A Rota da Cerâmica convida-o a conhecer os encantos desta arte, num percurso que se realiza à volta de AveiroÍlhavo e Ovar onde a cerâmica tem contribuído para a afirmação dos elementos identitários da Região, e que tão bem têm preservado esta tradição. 

No séc. XX, começaram a produzir-se, pela primeira vez na região da Ria de Aveiro, azulejos na Fábrica Cerâmicas Fonte Nova, em Oiã, freguesia de Oliveira do Bairro e, mais tarde, na Fábrica dos Santos Mártires, atual Aleluia Cerâmicas, em Aveiro.  

Por esta região estar tão ligada à cerâmica, encontramos frequentemente excelentes exemplares de painéis azulejares que revestem as fachadas de vários edifícios não só públicos, mas também privados. Para além disso, a própria Universidade de Aveiro dispõe de um Departamento de Engenharia de Materiais e Cerâmica e desde 1989 concretiza-se nesta cidade, a Bienal Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro. 

Fique agora a par dos principais pontos desta rota. 

Para iniciar esta rota, comece por uma das mais belas Estação de Caminhos de Ferro de Portugal, a Estação de Comboios de Aveiro. Este ponto de entrada e saída de passageiros, não passa despercebido aos mais distraídos que por aqui passam.  

Inicialmente, esta estação encontrava-se instalada num edifício mais pequeno e modesto. Com o desenvolvimento das linhas de ferro e maior utilização, surgiu a necessidade de realizar obras de ampliação. 

Hoje em dia, a fachada desta estação é branca, mas o que a torna especial são os seus painéis de azulejos policromos, azul-cobalto com pormenores amarelos. Os motivos são essencialmente regionais e contam a história desta cidade, ilustram os monumentos e paisagens típicas da região, evocam outras obras ferroviárias e homenageiam ainda Licínio Pinto e Francisco Pereira, pintores dos azulejos, datados de 1916, produzidos na Cerâmica Fonte Nova. 

Na fachada Oeste, encontramos um Medalhão com embarcação; um Pórtico do Senhor das Barrocas; um Medalhão do José Salamanca, fundador da Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses; um Medalhão com o Farol da Barra; as Vindimas em Anadia; a Chegada d’um Barco de Pesca – S. Jacinto; as Marinhas de Sal de Aveiro; as Margens do Rio Vouga; um Trecho da Ria de Aveiro; a Entrada do Jardim – Aveiro; uma  Tricana em 1916 – Aveiro; A Peixeira – Aveiro; O Pescador – Aveiro; a  Tricana em 1870 – Aveiro; o Farol da Barra – Aveiro; a Ponte do Poço de Santiago, antiga gare da Linha do Vouga; o Palace Hotel Bussaco; o Museu Regional – Aveiro (atual Museu de Aveiro – Santa Joana); Aveiro nos princípios do século XVIII e ainda um Trecho da cidade – Aveiro 

Na fachada Este, é possível contemplar-se um Trecho do Vouga, o Mosteiro de Alcobaça, o Castelo da Feira, a Saída para o mar d’um barco de pesca (Furadouro), um Trecho da Ria de Aveiro, o Monumento da Batalha- Buçaco, o Castelo de Almourol, a Igreja da Misericórdia, Medalhão do conselheiro Manuel Firmino, as Armas da Cidade de Aveiro, a Ponte da Rata – Eirol, a Costa Nova e ainda um painel comemorativo dos 75 anos da linha férrea do Vouga. 

Na fachada dos sanitários, estão representados o Canal Central da Ria de Aveiro e os Palheiros da Costa Nova. 

Contudo, existem outras paragens nesta cidade dos canais, onde a presença dos azulejos se faz sentir. Na Rua dos Combatentes da Grande Guerra e na Rua João Mendonça, encontramos fachadas de edifícios revestidas com azulejos, que tornam cada um dos edifícios diferente e especial. 

Na Rua Clube dos Galitos, um painel de azulejos com relevo, decora a parede com motivos tradicionais, tais como, a apanha do moliço, a pesca na Ria, os marnotos e as salineiras. 

