Nesta quadra pascal, as celebrações e atividades abundam, replicam-se e multiplicam-se.

No Centro de Portugal há uma enorme diversidade de maneiras de viver esta altura do ano, cada uma especial e única. Apesar deste ser um ano diferente, podemos manter o espírito e continuar a celebrar esta época tão importante junto de quem mais gostamos mesmo que o tenhamos de o fazer à distância. 

Venha descobrir connosco como se celebra a Páscoa no Centro de Portugal! 

Feliz Páscoa no Centro de Portugal!

ÁGUEDA

/// TRADIÇÕES E EVENTOS PASCAIS

A celebração da Páscoa é, para os cristãos, o “nervo vital” da vida da fé que se concretiza no seguimento de Jesus Cristo, morto e ressuscitado. Naturalmente que, ao longo dos tempos, se foram criando ações e atividades que se orientavam para uma mais profunda vivência das celebrações do acontecimento fundante da Igreja, da fé cristã: morte e ressurreição de Jesus. Dentre essas tradições, algumas também ficam entre nós, como é o caso da celebração dos Passos.

/// CELEBRAÇÃO DOS PASSOS

O fim de semana (sexta, sábado e domingo) que antecede o 5º domingo da Quaresma é, todo ele dedicado a esta devoção muito enraizada no povo da nossa região. A devoção no Senhor dos Passos vem de tempos muito remotos, e há quem defenda como muito provável que as primeiras procissões se terão realizado em meados do século XVII, ou até mesmo um pouco antes. A procissão dos Passos é, sem dúvida, o mais alto expoente do culto religioso de Águeda, que ano após ano, teima em não deixar perder na memória do tempo esta celebração religiosa que regista uma enorme afluência de população vinda de vários pontos do país. O ritual compreende celebrações em três dias consecutivos, começando na sexta-feira e culminando no domingo. A noite de Sexta feira dedica-se a nossa Senhora das Dores que, após celebração mariana da Palavra, se traduz em procissão com a respetiva imagem, desde a igreja matriz até à capela de Nossa Senhora da Ajuda, em Paredes;

Na noite de Sábado está voltado para a imagem de Jesus, carregando a cruz. Após a celebração da palavra, organiza-se a procissão com a imagem até à capela de Nossa Senhora da Graça, em Assequins. Durante o itinerário, cantar-se-á o Miserére e viver-se-á a Via Sacra, que terminará com a proclamação da Palavra de Deus.

Na tarde de Domingo (Domingo de Passos), realiza-se a Procissão dos Passos. Todos os anos se regista uma enorme afluência de população, oriunda de vários pontos do país que todos os anos se desloca a Águeda, à Praça Conde de Águeda, para assistirem ao Sermão do Encontro.

O encontro inclui o retorno de ambas as imagens a Águeda. É sem dúvida, o momento mais alto e comovente da cerimónia aquele em que os dois andores, de Jesus e de Maria se encontram.

Após um momento de pausa auxiliada pela palavra de reflexão aí proferida, por um padre, lembrando o encontro de Jesus com sua Mãe no caminho do Calvário, seguindo depois a procissão para a Igreja Matriz. 

O encerramento destas celebrações acontece na igreja Matriz de Águeda, com a evocação da morte de Jesus.

/// DOMINGO DE RAMOS

A celebração deste dia está já integrada na celebração litúrgica de caminho para a Páscoa. A primeira parte é composta pelo momento da bênção dos ramos, seguida de procissão até à igreja matriz, lembrando e simbolizando a aclamação feita a Jesus, a quando da sua entrada na cidade de Jerusalém, antes de morrer; a segunda parte acontece na celebração da Eucaristia que inclui, desde logo, o texto da narração da Paixão, segundo um dos evangelistas.

/// SEXTA-FEIRA SANTA

O grande momento deste dia traduz-se na celebração da Morte do Senhor que se compõe, entre nós, de dois tempos: o primeiro ocorre no início da tarde com celebração da Via Sacra e o segundo, habitualmente à noite, leva-nos à escuta da Palavra de Deus após a qual acontece o grande gesto de “adoração da Cruz”, símbolo da nossa salvação.

/// SÁBADO DE ALELUIA

No sábado de aleluia, à noite, na freguesia de Travassô, realiza-se a festa da Queima do Judas. É uma festa – manifestação popular – tipicamente profana, com origem no imaginário cristão, segundo o qual Judas entregou Jesus à morte, tornando-se por isso um traidor. Esta tradição que se perde no tempo tem um carácter simbólico de expiação dos males e de purificação da alma, através do fogo. Porém, a queima do Judas, não é só queimar um boneco de palha, é também, a representação, no adro da igreja, de um trabalho artístico e literário em que é explorado o aspeto crítico, humorístico, com especial incidência na vida política e social. 

No final, pela meia-noite, lê-se o célebre “Testamento do Judas” que consiste em deixar uma “herança” aos jovens solteiros de Travassô, criando-se para o efeito quadras de escárnio e maldizer, onde se ridicularizam os vícios e os costumes populares.

/// DOMINGO DE PÁSCOA


AGUIAR DA BEIRA

/// TRADIÇÕES PASCAIS

Em Aguiar da Beira, na altura da Quaresma, existia a tradição de ir à igreja todas as sextas feiras. Hoje em dia perpetuam-se dois rituais bastante interessantes: o Terço dos Homens e o Compasso Pascal.

O Terço dos Homens tem lugar na sede do concelho por intermédio dos  irmãos da Santa Casa da Misericórdia. Estes vestem as suas capas de cor púrpura, empunhando a cruz e as lanternas e são acompanhados pelo pároco num momento de visita e oração. Durante a procissão, rezam os quinze mistérios do Rosário e entoam cânticos alusivos à paixão e morte de Cristo. Esta celebração exclui as mulheres que só assistem à procissão às janelas de suas casas.

Em todo o concelho se celebra a Semana Santa com cerimônias especiais, sobretudo na quinta e na sexta-feira. Também o  Sábado de Aleluia ganha destaque por ser quando se proclama a ressurreição do Senhor.

Os festejos da Páscoa têm o seu ponto alto com o  Compasso Pascal. Este possibilita a visita e adoração da Cruz em cada casa. A Cruz é  levada pelos elementos da Comissão da Igreja em procissão e visita, permitindo que  as famílias partilhem este momento, que se quer de reflexão, oração e união entre todos.

Nas mesas do Município não pode faltar o folar da Páscoa, mais conhecido por “Bolo de Azeite”, o queijo da serra para acompanhar o bolo e as típicas “Cavacas”.

Devido à situação de pandemia em que nos encontramos estes eventos não se realizaram em 2020 e não se realizarão em 2021.


ALCOBAÇA

/// TRADIÇÕES PASCAIS

O concelho de Alcobaça mantém as suas tradições pascais, este ano muito limitadas devido à pandemia do novo coronavírus (COVID-19). Na Sexta-Feira Santa impera na mesa o Grão cozido com bacalhau. No domingo de Páscoa, manda a tradição os requintados pratos de carne, borrego, cabrito ou galo no forno, e para sobremesa o tradicional Pão de Ló ou o folar. As melhores pastelarias confecionam, com todo o requinte e saber-fazer, os folares, as amêndoas, o Pão de ló tradicional, o Pão de Ló de Alfeizerão, os Ovos de chocolate e os Ninhos de Páscoa. As cerimónias religiosas da Semana Santa que se realizam por todo o concelho, este ano devido às restrições impostas pelo Estado de Emergência sofrerão alterações e cancelamentos. No norte existe a tradição de, no domingo de Páscoa, os afilhados irem a casa dos padrinhos e receberem destes um folar, amêndoas e dinheiro. Também aqui o pároco faz a Visita Pascal a cada casa, cujos donos preparam nas entradas um tapete de verdura e flores, indicando que este é bem-vindo, para receberem a bênção. Mais a sul, São Martinho do Porto celebra a Semana Santa conta com diversas cerimónias alusivas a esta quadra (o Domingo de Ramos, a Celebração da Paixão do Senhor, a Missa da Ressurreição). Alfeizerão, Évora de Alcobaça e Alcobaça celebram o Senhor dos Passos.
Na zona do Vimeiro, em tempos o padre percorria todas as localidades para as chamadas “Boas festas”. Entrava nas casas, cumprimentava os moradores e realizava uma pequena bênção à casa e à família. As limpezas gerais das casas antecediam esta visita, porque todos queriam ter a casa muito arranjada para a visita pascal.

/// DOÇARIA PASCAL – A MAIS DOCE TRADIÇÃO

O concelho de Alcobaça é reconhecido pela sua tradição gastronómica, o legado dos Monges de Cister que administraram estas terras, do século XII ao século XIX, deixaram através da passagem de testemunho, de geração em geração, um imenso património gastronómico que delícia os mais gulosos. São muitas as pastelarias que se dedicam à doçaria tradicional e conventual, destacamos aqui algumas – de norte a sul do concelho – que durante a Páscoa deslumbram com as suas montras repletas de doces especialidades.

Atelier do Doce – Alfeizerão
Uma pastelaria com mais de 60 anos de tradição. Em 1960 surge uma das mais antigas e conceituadas pastelarias de Alcobaça, a “Pastelaria Saraiva”, fundada em 1960 pelo Mestre António Saraiva e sua esposa, pais de Catarina Saraiva que com o marido Rui Marques criaram o Atelier do Doce em 2006, uma empresa que se dedica a 100% à produção e venda de bolos de pastelaria tendo já recebido vários prémios.

Pastelaria Concha – São Martinho do Porto
A História da Pastelaria Concha tem início há 71 anos, sendo desde sempre um símbolo de São Martinho do Porto.
Pastelaria de Fabrico Tradicional que mantém todas as receitas e técnicas de produção desde a sua fundação, trabalhando sempre com os melhores ingredientes.
A Concha produz nesta época de Páscoa várias iguarias:
O Folar, receita com 71 anos. As Castanhas de Ovos, com massa de ovo tradicional, Ninhos de Páscoa com fios de ovos caseiros; ovos de Chocolate recheados e amêndoas de diferentes sabores como limão, frutos vermelhos e canela, a tradicional de caramelo e chocolate.

