O Centro de Portugal foi o cenário de inúmeras batalhas durante as invasões francesas. Castelos e fortalezas ficaram para contar a história.
Hoje, permanecem os campos de batalhas e foram criados os Centros de Interpretação que dão a conhecer as estratégias militares defensivas utilizadas por ambos os exércitos.

O Roteiro da 3ª Invasão Francesa é um convite à descoberta dos Itinerários Napoleónicos no Centro de Portugal.

Os Itinerários Napoleónicos são percursos turísticos relacionados com a Terceira Invasão Francesa que teve origem em julho de 1810 e terminou em abril de 1811.

No início do século XVIII, a história da Europa foi marcada pelas guerras napoleónicas que, lideradas por Napoleão Bonaparte, tinham como objetivo transformar a França no grande império europeu.

Com o fim da Monarquia Absoluta de Luís XVI, o Rei Sol, em 1792, e consequente proclamação da República Francesa, Napoleão Bonaparte assume a ambição política de transformar a França num grande Império. Durante doze anos as Guerras Napoleónicas mudaram as relações geopolíticas da Europa do século XVIII.

Na tentativa de travar as ambições expansionistas de Napoleão Bonaparte as potências europeias criaram coligações. Nesta disputa pela supremacia Internacional, Napoleão decreta, em 1806, o Bloqueio Continental que proíbe a entrada de navios ingleses nos portos europeus.

Portugal, vinculado por uma antiga aliança com Inglaterra – que ligava os dois países desde o século XIV – não cumpriu a obrigatoriedade do decreto de Napoleão e manteve os portos e o comércio abertos a Inglaterra. Como consequência, o exército francês invade o país e D. João VI e a corte portuguesa fogem para o Brasil.

A Inglaterra – na ausência de liderança politica e militar em Portugal – enviou o General Wellesley – Primeiro Duque de Wellington – para chefiar o pais contra os invasores.
Famoso pelo seu estilo de estratégia defensiva, os seus sucessos militares valeram-lhe a atribuição dos títulos de Conde de Vimeiro e Marquês de Torres Vedras.

No território nacional, a Terceira Invasão Francesa iniciou-se em Almeida e prosseguiu para o Bussaco, onde teve lugar uma importante batalha, tendo terminado nas Linhas de Torres Vedras, de onde os invasores se retiraram, derrotados, culminando assim com o fim das Invasões em Portugal.

Saiba mais. Descarregue o Dossier de Imprensa Itinerários Napoleónicos.

Cerco de Almeida

Portugal foi alvo de três invasões, mas a terceira teve especial relevo na Centro. O roteiro especifica diversos momentos, como saques e confrontos com as tropas portuguesas e inglesas. Assinala, ainda, a Batalha do Bussaco, confronto que opôs cerca de 65 mil franceses a 50 mil luso-ingleses e que terminou com o exército francês obrigado a contornar a serra na sua caminhada para Lisboa, onde não chegou, por não ter conseguido ultrapassar as linhas defensivas de Torres Vedras.

Após duas tentativas de invasão de Portugal, deu-se uma terceira invasão francesa no início de 1810, sob o comando do Marechal André Masséna, que entrou em Portugal através da região nordeste, conquistou Almeida e tencionava marchar em direção a Lisboa, mas foi intercetado pelas forças aliadas e derrotado na Batalha de Bussaco (27 de setembro de 1810).

Os franceses chegaram às Linhas de Torres Vedras em outubro, revelando-se uma barreira intransponível esperavam por reforços e provisões que nunca chegaram. Massena teve de se retirar novamente para Espanha perseguido pelos aliados, pondo fim à terceira invasão, em 1811.

O sistema defensivo das Linhas de Torres Vedras, que se revelou fundamental no decurso desta nova invasão foi concebido antes da nova tentativa do inimigo invadir Portugal. Wellington tinha centrado os seus esforços na defesa de Lisboa na impossibilidade de proteger toda a fronteira pela sua enormidade e pela ausência de barreiras naturais. Para o efeito, ordenou a construção das Linhas de Torres Vedras, três linhas de fortificações situadas a norte da capital – que se estendem no terreno entre o rio Tejo e o oceano Atlântico – com 152 obras militares incluindo fortes, fortins, redutos, baterias, etc.

Os trabalhos começaram no outono de 1809 e as principais defesas foram concluídas mesmo a tempo da chegada das tropas francesas. Para dificultar ainda mais o progresso do inimigo, o terreno circundante foi sujeito a uma política de terra queimada e os habitantes, desde Coimbra, num enorme êxodo sem precedentes, refugiaram-se atrás das Linhas de Torres e na cidade de Lisboa.

Ainda na retirada em 1811, aconteceram diversos conflitos com alguma dimensão, entre as quais a batalha de Casal Novo (Condeixa-a-Nova) e o combate de Foz de Arouce (Lousã).

Este roteiro centra-se apenas nos territórios da região Centro de Portugal, e liga Almeida, municípios das Linhas de Torres (Arruda dos Vinhos, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras), passando por Pinhel, Celorico da Beira, Fornos de Algodres, Nelas, Carregal do Sal, Tondela, Santa Comba Dão, Mortágua, Penacova, Mealhada, Coimbra, Leiria, Tomar, Pombal, Condeixa-a-Nova, Lousã, Vila Nova de Poiares, Arganil e Guarda.

1º Almeida a Pinhel

  • Salamanca
  • Arapiles
  • Ciudad Rodrigo
  • Fuentes de Oñoro
  • Fuerte de la Concepción y Reducto de San José
  • Rio Côa
  • Almeida
  • Pinhel

2 º Pinhel a Bussaco

  • Pinhel
  • Celorico da Beira
  • Fornos de Algodres
  • Mangualde
  • Nelas
  • Carregal do Sal
  • Tondela
  • Santa Comba Dão
  • Bussaco

3º Bussaco a Coimbra

  • Bussaco
  • Mortágua
  • Penacova
  • Mata do Bussaco
  • Mealhada – Luso
  • Coimbra

4º Coimbra Arruda dos Vinhos

  • Coimbra
  • Leiria
  • Torres Vedras
  • Sobral de Monte Agraço
  • Mafra
  • Loures – Lousa
  • Arruda dos Vinhos
  • Vila Franca de Xira

5º Torres Vedras a Sabugal

  • Torres Vedras
  • Rio Maior
  • Tomar
  • Pombal
  • Redinha
  • Condeixa – Casal Novo
  • Foz de Arouce – Lousã
  • Ponte de Mucela
  • Vila Nova de Poiares
  • Arganil
  • Guarda
  • Sabugal

1º ITINEÁRIO ALMEIDA A PINHEL

ALMEIDA / RIO CÔA

Após a Guerra da Restauração em meados do século XVII, a decisão de fortificar La Raya “à maneira moderna” obrigou a reformar os antigos castelos para adaptá-los às novas condições militares impostas pela artilharia. Almeida, que já contava com uma fortificação anterior e dada a sua importante posição estratégica, foi palco de uma vasta reforma, a partir de 1641.

Nesse mesmo ano, tornou-se sede do Governo de Armas da Província da Beira, condicionando decisivamente o seu crescimento urbano e o seu posterior destino. Local de passagem na primeira invasão de Portugal, teve especial relevância devido, primeiro à batalha do rio Côa, quando o coronel britânico William Cox defendeu a ponte sobre o rio contra o avanço francês liderado pelo marechal André Masséna, e mais tarde após o cerco e explosão do barril de pólvora da cidadela em 1810 que afetou todo o centro da cidade.

Finalmente, seria um ponto chave nas operações de Wellington e seus aliados para garantir o controlo da passagem da fronteira com Espanha. Foi também o ponto de entrada do general John Moore, em Espanha. Atualmente a sua principal atração reside na sua cidadela fortificada dos séculos XVII e XVIII.

Almeida

// Praça Forte de Almeida (Fortaleza Baluarte de Almeida)

A fortaleza de Almeida foi renovada em 1641 durante a Guerra da Restauração sob um projeto de Pierre Gilles de Saint-Paul, inspirado nos tratados de Deville. David Álvares foi o arquiteto responsável pela sua execução.

A fortificação tem uma planta estrela de 12 pontas. É uma das fortalezas mais importantes de Portugal, construída em meados do século XVII, em La Raya, para defesa contra Espanha. Conserva as suas duas entradas principais e os seus inúmeros espaços abrigam várias coleções e um centro de interpretação.

A fortaleza encontra-se em excelente estado de conservação, pois todo o seu sistema defensivo está quase intacto e pode ser totalmente explorado, incluindo as casamatas à prova de bombas onde a população se refugiou. Resume as características típicas destas construções com os seus portões de entrada (San Francisco e San Antonio), fossos, seis baluartes e outros elementos que podemos ver exatamente como o exército napoleónico os encontrou, apesar da explosão no paiol de pólvora que levou à destruição de parte da fortaleza.

Forte de Almeida

// Ruínas do castelo

Ponto culminante da fortaleza, hoje conservam-se as ruínas do edifício erguido por D. Dinis no século XIII. A sua planta é irregular, com quatro torres circulares nos cantos. Durante a invasão francesa foi utilizado como depósito de munições e pólvora, o que provocaria a sua destruição quando durante o cerco, a 26 de agosto de 1810, um projétil atingiu o paiol tendo causado uma enorme explosão.

// Casamatas / Museu Histórico-Militar de Almeida

O Museu Histórico-Militar de Almeida ocupa o interior das casamatas do baluarte de São João de Deus. É composto por vinte salas subterrâneas que permitiram que a população se refugiasse durante os bombardeios.

Várias destas casamatas são hoje as diferentes salas do museu onde, para além dos acontecimentos da Guerra Peninsular, se pode viajar pelos diferentes períodos históricos de Portugal.

// Centro de Estudos de Arquitetura Militar de Almeida (CEAMA)

Localizado no Revelim de San Antonio, o CEAMA reúne duas funções essenciais: uma vertente mais educativa e cultural, funcionando como Centro de Interpretação, e outra destinada a estudar e apoiar a investigação.

Trata-se de um espaço representativo do centro histórico, da fortificação e da arquitetura militar da cidade, através de painéis explicativos apoiados em novas tecnologias e outros materiais didáticos.

