A Virgem Maria era na Idade Média a padroeira de Portugal e hoje continua a iluminar a fé de um povo, mantendo viva a devoção Mariana em Portugal.

Venha connosco pelos caminhos de Maria e deixe-se guiar com calma, fé e tranquilidade, até locais de visita inteiramente dedicados ao culto de Nossa Senhora.

1| RIA DE AVEIRO

/// AVEIRO – Sé de Aveiro
A origem da Sé de Aveiro remonta ao século XV quando ainda era a Igreja do Convento de São Domingos. Dedicada à Virgem Maria, a catedral que atualmente conhecemos ainda reúne um elemento da igreja primitiva, uma parede de pedra talhada onde se encontra uma Virgem, num nicho de pedra.
Na sua fachada ressaltam as quatro figuras representativas das Virtudes Humanas que nos convida ao seu interior, amplo e iluminado que reúne vários estilos artísticos: maneirismo, barroco e modernismo. No interior da catedral encontramos devidamente preservado o cruzeiro original de São Domingos, um interessante exemplar do gótico-manuelino.
Nas laterais das naves há painéis de azulejos setecentistas representando, à direita, a cidade de Osma, Espanha, onde nasceu São Domingos de Gusmão e uma legenda da liturgia Mariana; à esquerda, a cidade de Bolonha, em Itália, ali representada com o seu Convento Beneditino de Santa Maria do Monte, local onde São Domingos de Gusmão faleceu. Na cúpula junto ao altar, em “arte nova”, apresenta-nos símbolos da paixão de Cristo.

/// ÍLHAVO – Capela de Nossa Senhora da Penha de França
De finais do século XVII e integrada no conjunto da Vista Alegre. A sua imponente fachada pela imagem da padroeira, em nicho, encima o portal. No seu interior destacam-se os três altares, sendo o principal dedicado a Nossa Senhora da Penha de França, sendo os colaterais dedicados ao Mistério da Conceição e ao Mistério do Rosário. As esculturas dos três altares mostram imagens de esculturas perfeitamente desenhadas. Os tetos pintados, os azulejos figurativos setecentistas e a talha dourada compõem o restante interior, barroco.

/// VAGOS – Santuário de Santa Maria de Vagos
De construção secular, o Santuário de Santa Maria de Vagos é um dos mais mais antigos Santuários Marianos de que há memória em Portugal. Fundado por D. Sancho I em 1204, é um local repleto de história, lenda e tradição, localizado num cenário verde de grande harmonia.
O Santuário de Santa Maria de Vagos, ou Capela de Nossa Senhora da Conceição é local de grande peregrinação e recebe anualmente milhares de fiéis para a “Bênção do Bodo”. Mantém no seu interior elementos seiscentistas e esculturas que remontam o século XIV e a imagem da Santa Padroeira remonta ao século XVII.

2| VISEU DÃO LAFÕES

/// VISEU – Sé de Viseu
A Sé de Viseu, também conhecida como a Catedral de Santa Maria de Viseu é um deslumbrante monumento edificado no centro da cidade de Viseu. A sua originalidade resulta de sucessivas transformações desde o século XII até ao século XIV. A fachada do edifício é de meados do século XII, mas atualmente todas as intervenções arquitetónicas do edifício foram acompanhadas por uma evolução artística na talha dourada, na imaginária e na azulejaria, impondo no interior da catedral, os brilhos, a exuberância da cor e do ouro tão característicos do barroco. No seu interior destacam-se ainda o claustro renascentista, as abóbadas do século XVI/XVII que suportam o coro alto e a capela-mor setecentista, a talha dourada e o cadeiral gótico do coro alto.
Atualmente, devido ao seu papel no culto mariano, à sua valorização arquitetónica e artística é parte integrante da Rota das Catedrais, tornando-se uma oferta religiosa e cultural ímpar na sua região.

/// SÁTÃO – Santuário de Nossa Senhora da Esperança
Localizada na localidade de Abrunhosa, em Sátão, o Santuário de Nossa Senhora da Esperança é um dos monumentos de maior valor artístico na região. A sua construção remonta à primeira metade do século XVIII, de estilo joanino. O interior é totalmente barroco com todo o espaço preenchido por pintura, azulejo e talha dourada de estilo nacional. De destacar o órgão de tubos do século XVIII, que forma um conjunto harmonioso com a decoração interior.
Visitado por centenas de pessoas, a conjugação de brilhos e cores deste monumento ilumina quem o visita, por ato de fé ou simplesmente para apreciar a sua beleza.
Destacamos a procissão das velas que se celebra a 8 de Setembro, demonstrando o momento alto de fé e devoção pela Virgem Maria.