No Mural da Praça da República, a azulejaria retrata as tradições, símbolos e figuras típicas da região, como é o caso do transporte do sal em canastras, o moliceiro, os ovos moles e a tricana. 

Na escadaria do Jardim Infante D. Pedro, no Parque Municipal de Aveiro, é também possível admirar um bonito painel de azulejos da autoria de Licínio Pinto e Francisco Pereira, que representa a apanha do moliço na Ria de Aveiro, quatro tricanas junto ao Canal das Pirâmides, um moliceiro e um palheiro em madeira. Esta obra exibe ainda, a estrada de ligação à Barra, o brasão de Aveiro, quatro tricanas dos anos 20/30 do século XX junto ao pórtico da capela do N. Senhor das Barrocas, bem como, a pesca na Ria no antigo Forte da Barra. 

Para além destes locais, comtemple igualmente esta arte no Adro da Capela da Nossa Senhora Da Alegria, no Viaduto da Esgueira, nas escadarias do Mercado Manuel Firmino e no Campus Universitário de Santiago. 

A próxima paragem é Ovar, cidade apelidada de “Cidade-Museu Vivo do Azulejo”. Aqui, as ruas do centro histórico são todas diferentes, como se de a sala de um museu se tratasse. Inclua no seu passeio o Largo da Casa do Povo, as ruas do Azulejo, Padre Ferrer, Alexandre Herculano e Dr. José Falcão, decoradas com fachadas em azulejos com um padrão semi-industrial do séc. XIX, o que torna cada um dos cerca de 800 edifícios único e inigualável, também frequentemente decorados com balaustres, pinhas ou pequenas estátuas de cerâmica. 

Diz-se que os azulejos surgiram em Ovar sob influência dos imigrantes de Manaus e Pará, Brasil, que quando regressavam às origens, pretendiam ostentar casas mais vistosas. Recorriam, por isso, a um material mais resistente e mais bonito que evitasse problemas de humidade, dado a proximidade ao mar. 

Um pouco mais a Sul, encontramos a Igreja Matriz de Válega. Também conhecida por Igreja de Nossa Senhora do Amparo, é uma das Igrejas mais bonitas de Portugal. 

Situada, como o nome indica, em Válega, Ovar, começou a ser contruída em 1746, mas apenas foi concluída após mais de um século, tendo sido alvo de três restaurações. É revestida a azulejos coloridos da Aleluia Cerâmicas, tanto no seu exterior como no seu interior, com destaque para as cores rosa, verde, azul, branco e amarelo que conferem características arquitetónicas únicas no nosso país. Estes azulejos contam a história da Nossa Senhora do Amparo, padroeira da terra e ainda ilustram muitas figuras e passagens bíblicas de grande importância. Ao fim do dia, com o pôr do sol, a fachada da igreja de estilo barroco brilha, reluz como um arco-íris e deslumbra todos os que por ali passam, não fosse ela uma verdadeira obra de arte. 

Por fim, esta nossa rota termina na cidade de Ílhavo, na Fábrica da Vista Alegre, com uma visita ao Museu da Vista Alegre e à oficina de pintura manual.  

Esta fábrica de porcelanas, criada por José Ferreira Pinto Basto, em 1821, é uma das mais prestigiadas e conta com quase 200 anos de existência.  

Nos últimos anos, o Museu tem promovido a preservação, a continuação da interpretação do património e sobretudo tem inspirado muito os seus visitantes, através da apresentação de criações artísticas únicas. Neste Museu, é contada a história da fábrica, a evolução da porcelana artística, sendo ainda possível visitar um espólio com mais de trinta mil peças e ter oportunidade de aprender a pintar cerâmica ou a modelar pasta. No mesmo complexo, encontra uma loja onde pode adquirir fantásticas peças para decorar a sua casa. 

Aquando a uma vinda obrigatória à Ria de Aveiro, já sabe, não perca a oportunidade de visitar uma das Estações de Comboios e uma das Igreja mais bonitas de Portugal, de passear pela Cidade-Museu Vivo do Azulejo e de conhecer uma das Fábricas de Porcelana mais conceituadas do país.  

Vai adorar cada momento vivido no Centro de Portugal!