// Recriação histórica do cerco de Almeida

No mês de agosto são reconstituídos os acontecimentos históricos ocorridos em 1810 durante a 3ª invasão francesa. O evento é organizado pela Câmara Municipal de Almeida e pelo Grupo de Reconstituição Histórica do Município de Almeida, com a colaboração de vários grupos de Portugal, França, Grã-Bretanha, Alemanha e diferentes partes de Espanha.

Entre as atividades realizadas neste quadro estão:

– Reconstrução de um acampamento militar

– Evocação de figuras históricas

– Recriação dos combates

– Seminário Internacional de Arquitetura Militar

– Dança Oitocentista (dança de época)

– Comida campestre

// Casa de Lord Wellington ~ Freineda

Durante as campanhas de inverno, de 1811 a 1813, a sede de Wellington ficava nas proximidades de Almeida. Hoje, existe uma pequena casa. Tem um piso único e existe uma pequena placa comemorativa.

// Picadeiro D’el Rey

Conjunto de edifícios que compunham a fortaleza Comboio de Artilharia, a oficina de reparação de maquinaria de guerra e onde se localizavam as diferentes forjarias.

Hoje transformado num picadeiro onde, para além das aulas de equitação, podem ser organizadas atividades relacionadas com cavalos, carruagens, etc.

// Ponte sobre o Rio Côa

Foi reconstruída em 1825 devido aos danos sofridos durante a batalha do rio Côa no início da 3ª Invasão Francesa. Aos seus pés encontra-se o Parque Arqueológico do Vale do Côa, um extenso sítio de arte rupestre a céu aberto, declarado Património da Humanidade, com gravuras que datam do Paleolítico Superior.

// Memorial do Combate do Côa

Inaugurado em 2010, o Memorial assinala a Batalha do Rio Côa, e explica este acontecimento através de uma placa de bronze que exibe. Junto ao miradouro que permite observar o rio, destaca-se a ponte de pedra do século XVIII.

2º ITINERÁRIO DE PINHEL AO BUSSACO

PINHEL

No início do século XIX, a cidade e o seu castelo foram ocupados por tropas napoleónicas sob o comando do General Loison (1810)

Pinhel

// Castelo de Pinhel

Durante a Reconquista Cristã da Península Ibérica, com a afirmação da nacionalidade portuguesa, D. Afonso Henriques (1112-1185) procedeu ao repovoamento e reforço das defesas de Pinhel. O seu sucessor, D. Sancho I (1185-1211) deu continuidade a esta tarefa, atribuindo jurisdição a Pinhel justamente no momento em que se iniciou a construção do castelo medieval, concluído no reinado de Afonso II (1211-1223).
Pertencente a Ribacôa, foi disputada pelo reino de Leão até que D. Dinis (1279-1325), a atribuiu definitivamente a Portugal graças ao Tratado de Alcañiz (1297). A partir de então, os soberanos procuraram consolidar as suas fronteiras, reconstruindo vários castelos, incluindo o de Pinhel.
O castelo tem uma forma oval e está rodeado por uma muralha que circunda a colina e o centro histórico. Foi originalmente reforçado por seis torres quadradas das quais apenas duas permanecem.

Castelo de Pinhel

// Pelourinho de Pinhel

Pelourinho construído no século XVI em estilo manuelino. É constituído por cinco degraus e uma coluna octogonal de base quadrada encimada por capitel de base circular sobre a qual se sobrepõe uma espécie de gaiola com oito colunas aneladas decoradas com motivos vegetalistas estilizados.

Pelourinho de Pinhel

CELORICO DA BEIRA

Em 1808, foram as tropas de Loison que se retiraram para Lamego, mas a sua importância foi sem dúvida durante a 3ª Invasão quando os franceses lá chegaram, após a explosão do barril de pólvora de Almeida. Em setembro de 1810, Massena ocupa aqui os cargos que Wellington anteriormente desfrutava. O General britânico tinha instalado vários hospitais de campanha na cidade, em diferentes igrejas como Santa Maria, os quais funcionaram até 1818. Este território do Vale do Mondego à Guarda foi continuamente disputado por ambos os exércitos, Em março de 1811, Massena estará novamente em Celorico da Beira onde, ao contrário dos aliados, em vez de hospitais, instala depósitos de pólvora em diferentes igrejas devastadas após a fuga, como Santo António, e incendeia outras, como a Senhora da Anunciada na Aldeia da Ribeira.

// Castelo de Celorico da Beira

Construído sobre uma colina granítica, no sopé da Serra da Estrela, em posição dominante sobre a vila e o rio Mondego. Acredita-se que a sua fortificação remonta à época romana, segundo uma inscrição latina encontrada em 1635, cujo paradeiro é atualmente desconhecido. Ocupado por muçulmanos, foi recuperado no reinado de D. Afonso Henriques (1112-1185), quando conquistado por D. Moninho Dola.

Castelo de Celorico da Beira


Com o objetivo de favorecer a sua consolidação e defesa, o soberano concedeu-lhe foral, atribuindo à Ordem dos Templários a direção das obras de reconstrução do castelo. Para além das várias restaurações e reformas nos tempos modernos, no quadro da Guerra da Restauração da Independência, foi erguido um baluarte adaptado à artilharia.

Castelo de Celorico da Beira

No contexto da Guerra Peninsular, o monumento tinha alojamentos, como quartéis, cisternas, aquedutos, que comunicavam por um passadiço com o Poço de El-Rei. Em 1810, serviu de quartel para as tropas luso-britânicas que, além disso, mantinham um hospital de campanha nas instalações da vizinha Igreja de Santa Maria. A sua planta tem uma forma oval irregular, onde se identificam elementos românicos e góticos. As muralhas, desprovidas de ameias, preservam o passadiço e a escadaria de acesso. Conservam também duas portas: a principal, a sul, e a Porta da Traição, a poente, que comunicam com o centro histórico da cidade.

// Igreja de Santa Maria

A data da sua fundação é desconhecida. Alguns autores referem que foi uma mesquita durante o domínio muçulmano da Península Ibérica. No contexto da reconquista no século XIII, foi doada ao Bispo da Guarda por Afonso III de Portugal.

Possui quatro fases de construção diferenciadas. A fachada remonta ao século XIII, enquanto o presbitério e a sacristia são do século XVII. Possui um portão renascentista ladeado por colunas jónicas com inscrição referente ao ano de 1796.

No interior do templo destaca-se o teto de caixotões do século XVIII, atribuído a Isidoro de Faria. Existem alguns túmulos brasonados e algumas inscrições nas paredes com azulejos azuis e brancos, sinais evidentes de profundas alterações como indica a torre norte, de construção mais recente que a sul. Durante a guerra peninsular foi usado como hospital de campanha por Wellington.

TRANCOSO

Trancoso é uma vila situada a 25 quilómetros de Celorico da Beira, possuidora de uma herança judaica notável, sendo que ainda conserva alguns testemunhos e vestígios da sua antiga judiaria. Está documentado que o General Beresford, posteriormente agraciado com o título de Conde de Trancoso pelo Príncipe Regente D. João, instalou a Sede Geral numa casa na atual Rua Xavier da Cunha, em frente ao Largo Dr. Eduardo Cabral, durante a segunda invasão.

Trancoso



A 16 de setembro de 1811, os soldados franceses do General Ney entram na vila e encontram-na vazia, saqueando-a e destruíndo casas, igrejas, capelas, conventos, campos, etc. Em Trancoso, ainda existe a lenda de uma mulher que enganou vários soldados que, passando um a um por sua casa, ela empurrava-os para o interior de um poço privado. Sabe-se que os franceses estiveram na cidade quatro vezes, a última a 17 de dezembro.

Castelo de Trancoso

FORNOS DE ALGODRES

Invadida a 17 e 18 de julho de 1810, a vila foi totalmente saqueada pelas tropas francesas. Na Igreja Paroquial da Misericórdia, toda a prata encontrada e vários objetos do tesouro do templo foram roubados causando outros danos materiais, como a profanação da porta do tabernáculo. Foram muitas as mortes e violações sofridas.

// Pelourinho de Algodres

Coluna octogonal de base quadrangular, coroada por capitel octogonal sobre o qual se encontra uma espécie de gaiola assente em pequenas colunas.

Pelourinho de Algodres

// Igreja da Misericórdia

Igreja vítima de saques durante a Guerra Peninsular. Possuem destaque neste templo do século XVIII, as pinturas junto ao altar com representações de mártires e santos.

MANGUALDE

O território de Mangualde ficou na rota de passagem das tropas francesas, em 1810. À destruição das culturas e falta de animais, juntava-se a devastação de edifícios públicos, casas, objetos artísticos, documentos, instrumentos agrícolas, etc.

// Igreja da Misericórdia

Edifício do século XVIII composto por nave, abside e sacristia. Destacam-se no seu interior os retábulos barrocos e a varanda original sobre a fachada.

Igreja da Misericórdia – Mangualde

// Igreja de São Julião

Igreja provavelmente construída entre os séculos XIII e XIV, juntamente com o cemitério. Apresenta vestígios românicos que podem ser vistos nas suas mísulas com decoração zoomórfica e vegetalista. A plenitude do barroco trouxe o engrandecimento artístico do interior, fazendo um novo retábulo-mor concluído em 1723 e o teto de caixotões dourados da abside com pinturas. São representados os Apóstolos, vários Santos, São Julião ao centro, e cruzes da Ordem de Cristo, instituição à qual o templo pertencia desde o século XVI.

Igreja de São Julião – Mangualde

TONDELA

Local de passagem aquando da retirada das tropas no decorrer da 3ª Invasão Francesa.

// Igreja de Santa Eufémia

Construída no século XVIII em estilo barroco, a fachada ocidental é composta por pináculos que escoltam um tímpano recortado. O portal é arquitravado com frontão quebrado encimado por óculo quadrilobado. No seu interior, encontra-se um retábulo rococó da transição para o neoclassicismo, presidido por um nicho central com uma imagem de Santa Eufémia, que dá o nome à igreja. Acredita-se que a construção data de 1570, embora a sua fachada remonte à segunda metade do século XVIII.

Igreja de Santa Eufémia – Tondela

SANTA COMBA DÃO

A Terceira Invasão Francesa teve grande impacto no concelho de Santa Comba Dão, com uma aldeia e metade de outra destruídas.