/// MANGUALDE – Santuário de Nossa Senhora do Castelo
No topo do monte de Nossa Senhora do castelo encontra-se o Santuário com o mesmo nome, exatamente no mesmo local onde existiu um antigo povoado fortificado da Idade do ferro. No topo da escadaria que a antecede, ergue-se a atual ermida, cuja origem remete a uma capela dos finais do século XIV e atualmente a sua fachada sobressai a torre que, com 38 metros de altura se ergue até aos céus. No interior salientamos os altares de talha dourada, as telas representando os pais de Maria (Santa Ana e São José) da autoria do pintor viseense António José Pereira (século XIX) e as imagens da Virgem Maria com o menino, São Miguel Arcanjo e São José com o menino Jesus.

3| SERRA DA ESTRELA

/// GUARDA – Sé da Guarda
Imponente marco da história da arquitetura portuguesa, a sua construção decorreu entre finais do século XIV e do século XVI. Lugar de passagem obrigatório quando visita a cidade mais alta de Portugal, a Catedral da Guarda apresenta uma robustez ímpar, típica das cidades fortificadas. De traço rendilhado, nos pináculos e nas gárgulas exteriores, é bem evidente o gótico imposto na construção deste imponente monumento. No seu interior, principal destaque para o retábulo maneirista representando episódios da vida de Cristo, esculpido na típica pedra de Ançã e atribuído à escola de João de Ruão.

/// BELMONTE – Igreja Matriz Nossa Senhora da Esperança de Belmonte
Nossa Senhora da Esperança é, em Belmonte sinal de história e de devoção entre dois povos: Brasil e Portugal. É aqui, cidade berço de Pedro Álvares Cabral, na Igreja de Santa Maria, Matriz de Belmonte, que se encontra a imagem que Pedro Álvares Cabral levou consigo na nau que chegou ao Brasil. A imagem de Nossa Senhora da Esperança, símbolo dos Descobrimentos portugueses, é do século XIV/XV e está colocada no altar com o mesmo novo. Junto a ela encontra-se uma miniatura da Cruz de Ferro (vinda do Brasil) e ainda uma imagem de Nossa Senhora da Aparecida, também do Brasil. Contam os documentos que, esta imagem de Nossa Senhora da Esperança, acompanhou a expedição portuguesa ao Brasil, liderada por Pedro Álvares Cabral.

/// MANTEIGAS – Altar de Nossa Senhora da Boa Estrela (Covão do Boi)
Nossa Senhora da Boa Estrela representa um dos santuários mais enigmáticos da Serra da Estrela. Esculpida em pedra, junto à Torre da Serra da Estrela, a guia e protetora dos pastores, Nossa Senhora da Boa Estrela situa-se exatamente no Covão do Boi, tem 7m metros de altura e ali permanece desde 1946, altura em que o pároco local, António Duarte, decidiu homenagear a Virgem Maria. Decerto que já se deslocou à Serra da Estrela e se deparou com este altar peculiar, aqui encontra o motivo pelo qual foi aqui construído.
Conta a lenda que Nossa Senhora da Boa Estrela apareceu na Serra a um pastor, sendo por isso considerada guia e protetora dos mesmos.
É no segundo domingo de Agosto que é celebrada uma festa em sua homenagem, trazendo ali uma romaria onde é tradição depositarem flores à Virgem Maria.

4| REGIÃO DE COIMBRA

/// COIMBRA – Sé Velha de Coimbra
A construção da Sé Velha de Coimbra data do século XII, sob a orientação do Mestre Roberto que dirigia na mesma época a obra da Sé de Lisboa. De fachada românica, contém o mais antigo claustro gótico de Portugal.
O monumento de elevado valor patrimonial sofreu várias intervenções e remodelações ao longo dos séculos com especial relevo para as esculturas jacentes dos séculos XII, XIV e XVI, atribuídas a João de Ruão. Já a execução da Capela de São Pedro, de caráter renascentista, é atribuída ao escultor Nicolau Chanterenne.
No interior da igreja, destacam-se a cabeceira, a torre-lanterna sobre o cruzeiro, os túmulos medievais e os azulejos sevilhanos quinhentistas que revestiam os pilares e naves, hoje circunscritos a alguns vãos e arcosólios.

