e da Índia e sentir o aroma da árvore que produz a canela. Este Jardim com características únicas no Centro de Portugal tem a assinatura do Arquiteto Paisagista Gonçalo Ribeiro Telles. 

Ainda com um projeto da autoria deste Arquiteto, damos-lhe a conhecer o Jardim da Casa-Museu João Soares, em Leiria, distinguido com o prémio Geoffrey Jellicoe, considerado o Prémio Nobel da Arquitetura Paisagística.

Já a pensar no desconfinamento, sugerimos-lhe um roteiro verde e colorido pelo Centro de Portugal:

Viseu – Cidade Jardim 2021

Viseu Cidade Jardim é o mote escolhido pelo Município de Viseu para o ano de 2021. E as nossas propostas são muitas! Pegue na máquina fotográfica e venha captar as cores da paisagem na região de Viseu Dão Lafões!

Explore os caminhos dos Jardins do Paço Episcopal de Fontelo. Foi no século XVI, por iniciativa de D. Miguel da Silva, Bispo de Viseu, que nasceu um esplendoroso Jardim Renascentista do Antigo Paço Episcopal (Fontelo). Criação paisagística de influência italiana, o jardim era conhecido pelo exótico e exuberante “jardim de Viseu”. 

Atualmente, o Parque do Fontelo integra piscinas, um parque de campismo, campos de ténis e de futebol, um pavilhão gimnodesportivo e um circuito de manutenção integrados numa zona verde enriquecida por muitas espécies de árvores seculares, onde o cuidado com a preservação do ambiente mereceu o “Prémio Quercus 1993 – Iniciativa Autárquica”. Aqui encontra ainda o Pórtico do Fontelo.

Percorra o Parque Aquilino Ribeiro

Convertido em Parque Urbano em 1955, a história do Parque Aquilino Ribeiro remonta ao século XVII, integrando a Quinta do Maçorim, local onde foi construído o Convento de Santo António dos Capuchos, em 1635. De enorme interesse botânico, os imponentes exemplares de carvalho-alvarinho, que ainda hoje podemos observar, foram plantados pelos frades Capuchos de S. Francisco na cerca envolvente do convento. 

Na cidade de Viseu, pode ainda visitar: o encantador Jardim da Mães, com canteiros ladeados de sebes verdes ornamentados com apontamentos de cor sob a forma de flores, consoante a estação do ano; o Jardim Tomás Ribeiro; o Jardim de Santa Cristina; ou o Jardim da Casa do Miradouro.

Situado na periferia, numa encosta na margem do rio Pavia, um dos principais afluentes do rio Dão, encontramos o Jardim da Quinta da Cruz, espaço que acolhe o Centro de Arte Contemporânea de Viseu.

Parta à descoberta da magnífica Santar Vila Jardim 

Santar Vila Jardim é um projeto único e diferenciador, que visa acrescentar valor ao Turismo de Jardins no Centro de Portugal. 

Nascido em 2013, pela família Vasconcellos e Souza, herdeira da Casa dos Condes de Santar e Magalhães, trata-se de um projeto pioneiro que integra outras casas importantes na Vila de Santar, no concelho de Nelas.

Inserida na região vinhateira do Dão, a Vila de Santar possui a particularidade única de ser atravessada por terraços de jardins em contínuo. Este roteiro surgiu a partir daí e inclui a visita aos exuberantes jardins destes magníficos espaços: Casa dos Condes de Santar e Magalhães, Casa da Magnólia, Jardim da Igreja da Misericórdia, Jardim dos Linhares, Casa Ibérico Nogueira e Casa das Fidalgas, entre outras casas.

Projeto Santar Vila Jardim I Vencedor do Segundo Prémio da European Garden Heritage Network: o European Garden Award 2021 na categoria Proteção ou Desenvolvimento de uma Paisagem Cultural”

O projeto Santar Vila Jardim recebeu o segundo prémio na categoria “Proteção ou Desenvolvimento de uma Paisagem Cultural”, da European Garden Heritage Network, prémio entregue na Alemanha (em Schloss Dyck), no dia 10 de setembro 2021: o “European Garden Award 2021” na categoria de paisagem cultural. 

Este importante galardão distinguiu este projeto destacando tratar-se de um projeto que resulta de uma iniciativa privada, que abre e liga ​jardins históricos, cria uma horta comunitária para os residentes e traz a viticultura para a aldeia​ c​omo elemento formativo – tudo a favor de um desenvolvimento sustentável desta paisagem patrimonial.

Aproveite e conheça a Rota dos Jardins Históricos do Dão onde pode encontrar os jardins que integram o projeto: Casa dos Condes de Santar e Magalhães, Casa das Fidalgas, Casa Ibérico Nogueira, Casa da Magnólia e Misericórdia de Santar.

Visite os icónicos Jardins da Quinta da Ínsua, em Penalva do Castelo  

A Quinta da Ínsua, em Penalva do Castelo, é um lugar com uma história imensa e um passado que remonta ao século XVII, data em que foi construída a casa primitiva. 