// Pelourinho de Santa Comba Dão

Santa Comba Dão recebeu carta de foral de D. Manuel I, em 1514, tendo sido erguido nessa data, um primeiro pelourinho que aqui permaneceu até finais do século XIX. Foi destruído quando se tentou a sua mudança para o local onde hoje se encontra uma reprodução feita pouco tempo depois. Um pelourinho semelhante ao original pode ser visto em São João de Areias, freguesia vizinha.

3º ITINERÁRIO DE BUSSACO A COIMBRA

MORTÁGUA

As memórias das terras de Mortágua fazem-se de muitos donatários, o Mosteiro do Lorvão, o Mosteiro da Vacariça, o Priorado do Crato, o Bispo de Coimbra, o Convento de Santa Cruz.

Mas, são os fortes vestígios da presença militar romana que marcam indelevelmente a História do concelho. Nas freguesias de Cortegaça, Espinho, Sobral e Marmeleira, nomeadamente, no Lugar do Passal, os troços de vias romanas, bem como o número de fragmentos encontrados permitem constatar que, a romanização da Península transformou Mortágua, tornando-a num nó viário estratégico.

Durante a Guerra Peninsular e, nomeadamente, aquando da III Invasão Francesa, Mortágua, foi o palco da definição de estratégias para aquela, que viria a ser, uma das mais importantes batalhas registadas entre os exércitos beligerantes – a Batalha do Buçaco.

As estradas do concelho viram-se invadidas pelas tropas anglo-lusas e pelos franceses que, estrategicamente, definiram os seus Postos de Comando, preparando-se para aquela que julgavam ser a Batalha final. Não o foi. Mas, os Moinhos de Sula e da Moura, ficaram, respetivamente, ligados simbolicamente ao inglês Crawford e ao francês Massena que, a partir deles, comandaram bravamente os seus exércitos.

O Concelho mobilizou esforços e muitas são as histórias, hoje tornadas lendas, de acesos reencontros entre as tropas invasoras e as populações locais que, orgulhosamente, dificultavam acessos e defendiam os seus bens, o seu território, os seus espaços sagrados, contribuindo, decisivamente para que Napoleão, supersticioso relativamente aos nomes começados por M, se aterrorizasse quando ouvia o nome Mortágua, pois por lá haviam passado quase todas as divisões francesas derrotadas no Buçaco.

Centro de Interpretação “Mortágua na Batalha no Bussaco”

A 21 de setembro de 1810, a mando dos generais Crawford e Pack, a retaguarda do exército anglo-português destrói a ponte Criz que liga Santa Comba Dão a Mortágua, para travar o avanço das tropas francesas.

Mas no dia 23, os engenheiros franceses conseguiram restabelecer a ligação e o sexto corpo liderado pelo Marechal Ney transitou para o território de Mortágua com uma força de 23 mil homens.

Aldeias do Carvalhal e Aveleira

No Carvalhal, existem vários testemunhos que recordam a passagem dos franceses, pela vila, os quais apenas pouparam uma casa e uma capela, situadas mais a norte da vila. Reza a lenda que naquela casa, que ainda hoje existe, os soldados franceses teriam aproveitado os lençóis das camas para fazer tochas, as quais acendiam durante a noite.

Onde se acredita que um soldado francês foi morto, existia uma cruz de madeira que marcava o local exato da sua execução, e por isso ainda hoje se chama Rua da Cruz.

Em Aveleira, diz-se que os franceses não saquearam a capela, porque o seu padroeiro, Santo Amaro, era um santo de origem francesa. Nesta capela, o sino exibe a sua data de fabricação (1808).

Conta-se ainda que, por ocasião do saque das tropas francesas em Mortágua, em setembro de 1810, depois de revistarem a Igreja de Pala, alguns soldados à procura de objetos de valor, entraram na aldeia de Macieira. Uma vez lá, ocuparam um lagar de azeite para cozinhar um boi que haviam roubado. O animal, ainda no exterior, foi rapidamente usado por um habitante da terra para trancar os franceses dentro do edifício. De uma janela e com as próprias armas dos soldados, também elas negligenciadas no exterior, teria disparado para o interior até que todos fossem mortos.

Falgaroso da Serra

Diz-se que neste lugar, os habitantes conseguiram enganar os franceses. Esconderam comida em valas e poços, e lavraram a terra para deixar claro que esperavam uma nova colheita. Finalmente, com suprimentos suficientes, fugiram para a floresta mais próxima.

Os franceses conseguiram apanhar um boi que tinha escapado e decidiram cozinhá-lo, preparando algumas brasas numa eira da aldeia. Como bancos para a refeição, decidiram usar grandes blocos de cera escondidos num palheiro. No entanto, à medida que o calor do fogo se intensificou, a cera começou a derreter e a aderir às roupas dos soldados com os consequentes danos.

No final do dia, os franceses continuaram a sua retirada pela Estrada do Boialvo. Os habitantes de Falgaroso da Serra puderam regressar às suas casas e desenterrar tudo o que tinham escondido. Por muitos anos, os habitantes apontaram com orgulho um pinheiro que fazia parte da floresta que os escondia do exército francês.

Outra lenda que circulou na zona em relação à retirada das tropas de Massena, após a derrocada do Bussaco, fala de um acontecimento que ilustra as dificuldades em avançar pelas rudimentares estradas portuguesas. Na conhecida estrada dos tropeiros, um carro que transportava peças de artilharia ficou com as suas rodas presas nas rochas. Os soldados decidiram desmontar a peça de artilharia e abandonar o carro. Lá ficou, praticamente inutilizável, mas serviu depois para o padre local fazer um novo barco para o transporte dos falecidos cujas famílias não dispunham de meios. A incidência no concelho de Mortágua das tropas foi tal que levou ao aniquilamento de várias populações.

Assim, Algido, aldeia da freguesia de Trezoi, situada perto de Vale de Mouro, foi completamente destruída a 28 de setembro pelos bombardeamentos ingleses, contra o VIII Corpo francês.

Em forma de retaliação, a localidade de Cadima, situada entre Painçal e o Carvalhal, também foi completamente incendiada e destruída. A Póvoa da Catraia foi, também ela, arrasada e incendiada pelas tropas francesas.

Freirigo, situada entre a Marmeleira e a Lourinha de Baixo, foi mais uma das vilas incendiadas, devido ao avanço das tropas em direção à Serra do Bussaco.

Existem diferentes referências que indicam que os serviços de saúde do 2º Exército teriam sido instalados em Alcordal. Este local, onde o General Foy foi gravemente ferido na batalha de Santo António do Cântaro. Vale de Ovelha é também conhecida como a vila onde se instalaram os serviços de saúde do 6º Exército.

// Centro de Interpretação “Mortágua na Batalha do Bussaco”

O Centro de Interpretação “Mortágua na Batalha do Bussaco” apresenta-se como um espaço de divulgação, estudo e conhecimento sobre um acontecimento militar que marcou a região e em particular o concelho de Mortágua há mais de 200 anos (1810), aquando da terceira invasão de Portugal. O concelho de Mortágua foi palco da “Batalha do Bussaco”, por ter ocorrido nas faldas e cumeadas da Serra do Bussaco.

Além de sua função didática, científica e cultural, o Centro Interpretativo constitui-se como um espaço de preservação da memória e uma homenagem à coragem e tenacidade dos homens e mulheres que enfrentaram os poderosos exércitos napoleónicos. Retrata o sofrimento e privação dos habitantes de Mortágua, que nunca imaginaram viver um cenário de guerra semelhante, o maior registado em solo português.

Além das fontes textuais e materiais, tais como, uniformes e armas, o espaço utiliza suportes infográficos, sonoros, visuais e interativos, que auxiliam na exploração e contextualização histórica da 3ª Invasão Peninsular e mais concretamente desta batalha. No miniauditório, é possível ver um documentário sobre a invasão.

O espaço apresenta um conceito que envolve contar uma história, mas de forma diferente da habitual nos museus, uma vez que as peças são interpretadas e exploradas e têm uma forte dinâmica de conhecimento e interação com o público.

A informação disponibilizada divide-se em áreas temáticas, tais como, as Guerras Peninsulares, os exércitos adversários, a Batalha do Bussaco, o rescaldo da guerra de Mortágua.

Os visitantes também podem conhecer os percursos, os movimentos e constituição dos exércitos, as armas e logísticas utilizadas, bem como, a cronologia dos principais eventos.

Centro de Interpretação “Mortágua na Batalha do Bussaco”

// Moinho de sula

O Moinho de Sula serviu de posto de comando do General Robert Crawford, comandante das tropas anglo-portuguesas que defendiam o flanco norte da Serra do Bussaco. A sua localização estratégica permitiu ao General inglês ver alguns dos movimentos do inimigo na Batalha do Bussaco.

Crawford não estava sozinho nas encostas da Serra. Era apoiado na retaguarda, à direita, pela Brigada Portuguesa comandada pelo Regimento Inglês de Pack e Barclay e à esquerda pela Infantaria Colleman. Na primeira fila, do lado direito, estava o Regimento Inglês de Beckwith e, do lado esquerdo, Low, da Legião Alemã e Campbell.

Noutra frente, em Ninho da Águia (perto de Meligioso) e Cabeço Redondo (perto de Trezoi), encontrava-se a Divisão de Cole.

Junto ao Moinho de Sula, existem penedos que ainda hoje são conhecidos como “Penedos de Crawford”, de onde o General observava os movimentos do inimigo. É hoje um miradouro que proporciona soberbas vistas panorâmicas.

Moinho de Sula

// Lampantana

Durante a passagem das tropas napoleónicas por esta região, as populações fugiram das suas casas levando tudo o que podiam transportar. O resto era enterrado ou destruído, e os poços de água envenenados para que não fossem utilizados pelo exército inimigo.

Uma das histórias da origem da Lampantana, prende-se com a passagem das tropas napoleónicas pela região. Com o envenenamento das águas, e como era necessário cozinhar a carne, o vinho teria sido utilizado como recurso.

Uma das especialidades gastronómicas de Mortágua, confecionada com carne de ovelha, assada em forno de lenha durante cerca de três horas em tachos de barro vermelho, acompanhada de batatas assadas e legumes como guarnição.

PENACOVA

Aqui foi realizado o primeiro ataque das forças francesas na tentativa de chegar ao topo da montanha. Reynier avançava de Santo António do Canto para tomar o terreno mais elevado, antes de virar à direita e atacar as posições na estrada para Coimbra.