/// COIMBRA – Sé Nova de Coimbra

Fundada pelos jesuítas em 1598, a Sé Nova de Coimbra foi a Igreja do maior colégio de Coimbra, dedicado outrora às onze mil virgens. Foi o primeiro colégio jesuíta do mundo, conhecido pelo seu rigor no ensinamento da doutrina cristã. Atualmente possui uma fachada construída em duas fases: a primeira em linhas clássicas e a segunda em linhas barrocas. Salientamos o retábulo em talha dourada setecentista e o cadeiral de pau-preto, também do século XVII, originário da Sé Velha. Também oriundo da Sé velha é a Pia Batismal manuelina que se encontra no Batistério.

/// PENACOVA – Mosteiro de Santa Maria de Lorvão
A história da fundação do Mosteiro de Santa Maria de Lorvão poderá ter de ser recuada até ao século VI, mas os primeiros documentos escritos que existem da mesma remetem a sua fundação para o período da reconquista de Coimbra, em 878, evidenciando os monges de Cluny que ali se criaram uma comunidade que desempenhou importante papel na região, dedicando o Mosteiro aos mártires São Mamede e São Pelágio. No século XII passa para a ordem de Cister, e desde aí convento feminino. Foi aqui que viveu e faleceu a Infanta D. teresa, filha de D. Sancho I estando aqui sepultada junto a sua irmã D. Sancha, embora em urnas separadas, numa obra-prima do ourives portuense Manuel Carneiro da Silva, em 1714.
O monumento cujo valor artístico e patrimonial é de referência nacional sofreu sucessivas reformulações arquitetónicas, realçando-se as do período barroco. Merece especial referência a imagem de Nossa Senhora da Vida, num dos altares do Coro, e ainda o cadeiral em jacarandá preto do Brasil decorado com figuras de santos mártires e folhagens.

5| MÉDIO TEJO

/// FÁTIMA – Santuário de Fátima
De Maio a Outubro, nos dias 13 de cada mês e durante todo o ano, cerca de seis milhões de peregrinos percorrem anualmente os caminhos de Fátima para estar mais perto do local onde três pequenos pastores – Jacinta, Francisco e Lúcia – afirmam ter visto a Virgem Maria.
Foi no lugar da Cova da Iria que Nossa Senhora apareceu aos videntes, pela primeira vez a 13 de Maio de 1917, quando apascentavam um rebanho na Cova da Iria.
Lúcia de Jesus, Francisco e Jacinta Marto, de 10, 9 e 7 anos, respetivamente, avistaram sobre uma azinheira uma luz envolvendo uma Senhora que lhes falou pedindo-lhes para rezarem e convidando-os a voltar nos meses seguintes.
Para assinalar o local das Aparições construiu-se um arco de madeira com uma cruz. A pequena árvore a pouco e pouco foi desaparecendo levada por peregrinos.
A 6 de Agosto de 1918, com as esmolas dos fiéis iniciou-se a construção de uma pequena capela em homenagem a Nossa Senhora, feita de pedra e cal coberta de telha com 3,30 metros de comprimento, 2,80 metros de largura e 2,85 metros de altura. Foi a primeira construção do atual recinto de oração.
O Santuário possui hoje um amplo recinto ao ar livre com a área de 86400 m2 que comporta cerca de 300 000 pessoas. O centro da atividade é para além da Capelinha das Aparições, a Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima cuja primeira pedra foi benzida a 13 de Maio de 1928 pelo Arcebispo de Évora, D. Manuel da Conceição Santos.
Ainda no recinto do Santuário podemos ver a Azinheira Grande, debaixo da qual os Pastorinhos e os primeiros peregrinos esperavam e rezavam o terço antes de chegar Nossa Senhora, a Basílica da Santíssima Trindade, o monumento ao Sagrado Coração de Jesus, que se ergue no centro da praça, a Cruz Alta no topo sul do recinto, o monumento ao Papa Pio XII e o monumento a D. José Alves Correia da Silva, primeiro Bispo da Diocese de Leiria.
Na simplicidade universal da sua mensagem de Paz, Fátima é um espaço de silêncio e meditação.