Padaria e Pastelaria Modelo – Benedita
Casa fundada em 1980, situada no centro da vila da Benedita. Dedica-se ao fabrico de pão e de pastelaria tradicional. Premiada em vários produtos (bolo-rei, bolo escangalhado, bolo-rainha) graças à inovação que implementam. Especialidades: pão caseiro e de cerais diversos, folares, bolo ferradura, broa de azeite.

Pão Quente Gallegus – Pataias
A proprietária Dora Ferreira mantém a receita que lhe foi legada pelo seu pai, fundador da casa, há mais de 60 anos, que ainda hoje, nesta época, vem ajudar na confeção. A receita tem por base ovos, farinha, especiarias e limão.

Pastelaria Alcôa – Alcobaça
Desde 1957, que a premiada pastelaria Alcôa se dedica à centenária arte de confecionar doces conventuais, seguindo a tradição dos Monges de Cister que habitaram esta região. Trabalho, orientado pelo rigor e pelo entusiasmo que colocam na pesquisa dos saberes antigos e no estudo das atas dos mosteiros de Santa Maria de Alcobaça e de Coz. Na Páscoa, as requintadas amêndoas são uma verdadeira tentação.

Padaria e Pastelaria A Lenda – Benedita
Esta casa, aberta em maio de 2019, já tem um grande percurso na arte da pastelaria com muitos prémios. Na Páscoa fazem o tradicional folar com ovo e confecionam as amêndoas adicionando-lhes canela, açúcar e chocolate.


ANADIA

O concelho de Anadia, possui tradições, receitas e eventos pascais antigos que merecem ser partilhados!

No Dia de Páscoa (celebrado no Domingo, numas localidades e noutras à Segunda feira), são colocados nas entradas das casas tapetes florais para indicar que a mesma está aberta para receber o Senhor. O dia tem início com a saída do Compasso Pascal, que é assinalada com o toque dos sinos e foguetes nas diversas paróquias.  Quando este chega às casas das pessoas da paróquia há uma benção e os presentes beijam a cruz.

Em algumas localidades há a tradição de se fazer um altar com toalha de linho que contém um Crucifixo, uma Bíblia e uma laranja com uma moeda, e recipientes com amêndoas. A moeda na laranja é destinada ao padre que visita aquela casa e as amêndoas às crianças que o acompanham a tocar a sineta. É um momento de convívio onde familiares e amigos se servem das diversas iguarias preparadas cuidadosamente, onde o bolo da páscoa é o elemento central rodeado por uma variedade de salgados e doces, as amêndoas, os ovos de Páscoa, o caldo verde e os vinhos e espumantes da Bairrada.

Na Páscoa também é tradição os afilhados serem  presenteados pelas  madrinhas e padrinhos com o “Folar” (bolo com ovos cozidos incrustados) e amêndoas. O afilhado dirige-se às casas dos padrinhos para receber a sua oferenda. O ritual termina quando o afilhado casa.

“A Reza” é um divertido jogo que é realizado na altura da páscoa. Tem início na quaresma e termina no dia de Páscoa. Envolve duas pessoas, normalmente crianças. Durante os quarenta dias, quando os dois participantes se encontram   “mandam rezar” quem o fizer primeiro ganha o jogo naquele dia. Há uma regra que não deve ser esquecida a  “ordem” não é válida se algum dos jogadores estiver debaixo de telha. O empenho de alguns jogadores era tal que faziam acompanhar-se de um pedaço de telha para colocar na cabeça. No final, vence quem mais vezes ganhou nos quarenta dias anteriores recebendo do outro um pacote de amêndoas.

A queima do Judas era outra intrigante tradição realizada na Páscoa em algumas localidades do concelho de Anadia.  Era habitual figurar alguém que se conhecia e com quem se pretendia troçar. O boneco era então pendurado e posteriormente queimado perante as pessoas que cercavam o local para assistir a este ritual.

Fotografia de Nuno Rosmaninho – O Judas queimado em Tamengos, Anadia -1986

Rosmaninho, Nuno, et all, “Anadia, Relance histórico, artístico e etnográfico”, Reviver Editora, Paredes, 2001, pp 76.


ANSIÃO

/// SEMANA SANTA EM ANSIÃO | TRADIÇÕES

As gentes de Ansião, imbuídas ainda de fortes crenças cristãs, mantêm vivas as suas tradições pascais, quer ainda na prática, quer na memória coletiva e familiar, passando-as de geração em geração.

A riqueza deste concelho encontra-se na sua identidade, constituída por semelhanças, mas especialmente pelas diferenças encontradas nas várias freguesias, diferenças essas ligadas à História e às características de cada freguesia. Com as reformas administrativas do século XIX que juntaram a freguesia do Alvorge (outrora pertencente a Rabaçal – Penela) e as freguesias de Avelar, Chão de Couce e Pousaflores (parte integrante das Cinco Vilas e Arega de 1514 até meados do século XIX) ao concelho de Ansião, em 1895, uniram-se áreas geográficas com características territoriais semelhantes, mas com algumas diferenças na cultura e no saber fazer. É possível, assim, comparar tradições culturais e compreender as diferenças entre a parte norte e a parte sul do concelho, mais visíveis na gastronomia.

Na memória coletiva ainda permanece o cuidado das mães e avós a esfregarem os soalhos com escovas duras e sabão azul, encerando-os sempre que possível, perfumando as casas com alecrim, assoalhando as colchas mais finas, durante a Semana Santa, em preparação do momento alto da fé cristã.

Em todo o concelho se vive com fervor a Semana Santa, começando com a Benção dos Ramos no Domingo de Ramos, celebrando cerimónias como o “lava-pés”, a Via Sacra e a Paixão do Senhor, no final da semana e a Ressureição como o auge, no Domingo de Páscoa.

Na freguesia de Pousaflores, desde final dos anos 30 do século XX que a celebração da Via Sacra na Sexta-feira Santa inclui a subida à “Serra do Anjo da Guarda” (Serra da Portela), tradicionalmente às 15h – hora simbólica, com paragem para as respetivas estações, sendo a última à frente da Capela em honra do Anjo da Guarda. Esta tradição deve-se ao Sr. Padre António Lopes de Melo (natural de Lameira de São Pedro – Luso), que esteve ao serviço da paróquia de Pousaflores entre 1935-1982.

Mais recentemente, a ACREP (Associação de Cultura e Recreio de Pousaflores) procede a uma encenação da Via Sacra com subida à Serra, intitulada “O Caminho da Cruz”, juntando elementos da comunidade na representação das diferentes personagens históricas desse momento da vida de Jesus Cristo, desde 2014, na manhã de Sexta-feira Santa. Este ano, à semelhança de 2020, tal não será possível, pela situação de pandemia vivida e a necessidade de implementação de medidas de prevenção a nível nacional.

Segue-se a Visita Pascal no Domingo de Páscoa ou nos domingos que se seguem, consoante a disponibilidade do pároco, que dita também se a comunidade se reúne à frente das capelas, ou da igreja matriz, com uma mesa comum ou se a visita é de casa em casa.

Para a visita pascal recorre-se aos campos, para embelezar as ruas, em especial o caminho que irá ser percorrido e o largo das capelas ou das casas. Na parte sul e centro do concelho, é mais comum utilizar junco e vinca (Vinca minor – Apocynaceae) para cobrir o chão, já na parte norte do concelho (freguesia de Alvorge e fronteira com concelho de Soure) se utiliza o gaimão (Abrótea – Asphodelus ramosus) – as folhas para cobrir o chão e as “cristas” (topo florido) para se transformarem em cruzes ou terços (rosários). Não podemos esquecer os ramos de louro, alecrim e folha de oliveira que também se utilizavam em diferentes lugares do concelho para decorar as ruas por onde passava a comitiva da Igreja para a visita pascal.

O prior é recebido com alegria e a cruz beijada. A mesa é posta com carinho e algo especial para esse momento tão significativo: um bolo, especialmente Pão de Ló (por vezes decorado com amêndoas), bolinhos de Páscoa, “Beijinhos”, entre outros doces; tremoços, enchidos, … oferecia-se o que se podia: em algumas casas era colocado um pratinho com uma laranja sobre a  qual se colocava uma moeda (vinte e cinco tostões, cinco escudos, dez escudos, … no final de século XX já surgia uma nota de vinte escudos); em outras, oferecia-se um animal vivo ao “Senhor Prior” (um galo, uma galinha, um coelho, … ), sendo, para tal, necessário o auxílio de uma das paroquianas, que andava com o poceiro de verga à cabeça.

Sendo um dia especial na vida dos cristãos, o Domingo de Páscoa torna-se um dia de convívio familiar em que a ementa do almoço reflete a importância desse dia, sendo um dia de festa.

Por todo o concelho se fazia uma canja de galinha (de preferência galinha poedeira, para se ter uma canja especial, com ovos), mas na parte norte do concelho (freguesias de Alvorge e de Santiago da Guarda e antiga freguesia de Torre de Vale de Todos), por ser habitual servir-se cabrito e borrego, a sopa “O Verde” destacava-se como a sopa de dia de festa.

Sendo Ansião um concelho rural com a agricultura e a pastorícia como atividades principais ao longo dos séculos, é natural que como prato principal na Páscoa surjam o cabrito e o borrego assados no forno, com maior incidência na parte norte do concelho (e apenas nas casas abastadas da parte sul do concelho, como por exemplo a Quinta de Cima, em Chão de Couce) e o frango ou o galo / a galinha / o coelho assados em todo o concelho. Havia também quem fizesse coelho estufado. Estes assados, tradicionalmente em forno a lenha, continuam a ser servidos com batatas assadas, grelos e “arroz de miúdos” (arroz com a fressura do animal).

Apenas na freguesia de Pousaflores (e não em todas as casas) se encontra uma receita diferente: coelho assado no forno com batatas dentro do coelho. Ao fazer a pesquisa para este trabalho, tomámos conhecimento de uma família da parte norte do concelho, cuja avó (natural de Mogadouro, freguesia de Santiago da Guarda) cozinhava este coelho com batatinhas novas dentro. Até aqui tínhamos apenas conhecimento de esta receita ser conhecida apenas em Pousaflores, onde é conhecida como “Coelho das Festas”, assado com batatas cortadas às rodelas finas.