Às 05h45 do dia 27 de setembro, as divisões dos generais Heudelet e Merle emergiram do nevoeiro denso para atacar parte da 3ª Divisão Picton – Lightburn, Mackinnon e Brigadas.

Merle chegou ao topo da montanha, mas foi forçado a recuar devido a uma carga da 88ª Infantaria da Brigada Mackinnon.

Enquanto isso, Hill e Leith moveram parte das suas divisões para apoiar Picton e às 6h30, dois ataques franceses foram repelidos com pesadas baixas. Assim, 22 batalhões franceses foram derrotados e a ofensiva planeada por Masséna um fracasso.

// Posto de Comando de Wellington

Local de onde Arthur Wellesley comandou as tropas aliadas e deu ordens para a batalha de 27 de setembro de 1810. É uma rocha onde historicamente há evidências da presença deste Marechal, que passou a noite de 26 para 27 de setembro ao comando das tropas aliadas.

Em todo o campo de batalha, este é o único lugar onde existe um registro escrito de sua presença. Neste local, havia também alguma artilharia aliada que se revelaria crucial no momento da batalha contra as tropas francesas. Atualmente existe uma lápide que marca o local, ali colocada na época do Estado Novo.

// Aldeia de Santo António do Cântaro

Na vila de Santo António do Cântaro foi instalado um acampamento do Segundo Corpo de tropas francesas comandado pelo General Jean-Louis Reynier. A partir daqui, as tropas francesas efetuaram o ataque à Serra do Bussaco e às posições aliadas no cume do promontório. Fontes históricas dizem que a localidade foi dizimada pela presença francesa, apesar de não ter muitos habitantes.

A capela acabou por tornar-se um ícone, pois a gravura mais famosa da Batalha do Bussaco, de Thomas Saint-Clair, retrata perfeitamente o ataque de Santo António do Cântaro, que iniciou a batalha e que infligiu a primeira derrota às tropas francesas.

MEALHADA I LUSO

// Campo Militar da Batalha do BuSSAco E Monumento Comemorativo

Este é um campo de batalha onde foi erguido um monumento comemorativo tipo obelisco, formado por uma pirâmide composta por várias peças e encimada por uma estrela de cristal. A 27 de setembro de 1810, ocorreu a batalha entre o exército anglo-português e as tropas francesas, com vitória para o primeiro. Anos mais tarde, após estudos do militar Joaquim da Costa Gomes, e verificando a importância da Batalha do Bussaco, sugeriu erigir ali um marco comemorativo do evento. A sugestão foi aceite e as obras de construção do monumento foram concluídas em 1876.

// Museu Histórico e Militar do Bussaco

O museu foi fundado a 27 de setembro de 1910, por ocasião do centenário da Batalha do Bussaco, em homenagem à vitória do exército anglo-português. Foi inaugurado por D. Manuel II. O seu acervo é constituído por peças de armamento, equipamentos de índole militar, fardamento e outros, relacionados com a Guerra Peninsular em geral, e a Batalha do Bussaco, em particular. O edifício localiza-se junto à Capela de Nossa Senhora da Vitória e Almas que, no período da batalha foi utilizada pelos Frades Carmelitas Descalços do convento próximo para abrigar um hospital, onde os feridos da batalha de ambos os exércitos eram tratados, indistintamente.

MEALHADA

// MATA DO BUSSACO

A origem da Mata do Bussaco remonta ao século XVII quando monges da Ordem dos Carmelitas Descalços se estabeleceram no local. em 1628. Os monges trouxeram consigo inúmeras plantas exóticas que plantaram na região e floresceram sem dificuldade, transformando a floresta tal como a conhecemos hoje. Contam-se cerca de 1.000 espécies diferentes, muitas das quais foram introduzidas por marinheiros portugueses durante a Era dos Descobrimentos.

// Convento de Santa Cruz do Bussaco

Fundado em 1628, o Convento dos Carmelitas Descalços é um edifício situado num ambiente natural privilegiado. A sua planta segue o modelo desenvolvido pela Ordem de Espanha, com cruz latina e cúpula sobre o transepto com arco triplo na entrada, integrado no recinto murado que inclui o convento. Data de finais do século XVII e foi uma tentativa da Ordem de recriar, com o seu gigantesco jardim na floresta, o Monte Carmelo e o Paraíso terrestre ou a Jerusalém celeste. Há obras muito notáveis, como uma série de capelas com representações de uma Via Sacra no jardim. Entre 1730 e 1750, os monges construíram onze ermidas na floresta para ali viverem.

// Hotel Palácio do Bussaco

O Palace Hotel do Bussaco foi construído entre 1888 e 1907. O primeiro arquiteto, o italiano Luigi Manini (1848-1936), concebeu um romântico palácio neo-manuelino, evocando o estilo arquitetónico do século XVI que caracterizou o apogeu dos Descobrimentos Portugueses. O palácio é inspirado em edifícios manuelinos emblemáticos como o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém.

Após a proibição, em 1834, das ordens religiosas em Portugal, os Carmelitas Descalços viram-se obrigados a deixar o Bussaco. O estado assumiu a floresta e plantou novas espécies de plantas. Foi também então que se instalou na Via Sacra figuras de barro. Grande parte do convento construído pelos monges foi demolido no final do século XIX para construir o palácio. Para além de Luigi Manini, também participaram no projeto outros arquitetos como Nicola Bigaglia, Manuel Joaquim Norte e José Alexandre Soares. Após a Primeira Guerra Mundial, tornou-se um dos destinos mais badalados da Europa.

4º ITINERÁRIO DE COIMBRA A ARRUDA DOS VINHOS

COIMBRA

No outono de 1807, Junot, comandando uma tropa franco-espanhola, conseguiu tomar o controle de Portugal até desembarcar em agosto de 1808 na praia da Costa de Lavos, na Figueira da Foz. Em Coimbra, o Batalhão Académico, constituído maioritariamente por estudantes e voluntários, consegue atrasar Junot o suficiente para que as tropas britânicas do exército sob o comando de Wellesley, tivessem tempo suficiente para se organizar.

O ponto culminante das ações do batalhão acontece nas ações de ocupação do Forte de Santa Catarina, na Figueira da Foz, pelos soldados Bernardo António Zagalo e Inácio Caiola responsáveis pela defesa de Coimbra, sob o comando de José Bonifácio de Andrade e Silva e Fernando Saraiva Fragoso de Vasconcelos. O Batalhão Académico Militar de Coimbra enraíza-se na Restauração, constituído pelos alunos da Universidade e tendo os professores como oficiais.

// Universidade de Coimbra

Está instalada desde 1537, nos edifícios do antigo Paço Real de Coimbra, a mais antiga residência real portuguesa. Estes edifícios foram restaurados e transformados em “Paço dos Estudos”. A Universidade enquanto tal, foi fundada no ano de 1290 pelo rei D. Dinis, em Lisboa, mas foi transferida para Coimbra no ano de 1537 por iniciativa de João III. Lisboa só voltou a ser distrito universitário em 1911 e durante esse período não havia outra universidade em todo o país além de Coimbra.

Um dos elementos mais interessantes é a Biblioteca Joanina, uma biblioteca de estilo barroco do século XVIII. Em 2013, a Universidade de Coimbra foi declarada Património Mundial pela UNESCO, pelo seu valor arquitetónico e histórico.

// Mosteiro de Santa Clara-a-Velha

O Mosteiro de Santa Clara-a-Velha situado nas margens do Rio Mondego foi fundado em 1283 por Dona Mor Dias, dama da nobreza, para receber as Clarissas. Após a sua extinção, ainda no século XIV, a Rainha Santa Isabel reformou o convento com o desejo de aí ser sepultada. Devido às constantes cheias, provocadas pelo rio, a comunidade foi obrigada a abandonar o mosteiro em 1677, mudando-se para um novo convento: o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, construído no Monte da Esperança.

// Mosteiro de Santa Clara-a-Nova

O Mosteiro de Santa Clara-a-Nova de Coimbra, foi construído a um nível elevado, a salvo de inundações. Concluído em 1696, o cenóbio recebeu o túmulo do Rainha Santa Isabel. No coro inferior encontra-se o primitivo túmulo gótico, tendo sido o corpo da Rainha transferido para um túmulo de prata e vidro, do século XVII, presente no retábulo barroco do altar-mor da igreja. Em frente ao túmulo, observa-se uma imagem da Rainha Santa. O edifício de linhas sóbrias enquadra-se na tendência maneirista, mas o estilo já é barroco.

santa clara a nova coimbra

// Sé Velha

A Sé Velha da cidade universitária começou a ser construída durante o reinado de D. Afonso Henriques, no século XII. A Catedral está inscrita no românico e o seu exterior parece uma fortificação com ameias piramidais. A fachada principal formada por três corpos, o central avançado em relação aos outros, enquadra o pórtico com arquivoltas, acessível através de uma escada. A fachada do lado norte contrasta com dois pórticos renascentistas, destacando-se a Porta Especiosa construída como se fosse um retábulo. Do outro lado encontra-se o claustro gótico.

// Sé Nova

A Sé Nova era, originalmente, o Colégio de Jesus que começou a ser construído em 1547, mas a sua igreja só foi iniciada em 1598. No entanto, a fachada do referido templo só seria concluída no século XVIII. O alçado segue o modelo maneirista com três portais, vergas retas e quatro estátuas monumentais de santos jesuítas.

Na parte superior da fachada podemos encontrar alguns pormenores de decoração barroca. Após a expulsão dos jesuítas de Portugal no século XVIII, o Marquês de Pombal transferiu para este edifício a Sé Episcopal, tornando-se a Sé Nova de Coimbra.

// Museu Nacional Machado de Castro

O Museu abriu as suas portas em 1913 ocupando o antigo Paço Episcopal, que por sua vez foi construído sobre o criptopórtico do Fórum Romano do século I. Visitável, é considerada a construção romana mais significativa em Portugal.

O Museu Nacional Machado de Castro exibe uma coleção de pinturas, dos séculos XV a XX, cujas obras provinham maioritariamente dos mosteiros da cidade e da região. Também possui coleções de esculturas do século I ao século XVIII, com exemplos de ourivesaria, indumentária litúrgica, azulejos e objetos cerâmicos. A amostra é completada com uma coleção de móveis e têxteis. Recebe o nome em homenagem ao renomado escultor português Joaquim Machado de Castro.