/// DORNES – Santuário de Nossa Senhora do Pranto
Construção templária, o Santuário de Nossa Senhora do Pranto, ou das Dores, situa-se numa bela península ladeada pelo rio Zêzere, na aldeia de Dornes, concelho de Ferreira do Zêzere. Conta a lenda que a Igreja de Nossa Senhora do Pranto foi fundada pela Rainha Santa Isabel no século XIII. Foi reedificada e ampliada pelo comendador-mor de Dornes, D. Gonçalo de Sousa, cujo escudo pode ver inscrito numa lápide na fachada principal.  
A Igreja de Nossa Senhora do Pranto caracteriza-se por uma conjugação de estilos, pois a sua arquitetura congrega o gótico, o maneirismo e o barroco. De planta longitudinal, na sua fachada triangular abre-se um pórtico de verga reta. Nele se pode encontrar, sobre a cornija, duas imagens em pedra, que poderão ser provenientes da primitiva construção.
No exterior da Igreja, separada desta, evidencia-se a singular torre templária, mandada construir como torre defensiva e, posteriormente, convertida em torre sineira.
As principais celebrações realizam-se no dia 15 de agosto e na segunda-feira do Espírito Santo (solenidade de Pentecostes), festa maior dos círios que para ali convergem, da segunda-feira da Páscoa até ao mês de setembro.

/// TOMAR – Capela Nossa Senhora da Piedade
Implantada num monte fronteiro ao Castelo de Tomar e ao Convento de Cristo, a Capela de Nossa Senhora da Piedade – antiga Ermida de Nossa Senhora do Monte – foi mandada edificar em 1397 pelo alcaide de Óbidos, vila de que esta figura da Virgem é padroeira e onde é alvo de particular devoção.
Acede-se ao interior do templo por uma porta ogival, antecedida por um alpendre apoiado em pilares toscanos que se prolonga para as fachadas laterais. A imagem da padroeira, à qual são atribuídos numerosos milagres, está enquadrada por um altar em talha rústica. As paredes são decoradas com painéis de azulejos seiscentistas, de padrão geométrico.
O edifício apresenta diversos elementos de arquitetura gótica, que se articulam com outros já maneiristas, resultantes de intervenções posteriores. Em 1613, durante a época filipina, a capela foi restaurada e modificada pelo juiz do povo, Bernardo Ortiz Ochoa. No século XIX, entre 1846 e 1862, construiu-se a escadaria monumental com 292 degraus pela qual se ascende ao cume e que tem um importante papel na celebração de Nossa Senhora da Piedade.
O culto é celebrado anualmente no dia 8 de setembro e tem como auge a procissão que transporta a imagem da Virgem da Piedade, desde a igreja de São João Batista até esta capela, subindo a íngreme escadaria.

6| REGIÃO DE LEIRIA

/// LEIRIA – Sé de Leiria
Construída entre os séculos XVI e XVII, a Sé de Leiria é um edifício imponente rodeado por um adro alto percorrido por uma balaustrada de pedraria que se encontra exatamente no centro da cidade. O interior, de influência renascentista, apresenta uma igreja de três naves, separadas por 10 pilares cruciformes que dão grandiosidade ao seu interior da catedral. A capela-mor, de teto abobadado, integra um elaborado retábulo de talha dourada da autoria de Baltasar Alves e Frei João Turriano, retratando pinturas da coroação da Virgem Maria, simbolizando o papel da mulher nos Evangelhos.