Nas últimas décadas é habitual incluir leitão assado na ementa pascal.

Os afilhados e as afilhadas recebiam uma lembrança das madrinhas e / ou dos padrinhos, sendo habitual receberem amêndoas.

A doçaria é simples, mas enriquecida com “miminhos”: o arroz doce decorado com canela, o Pão de Ló com amêndoas, os beijinhos de açúcar, brancos, coloridos com a cor das amêndoas que se derretiam, pois não havia outro tipo de corante. Das mentes e corações das pessoas mais idosas chega-nos a lembrança de um “Folar de Páscoa”, simples e humilde, como miminho para as crianças e para os restantes elementos da família, dependendo dos ingredientes que se conseguiam e do rendimento da família: com o resto da massa que sobrava quando se cozia o pão, para limpar a “amassadeira”, fazia-se um folar redondo, juntando açúcar e um ovo inteiro. Quando a família era mais numerosa, este folar era “ao comprido”, para se colocarem três ovos na “borda”. Quando havia um chouriço a mais, este ficava “escondidinho”, embrulhado na massa, mas os ovos ficavam à vista, a brilhar”. Este folar era cozido no forno, com a fornada de pão de farinha de milho (broa).

Para desenfastiar, no final da refeição, era apresentada uma salada de fruta (com as frutas de outono, que se guardavam num lugar fresco, e fruta da época, havendo já quem conseguisse juntar os primeiros morangos) e frutos secos – especialmente nozes e passas de figo, muitas vezes associados a um cálice de aguardente ou de Vinho do Porto.

Não podemos esquecer os enchidos tradicionais, como entrada ou como acompanhamento do prato principal.

Algumas famílias aproveitavam esta época festiva para matarem o porco. Há ainda quem se recorde de um episódio caricato em que o Padre Manuel Mendes Gaspar, responsável pelo Arciprestado das Cinco Vilas e Pároco de Chão de Couce, pediu a uns familiares e vizinhos, de Pousaflores, para matarem um dos seus porcos na manhã de Sexta-feira Santa e ofereceu a “bucha” com carne fresca do animal a quem participou na matança e no desmanche – ninguém se lembrou que era “dia santo de guarda” (dia de jejum) e que “não se comia carne”, incluindo o Padre!


ARGANIL

/// SEMANA SANTA EM ARGANIL | TRADIÇÕES

A Páscoa é uma quadra intensamente vivida no concelho de Arganil que nos remete para a história, cultura e fé, sendo também sinónimo de encanto pela estação de Primavera sentida nas serras e vales do Açor, que para além de cobertas por um manto de cores vivas emanam o odor perfumado das flores da época.

No concelho de Arganil vivem-se tradições ancestrais e grandes manifestações de Fé, das quais destacamos, na Quinta-Feira Santa, o rito do Lava-Pés; na Sexta-Feira Santa destaca-se a Paixão e Morte de Jesus Cristo com a Adoração da Cruz e Via-Sacra, uma cerimónia de orações e cânticos religiosos que recordam a caminhada de Jesus para o calvário evocando episódios da história da Paixão de Cristo e, no sábado, a Missa da Vigília Pascal, a maior missa do ano com sete leituras.

No Domingo de Páscoa celebra-se a Ressurreição de Cristo. As portas de cada uma das casas abrem-se para receber o Compasso – visita Pascal. À entrada, de cada uma das casas, logo abaixo da porta, colocam-se ramos e flores da época como que se de um tapete natural se tratasse, dando as boas vindas aos leigos que transportam a representação de Cristo na Cruz. A casa é abençoada e cada um dos seus moradores beija a Cruz. É comum, neste que é um momento de união e fé que se reúnam famílias, muitas com membros que estão longe e celebrem juntos esta solenidade.

Também no Domingo de Páscoa, dia no qual se celebra a Ressurreição de Cristo, é tradição enfeitarem-se as ruas com ramos, verdura e pétalas de flores, que formam bonitos padrões em passadeira numa ode à festividade de renovação e esperança para receber a Procissão. À janela são colocadas as melhores colchas bordadas à mão, de linho ou renda, vestindo as ruas e completando o cenário. A celebração com toda a pompa e circunstância é acompanhada e enriquecida com o contributo das Filarmónicas locais.

/// TRADIÇÕES GASTRONÓMICAS | A UNIÃO E PARTILHA FAMILIAR À MESA

A celebração pascal convida-nos habitualmente a desfrutar de momentos únicos em família situação que não pode ser vivida no presente, face à situação pandémica que o país e o mundo atravessam. No entanto e tradicionalmente, sendo esta uma quadra festiva, vão à mesa dos arganilenses as melhores iguarias do receituário concelhio que vão também nos momentos mais importantes da vida de cada um: casamentos, batizados, festa em honra do santo padroeiro da aldeia ou mesmo no Natal. Com esmero e afinco preparam-se o tradicional Cabrito com batatinhas e verduras ou a Chanfana de cabra, o bolo doce ou folar, o arroz doce, a típica e apreciada tigelada e muitas vezes também as filhós.

Nos últimos anos tem sido também hábito desafiar a comunidade para a construção de Ovos de Páscoa Gigantes, através da reutilização de materiais, que depois decoram as ruas da vila de Arganil nesta quadra.


BATALHA

/// SEMANA SANTA NA BATALHA | TRADIÇÕES

No Município da Batalha, no período pascal, realizam-se junto ao Mosteiro da Batalha, os Cânticos da Quaresma, iniciativa dinamizada pelas associações concelhias, reconstituindo uma antiga tradição que marcava a quadra festiva de maior significado para os Cristãos. A Quaresma, período em que se invoca a Paixão e a Ressurreição de Cristo, celebrava-se em tempos idos pelo povo de forma particularmente devota quer nas igrejas e nos templos, mas também em casa e no trabalho. Na alta Estremadura, particularmente na Paróquia da Batalha, a evocação pascal sempre presente e diária, fazia-se ao longo da Quaresma, onde eram entoados os cânticos litúrgicos. 


CARREGAL DO SAL

/// SEMANA SANTA EM CARREGAL DO SAL | HISTÓRIA E TRADIÇÕES

As tradições Quaresmais em Oliveira do Conde já contam com uma longa tradição e têm por isso uma grande singularidade. Destaque para duas procissões marcantes desta época a do Senhor dos Passos e a do Enterro do Senhor. 

A Procissão do Senhor dos Passos ocorre no Quinto Domingo da Quaresma, começa em Oliveirinha dirigindo-se depois para Oliveira do Conde e conta com a participação do povo. Os homens transportam o andor de Cristo, com a Cruz às costas, uma coroa de espinhos e uma veste roxa. As mulheres têm a tarefa de transportar a Nossa Senhora,que segue o seu filho, com uma veste roxa e uma toalha branca nas mãos. Este ato pretende simbolizar caráter penitente de todas as mães.

No Domingo de Ramos a tradição é o povo reunir-se no Largo do Pelourinho, com ramos compostos de louro, oliveira e alecrim. O Sacerdote faz a oração e bênção dos Ramos, seguindo-se uma procissão simbólica e celebrando-se a Missa dominical.

A Procissão de Enterro do Senhor é uma tradição que tem lugar na Sexta feira Santa e é caraterizada pelo seu ambiente de silêncio e solenidade. Tem início com uma grande cruz em madeira, envolta num manto branco e ladeada por duas lanternas. Atrás seguem crianças vestidas de anjos que transportam os símbolos dos martírios do Senhor. Um conjunto de homens transporta aos ombros o esquife do Senhor, andor onde se encontra a imagem do Corpo de Cristo morto. Atrás segue a Nossa Senhora vestida de luto, com uma toalha branca nas mãos, para limpar o rosto de seu filho e as suas próprias lágrimas. A imagem é transportada por mulheres. O ambiente vivido é especial, a emotividade passada pelas duas imagens, a escuridão da noite, a luz das velas, o cheiro a incenso no ar, são elementos que exercem sobre os participantes essa solenidade própria deste momento. Também a banda filarmónica executa música fúnebre. Depois de recolher à igreja, seguem-se as cerimónias litúrgicas da Paixão de Cristo que contam muitas vezes com a representação cénica de atores amadores e termina com a Adoração da Cruz. 

No Sábado de Aleluia celebra-se a Missa solene, onde se evoca a Ressurreição de Cristo e se faz a bênção da água, do fogo e a luz, com o acender do círio pascal. Também é tradição haver a celebração de batismos.

No domingo de Páscoa vive-se um ambiente de festa e de júbilo. O grupo do “Compasso” faz uma visita às casas, sendo que a tradição era de o Pároco, ou um Seminarista acompanharem a mesma dando a sua benção. Atualmente a visita é feita por um grupo de leigos em todas as terras, com a alegria de sempre.


CASTELO BRANCO

/// SEMANA SANTA EM CASTELO BRANCO | PROGRAMAÇÃO

Em Castelo Branco, as celebrações da Páscoa terão lugar na Igreja de São Miguel, Sé de Castelo Branco, com as medidas do confinamento vigentes. Também terão um formato online, sendo que serão transmitidas em direto nos canais do Jornal Reconquista:
RECONQUISTA SITE | FACEBOOK | YOUTUBE

Horários:

  • dia 01 de abril às 18h00;
  • dia 02 de abril às 15h00;
  • dia 03 de abril às 12h00;
  • dia 04 de abril às 12h00.

Relativamente às procissões desta altura da Páscoa destacam-se a Procissão dos Passos ou do Encontro, no quarto ou quinto domingo da Quaresma, a Procissão que retrata a Paixão de Cristo no Domingo de Ramos e na Sexta-feira Santa o Enterro do Senhor, com a imagem do Senhor, morto, no esquife.


CASTRO DAIRE

/// SEMANA SANTA EM CASTRO DAIRE | TRADIÇÃO

A Páscoa em Castro Daire é uma época de diversas vivências, tradições e cerimónias.