No século XVIII, por ordem de Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, governador e capitão-geral do Mato Grosso, no Brasil, foram introduzidas variedades botânicas tropicais. A intervenção do arquiteto italiano Nicola Bigaglia (1841-1908) permitiu a renovação da casa e da capela. 

Este sumptuoso espaço integra, além dos jardins, o exuberante Solar e uma extensa mata de campos agrícolas, com acesso por um portal ricamente decorado, conhecido como o Portão da Sereia, com uma série de esculturas alusivas à Antiguidade Clássica.

Descubra o  Parque da Carvalha, na Sertã

Situado em pleno Centro da vila da Sertã, o Parque da Carvalha é um dos mais belos locais de lazer da região. Este parque, conjuga na mesma área uma praia fluvial, espaços de lazer, áreas de entretenimento e zonas para a realização de atividades desportivas. 

Mais recentemente, e no âmbito do projeto inovador, convidamo-lo a conhecer a Rota do Experimenta Paisagem, roteiro que integra no Parque da Carvalha uma das três obras de arte que definem o início da Rota da Cortiçada: o Véu da Sertã. A obra está localizada sobre o açude da Ribeira da Sertã e é definida por dois pórticos que suportam uma sequência ondulada de seis chapas espelhadas moldadas que se sobrepõem a 2,4m de altura. A sequência destas superfícies espelhadas evidencia e multiplica os reflexos e as relações entre a ribeira, o jardim e a paisagem rural.

Fazem igualmente parte deste projeto Rotas das Linhas de Água – Menina dos Medos, em Sobral Fernando, e Magma Cellar, em Coqueiros, ambos no concelho de Proença-a-Nova.

Parta à descoberta do Jardim Casa-Museu João Soares – Prémio “Nobel” da Arquitetura Paisagística

O Jardim da Casa-Museu João Soares é um projeto da autoria do arquiteto paisagístico Gonçalo Ribeiro Telles, projetado em 1996 na localidade de Cortes, em Leiria, e distinguido com o prémio Geoffrey Jellicoe, considerado o Prémio Nobel da Arquitetura Paisagística, em 2013. 

Este espaço, que integra um pomar, foi pensado de forma a englobar toda a identidade rural e paisagística desta bonita localidade onde nasce o rio Lis. O jardim, localizado numa encosta, é percorrido por duas escadarias ladeadas de árvores de fruto, num misto de mata e de prado, numa composição que integra espaço relvado e flores ornamentais. De aparência mais natural, crescem na paisagem carvalhos, medronheiros, folhados e aroeiras. 

Aqui, aproveite para conhecer a Fundação Mário Soares, testemunho vivo da História de Portugal do século XX, e aventure-se na Rota da Nascente do Rio Lis, um percurso de 9 km que alia natureza, aventura, cultura e património. 

Percorra o jardim de inspiração italiana que recria o Jardim do Éden

De inspiração italiana, o Jardim do Paço Episcopal de Castelo Branco (ou de São João Baptista) é um jardim de estilo barroco que tem como matriz o conceito bíblico do Jardim do Éden. Foi mandado edificar no século XVIII, por ordem de D. João Mendonça, Bispo da Guarda que, tendo permanecido em Roma durante três anos, quando regressou a Portugal quis edificar em Castelo Branco um imponente Jardim, à semelhança dos grandes jardins de Itália. À data, o jardim fazia parte de uma vasta e complexa unidade agrária, paisagística e estética que costumava designar-se por “logradouros do Paço Episcopal de Castelo Branco”. 

Junto ao Jardim e instalado no edifício antigo Paço Episcopal, funciona agora o Museu Francisco Tavares Proença Júnior, montra viva das artes e tradições da região.

Com o início da primavera e já a sonhar com o desconfinamento, aproveite e faça um Roteiro pela Beira Baixa

Convidamo-lo a explorar o Jardim das Artes na Covilhã

O Jardim das Artes é um espaço verde interativo e moderno, situado na zona nova da cidade. O jardim abarca um espaço de lazer, com 18 mil metros quadrados, junto à rua Centro de Artes. Dispõe de um percurso pedonal de 840 metros quadrados, envolvido por uma vasta zona verde com um jardim de esculturas.

Desafiamo-lo a percorrer o Parque de Santa Cruz em Coimbra

Conhecido por Jardim da Sereia, a designação oficial é Parque de Santa Cruz. A sua origem remonta à fundação da nacionalidade. No século XII, este espaço foi entregue aos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, que iniciaram a exploração da Quinta de Santa Cruz. 

No século XVIII foi transformado num parque de lazer, com funções recreativas, integrando um espaço de descanso e meditação em estilo barroco. Hoje, a entrada do Jardim é feita pela Praça da República e apresenta três estátuas que representam a Fé, a Caridade e a Esperança, culminando com uma cascata. Subindo as escadas, encontramos a Fonte da Nogueira, com uma estátua que representa um tritão abrindo a boca de um peixe, de onde corre água para a fonte, o que explica a designação popular de jardim da “Sereia”.

Outros Jardins do Centro de Portugal aqui.

Mantenha o espírito.
O Centro de Portugal continua aqui, à sua espera.

(Artigo em permanente atualização. Agradecemos todos os contributos ou sugestões para: comunicacao@turismodocentro.pt)