/// BATALHA – Mosteiro de Santa Maria da Vitória
O Mosteiro de Santa Maria da Vitória foi mandado construir pelo rei D. João I, em cumprimento de um voto feito à Virgem Maria antes da Batalha de Aljubarrota, que ocorreu dia 14 de agosto de 1385, no campo de São Jorge, a escassos quilómetros. A célebre Batalha de Aljubarrota resolveu a crise dinástica que abalava Portugal nesta altura, lutando pela independência da coroa, ameaçada pela poderosa vizinha, Castela.
Tropas portuguesas, lideravas pelo Condestável Nuno Álvares Pereira, confrontaram as castelhanas, sendo a vitória alcançada peloso portugueses. A vitória portuguesa permitiu a implantação de uma nova Dinastia em Portugal, e é sobejamente conhecida a devoção da Dinastia de Avis pela Virgem Maria.
A construção do Mosteiro dedicado a Santa Maria iniciou-se e terá decorrido cerca de 200 anos e seis reinados até que fique “quase” concluído.
Em 1985, o Mosteiro de Santa Maria da Vitória foi classificado como Património mundial da Humanidade pela UNESCO, sendo um dos monumentos mais visitados da região Centro de Portugal. É um dos mais belos exemplares do gótico flamejante em Portugal e a pedido de D. João I, um testemunho de força, representando a vitória da nação portuguesa.
O impressionante portal é inteiramente esculpido, ostentando um total de 78 imagens, todas searadadas detalhadamente representando serafins, anjos músicos, profetas, reis de Israel e Santos medievais, encimados pela coroação da Virgem Maria como rainha de Portugal. No centro do pórtico encontramos um dos elementos mais importantes de toda a composição, o Tetramorfo, representando Cristo em majestade ladeado pelos 4 evangelistas e respetivos atributos: S. João (com a água), S. Lucas (com o touro), S. Mateus (com o anjo), e S. Marcos (com o leão). Esta magnífica composição marca a entrada do mundo terrestre para o mundo celestial. E com ela entramos na Igreja de Santa Maria, a mais alta catedral de Portugal (32m de altura).
Por toda a igreja os elementos manuelinos são visíveis através dos elementos vegetalistas, esferas armilares e cruzes de Cristo. Quando as condições climáticas estão favoráveis, as variadas cores dos vitrais deixam penetrar uma luminosidade bastante suave, que o transporta para um local tranquilo com um clima espiritual inigualável.

/// REGUENGO DO FETAL – Capela de Nossa Senhora do Fetal
O Reguengo do Fetal não é apenas conhecido pela sua lenda mas também pelas suas famosas tradições religiosas. A maior e mais notável é a “Festa dos Caracóis”, que se celebra no primeiro domingo de outubro. A imagem de Nossa Senhora do Fetal que habitualmente está na Ermida de Nossa Senhora do Fetal é solenemente conduzida, 9 dias antes da festa, em procissão noturna para a Igreja Matriz.
Na véspera da festa é levada da mesma forma para a sua Capela. O nome “festa dos caracóis” deve-se à forma em que a procissão é celebrada, pois durante as procissões, a Capela e toda a rua onde passa a imagem é iluminada por cascas de caracóis com um pavio em azeite. Cada morador decora a sua casa, formando lindos e vistosos motivos.
Situada numa encosta, a sul da povoação de Reguengo de Fetal, é onde encontramos a Capela dedicada à Virgem Maria. Construída em 1585 “com as esmolas dos fiéis cristãos”, segundo uma inscrição que ali constava, entretanto desaparecida. De uma nave, a Capela está revestida de azulejos setecentistas provenientes da famosa Fábrica do Juncal. Para além dos magníficos retábulos em talha dourada, o retábulo do altar-mor, em mármore e negro, ostenta numa tribuna a dita imagem de Nossa Senhora do Fetal, com cerca de dois palmos de altura.