// Mosteiro de Santa Cruz

Foi fundado durante o reinado de D. Afonso Henriques por religiosos agostinianos de Coimbra sob o arquidiácono da catedral da mesma cidade, Telo, em 1131. Desde o início, a casa recebeu proteção da Santa Sé, que a declarou independente do episcopado (1154). Também gozou da proteção da corte de D. Afonso I, dotando-a financeiramente e beneficiando-a de bens e rendimentos, que acabaram por chegar a uma vasta e rica comunidade.

Notável é o seu scriptorium, atividade que foi continuada mais tarde com uma prensa tipográfica, que contribuiu para reunir uma valiosa biblioteca no mosteiro. Esta comunidade monástica foi, de facto, a casa monástica mais importante dos reinados da primeira dinastia e marcou um período fundamental na formação da identidade de Portugal, contribuindo para a afirmação política de Coimbra durante a fundação do reino.

No início do século XVI, o mosteiro foi totalmente reconstruído devido ao mau estado da construção medieval, sendo desta época a sua fachada manuelina. Os monumentos funerários dos dois primeiros reis de Portugal – Afonso I e Sancho I – estão preservados no presbitério.

// Igreja de São Tiago

Construída entre finais do século XII e inícios do século XIII, é um dos principais expoentes do românico, em Coimbra. A sua origem teve como propósito glorificar o Apóstolo durante o reinado de Sancho I (1185-1212), provavelmente para lhe agradecer a ajuda na guerra contra os árabes e na libertação de Coimbra, em 1064, por Fernando I (1010-1065) e a sua intercessão na batalha de Ourique, em 1139, que permitiu ao seu pai, Afonso Henriques (1109-1185), proclamar-se rei de Portugal e estabelecer a capital em Coimbra.

A decoração do portal principal é inspirada na Sé Velha, enquanto a fachada lateral apresenta uma decoração de conchas em homenagem ao santo a quem a igreja é consagrada. No seu interior, de planta única e teto de empena em madeira, destaca-se o retábulo da capela-mor, em estilo rococó de Coimbra e originário de São João de Almedina, bem como, o portal gótico da capela.

LEIRIA

Durante a primeira invasão Wellesley marchou sobre Lisboa, passando por Alcobaça, Óbidos e Torres Vedras, de forma a manter um contato próximo com a esquadra britânica comandada pelo General Cotton e assim poder assegurar novos desembarques de tropas britânicas. No entanto, Freire preferiu rumar para Santarém, e por isso foi para Leiria.

As tropas britânicas chegaram a Leiria no dia 12 e lá encontraram novamente o Marechal Freire. Apesar das diferenças, ambos os exércitos rumaram para Caldas da Rainha. Após a batalha do Vimeiro (21 de agosto), os franceses retiram-se e mais tarde, em Sintra, estabelecem os termos da que será conhecida como a Convenção de Sintra.

Praça Rodrigues Lobo - Leiria

// Castelo de Leiria

Local que serviu de residência habitual do Rei D. Dinis e da sua esposa, a Rainha Santa Isabel, a quem é atribuída a lenda do Milagre das Rosas. Vários séculos depois, o castelo e a cidade sofreram danos com as invasões francesas.

Valeu a intervenção do arquiteto suíço Ernesto Korrodi que realizou uma ampla recuperação do conjunto, dando ao monumento o destaque que merece reintegrando-o na dinâmica social da população.

// Igreja de São Pedro

A atual Igreja de São Pedro começou a ser construída nos últimos anos do século XII em estilo românico, sendo mencionada pela primeira vez em 1200 graças à documentação de uma luta entre o Bispo de Coimbra e o Mosteiro de Santa Cruz sobre o domínio eclesiástico da cidade. A conclusão da obra deve ter ocorrido nas primeiras décadas do século XIII.

TORRES VEDRAS

// Centro de Interpretação das Linhas de Torres – Forte de São Vicente

Este centro de interpretação visa reforçar o papel central do sistema defensivo das Linhas de Torres Vedras na sequência da Guerra Peninsular. Pretende também homenagear o sacrifício de milhares de homens, mulheres e crianças portuguesas que, não só construíram um grande número de fortificações, como colaboraram na política da terra queimada, gente que, com muito sacrifício, deixou para trás as suas casas e foi para Lisboa em exílio forçado, para alcançar a vitória anglo-portuguesa.

Aqui são oferecidas experiências pedagógicas que abordam as invasões napoleónicas a partir de novas perspetivas.

No ponto mais alto do Monte de S. Vicente, encontra-se a secular ermida de S. Vicente, cujo patrono viria a dar o nome ao local e à fortificação que o rodeava, no início do século XIX.

// FORTE DE SÃO VICENTE

Esta é uma grande estrutura, composta por três redutos (nº 20, 21 e 22), ligados por um fosso comum. Existem três entradas, duas a sul, uma no baluarte n.º 20 e outra à entrada da esplanada do forte. A terceira situa-se a poente, entre os redutos 21 e 22.

O reduto 20, parte da Ermida de São Vicente, de fundação medieval, é constituído por treze canhoneiras, talvez dois moinhos adaptados a armazéns, atualmente tanques de água.

O reduto 21 é composto por oito canhoneiras e travessas, possuindo vestígios de bueiros. Aqui encontra-se uma réplica de um telégrafo ótico inglês. O reduto 22 é composto por treze canhoneiras, floreiras e um moinho adaptado a armazém. Existem também vestígios de uma casa.

O perímetro é unido por um parapeito e um fosso que liga os redutos. Sobre este parapeito encontram-se quatro canhoneiras mais uma canhoneira de proa à entrada do forte. Há também vestígios de bueiros de tempestade.

Construído em 1809, este forte é considerado uma das mais importantes e maiores obras militares de todo o sistema defensivo, sendo o Forte de São Vicente equipado com 26 peças de artilharia e um contingente militar de 2.000 a 2.200 homens, podendo albergar cerca de 4.000 soldados.

Tinha no seu interior um telégrafo ótico, que permitia uma comunicação rápida com o Forte do Grilo e com a estação de sinalização erguida na Serra do Socorro, posto de comando mais próximo do Quartel General de Wellington.

// Fortaleza da Archeira

Forte militar desprovido de artilharia. No interior existe uma estrutura que parece ser um cacifo semi-enterrado. Segundo a planta de Homem de Wedge, havia uma estação de sinalização. Há um marco geodésico dentro do forte.

Construído em 1809, o Forte da Archeira, também conhecido por “Cheira”, pertencia à defesa da primeira linha, juntamente com os fortes de Catefica e Feiteira, a norte desta fortificação. Defenderam os vales de Runa e Ribaldeira, sob o comando do Barão de Eben e do General Spencer, respetivamente.

É um local estratégico, pois aqui não só as linhas se cruzam, mas também aqui, na Quebrada de Runa, começa a serra.

// Reduto da Feiteira

Construído após a retirada do exército francês da sua posição em frente às Linhas de Torres Vedras, o Reduto da Feiteira, situado no alto da Serra da Archeira, fazia parte do dispositivo de defesa desta posição, juntamente com os fortes de Catefica e Archeira, respetivamente a norte e a sul desta fortificação. Armado com 9 peças de artilharia e com uma guarnição de 350 soldados, tinha como objetivo defender os vales de Runa e Ribaldeira, sob o comando do Barão de Eben e do General Spencer, respetivamente.

// Paisagem protegida das Serras do Socorro e Archeira

A Paisagem Protegida Local das Serras do Socorro e Archeira (PPLSSA) abrange cerca de 1.192 hectares e distribui-se maioritariamente pela freguesia do Turcifal e União de Freguesias de Dois Portos e Runa, abrangendo também pequenas áreas da freguesia de Santa Maria, São Pedro e Matacães.

A sul, confronta com o concelho de Mafra, onde se desenvolve a vertente sul da Serra do Socorro. A PPLSSA destaca-se do meio ambiente em termos de relevo e é constituída pelas Serras do Socorro e Archeira, Serra da Galharda e Serra do Monte Deixo. Esta área é um local onde se observa a presença de elementos com elevado valor patrimonial em termos naturais, históricos, culturais e paisagísticos. É um destino de excelência para a prática do turismo de natureza e pode ser visitado a pé ou de bicicleta pelos vários percursos que o atravessam. A gestão da PPLSSA, integrada na Rede Nacional de Áreas Protegidas, é da responsabilidade do Município de Torres Vedras.

SOBRAL DE MONTE AGRAÇO

// CENTRO DE INTERPRETAÇÃO DAS LINHAS DE TORRES

O Centro de Interpretação das Linhas de Torres Vedras (CILT) é um espaço museológico multifuncional que visa salvaguardar, estudar e promover o património enquanto sistema de defesa militar que ditou a retirada final do exército napoleónico de Portugal, após a terceira invasão francesa. A exposição começa com um pequeno documentário que pretende situar o visitante no período histórico com referências à ascensão de Napoleão ao poder, os planos de conquista da Europa, a rivalidade hegemónica com a Inglaterra e o contexto em que Portugal aparece nessa disputa, com o seu território invadido e com o seu povo subjugado por uma força estrangeira. Ao longo da exposição, são narradas as histórias de 1810, num local que foi palco.

A Sala 1 trata da construção, estratégia e operações militares sistema defensivo edificado a norte de Lisboa, com especial destaque para os fortes do distrito militar de Sobral de Monte Agraço, nomeadamente o Forte do Alqueidão onde Wellington estabeleceu o seu posto de comando.

A Sala 2 destaca episódios, personagens, sítios e edifícios que marcaram a vivência desta região num período turbulento da história portuguesa, mas que culminou decisivamente com a retirada das tropas francesas e do Marechal Masséna da frente das Linhas de Torres Vedras e posteriormente do território português.

O CILT participa ativamente na gestão da Rota Histrica das Linhas de Torres e sob a sua dependência direta está o Circuito Turístico de Alqueidão. A partir dele também é possível conhecer a Rota de Wellington e obter informações sobre outras rotas das Linhas de Torres Vedras.

O CILT dispõe de uma sala com exposição permanente, sala de projeção de vídeo e um serviço educativo que oferece um leque de atividades para os mais pequenos e também para as famílias. O espaço está localizado no centro histórico da vila de Sobral de Monte Agraço, outrora palco de uma das mais conhecidas batalhas entre as tropas aliadas e as tropas francesas: o combate de Sobral.