No primeiro dia da Quaresma (quarta feira de cinzas) nalgumas localidades do concelho, quem está presente na Eucaristia é benzido com as cinzas dos ramos do Domingo de Ramos do ano anterior.

No Domingo de Ramos é tradição realizar-se a procissão dos ramos, que antecede à celebração dominical, onde a população leva o ramo para ser benzido e depois em procissão dirige-se à Igreja. Os ramos são guardados em casa das pessoas como forma de proteção contra trovoadas e outros males.

Na quinta feira Santa em Castro Daire, ocorre a cerimónia do “lava pés”, antes da procissão. Posteriormente proporciona-se o encontro da Nossa Senhora da Soledade com Jesus (Sr. dos Passos) no adro da Igreja Matriz. Segue-se a procissão do Sr. dos Passos e da Nossa Senhora da Soledade desde a Igreja Matriz até ao Calvário. Este episódio acontece de forma similar noutras paróquias.

Na sexta feira santa realiza-se a Via-Sacra e é em Mões que esta é recriada de forma marcante e emocionante. De forma teatral, revive-se esta passagem tornando-a única refletindo o caminho de Jesus com a Cruz para o Calvário. Em Castro Daire, neste dia, é realizada a Eucaristia, com a procissão do Nosso Senhor Morto e com a Nossa Senhora da Soledade.

Na noite do sábado de Aleluia ou sábado Santo, dá-se comemoração da ressurreição de jesus na designada Vigília Pascal. Este é um momento em que se lembra a libertação do povo. A cerimónia é realizada no exterior da Igreja, denominada de Lume Novo, onde é acendido o círio pascal, com o ano civil, simbolizando a fé.

No domingo de Páscoa os costumes pascais variam de localidade para localidade. O Compasso ou Visita Pascal é uma tradição que se vive com bastante intensidade. De manhã, após a celebração da missa, tem início a caminhada, de casa em casa, com a Cruz florida. É frequentemente acompanhada por fogo de artifício. Nesta visita Pascal o padre benze a casa e todos os que ali habitam. As pessoas da família reúnem-se, numa mesa enfeitada com o Folar, onde o padre lhes dá a cruz a beijar. Nalgumas aldeias, após a visita, as pessoas de cada casa seguem o Compasso juntando-se toda a população no largo da aldeia para a bênção geral. Na impossibilidade de conseguirem percorrer todas as aldeias no domingo de Páscoa, assinalaram a segunda feira de Páscoa em algumas freguesias.

Também é tradição os padrinhos e madrinhas oferecem o folar aos afilhados, que antigamente era o Bolo da Páscoa ou Folar da Páscoa, confecionado de forma caseira. Dependendo de cada freguesia ou lugar tem a sua designação própria, como Bolo Podre, Trigo Doce, Trigo Amarelo, Trigo de Ovos, Pão Podre, Pão de Ovos. Pode consultar mais no artigo “Páscoa 2021 – Receitas do centro de Portugal”.


FÁTIMA

Em Ourém, este ano celebra a Semana Santa sem peregrinos. O Santuário de Fátima irá realizar as celebrações da Semana Santa, à porta fechada, apenas com participação dos fiéis residentes no concelho de Ourém, sendo estas transmitidas pelos meios de comunicação social e meios digitais. O Santuário oferecerá ainda a transmissão de uma Via-sacra, feita a partir do Itinerário do Peregrino, mas sem a participação de fiéis. Todas as cerimónias terão transmissão em www.fatima.pt, no Facebook do Santuário de Fátima, no Sapo, no Meo Kanal 707070 e na TV Canção Nova, com interpretação em Língua Gestual Portuguesa. 

/// SEMANA SANTA EM FÁTIMA | PROGRAMAÇÃO PASCAL

A programação da Semana Santa e do Tríudo Pascal mantém-se e a missa de Domingo de Ramos (5 de abril, às 11h00) vai ser presidida pelo cardeal D. António Marto, bispo da diocese de Leiria-Fátima. O Programa da Semana Santa e Páscoa será, portanto, o seguinte:

DOMINGO DE RAMOS | 28 de Março
11h00 | Missa | Basílica da Santíssima Trindade

TRÍUDO PASCAL
Quinta-feira Santa | 1 de abril
18h00| Missa da ceia do Senhor | Basílica da Santíssima Trindade
23h00| Oração da Agonia do Senhor | Capela da Morte de Jesus

Sexta-feira Santa | 2 de abril
09h30| Laudes | Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima
15h00| Celebração da Paixão do Senhor| Basílica da Santíssima Trindade
21h00| Via Sacra| Recinto de Oração

Sábado Santo | 3 de abril
09h30| Laudes | Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima
12h30| Rosário| Capelinha das Aparições
15h00| Oração de Nossa Senhora da Soledade | Capelinha das Aparições
17h30| Oração de Vésperas | Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima
22h00| Vigília Pascal | Basílica da Santíssima Trindade

DOMINGO DA RESSURREIÇÃO
10h00| Terço| Capelinha das Aparições
11h00| Missa| Basílica da Santíssima Trindade
17h30| Oração de Vésperas| Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima


FIGUEIRÓ DOS VINHOS

/// SEMANA SANTA EM FIGUEIRÓ DOS VINHOS | PROGRAMAÇÃO PASCAL


FORNOS DE ALGODRES

/// TRADIÇÕES PASCAIS

Em Fornos de Algodres a tradição Pascal está intimamente ligada à religião!  Esta começa no domingo anterior ao de Ramos com a Procissão do Senhor dos Passos. No domingo de Ramos tem lugar a bênção dos Ramos antes da Eucaristia e segue-se uma  procissão até à igreja. Os Ramos depois de abençoados servem de proteção contra as  trovoadas e por essa razão são colocados nas casas dispostos em forma de cruz.

A Semana Santa tem início na Quinta-Feira Santa à noite, onde se recria na igreja o Lava-pés. Na Sexta-Feira Santa ocorre na igreja a cerimónia do enterro do Senhor, à qual se segue a procissão. Neste dia faz-se o jejum de carne. No domingo de Páscoa tem lugar a procissão e a Eucaristia da ressurreição de Jesus e no período da tarde a visita Pascal. Como iguarias  pascais  típicas de Fornos de Algores  tem-se o Cabrito assado ou estufado, o Arroz doce, o Bolo de ovos; o Queijo Serra da Estrela e os Biscoitos. Já conseguimos abrir o apetite?

Crédito Belmira Santos

FUNDÃO

/// FESTIVAL GASTRONÓMICO “FUNDÃO AQUI COME-SE BEM” – Sabores da Páscoa.

É no Fundão que decorre até ao dia 4 de abril o Festival Gastronómico “Fundão aqui Come-se Bem” – Sabores da Páscoa.

O nome deixou-o com água na boca?

Então saiba que conta com a presença de 8 restaurantes e 6 pastelarias do concelho que estão a realizar serviços de takeaway e delivery para ser possível continuar a degustar os sabores tradicionais da época da Páscoa em segurança.

Todas as informações encontram-se no site do Município do Fundão

/// SEMANA SANTA DO FUNDÃO | HISTÓRIA E TRADIÇÕES

Vamos de seguida conhecer a Quadragésima!

Sabe o que é?

Procissão Enterro do Senhor, Fundão

Consiste num conjunto de tradições e rituais religiosos que expressam a religiosidade popular nas cidades e aldeias da Beira Interior. Nos 40 dias que antecedem a Páscoa ocorrem diversas manifestações religiosas e culturais em muitos lugares das beiras. A organização “Quadragésima”, é um projeto em rede dos Municípios de Belmonte, Covilhã, Fundão, Guarda e Sabugal, que tem como objetivo a promoção do conhecimento destas manifestações de cultura imaterial.  Propõe uma programação artística onde as comunidades locais se envolvem. O visitante poderá disfrutar de uma experiência única, onde estão presentes a espiritualidade e o recolhimento nalgumas das aldeias e locais mais encantadores da Beira Interior. 

Ermidas, Fundão

A riqueza cultural do concelho do Fundão está presente em tradições como o cantar das Almas, a Procissão dos Penitentes, na aldeia de Lavacolhos e a Procissão das Pinhas, na Barroca do Zêzere. Também as Ermidas merecem destaque na cidade do Fundão. Estas são representações vivas da paixão de Cristo recriadas em simultâneo nas 9 capelas da Cidade. Na Sexta-feira Santa, decorre o Enterro do Senhor ao som das matracas e do canto das Verónicas.  Este representa o trajeto que o corpo de Cristo fez desde o Calvário ao Sepulcro e tem bastante importância para os fundanenses. A grande maioria destas tradições sofreram alterações este ano devido ao período de pandemia que atravessamos. 

Procissão dos Penitentes, Fundão

GUARDA

Entre os dias 29 de março e 1 de abril vai decorrer a iniciativa Férias Ativas (Páscoa 2021), dinamizada pelo Município da Guarda. Todas as atividades vão ser realizadas em formato online, no Facebook do Município. As iniciativas propostas têm como destinatários jovens entre os 6 aos 16 anos, e serão de âmbito desportivo, recreativo, cultural e ambiental. 


IDANHA-A-NOVA

/// SEMANA SANTA EM IDANHA-A-NOVA | PROGRAMAÇÃO
Programação Online, na Página de Facebook “Aleluia em Casa”.


MAÇÃO

No domingo de Passos, é tradição comprar o Folar de Travelas. Historicamente Francisco Serrano faz, no livro “Elementos Históricos e Etnográficos de Mação” a história das Travelas dos Passos, em meados dos anos 30 do Séc. XIX e onde relata que “a procissão dos Passos, é antiquíssima nesta vila, sendo a mais importante festividade tradicional destes sítios. Neste dia vendiam-se em grande quantidade uns bolos a que chamavam travelas, semelhantes às roscas de pão de trigo, que as crianças avidamente comiam no monte do Calvário, finda a Procissão! (…) a grande massa de forasteiros que ocorria à festividade, tudo se fornecia de travelas para brindarem as crianças das suas terras.”