7| OESTE

/// NAZARÉ – Santuário de Nossa Senhora da Nazaré
A Nazaré é uma vila tipicamente piscatória, onde se localiza a praia mais pitoresca de Portugal e que atrai, incansavelmente, todos os anos milhares de veraneantes.
A vila que hoje conhecemos só existe desde o século XVIII, pois antes disso, toda a parte baixa da vila era coberta pela água do mar.  Apenas existia o Sítio, de onde se obtém hoje uma das mais incansáveis vistas do Oeste, no Centro de Portugal. É aqui que se localiza este famoso Santuário Mariano, o Santuário de Nossa Senhora da Nazaré.
O nome “Nazaré” atribui-se a uma lenda segundo a qual teria sido aqui encontrada uma imagem oriunda da terra natal da Virgem. Reza a lenda que, em meados do século VIII, o rei Cristão D. Rodrigo teria viajado até ao Sítio acompanhado por Frei Romano, que traria consigo uma imagem da Virgem oriunda da Nazaré, na Terra Santa. Antes de falecer, Frei Romano escondeu essa mesma imagem numa lapa, junto ao Promontório, mais tarde descoberta por pastores que ali passavam, e logo lhe dedicaram grande devoção.
D. Fuas Roupinho, alcaide-mor de Porto de Mós, praticava o seu desporto favorito, a caça, quando, de repente, viu um veado branco e seguiu em sua perseguição. Ao chegar ao promontório do Sítio, o veado desapareceu subitamente quando D. Fuas se apercebeu que estaria prestes a cair ao mar. Desesperado invocou a ajuda de Nossa Senhora e, o cavalo estancou a pata traseira na rocha, salvando a vida de D. Fuas. Para agradecer, mandou ali erigir uma capela – a Ermida da Memória – em honra de Nossa Senhora de Nazaré, onde se conserva a gruta primitiva onde a imagem de Frei Romano teria sido encontrada. Uns anos mais tarde, devido à afluência de peregrinos ao local, D. Fernando, mandou erigir um fabuloso Santuário em honra de Nossa Senhora da Nazaré que conseguisse acolher, em segurança, todos os peregrinos. Apesar de construído no século XIV, o monumento apresenta uma magnífica arquitetura e decoração barrocas. De salientar no seu interior de uma só nave, que exalta uma decoração em talha dourada exuberante, testemunhando uma época florescente de Portugal. Num pedestal do retábulo da capela-mor, e protegida por um vidro, encontra-se a imagem de Nossa Senhora da Nazaré.

/// ALCOBAÇA – Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça
Alcobaça nasce em 1153, aquando da Reconquista cristã, no seguimento de um voto feito por D. Afonso Henriques à Virgem Maria. A história do seu Mosteiro começa aqui.
Reza a lenda que D. Afonso Henriques prometei à Virgem Maria que, se ele conquistasse Santarém aos mouros, doaria terras à Ordem de Cister, dirigida por São bernardo de Claraval e ordenaria a construção de Mosteiro em sua honra. A vitória aconteceu e para além de doar as terras que se avistavam da Serra de Albardos à Ordem de Cister, mandou erigir o Mosteiro. Desta forma nasce Alcobaça, uma zona desabitada que, agora seria povoada por uma ordem cristã, que se mostraria muito importante no desenvolvimento cultural, social e económico da região. Toda a comunidade nasceu e desenvolveu-se em torno da construção do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, a primeira igreja construída em Portugal.
O sóbrio e austero Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, classificado Património Mundial da Humanidade pela UNESCO desde 1989, foi inteiramente construído pelos monges. E é aqui, na Igreja de Santa Maria, a mais longa do país, que poderemos admirar os túmulos góticos de D. Pedro I e D. Inês de Castro, protagonistas da mais trágica história de amor de Portugal. Do lado direito, a sul, Pedro; do lado esquerdo, a norte, Inês. Frente a frente para que, no dia da Ressurreição se vejam de imediato mutuamente.

/// ÓBIDOS – Igreja de Santa Maria de Óbidos
Uma das mais notáveis vilas do Centro de Portugal, Óbidos impressiona pelo seu valor histórico e artístico. Vila literária, comumente conhecida pela sua pequena vila desenvolvida entre muralha, Óbidos mantém vivo o ideal de fé vivido na idade medieval, intensamente crente com ilimitada confiança na Virgem maria em qualquer circunstância da vida. No centro da sua vila, junto ao pelourinho e de frente à cortina onde se encosta o Chafariz da vila, encontra-se a imponente Igreja de Santa Maria de Óbidos.
Atualmente sabe-se que, no século XVI, altura da construção desta igreja, ao invocarmos a proteção da Virgem Maria estaríamos a invocar Nossa Senhora da Assunção. Talvez por isso tenhamos a imagem da Virgem com o menino Jesus ao colo na fachada desta imponente Igreja, invocando a padroeira da paróquia. Ao entrarmos no monumento somos invadidos de um misto de fé e espiritualidade, podendo contemplar-se para além das paredes revestidas a azulejos setecentista e do teto em caixotões de madeira, algumas das pinturas de Baltazar Gomes Figueira e da célebre Josefa de Óbidos (1634-1684), numa combinação estética entre o sagrado e o profano. Grade parte da obra desta célebre artista encontra-se conservada no Museu de Óbidos.
No lado do Evangelho, junto ao altar, encontra-se a peça primacial de Santa Maria de Óbidos, o túmulo de D. João de Noronha (alcaide-mor de Óbidos) e sua esposa, isabel de Sousa, naquela que é considerada a primeira obra-prima do renascimento em Portugal, atribuído a Nicolau Chanterene.