O CILT disponibiliza um documentário sobre as Invasões Francesas em Portugal e um filme sobre o que “ver e fazer” no Percurso Histórico das Linhas de Torres Vedras, numa vertente turístico-cultural. Possui uma coleção de armas da Guerra Peninsular. Dispõe ainda de um modelo do telégrafo ótico globo (adaptado da Marinha Inglesa), uma inovação na forma de comunicar, utilizada nestas fortificações, uma mesa interativa, uma mesa de luz, mapas digitais das principais batalhas em Portugal e Espanha e uniformes militares.

O CILT também coloca o foco principal nas sedes de Wellington e William Beresford (que se localizam nas proximidades da vila de Sobral de Monte Agraço) e nos combates ocorridos nas cidades de Sobral, Dois Portos e Seramena (12 , 13 e 14 de outubro de 1810).

// FORTE DO ALQUEIDÃO

Está localizado no coração da primeira linha defensiva. Com capacidade para 1.600 homens, era o único ponto guarnecido de tropas de linha e sua missão era “guardar” uma das principais estradas de acesso à capital. Era o ponto mais alto da primeira linha, de onde se avistava o Rio Tejo e o Oceano Atlântico. Estrategicamente, cruzou o seu fogo com Fortes do Machado, Simplício e Trinta, circundando a Serra do Olmeiro, e transformando-a numa enorme trincheira. Recebeu o posto de comando tático de Arthur Wellesley (futuro Duque de Wellington), Comandante Supremo do exército aliado, durante o período em que permaneceu nas Linhas de Torres Vedras.

O Forte do Alqueidão é constituído por várias estruturas militares que foram objeto de diversas intervenções e ações de conservação, estando atualmente abertas à visitação. Entre outros espaços: almoxarifados, casa do governador da praça, travessas, canhoneiras, redutos internos, sistemas de drenagem de água, entre outros. Tinha 27 vãos e capacidade para 1.590 homens.

O Forte do Alqueidão está inserido numa zona florestal, localizada na Serra do Olmeiro. A uma altitude de 439 metros, a sua dimensão é de 35.000 m2 e localiza-se a 30 km de Lisboa. Atualmente, está classificado como Monumento Nacional.

O Forte do Alqueidão possui sinalização, mapas e gravuras direcionais e interpretativas, além de áudio guias. Este último pode ser levantado nas Linhas de Torres Vedras em Sobral de Monte Agraço, e permite que os turistas a visitem ao seu próprio ritmo.

A construção do Forte do Alqueidão teve início em 4 de novembro de 1809, sob a direção do engenheiro inglês, tenente-coronel Fletcher, sendo posteriormente continuada pelo capitão John Jones. Recebeu o número 14 entre 152 obras militares construídas para integrar o complexo militar defensivo. Foi o posto de comando tático de Wellington, durante o tempo em que as tropas francesas rodearam as linhas (1810). Defendido pela brigada portuguesa da Matilha Geral, o grande bastião de Sobral (como era conhecido na época) viu a excecional criação das companhias de Artilharia e Artilharia da Vila de Sobral. Quando as duas companhias foram criadas, o marechal William Beresford, comandante do exército português, atribuiu-lhes o seu próprio uniforme castanho, o que lhes permitiu distinguir-se das unidades regulares do Corpo de Artilharia.

O armamento, construído principalmente na Inglaterra, incluía armas de fogo e armas brancas. A infantaria utilizou a espingarda Brown Bess e os caçadores portugueses recorreram à espingarda Baker. Ambas com fechaduras de pederneira permitiam dois disparos por minuto.

Devido à sua dimensão e natureza dissuasiva, o dispositivo tático do Forte do Alqueidão teve um papel absolutamente decisivo na retirada do comandante francês, Marechal Masséna, sobretudo após o ataque fracassado de Jean Andoche Junot, na cidade de Seramena. Os franceses tomaram a vila de Sobral e ali estabeleceram o quartel-general de Clausel, mas desprovidos de alimentos, munições e reforços, e impedidos de chegar à frente das tropas pela ação das guerrilhas portuguesas, nunca avançaram muito na região.

// FORTE DO MACHADO

O Forte do Machado situa-se na primeira linha defensiva de Lisboa, na Serra do Olmeiro. Com capacidade para 460 homens e 7 vãos, insere-se no plano frontal e fecha o cume da serra juntamente com os Fortes do Alqueidão, Trinta e Simplício. A sua missão era opor-se a eventuais ataques do inimigo francês, com vista à ocupação do Forte do Alqueidão.

Defendeu de frente o terreno de acesso ao topo da montanha. Tinha a capacidade de bombardear alvos a curto, médio e longo alcance, disparando em profundidade.

Para reforçar a defesa dos fortes, foram construídas obras auxiliares fora de cada um deles, que contribuíram para o seu sucesso militar, tais como, fossos, tocas e centenas de árvores foram derrubadas para aumentar o alcance de fogo, artilharia e para reforçar a vigilância do avanço das tropas francesas.

O Forte do Machado possui placas direcionais, interpretativas e ilustrativas, e um mapa de trabalho militar.

// Forte do Simplício

O Forte do Simplício situa-se na primeira linha defensiva de Lisboa, na Serra de Olmeiro.

Com capacidade para 300 homens e 6 brechas, era um forte avançado que, juntamente com o

Forte do Alqueidão, Machado e Trinta, fechava o topo da serra.

A sua função era cobrir o inimigo cruzando as suas peças de artilharia. De frente, defendeu a estrada real que levava a Lisboa e as estradas militares à Louriceira de Baixo e Carvalha. À sua esquerda cruzou os fogos com o Forte do Alqueidão. Na sua construção, tal como nos restantes fortes, aproveitou-se os entulhos retirados do fosso. Este conjunto de fortes teve um efeito absolutamente dissuasor sobre as tropas francesas.

O ajudante-de-campo do marechal Masséna, Jean Jacques Pelet escreveu no seu diário o seguinte comentário: “Chegando a Sobral, em vez de um planalto acessível, vimos montanhas íngremes e ravinas profundas, uma encruzilhada estreita e, de cada lado, muros de pedra, com tudo o que pareciam ser fortificações apetrechadas com artilharia; Ficou claramente demonstrado que não podíamos atacar as linhas”.

O Forte do Simplício possui placas direcionais, interpretativas e ilustrativas, mapa do trabalho militar e áudio guia. Este último pode ser levantado no Centro de Interpretação das Linhas de Torres, em Sobral de Monte Agraço

// Forte Novo

O Forte Novo está localizado na primeira linha, no alto dos Galhofos. Foi a última obra militar a ser construída, após a retirada do exército francês. A sua missão era reforçar a defesa de Alqueidão, a estrada real que ia de Sobral a Lisboa e passava por baixo deste local, o vale da Arcela, Chancos, Seramena e a região de Santo Quintino. Muitos moinhos de vento da região foram reaproveitados como postos de vigia. A paisagem que agora se avista, com a Serra de Montejunto no horizonte, o vale que une as vilas de Sobral e Arruda dos Vinhos, com o Tejo ao fundo, foi completamente devastada para se tornar um excelente campo de tiro, resultado da derrubada de centenas de árvores, num raio de 6km ao redor das fortificações. A construção de pontes, o embalsamamento de rios, a escarpa de montanhas, o uso de armadilhas no solo como fossos e abismos, deram ao sistema de defesa uma ideia de invencibilidade que impressionou o atacante. Somou-se a tudo isto o esforço por uma parte significativa da população portuguesa, que sacrificou as suas casas e bens e trabalhou, durante mais de um ano, na construção dos fortes, sob ordens estrangeiras. O Coronel Noel escreveu sobre a retirada francesa: “pensávamos que estávamos vitoriosos, pensávamos ter chegado ao fim de uma campanha gloriosa e chegamos aos nossos quartéis de inverno na capital de Portugal, mas temos que passá-lo num país devastado, juntos com eles. Linhas terríveis, sobre cuja solidez não nos podemos enganar”.

// Quinta casal cochim

Esta quinta serviu de quartel-general a William Beresford, comandante do exército português que aí se instalou durante o período em que esteve nas Linhas de Torres Vedras. A casa situa-se no Casal Cochim, nas traseiras do Forte do Alqueidão, a cerca de um quilómetro do local onde Wellington estabeleceu a sua sede. Esta propriedade senhorial é privada encontrando-se bastante degradada. Na fachada principal encontra-se uma placa de 1931, com uma inscrição comemorativa atestando que foi sede de William Carr Beresford, em 1810.

Este comandante deu grande atenção ao sistema defensivo da Serra do Olmeiro, ponto crítico na defesa da estrada régia Sobral-Lisboa, via Bucelas, e à possível progressão das tropas francesas.

// Quintas dos Freixos

A Quinta dos Freixos situa-se na localidade de Pêro Negro. O edifício serviu de Quartel General de Wellington – comandante supremo do exército aliado – durante o período das operações militares nas Linhas de Torres Vedras. Esta propriedade pertencia ao Barão de Manique, e situava-se em Pêro Negro, numa encosta do Rio Sizandro. A escolha do local permitiu a Wellesley transitar rapidamente entre o Centro de Comunicações Senhora do Socorro e o posto de comando do Forte do Alqueidão, pontos essenciais para enviar mensagens e definir novas estratégias. Estes dois locais eram frequentemente visitados pelo comandante inglês para observar os movimentos do inimigo.

Na fachada principal do edifício existente na quinta, pode ver-se uma placa de 1931, atestando que “Nesta casa de Barão de Manique funcionou o Quartel General do Marechal Sir Arthur Wellesley em 1810 durante a ocupação das Linhas de Torres Vedras”.

ARRUDA DOS VINHOS

// Centro de Interpretação das Linhas de Torres

Situado no Centro Cultural do Morgado, destaca-se pela sua estrutura multifuncional, dando a conhecer o património da província associado às Linhas de Torres Vedras, afirmando a sua importância no contexto das Invasões Francesas.

Caraterizado por um design gráfico atraente e contemporâneo, bem como pela utilização da interatividade, aborda o assunto através de um discurso museográfico acessível a diferentes públicos, estimulando e convidando o visitante a descobrir e contemplar as estruturas militares do município: Forte do Cego (Trabalho Militar nº 9) e Forte da Carvalha (Trabalho Militar nº 10). É também um bom ponto de partida para conhecer a paisagem envolvente.