MIRA

Na quadra Pascal, relembremos as tradições de Mira. Numa iniciativa que pretende continuar a relembrar as mais genuínas tradições gastronómicas de Mira – “Mira Sabe Bem”, aprendamos a fazer o genuíno Folar da Páscoa (de antigamente) ou o Pão Doce (mais recente), com as “gentes” da terra.

/// Folar da Páscoa

Após o período de Quaresma, o final da semana santa trazia uma particular azáfama para as famílias. Desta forma, o Folar com ovos cozidos era oferecido pelos padrinhos aos afilhados, no Dia de Páscoa, até ao dia em que os últimos se comprometiam em casamento. Este Folar era típico da Época Pascal e teria o número de ovos consoante as posses do Padrinho ou a idade do afilhado. O último folar, antes do casamento poderia ter 12 ou mais ovos, havendo a tradição de dizer que tinha o tamanho “como a roda de um carro”.

Fique a saber como se faz o genuíno Folar da Páscoa (de antigamente).

/// Pão Doce

Única altura do ano em que os ovos não era poupados, o Pão Doce, cuidadosamente amassado, levedado e cuja confeção ocupava cuidados de um dia inteiro, era também oferecido aos afilhados como prenda de padrinhos, ou confecionado para delícia dos mais pequenos da casa.

Fique a saber como se faz o genuíno Pão Doce (mais recente.


MONTEMOR-O-VELHO

O município de Montemor-o-Velho disponibilizará diariamente, na sua página de Facebook e site, publicações diárias sobre as tradições pascais para que se mantenha a tradição viva. Pode acompanhar diretamente na página do município, e pode consultar aqui, logo que fiquem disponíveis.

/// Reconstituição da tradição do Cantar às Almas | Grupo Folclórico e Etnográfico de Meãs do Campo
31/03/2021 | 14:00

Um pouco por todo o concelho, a Quaresma é vivida forma intensa com um conjunto de tradições que escoam através dos tempos e da qual faz parte o “Cantar às Almas Santas”. Através do Grupo Folclórico e Etnográfico de Meãs do Campo, (re)veja esta tradição. Conforme a explicação do grupo, “Na preparação para a Páscoa, na altura da Quaresma, existiam na nossa aldeia e em outras vizinhas, certos rituais que preparavam a chegada desse momento. Um dos rituais mais emblemáticos, e que hoje ainda se mantém na nossa freguesia, é o “Cantar às Almas”. Um grupo de homens e mulheres percorria toda a aldeia, durante uma série de noites, para cantar ou rezar a cada porta (consoante o solicitado) pelas almas dos que já partiram, com o objetivo final de angariar fundos (em dinheiro ou géneros) para a igreja”.

/// Procissão dos Candeeiros | Tentúgal
01/04/2021 | 14:00

Um dos pontos altos das tradições relacionadas com a Páscoa é a Procissão dos Candeeiros, em Tentúgal. Este momento de fé e devoção, integrado na solenidade dedicada ao Senhor dos Passos, realiza-se anualmente no sábado anterior ao 5.º domingo da Quaresma. Os candeeiros de 3 bicos (a azeite) substituem as tradicionais velas, fazendo com que a procissão noturna seja também um momento envolto em grande beleza.


NAZARÉ

/// SEMANA SANTA NA NAZARÉ | PROGRAMAÇÃO
Na impossibilidade de se poder realizar, mais uma vez, a Quadricentenária Procissão do Sr. Dos Passos da Nazaré, o percurso será feito com as imagens por algumas das ruas da Nazaré e transmitido em direto para as redes sociais, para que possa ficar em segurança no seu lar. O Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, transmitirá várias celebrações, nomeadamente “Os Sete Passos de Cristo”, que poderá acompanhar no Facebook da Pederneira – Nazaré Paróquia e na Confraria de Nossa Senhora da Nazaré , assim como no YouTube da Confraria de Nossa Senhora da Nazaré


ÓBIDOS

A Semana Santa de 2021 terá de ser adaptada, pelo que não se realizarão as tradicionais procissões, já tão conhecidas no Oeste, embora, se mantenha uma parte substancial do programa religioso. A nível cultural, poderemos contar com uma exposição de fotografia antiga, bem como visitas guiadas virtuais a algumas das obras dos Museus de Óbidos dedicadas a este período do ano e que poderão ser acompanhadas nas redes sociais aqui.  

/// SEMANA SANTA DE ÓBIDOS | PROGRAMAÇÃO

Domingo de Ramos
15h30 | Igreja de São Pedro | Missa de Ramos e comemoração do Senhor dos Passos  

Quinta-feira Santa
21h00 | Igreja de São Pedro | Santa Missa Vespertina da Ceia do Senhor*  

Sexta-feira Santa
10h00 | Igreja de São Pedro | Ofício de Leituras e Laudes
15h00 | Igreja de São Pedro | Celebração da Paixão do Senhor*
21h00 | Igreja de São Pedro | Via Sacra e comemoração do Enterro do Senhor  

Sábado Santo
10h00 | Igreja de São Pedro | Ofício de Leituras e Laudes
21h00 | Igreja de São Pedro | Vigília Pascal* 

Domingo de Páscoa
11h30 | Igreja de São Pedro | Santa Missa de Dia de Páscoa
18h00 | Santuário do Senhor da Pedra | Santa Missa de Dia de Páscoa 
*Deve ter em atenção que a participação na Missa da Ceia, na Celebração da Paixão e na Vigília Pascal deve ser feita mediante inscrição prévia. 

 

/// SEMANA SANTA DE ÓBIDOS | UM POUCO DE HISTÓRIA

Óbidos continua a ser palco de celebrações de acontecimentos de índole histórico-religiosa.Evocando a Paixão e a morte de Cristo, a Semana Santa atrai à Vila de Óbidos muitas pessoas, unidas pela devoção ou simplesmente por curiosidade cultural e turismo religioso. 

Despertando o maior interesse de ponto de vista cultural e turístico, a Semana Santa desde cedo se revelou como o melhor “cartaz” de Óbidos e inegavelmente, as mais lindas e impressionantes cerimónias religiosas do seu género no Oeste. Por este motivo, em 1963, por intermédio do então, Subsecretário de Estado da Presidência do Conselho, Dr. José Venâncio Paulo Rodrigues, estas cerimónias foram incluídas no programa de promoção turístico “Avril au Portugal”, assumindo uma dimensão que começava a ultrapassar as fronteiras do país. 

Com a recente e gradual recuperação das cerimónias da Semana Santa, a comunidade obidense, desde a edilidade aos particulares, motivados e empenhados em manter tradições, tem sabido recolher e reflectir sobre os testemunhos que se vão transmitindo de geração em geração, não só a título pessoal, mas também através de fotografias, escritos e recortes de jornais. Muitos dos actuais conhecimentos sobre as cerimónias tradicionais em Óbidos foram coligidos e fazem parte da colecção privada de Albino de Castro e Sousa (…) sendo da sua autoria a actual versão do Auto do Descimento da Cruz, tradição ancestral que remonta, pelo menos, a meados do século XVII. 

Este “cartaz” de Óbidos tem o seu início na realização da secular Procissão Penitencial da Ordem Terceira de S. Francisco, vulgarmente conhecida pela procissão da rapaziada, preparando o caminho interior da Quaresma. Nesta manifestação religiosa, desfilam nove andores exuberantemente decorados com flores, onde se exibem alguns dos principais santos da devoção franciscana (quase todas estas imagens datam de 1849). Não se trata afinal de um revivalismo folclórico, mas sim duma manifestação religiosa com raízes profundas e em que se expressa, mais uma vez, o convite de São Francisco de Assis, para a participação dos cristãos numa comunidade despida de valores supérfluos, sobretudo em período de recolhimento, como a Quaresma. 

No Domingo de Ramos, num ambiente de oliveira, alecrim, rosmaninho e verdura pelo chão, tem lugar a majestosa Procissão do Senhor Jesus dos Passos, que percorre algumas ruas tortuosas, fora e dentro das muralhas de Óbidos, parando junto de pequenos evocativos aos Passos da Paixão, culminando na Igreja da Misericórdia, onde se costuma encontrar armado um Calvário, representando a Montanha de Palestina, nas proximidades de Jerusalém onde Jesus sofreu a crucificação. 

Este cortejo é aberto por uma figura tradicional, o “gafaú”, que caminha descalça, com a cabeça envolvida por um pano e transporta um instrumento musical, conhecido por “serpentão”. Esta figura representa o carrasco, que caminha à frente da procissão que acompanha o condenado anunciando à multidão que a aproximação do mesmo, está para muito breve. 

O Auto do Descimento da Cruz culmina com a comovente Procissão do Enterro do Senhor, realizada sem qualquer iluminação, a não ser os archotes que ardem nas mãos de jovens que se colocam em pontos-chave do percurso processional. Esta cerimónia não estando determinada pelas rubricas do Missal Romano, estabeleceu-se em Portugal pela devoção dos fiéis no século XV e princípios do século XVI. Como manifestação cultural, é considerada o ponto alto das solenidades. 

No Domingo de Páscoa assiste-se à Procissão Eucarística, com as representações das paróquias e seus lugares, e em que, nos anos sessenta, abria com o andor do Senhor Ressuscitado, magnífica imagem que data do século XVII e que se venerava na Igreja S. Tiago do Castelo. 

(Fonte: RODRIGUES, Carlos Orlando, “A Semana Santa em Óbidos – Colecçãoe Recortes de Jornal de Albino Castro e Sousa”, Óbidos, Abril de 2004);  


OLEIROS

Em Oleiros vão decorrer entre 29 de março e 1 de abril as Férias de Páscoa Virtuais.

Uma parte das atividades estará disponível no Facebook do Município e outra parte numa plataforma online privada.