A título de curiosidade, sabia que aqui nesta igreja casou o infante Afonso, futuro Afonso V (com 10 anos), com sua prima Isabel (com 8 anos)?

8| BEIRA BAIXA

/// IDANHA-A-NOVA – Santuário de Nossa Senhora de Almortão
O Santuário de Nossa Senhora do Almortão situa-se nos campos de Idanha-a-Nova. De estilo simples e harmonioso, destacam-se a capela-mor e o altera que são totalmente revestidos a azulejos oitocentistas.
Cenário de romarias, a sua origem advém de uma lenda que nos conta que, uma imagem da Virgem Maria apareceu numa moita de murtas, num dia de madrugada, quando ali passavam alguns pastores. Pararam a rezar e resolveram transportar a imagem para a Igreja de Monsanto. A imagem misteriosamente desapareceu tendo sido encontrada novamente no murtão onde surgira pela primeira vez.
Respeitando assim a sua vontade, ali construíram esta linda Capela, local de diversas romarias, nomeadamente nos 15 dias após a celebração da Páscoa, onde ocorre a sua tradicional Procissão.

/// CASTELO BRANCO – Santuário de Nossa Senhora de Mércoles
O Santuário de Nossa Senhora de Mércoles encontra-se localizado nos arredores da cidade de Castelo Branco, numa pequena colina coberta por oliveiras e azinheiras, o cabeço de Mércoles. A sua origem é um misto de lenda, de culto pagão e cristão o que justifica os diversos estilos aqui apresentados tendo sido construída no período de transição do românico para o gótico.
Não se sabendo ao certo a sua origem, a sua fundação é, ainda hoje, atribuída aos templários. Exteriormente destacam-se os dois torreões que ladeiam a porta de entrada e, no seu interior, apresentam-se painéis de azulejos hispano-árabes e ainda alguns vestígios de frescos.
Conta a lenda que haveria por aqui uma imagem que, milagrosamente, apareceu no tronco de uma aznheira. A imagem foi atribuída à Virgem Maria e tendo o milagre acontecido a uma quarta-feira e à proximidade com Espanha, a Senhora foi apelidada de Miercoles (ou seja, quarta-feira, em castelhano). A palavra pode ainda ter uma outra origem mais pagã, pois Miercoles deriva de Mercúrio, ou seja, é o dia da semana consagrado à Divindade mitológica romana. Tendo em conta o monte onde a imagem foi encontrada, poderá ser relevante, pois foi onde também encontraram um altar de devoção a Mercúrio, podendo significar que este era um sacro-monte ainda antes da cristianização da península.
Visitar este Santuário é possível, com agendamento prévio.c

/// PENAMACOR – Santuário de Vale da Senhora da Póvoa
Situado no Vale da Senhora da Póvoa, no sopé da Serra s’Opa, a sua origem é lendária. Conta a lenda que andariam dois pastorinhos a apascentar seus rebanhos, cujos cães que os ajudavam seguiram assustados contra um silvado. Curiosos, os pequenos pastores seguiram os animais e encontraram, entre as silvas, uma imagem da Virgem Maria, que brilhava, envolta numa auréola incandescente. Correram para a vila a contar à povoação que se prontificou de imediato a realizar uma procissão que levasse a imagem para a Igreja. Pouco tempo depois, a imagem desaparece miraculosamente, voltando a aparecer no silvado onde anteriormente havia sido encontrada.
Desta forma nasce uma pequena Ermida, hoje Santuário do Vale da Senhora da Póvoa, onde se poderá venerar a milagrosa Virgem Imaculada Senhora da Póvoa.
É provável que este lugar fizesse parte dos Caminhos de Santiago. A romaria a este Santuário é um dos pontos altos do concelho pois atrai milhares de peregrinos ao concelho de Penamacor.


Consulte o mapa Caminhos de Fátima e Altares Marianos e descubra uma das Rotas Marianas do Centro de Portugal ao som da nossa playlist.

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(Artigo em permanente atualização. Agradecemos todos os contributos ou sugestões para: comunicacao@turismodocentro.pt)