Em 2011, o Centro de Interpretação das Linhas de Torres Vedras, em Arruda dos Vinhos, recebeu uma menção honrosa pela melhor aplicação de gestão e multimédia, pela APOM (Associação Portuguesa de Museologia).

// Forte do Cego

Forte de São Sebastião ou Forte do Cego, localizado à direita da Garganta de Matos.

Destinado a abrigar um contingente de defesa militar, este forte possuía um elaborado sistema de drenagem composto por um duto de drenagem de águas pluviais para evitar o acumular de água em seu interior. Em termos defensivos, as canhoneiras apresentavam pavimento em tijoleira, sendo o solo previamente preparado com enchimento de pedra amalgamado com argamassa.

Haviam também dormentes enterrados que serviam de proteção contra o fogo inimigo.

// Forte da Carvalha

Localizado junto à vila de Carvalha, no ponto mais alto do concelho, protegia o Vale de Arruda juntamente com o Forte do Cego, permitindo fogo cruzado sobre o inimigo em caso de tentativa de invasão. Em termos defensivos, as canhoneiras tinham o piso em pedra e argamassa.

5º ITINERÁRIO DE TORRES VEDRAS AO SABUGAL

TOMAR

// Castelo de Tomar

Foi nas colinas do rio Nabão que o castelo templário de Tomar foi fundado, em 1160. A sua torre, introduzida pelos Templários, tem planta retangular de três pisos e é o testemunho mais antigo de Portugal. O castelo consistia num anel de paredes reforçadas por torres quadrangulares e semicirculares que dividiam a fortificação em recintos: a vila, a casa militar dos Templários, a alcáçova com a torre de menagem, e a charola que servia de oratório privado.

// Convento de Cristo

O Convento de Cristo de Tomar é constituído por um conjunto de edifícios históricos de notável relevância patrimonial, Destaca-se o Castelo, a Charola templária, e os claustros. Estas construções ocorreram entre os séculos XII e XVII, o que se traduz na acumulação de diferentes influências artísticas e históricas, partilhando características românicas, góticas, renascentistas, maneiristas e manuelinas.

A cadeira de Olivier de Ghent, presente na igreja manuelina, foi devastada durante as invasões francesas. Chama a atenção a janela manuelina com decoração cristológica e mariana. Em 1811, as tropas francesas ocuparam o convento, deixando um cenário de destruição.

// Igreja de Santa Maria

A igreja gótica dedicada a Santa Maria foi originalmente construída no século XII para receber o panteão dos Cavaleiros Templários. A construção da atual igreja iniciou-se em meados do século XIII, com planta longitudinal de três naves divididas por arco pontiagudo, com cabeceira abobadada de composição tripartida composta pelo presbitério e absides. A fachada é aberta pelo alpendre em arco ogival inscrito em frontão, encimado por uma imponente rosácea que ilumina o interior do templo.

// Aqueduto do Convento de Cristo

O aqueduto foi construído devido à insuficiência de água que atingia as terras cultivadas do Convento de Cristo, durante o reinado de Filipe I. Foi projetado pelo arquiteto Filippo Terzi em 1584 que, após a sua morte, foi substituído por Pedro Fernandes de Torres .

A estrutura está a aproximadamente 6 quilômetros de distância do convento e tem um total de 180 arcos semicirculares e 16 arcos pontiagudos. Completando os arcos anexos à fachada do convento, alcança a nascente do claustro principal. A obra foi finalmente inaugurada por Filipe II em 1614 e concluída em 1619.

TOMAR

// Igreja de São João Baptista

A primitiva Igreja de São João Baptista tem a sua origem no tempo do Infante D. Henrique no século XV. No entanto, no século. XVI a Igreja Matriz de Tomar sofreu remodelações que lhe conferem o traço manuelino. Adjacente ao lado esquerdo da fachada encontra-se a torre sineira. A tampa com arquivoltas segue o gosto Manuelino, sendo decorado com motivos fitomórficos, zoomórficos e heráldicos. O interior tem planta retangular e é composto por três naves divididas por arcos ogivais e uma capela-mor tripla.

POMBAL

Durante a guerra peninsular, a cidade de Pombal foi vítima de saques e incêndios em 1811, infligidos pelas tropas napoleónicas, comandadas pelo general André Masséna, que regressou derrotado das Linhas de Torres Vedras. Em consequência do incêndio, foram destruídos os forais originais concedidos à vila, consumidos na destruição dos Paços do concelho.

// Castelo de Pombal

Em posição dominante sobre um maciço rochoso, nas margens do rio Arunca, este castelo templário desempenhou um papel preponderante na defesa da região no momento da consolidação da independência portuguesa e mais tarde na criação do concelho de Pombal.

Acredita-se que tenha sido construído no século XII. A sua planta particular assemelha-se à alcáçova do Castelo de Tomar. A poente do complexo, encontra-se a cidadela manuelina, com destaque para o brasão real e uma janela anexa neste estilo.

CONDEIXA-A-NOVA

Condeixa-a-Nova foi um ponto quente da Guerra Peninsular. O exército francês estava na fase de recuo depois de ter sido travado nas Linhas de Torres Vedras. Ao passarem por Condeixa, os homens de Masséna destruíram tudo o que conseguiram. O antigo Palácio dos Figueiredos, atual Paços do Concelho, é um dos exemplos vivos: foi incendiado pelos franceses, tal como a igreja e algumas casas e houve um número considerável de vítimas civis. Em contrapartida, o belo Palácio dos Lemos escapou incólume ao vandalismo, por ter sido aquele que Masséna escolheu para pernoitar.

// Igreja de Santa Cristina

Dedicada a Santa Cristina, foi mandada construir no século XVI pelo rei D. Manuel I que, de passagem pela vila e confrontado com a falta de uma igreja, com a consequente reclamação da população, mandou construir esta igreja em substituição de uma antiga igreja. no mesmo lugar.

Saqueada e incendiada em 1811 pelas invasões francesas, foi reconstruída dez anos depois, alterando o seu aspeto para o atual neoclássico, mas conservando ainda vestígios do manuelino original.

// Palácio dos Figueiredos

O Palácio Figueiredos é atualmente o edifício dos Paços do Concelho de Condeixa-a-Nova.

Anteriormente pertencente aos Condes de Portalegre, foi restaurado no século XVII por José Rodrigues de Figueiredo, passando a ser conhecido pela sua designação atual. É considerado um dos mais belos palácios do país. Incendiado pelos exércitos de Napoleão Bonaparte e deixado em ruínas, foi posteriormente recuperado respeitando a arquitetura original.

// Palácio dos Sás

O Palácio dos Sás foi um dos maiores palácios do país. Construído no início do século XVII, era como muitos outros palácios, arruinado após o ataque das invasões francesas.

Conserva-se na fachada o brasão dos Sás e um nicho onde se encontra uma das estações da Via Sacra.

LOUSÃ

Durante as últimas escaramuças de fuga em direção à fronteira e sob uma densa neblina, as forças envolvem-se numa nova luta.

A 14 de março de 1811, o Marechal Ney desacelera o avanço aliado em Casal Novo.

Um dia depois, uma nova batalha é travada em Foz de Arouce, durante a retirada de Masséna que percebe que tem de sair do vale do Mondego.

Este combate faz parte do conjunto de ações retardatárias realizadas pelas tropas francesas sob o comando do Marechal Ney.

// Miradouro De Casal Novo

O miradouro situa-se numa das posições de combate de Casal Novo, local dominante no planalto do lado de Condeixa e onde a estrada se aproxima da vila da Lousã.

Cercado por vedações e muros de pedra, davam aos ocupantes no terreno, uma boa proteção contra o fogo dos mosquetes.

// FOZ DE AROUCE

A Batalha de Foz de Arouce travada a 15 de março de 1811, ocorreu durante a retirada de Masséna durante a terceira invasão francesa. Foi mais uma das ações realizadas pelas tropas francesas sob o comando do marechal Ney para cobrir a retirada.

A marcha para a fronteira espanhola, teve como primeira etapa uma paragem em Celorico da Beira, onde muitas tropas esperavam para se juntar na retirada.

// Memorial da Guerra Peninsular

Este obelisco comemorativo da batalha de Foz de Arouce, situa-se junto à ponte que atravessa o rio Ceira, homenageando todos os que participaram na terceira invasão francesa de 1811. Este monumento não é o original, existindo outro datado de 1898, alguns metros mais acima, na colina junto às vinhas do Conde de Foz de Arouce.

// Casa dos Condes de Foz de Arouce

Solar da segunda metade do século XVIII rodeado de vinhas, construído em estilo rococó, por Joaquim José Furtado de Mesquita Paiva Pinto, que se tornou o primeiro Conde de Foz de Arouce, em 1769.

// PONTE DE MUCELA

Após a Batalha do Bussaco e apesar de derrotados, os franceses continuaram a avançar sobre Lisboa, com Wellington a retirar-se prudentemente e a seguir a política da “terra arrasada”. No entanto, Masséna percebeu que sua posição era insustentável devido à falta de recursos, e decidiu retirar-se para norte, onde as táticas de Wellington ainda não haviam sido colocadas em prática.

Tentando dirigir-se a Coimbra, mandou Masséna defender um desfiladeiro entre Pombal e Redinha, para proteger o avanço. Mas, sendo aquela força batida em renhido combate, bem como, outra que fora reconhecer Coimbra e encontrara a ponte cortada, desistiu daquela rota e viu-se obrigado a seguir o que lhe restava aberto entre o Mondego e o Zêzere, por Miranda do Corvo e a Ponte de Mucela, descendo por Moura Morta (Rio Alva), antiga estrada real. Eram terrenos e caminhos difíceis, mas que lhe ofereciam boas posições para ir cobrindo a sua retirada. Percebendo Wellington a intenção do inimigo, mandou a divisão de Picton flanqueá-lo pela direita, o que obrigou Masséna a abandonar Condeixa, que incendiou, e retirar sobre Casal Novo.

VILA NOVA DE POIARES

// Igreja Matriz de Poiares

A Igreja Matriz de Poiares, dedicada a Santo André, é um edifício do século XVIII situado no centro histórico de Vila Nova de Poiares, junto ao edifício dos Paços do Concelho e do Jardim Municipal. O seu interior é constituído por vários altares com magníficos retábulos, sendo o mais importante o altar-mor do século XVII.