OLIVEIRA DO BAIRRO

/// SEMANA SANTA EM OLIVEIRA DO BAIRRO | TRADIÇÕES

A Páscoa é uma época com tradições bem enraizadas nas gentes de Oliveira do Bairro. É tempo de família, reencontro, partilha e generosidade. Neste concelho, esta época é muito vivida através das suas tradições de cariz religioso, como as celebrações eucarísticas, a Via Sacra e a Visita Pascal (Compasso). No dia de Páscoa ou Pascoela (segunda-feira), dependendo do lugar, costuma-se abrir as portas de casa de cada um para receber os familiares, amigos e vizinhos, onde esperam a chegada do Compasso. Começa-se a ouvir a sineta e já se espera o anúncio “Cristo ressuscitou, Aleluia, Aleluia!”. Nesta visita, as casas são benzidas e as pessoas presentes são convidadas a beijar a Cruz, símbolo de amor. Sendo tempo de celebração, estes dias também são muito marcados pelas tradições gastronómicas da região. Situando-se Oliveira do Bairro no coração da Bairrada, a chanfana e / ou o leitão são os pratos que, quase obrigatoriamente, estão na mesa, dando mais sabor à reunião familiar. Diz-se, ainda, que não há Páscoa sem o tradicional folar de ovos, saído do forno a lenha, e é rara a casa que não tem este bolo que, segundo a lenda, celebra a amizade e a reconciliação. Há, também, a tradição de no domingo de Páscoa, os padrinhos oferecerem este bolo como prenda aos seus afilhados. 
MAIS INFORMAÇÕES AQUI.


OVAR

O concelho de Ovar vive, há vários séculos, com fervor e intensidade a época quaresmal. Este período é de recolhimento e reflexão permitindo à comunidade demonstrar a sua Fé. No centro histórico da Cidade, as tradições e devoções associadas à Quaresma possibilitaram a construção de um legado de grande valor cultural, destacando-se as procissões quaresmais realizadas anualmente. A primeira é a dos Terceiros, seguindo-se a dos Passos, Ecce-Homo, Via-sacra e, por fim, a do Enterro do Senhor.

A Procissão das Cinzas, mais conhecida por Procissão dos Terceiros, é realizada no segundo domingo da Quaresma. É organizada pela Ordem Terceira de S. Francisco e pela paróquia de Ovar.  A sua origem remonta possivelmente ao ano de 1663 , tendo possuído  várias con­figurações ao longo dos séculos. Atualmente saem à rua 14 andores com as imagens dos Santos Tutelados da Ordem Terceira de São Francisco.

A Procissão dos Passos ou do Encontro ocorre no quarto domingo da Quaresma e é considerada para muitos, a mais marcante  pelo seu significado e pela envolvência proporcionada pelas  Capelas dos Passos. Os seus organizadores são a Irmandade dos Passos de Nosso Senhor Jesus Cristo e a Paróquia de Ovar.   Consiste na reunião das imagens de Nossa Senhora das Dores e do Senhor dos Passos no  Passo do Encontro percorrendo, juntas, o restante trajeto.

Passando para a Procissão do Ecce-Homo (Terro-Terro) esta tem lugar na Quinta-feira Santa. É organizada pela  Ordem Terceira de S. Francisco e pela paróquia de Ovar. Com origem no séc. XVII aparece representada a partir de diversas designações. Atualmente, acontece durante a noite num ambiente silencioso que é apenas interrompido pelo som das matracas. Três imagens do séc. XVII – Crucificação, Senhor da Cana Verde e Cristo Atado à Coluna – percorrem a cidade de Ovar, realizando uma paragem nas esplendorosas Capelas dos Passos, até chegarem ao Calvário e regressam novamente à Igreja Matriz.

Na manhã de Sexta-feira Santa realiza-se a Via-Sacra, o mais apreciado exercício de piedade em louvor da Paixão de Jesus Cristo.  Com uma ligação profunda aos Franciscanos,  a Procissão percorre as catorze cruzes que se encontram nas principais ruas do centro da Cidade na manhã de Sexta-Feira Santa. Pretende  acompanhar, espiritualmente, o trajeto de Jesus desde a agonia, no Jardim das Oliveiras, com momentos de meditação, até ao sepulcro. É organizada pela Ordem Terceira de S. Francisco e pela Paróquia de Ovar.

Por último a Procissão do enterro do senhor ocorre na noite da Sexta-feira Santa. Esta é uma cerimónia bastante   comovente e  em Ovar é anterior à construção das Capelas dos Passos.  Com origem no  Calvário, a Procissão realiza o percurso da Paixão de Cristo com dois andores – o esquife com Cristo Morto e Nossa Senhora da Soledade – regressando ao mesmo local para o Sermão final. A sua organização compreende a Irmandade dos Passos de Nosso Senhor Jesus Cristo e a  Paróquia de Ovar.

Ovar é um território que possui uma gastronomia de excelência e sabores que perduram na memória. O Pão – de – Ló de Ovar é a especialidade de referência, mas durante o período da Quaresma a Rosca Vareira ganha  um maior destaque.  Em Válega, a preparação da Rosca Vareira tinha lugar na tarde de Quinta-feira Santa, era cozida na Sexta-feira de manhã e por fim oferecida  no Domingo de Páscoa. Como no período Quaresmal era necessário mão de obra para trabalhar na sementeira da batata, a Rosca Vareira era usada como um incentivo e era servida à merenda. Devido à falta de  fermento que havia, a “Rosca” era comestível por quinze dias.

PAMPILHOSA DA SERRA

A Pampilhosa da Serra está a organizar um programa Online para celebrar a Páscoa e manter a tradição.

/// SEMANA SANTA DE PAMPILHOSA DA SERRA | PROGRAMAÇÃO

Domingo de Ramos (28 de março)
16h00 | Festa do Folar como forma de celebrar esta tradição. Saiba mais aqui.  
21h30 | Vídeo em direto na página de Facebook do Padre Rodolfo Leite que contará com a presença de duas famílias de cada uma das sete paróquias da Unidade Pastoral.  


PENACOVA

SEMANA SANTA EM PENACOVA | TRADIÇÃO GASTRONÓMICA

A vila de Penacova não tem prevista nenhuma atividade digital no âmbito deste período festivo. Contudo, o doce típico do período Pascal desta vila é o Folar Doce. Este Bolo Folar, é um bolo grande, alongado e de cor dourada, um pão doce em massa seca. Quando feito em casa, amassado e cozido de forma tradicional, tem um tempo de preparação muito demorado, daí ser conhecido no concelho de Penacova como “Bolo 24 horas”. A receita para confecionar este bolo tradicional baseia-se em ovos, farinha, açúcar, leite, limão e canela. O Bolo Folar tem uma grande carga cultural no concelho de Penacova. Associado à festividade religiosa da Páscoa, era o presente que as madrinhas ofereciam aos afilhados no Domingo de Páscoa, tradição que ainda hoje se mantém. Trata-se de um doce festivo consumido durante a quadra pascal, que marca o fim da Quaresma, um período de abstinência, e o início da Primavera e de uma nova vida.


PENICHE

/// SEMANA SANTA EM PENICHE | EVENTOS E TRADIÇÕES

Para assinalar a Procissão do Senhor dos Passos de Peniche, o grupo de teatro “O Nazareno” irá levar as imagens, a partir de viaturas, por alguns dos bairros e ruas de Peniche. Para que possa ficar em segurança, todo o percurso será transmitido em direto a partir da página oficial do Grupo de Teatro “O Nazareno” apenas lhe é sugerido que coloque uma colcha à janela ou que decore a entrada da sua casa.

Peniche contava com muitas tradições Pascais próprias, será que conhece todas?

A Quaresma costumava ser celebrada à sexta-feira à noite num bairro diferente em cada semana. No Domingo de Ramos, para além da missa do dia, existia, também, a Procissão de Senhor dos Passos entre a Igreja de São Pedro e a Capela do Calvário, por volta das 15h00. Por sua vez, no Largo do Calvário costuma haver um Sermão, por um sacerdote convidado, e um momento evocativo do encontro de Jesus “Senhor dos Passos” com sua Mãe “Nossa Senhora das Dores”, cujo andor sai da Igreja de Nossa Senhora da Ajuda e reúne-se ao filho no Calvário. Costuma haver depois um momento musical recordando a crucificação, normalmente ambientado com o trecho do musical O Nazareno, de Frei Hermano da Câmara, correspondente à morte de Jesus. 

Na 4ª feira da Semana Santa é usual haver a Via Sacra encenada pelo grupo de teatro O Nazareno (que já teve versão de rua –entre a Misericórdia e São Pedro- e versão interior, em São Pedro). 

Na 5ª feira Santa às 19h00, em São Pedro, há sempre a tradicional Missa do Lava-pés (que recorda a Última Ceia e a instituição da Eucaristia), com um conjunto de 12 pessoas representativas dos apóstolos a quem o sacerdote que preside à Celebração efetivamente lava os pés, evocando o gesto de Jesus. Após a eucaristia, costuma ficar o Santíssimo exposto e haver um momento de oração noite fora. 

Na 6ª feira Santa as Cerimónias da Paixão do Senhor começam às 15h00 em São Pedro com os vários gestos próprios da liturgia deste dia. Às 21h00 costuma haver um momento teatral evocando a crucificação e a descida da cruz. A imagem de Jesus crucificado é colocada num esquife que seguirá levado em ombros sobre o pálio na Procissão do Enterro, que sai às ruas logo de seguida, até à Igreja de Nossa Senhora da Ajuda. 

Sábado é o dia de reflexão…normalmente a Igreja da Misericórdia, aberta durante todo o dia, é o espaço eleito para uma oração/reflexão. Às 22h00, na Igreja de São Pedro, há a Vigília Pascal, celebração mais importante de todo o ano litúrgico com uma liturgia própria: a bênção do fogo novo e do círio pascal; a proclamação da Páscoa, que é um canto de júbilo anunciando a Ressurreição do Senhor; uma série de leituras sobre a História da Salvação; a renovação das promessas do Batismo e, por fim, a liturgia Eucarística. 

Durante o Domingo de Páscoa, há normalmente três horários de missa em três igrejas de Peniche (São Pedro-11h00, Remédios- 16h00 e Ajuda- 19h00) e habitualmente, há um Concerto de Páscoa pelo Coral Stella Maris.

Este ano, todos os eventos pascais serão transmitidas aqui.


PINHEL

O Município de Pinhel, adaptou a tradicional Via Sacra aos tempos de pandemia que vivemos.

  • No dia 2 de abril, às 21.00h, o Município irá transmitir na sua página de Facebook um vídeo elaborado a partir de imagens de arquivo de edições anteriores da Via-Sacra, com a narração do pároco de Pinhel. Destaque ainda para a exposição de fotografias que irá estar patente nas ruas de Pinhel e que pretende marcar o percurso das estações da Via-Sacra. Esta mostra permitirá que o percurso seja realizado de forma individual, num momento intimista de reflexão e de reconciliação, propício à renovação da Esperança.  São exemplos criativos como estes que nos permitem continuar a viver o espírito desta festividade tão importante na Região Centro!

  • No dia 4 de abril, o Município de Pinhel fará ainda uma transmissão em direto na sua página de Facebook da Eucaristia do Domingo de Páscoa, com início às 12.00h, na Igreja de São Luís, respeitando as limitações de público em vigor, mas podendo também ser vista e participada por todos, a partir de casa.

A iniciativa é gratuita e conta com um programa bastante diversificado e que de certeza vai encantar os mais novos!  


PROENÇA-A-NOVA

/// SEMANA SANTA DE PROENÇA-A-NOVA | PROGRAMAÇÃO PASCAL
No município de Proença-a-Nova, este será o programa Pascal (com transmissão em direto de três momentos das cerimónias pascais no Facebook do Município). Informação adicional: Igreja Matriz de Proença-a-Nova:

Para o Domingo de Ramos, a Comemoração da entrada de Jesus em Jerusalém com a bênção dos ramos será dentro da Igreja no horário habitual da missa dominical (11h30). Os fiéis tenham na mão os seus ramos que trazem consigo. Não é permitido a entrega ou troca de ramos. Não há procissão dos ramos.

A Quinta-feira Santa, 21 horas, Missa vespertina da “Ceia do Senhor”. Não há o lava pés. No final, haverá um momento de adoração do Santíssimo Sacramento.

Na Sexta-feira Santa, 15 horas, celebração da Paixão do Senhor. O ato de adoração da Cruz mediante o beijo é limitado só ao presidente da celebração. Das Capelanias podem vir apenas três pessoas [antes da pandemia, as pessoas das capelanias deslocavam-se a pé das aldeias, trazendo consigo uma cruz e depois fazia-se a respetiva procissão). Trazem a cruz respetiva e serão acolhidos às 14h30, na Igreja Matriz. Não há procissões e outras expressões de piedade popular de modo a evitar riscos para a saúde pública.

Sábado Santo, a Vigília Pascal, 21h00. Trazer uma vela. Há um conjunto de tradições que devido à pandemia não vão ser realizadas, nomeadamente as procissões ou a cerimónia do lava-pés. Também a tradicional encomendação das almas, que se realizava em algumas aldeias do concelho durante a Quaresma, não se realizou devido à pandemia. Momento assinalado com a transmissão de um documentário na página do Facebook.


SARDOAL

/// SEMANA SANTA DO SARDOAL | CONCURSO DESENHO DIGITAL

O Município do Sardoal, está a promover um Concurso de Desenho Digital no âmbito da “Semana Santa – Tapetes de Flores”. Esta iniciativa visa promover e divulgar o património imaterial ligado à Semana Santa e ao enfeite das capelas com tapetes à base de pétalas e flores neste Concelho.

A participação no Concurso não tem custos associados e pode ser efetuada por todos os artistas nacionais ou estrangeiros, residentes em Portugal, independentemente da idade, sendo que só serão aceites trabalhos na modalidade de Desenho Digital.

O desenho deve ser composto por flores, pétalas ou outros, relacionadas com a época e de preferência silvestres ou campestres e disponíveis na área territorial do Município de Sardoal. O desenho vencedor será realizado em local a definir no período da Semana Santa de 2022. Os trabalhos têm que ser entregues até 28 de março, decorrendo a comunicação dos premiados e a entrega dos respetivos prémios e/ou menções honrosas na Quinta-feira Santa, dia 1 de abril de 2021.

O Regulamento do Concurso, assim como mais informações sobre a iniciativa, encontram-se disponíveis aqui.


SEVER DO VOUGA

Para o povo de Sever do Vouga a Quaresma é um período pelo qual sentem um grande respeito, dedicando-lhe rituais e preceitos religiosos, tais como, o período de jejum e abstinência.

A Páscoa é vivida com bastante intensidade sendo a bênção dos lares,  uma prática e uma vivência ainda muito presente nos Severenses. Preparam-se as casas para receber a cruz na Visita Pascal onde na mesa da sala estão presentes o pão de ló, o folar, os bolos de gema, as amêndoas,  o vinho do porto e uma jarra de flores. Na entrada da casa era possível encontrar um tapete que continha alecrim, rosmaninho e erva doce para receber o Senhor Ressuscitado.  Ao padre era usual oferecer-se  ovos que o sacristão arrecadava. Hoje em dia, para além das amêndoas, levam, dinheiro dentro de um envelope. 

Em Pessegueiro do Vouga vive-se um ambiente de profunda fé. As cerimónias da Semana Santa possuem rituais e dramas litúrgicos que têm uma ligação com a paixão e morte de Cristo. Têm início na quinta-feira à noite, na Igreja, com o sermão do encontro de Nossa Senhora, Virgem das Dores, com o seu filho, já com a cruz a caminho do seu Calvário.

Segue-se a “Procissão das velas” onde se iluminam as janelas das casas, o que transmite um efeito surpreendente. Em direção à  capela de Santo António, em Sóligo, entoam-se cânticos que ressoam pela freguesia. É nessa capela que o esquife com a imagem de Cristo Morto de tamanho natural, fica durante  a noite contando com a presença  de muitos devotos que cumprem as suas promessas.

Na tarde de Sexta-feira Santa, tem lugar o “Enterro”. Este consiste em realizar o percurso de volta à Igreja por ruas atapetadas de rosmaninho e alecrim. Os irmãos da confraria do Divino Espírito Santo vão encapuçados com a parte branca da opa, em sinal da dor e de luto.

É em Silva Escura que os festejos da Páscoa  adquirem a sua maior expressão , na segunda-feira depois do Domingo de Páscoa. Na origem desta festividade,  está uma lenda curiosa. Segunda ela, todos os anos desaparecia uma pessoa na freguesia. Como forma de redimir esses desaparecimentos misteriosos, a comunidade e a igreja determinaram festejar todos os anos, a Ressurreição do Senhor, tendo sido cessados os desaparecimentos, até que um ano não se realizou a festa e a tragédia voltou. Desde então, a tradição da festa tem-se  perpetuado para segurança de todos os habitantes.

Também as freguesias de Cedrim do Vouga e de Couto de Esteves, em Sever do Vouga, perpetuam uma interessante tradição que vale a pena conhecer! 

Na madrugada do Domingo de Páscoa, a “rapaziada” de Carrazedo, freguesia de Cedrim do Vouga, reúne-se para ir “gritar à raposa” pelos montes. Levam latas, tachos e outros instrumentos para fazerem bastante barulho. Com o objetivo de assustarem e espantarem as raposas, gritam ou assobiam pelos montes. 

Depois de completarem esta tarefa vão pedindo ovos em todas as casas e terminam a realizar um convívio com uma grande fritada. Quem não for cooperante com a dádiva dos ovos, está sujeito a sofrer um assalto à capoeira feito pela raposa, ou seja, pela rapaziada. 

A eleição dos compadres e das comadres é outra tradição muito antiga que tem continuidade nos dias de hoje, através de rapazes e raparigas solteiros durante o período da Quaresma. Tem início com um jogo que os rapazes realizam, onde constam os nomes de várias raparigas e rapazes. Sorteia-se para cada nome masculino um nome feminino. Posteriormente, ocorre a eleição das raparigas nos mesmos moldes e são afixadas listas de ambas. No Domingo de ramos, as raparigas oferecem uma lembrança aos rapazes e estes fazem o mesmo no dia de Páscoa. 


TORRES NOVAS

/// ATL DE PÁSCOA
O Município de Torres Novas propõe um ATL da Páscoa, destinado a crianças do pré-escolar (dos 3 aos 6 anos) e alunos do 1.º ciclo (6 aos 9 anos), mas devido à atual situação, as inscrições abertas serão no máximo 10. Saiba mais aqui.

/// FESTIVAL GASTRONÓMICO DO CABRITO
Em Torres Novas, como em muitos outros lugares, a ementa nesta época festiva privilegia o famoso cabrito assado no forno com batatinha e grelos frequentemente acompanhado por arroz de miúdos, ou o ensopado de cabrito, o cabrito à moda da serra, sem esquecer o cabrito à padeiro. Embora seja possível degustar estes pratos nos restaurantes torrejanos ao longo de todo o ano, são especialmente cozinhados nos restaurantes aderentes aquando da realização do Festival Gastronómico do Cabrito, sempre coincidente com a época pascal. Para bem acompanhar o cabrito de Torres Novas há sempre a oferta de doçaria, à base de produtos tradicionais do território, como os frutos secos, os figos em calda ou o pastel de feijão de Torres Novas!


VAGOS

A PÁSCOA é, no Município de Vagos, uma época repleta de Fé com inúmeras tradições, cerimónias e vivências.

/// SEMANA SANTA EM VAGOS | TRADIÇÕES E EVENTOS

Procissão do Senhor dos Passos
A Procissão do Senhor dos Passos realiza-se durante a Quaresma nas freguesias de Soza, Ouca e Vagos. As três paróquias do Arciprestado de Vagos mantêm, ainda, viva esta celebração. Através desta iniciativa que, todos os anos, decorre no terceiro domingo da Quaresma em Soza, no quarto domingo em Ouca e no quinto domingo da Quaresma em Vagos, são promovidos momentos de reflexão para todos os cristãos.

Nestas celebrações, recriam-se os episódios da Paixão e da Morte de Jesus Cristo. Esta é considerada, pelas três paróquias, a mais importante procissão da Quaresma. Aquela que marca o encontro da imagem de Nosso Senhor dos Passos com sua Mãe.

Procissão do Enterro do Senhor
Na Sexta-Feira Santa decorre, em Soza, a Procissão do Enterro do Senhor. A Procissão do Enterro do Senhor, em Soza, inicia na Capela de São Sebastião e termina na Igreja Matriz de Soza. Nela vai o esquife do Senhor morto. É uma procissão que convida à oração e ao recolhimento, lembrando a morte do Senhor Jesus, em Sexta-Feira Santa. Esta procissão é única no concelho de Vagos.

Visita Pascal
No Domingo da Ressurreição realiza-se a Vigília Pascal. As ruas são enfeitadas, saindo pela manhã, indo de casa em casa, a Cruz decorada com flores em visita às famílias. É frequente ser acompanhada por fogo de artifício. As campainhas, que os mais novos transportam, vão à frente a avisar, para que as famílias, familiares e amigos se preparem para receber o Senhor Ressuscitado.

Concertos de Páscoa
Em algumas paróquias podem assistir-se a Concertos de Páscoa organizados com o apoio de grupos Corais que existem no concelho.

Eis vídeo Comemorativo que a Paróquia de Soza se encontra promover no seu facebook com alguns dos momentos que marcam este tipo de cerimónias: https://www.facebook.com/paroquiadesoza/videos/2759515881029874/


VILA DE REI

/// SEMANA SANTA EM VILA DE REI | PROGRAMAÇÃO
Em Vila de Rei, em parceria com a delegação Vilarregense das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria, face à atual conjuntura pandémica e de modo a permitir que as pessoas possam assinalar as comemorações Pascais a partir das suas próprias casas, é solicitado que as pessoas se “juntem numa onda de solidariedade e manifestação de fé”, numa Páscoa que será “celebrada de maneira diferente, nos nossos lares familiares”. Nestes dias, é sugerida a colocação de diferentes objetos nas janelas, portas ou varandas, mostrando o apoio e a alegria desta data festiva. Assim, no Domingo de Ramos (28 de março) é proposta a colocação de um ramo de oliveira ou outra planta. Na Quinta-feira Santa (1 de abril), é a vez de colocar flores. Na Sexta-feira Santa Sexta-feira Santa (2 de abril) sugere-se a colocação de um crucifixo, cruz de madeira ou pano roxo. Por fim, no Domingo de Páscoa (4 de abril) – “Alegria da Ressurreição”, é proposta a colocação de uma colcha, pano branco, fita branca e flores.


VILA NOVA DE PAIVA

/// SEMANA SANTA EM VILA NOVA DE PAIVA | TRADIÇÕES

No Município de Vila Nova de Paiva as tradições religiosas da altura da Páscoa vivem-se com bastante solenidade. As localidades de Fráguas, Alhais, Vila Nova de Paiva, Touro, Pendilhe, Póvoa, Vila Cova à Coelheira e Lousadela assinalam as datas mais especiais desta altura com missas e outras celebrações associadas à igreja católica nesta festividade. De salientar que a única Paróquia com que vai apresentar as celebrações online é a de Pendilhe através do facebook do Grupo Cultural Católico Pendilhenese

Este ano é de destacar o “evento” sobre a estrutura fixa da Via Crucis, Via Sacra que possui 14 estações, identificadas e requalificadas em 2020. Estas estão distribuídas pelas ruas da povoação e remetem para o percurso de Jesus a carregar a Cruz. Em Fráguas, as estações da Via Sacra têm início na Igreja, seguem depois pelas antigas ruas da povoação e terminam no antigo Monte do Calvário. Em Fráguas, é costume o povo percorrer as 14 Estações da Via Sacra durante os dias da Quaresma meditando ou entoando cânticos, como dita a tradição Cristã. A Via Crucis, em Fráguas, está disponível todo o ano, neste link.

Este ano por causa da situação de pandemia que vivemos, não vai ser possível realizar no concelho algumas ações que costumam ter lugar na altura da Páscoa. Estas tinham na sua essência o envolvimento da comunidade local e a participação de pessoas da região. Alguns exemplos que podem ser destacados são a teatralização da Via Sacra/Paixão de Cristo na Paróquia de Alhais, a Procissão do Encontro acompanhada pela Banda Musical Progressiva de Vila Cova à Coelheira (VCC) ou a Celebração da Palavra. Também a dramatização da Paixão, a Adoração da Cruz e a Via-Sacra com as Estações representadas ao vivo na localidade de VCC.

A Páscoa é um tempo de alegria e festa no Município de Vila Nova do Paiva onde se deitam foguetes logo pela manhã em muitos locais. A preparação da semana da Páscoa começa no Domingos de Ramos. Durante a semana, cozem-se os afamados trigos de ovos ou de azeite, para se degustarem no dia de Páscoa com salpicão ou queijo e as casas são limpas ou alindadas. 

Segundo o indicado na monografia “Terras do Alto Paiva” de C. Manuel Fonseca da Gama, na página 312 :

« (…) O “Sr. Abade” aparece  a tirar o folar, revestido de sobrepeliz e estola branca, acompanhado do sacristão, fardado com a sua opa vermelha, outro de caldeirinha, e garotos a anunciar pelas portas a chegada da comitiva, a toque de campainha.
    Antigamente o séquito era numeroso… .Era o dos cesto dos bolos de ovos e azeite – os mais ricos e cobiçados – ; os das cesta de ovos; o do pau dos galos, o da caça, o da cesta dos queijos e a «a numerosa cavalgada» que seguia atrás do séquito para…«ajudar as percas». (…)
    A mesa sobre a qual se colocava um crucifixo ornado de flores, era coberta de pão, ovos, queijos, a laranja com 5 ou 10 escudos, a garrafa do vinho e copos. (…)
    No fim da visita, o pároco reza pelas obrigações da casa um ou mais responsos. (…)
Então todos ajoelham e beijam a cruz que o sacristão lhes oferece.»

No dia da Visita Pascal o pároco, o portador da caldeirinha e o da Cruz de Cristo, andam de casa em casa até irem a toda a localidade. Após a visita há um momento de confraternização entre os familiares e os amigos que degustam os produtos que são colocados na mesa.  Em Vila Nova de Paiva, como os párocos, nem sempre conseguem fazer a visita pascal a todas as localidades no domingo de Páscoa, mas fazem na segunda feira de Pascoela.


VISEU

O município de Viseu programou celebrações de Páscoa, atividades digitais com os Museus e Biblioteca Municipal e iniciativas com o selo VISEU CULTURA são os destaques de programação. Desta forma, entre 26 de março e 11 de abril, Viseu assinala a Páscoa com iniciativas culturais seguras para toda a família, na sua maioria em formato digital.

Consulte toda a informação e programação aqui.

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VOUZELA

/// SEMANA SANTA EM VOUZELA | TRADIÇÕES

O Município de Vouzela para esta altura da Páscoa não tem programado qualquer evento pascal digital. Mas uma das tradições mais antigas deste Município denomina-se “encomendação das almas”. Esta consiste num ritual quaresmal que tem origem presumível no século XIII. Tratava-se de uma forma de culto musical, onde havia um grupo de populares que entoava cânticos piedosos e orações, com o objetivo de favorecer as almas que se encontrassem no Purgatório. Os cânticos eram entoados a altas horas da noite só com iluminação de candeias.

Fotografia cedida pelo grupo de Cavaquinhos e Cantares à Beira Queirã

O grupo cantava em anonimato, possuindo as cabeças cobertas de panos brancos ou vestindo-se completamente de negro e transportavam uma Cruz. Quando chegavam a um cruzamento da aldeia, acendiam as velas, ajoelhavam-se e “encomendavam”. Cantavam por piedade e compaixão, num ato de caridade anónimo.  Quem encomendava, também tinha um objetivo caridoso, por saudade dos entes queridos. As famílias apontavam aos cantadores uma lista onde constavam os nomes dos familiares falecidos, que possivelmente estariam no purgatório. A “amentação das almas”, era um ritual conhecido como o canto da esmola, onde um grupo de pessoas cantava pela aldeia, e recebia esmolas em géneros agrícolas, que eram leiloados e revertidos em missas, em sufrágio das almas do Purgatório. No concelho de Vouzela, esta tradição praticava-se anualmente, até meados do século XX. Atualmente, ainda continua ativa por intermédio de grupos folclóricos, em eventos de natureza sociocultural.

Na Páscoa, o concelho de Vouzela recupera as suas tradições mais profundas e coloca na mesa a sua doçaria mais fina. Para os padrinhos e os afilhados,  destacam-se o tradicional folar de Vouzela e os São Bentos, aos quais se  juntam os requintados pastéis de Vouzela. Não pode também deixar de provar os tradicionais: folares de Alcofra, caladinhos e cavacas, as raivas, as passarinhas, os bolos de gema, as vouzelinhas e as vouzelinhas de mirtilo, os beijinhos, a torta de ovos, os ninhos de Páscoa, o pão de ló de fatias e o pão de ló húmido. Para tornar a sua Páscoa mais doce experimente ainda os  pastéis de nata, os alforges de S. Frei Gil e as flores de mirtilo. 

Cedida pela Associação Vouzelar

/// SEMANA SANTA EM VOUZELA | DOÇARIA TRADICIONAL DE PÁSCOA

Por alturas da Páscoa, todo o concelho de Vouzela recupera as suas tradições mais profundas e coloca na mesa a sua doçaria mais fina.
Para os padrinhos e os afilhados, o tradicional folar de Vouzela e os São Bentos, que se juntam aos requintados pastéis de Vouzela.
Mas não se esqueça de provar os tradicionais: folares de Alcofra, caladinhos e cavacas, as raivas, as passarinhas, os bolos de gema, as vouzelinhas e as vouzelinhas de mirtilo, os beijinhos, a torta de ovos, os ninhos de Páscoa, o pão de ló de fatias e o pão de ló húmido.
Para os mais gulosos, ainda os nossos pastéis de nata, os alforges de S. Frei Gil e as flores de mirtilo.
1001 motivos para adoçar a Páscoa em Vouzela!


(Artigo em atualização. Agradecemos todos os contributos para: comunicacao@turismodocentro.pt)