ARGANIL

// Igreja Matriz da Vila de Arganil

O edifício atual é de finais do século XVII. A fachada poente é ladeada por pilares nos cantos. Acima do seu portal em arquitraves existe um frontão dividido por um nicho e um óculo poligonal. Tem um telhado de duas águas. No interior, os tetos são pintados com iconografia hagiográfica do autor Oliveira Trovão, datada de 1762. O retábulo-mor é de finais do século XVII, com reformas posteriores.

A parte mais antiga do templo é a Capela Funerária de Pêro da Fonseca, onde se encontram duas esculturas em madeira do século XVII: a Senhora da Conceição e a de São Pedro.

GUARDA

Local de passagem das tropas francesas a caminho de Lisboa durante a primeira invasão. São famosos os massacres realizados na Guarda, a 3 de julho de 1808, onde se acredita que muitas pessoas tenham morrido como vingança pelo assédio da população às tropas francesas e pela negação de abastecimentos. Entre 1810-1811, durante a terceira ocupação, o exército francês sob o comando do general André Masséna entrou na Guarda e marchou para Viseu.

SABUGAL

A localização da região no Alto Côa junto à fronteira marcou a sua evolução histórica em La Raia, bem como, o seu envolvimento no conflito político-militar da guerra peninsular. A região do Sabugal, pela sua fisionomia geomorfológica e continuidade com a planície do planalto ibérico, fez com que tenha sido um local privilegiado para a passagem de tropas.

O curso do rio Côa desde a Serra da Malcata até à sua confluência com o Douro, representava uma barreira formidável para qualquer exército que tentasse avançar para Portugal. O domínio do vale do Côa era considerado decisivo para qualquer manobra militar. Os exércitos franceses invasores por aqui passaram, tanto na entrada, como na saída.

Várias vilas sofreram o impacto da passagem de milhares de homens, como Aldeia Velha, Soito, Rendo, Bismula, Rebolosa e Forcalhos, mas sobretudo as vilas que tinham castelo como Alfaiates, Vilar Maior e Sabugal, onde os comandos militares podiam refugiar-se, acampar e proteger armas e balística.

Destaca-se o Castelo dos Alfaiates, onde se alojaram as duas frações de tropas envolvidas no conflito. Em 1810, foram os comandantes de Jean-Louis Reynier, que aqui se alojaram durante duas semanas para preparar a 3ª invasão de Portugal.

Em 1812, para travar a última tentativa de invasão francesa, Wellington instalou-se em Alfaiates, onde pernoitou e descansou as tropas, ordenando a continuação das manobras em território espanhol, para perseguir os franceses.

Ainda hoje existem vários indícios dos danos ao castelo que devem datar dessa época. Faltam troços das muralhas interiores, devido ao fogo de artilharia de longo alcance, especialmente do lado leste do castelo, que derrubou estas muralhas e rompeu as restantes.

Há também vagas referências à explosão de um suposto paiol de pólvora guardado na torre de menagem, bem como, de outras praças militares portuguesas, o que provocou o desmoronamento da enorme cúpula que sustentava o piso do primeiro andar da torre.

A poucos metros a leste de Alfaiates, foi colocada a frente central anglo-portuguesa, junto ao Convento de Sacaparte, onde se travou uma batalha feroz, quando as forças de Wellington tiveram que se retirar e os franceses, ganharam uma certa vantagem. Acredita-se que a travessia existente na estrada nacional, entre Alfaiates e Aldeia da Ponte, foi erguida em memória das vítimas desta fatídica batalha.

Sabugal também participou de forma marcante no conflito, pois mesmo a poucos metros a sul da vila, ocorreu a famosa Batalha do Gravato, nas margens do rio Côa. Na noite de 3 de abril de 1811, as divisões britânicas de Picton e Dunlop tomaram Sabugal e invadiram a margem oposta onde as tropas francesas em retirada estavam acampadas. O exército napoleónico perdeu muitos combatentes neste conflito e a sua saída de Portugal foi praticamente definitiva. Aqui teve lugar uma das últimas batalhas desta Guerra Peninsular.

Nesta distribuição das tropas francesas e inglesas pelas passagens estratégicas do rio Côa, é conferida a importância deste rio que atravessa a Ponte de Sequeiros, importante e grandiosa ponte que foi ocupada por tropas francesas, uma vez que o controlo desta passagem facilitou a travessia do rio.

// Castelo de Sabugal e ruínas das muralhas

Esta fortificação foi construída entre os séculos XII e XIII e ampliada por Dom Dinis, num contexto que responde aos esforços do rei português para consolidar a fronteira com os reinos do outro lado após a assinatura do Tratado de Alcañices em 1297.

Construído em estilo gótico, são visíveis numa das portas que davam acesso à ponte levadiça alguns vestígios do estilo manuelino. A presidir ao complexo está a Alcazaba com a torre de base pentagonal e os seus cinco cantos adornados com matacões e grifos.

Nos séculos seguintes foram realizadas obras, que procuraram reforçar a estrutura e a sua adaptação à artilharia. No início do século XIX foi protagonista das guerras peninsulares e serviu de quartel às tropas inglesas e portuguesas que combateram em 1811 contra as tropas napoleónicas comandadas pelo marechal André Masséna.

// Pelourinho do Sabugal

Réplica do pelourinho original, construído há alguns anos. O pelourinho original, datado do século XVI, encontra-se no Museu Municipal.

Centros de Interpretação

MUSEU MILITAR DO BUSSACO

O Museu Militar do Bussaco foi criado em 1910 e inaugurado no dia 27 de setembro desse mesmo ano, pelo Rei D. Manuel II, no âmbito das Comemorações do Primeiro Centenário da Batalha do Bussaco.

O Museu procura dar uma perspetiva do que foram as Invasões Francesas e do papel fundamental que a Batalha do Bussaco teve no bloqueio das forças napoleónicas.

SITIO WEB

www.cm-mealhada.pt

ENDEREÇO

Almas do Encarnadouro, Buçaco

3050-201 Luso

EMAIL

musmilbucaco@exercito.pt

TELEFONE

(+351) 231 939 310

CENTRO DE INTERPRETAÇÃO DE LINHAS DE TORRES

As Linhas de Torres, com mais de 200 anos de história, desempenharam um papel essencial na defesa da cidade de Lisboa das tropas francesas de Napoleão enquanto estas tentavam avançar para tomar a capital do reino.

A Rota tem centros de interpretação onde se pode aprender mais sobre este período histórico. Três deles localizam-se no Centro de Portugal: um em Arruda dos Vinhos, outro em Sobral de Monte Agraço e um terceiro em Torres Vedras.

SITIO WEB

www.cm-sobral.pt

ENDEREÇO

Praça Doutor Eugénio Dias, 12

2590-016 Sobral de Monte Agraço

EMAIL

cilt@cm-sobral.pt

TELEFONE

(+351) 261 942 296

CENTRO DE INTERPRETAÇÃO DA BATALHA DO VIMEIRO

A Batalha do Vimeiro foi uma das grandes vitórias da Guerra Peninsular. Não só pôs fim à Primeira Invasão Francesa, que começou em 1807, como também derrotou os “invencíveis exércitos napoleónicos”.

SITIO WEB

www.batalhadovimeiro.pt

ENDEREÇO

Rua do Monumento, 17-A

2530-835 Vimeiro – Lourinhã

EMAIL

cibatalhavimeiro@cm-lourinha.pt

TELEFONE

(+351) 261 988 471

POSTO DE TURISMO DE ALMEIDA

As tropas de Napoleão invadiram esta cidade histórica para conquistar a Península Ibérica. No posto de turismo de Almeida, pode consultar informações detalhadas sobre este período, os eventos e recriações históricas que se realizam.

SITIO WEB

www.cm-almeida.pt

ENDEREÇO

Portas de São Francisco

6350-130 Almeida

EMAIL

turismo.almeida@cm-almeida.pt

TELEFONE

(+351) 271 570 020

MUSEU MILITAR DE ALMEIDA

O Museu Histórico-militar de Almeida ocupa as antigas “Casamatas” de Almeida, galerias subterrâneas do século XVIII que foram construídas para proteção militar e que contêm vinte salas e corredores. O museu é um espaço interativo que reconstrói a História de Portugal, com especial destaque para as Guerras Peninsulares, a invasão e o Cerco de Almeida.

SITIO WEB

www.cm-almeida.pt

ENDEREÇO

Rua da Muralha

6350–123 Almeida

EMAIL

museu.militar@cm-almeida.pt

TELEFONE

(+351) 271 571 229

MORTÁGUA NA BATALHA DO BUSSACO – CENTRO DE INTERPRETAÇÃO

Espaço de divulgação, estudo e conhecimento acerca de um acontecimento militar que marcou a região e em particular o concelho de Mortágua há mais de 200 anos (1810), com a terceira invasão a Portugal ordenada por Napoleão Bonaparte.

SITIO WEB

www.cm-mortagua.pt

ENDEREÇO

Rua Dr. João Lopes de Morais, 46

3450-153 Mortágua

EMAIL

turismo@cm-mortagua.pt

TELEFONE

(+351) 231 927 464

Sobre o NAPOCTEP

O objetivo do projeto NAPOCTEP é valorizar o património cultural da era napoleónica, através da criação de rotas napoleónicas ao longo do território da região Centro de Portugal (às comunidades intermunicipais de Região de Coimbra e Beiras e Serra da Estrela, junto com a Rota Histórica das Linhas de Torres) e das províncias oeste castelhanas (Salamanca, Zamora, Valladolid, León e Ávila), criando um produto turístico inovador e atrativo que gere atividade económica e emprego.

O projeto decorreu de 2019 a 2021, e foi cofinanciado pela Comissão Europeia no âmbito do programa INTERREG POCTEP.

Para a elaboração deste roteiro recorreu-se ao documento “3º Invasión de Portugal NAPOCTEP | Febrero 2021”, desenvolvido no âmbito do projeto NAPOCTEP, e de diversos materiais informativos disponíveis em https://napoctep.eu/.

Faça já o download do ROTEIRO DA 3ª INVASÃO FRANCESA NO CENTRO DE PORTUGAL – ITINERÁRIOS NAPOLEÓNICOS

AGENDA DOS EVENTOS DOS ITINERÁRIOS NAPOLEÓNICOS 2023

A Agenda dos eventos dos Itinerários Napoleónicos 2023 convida à participação em diversas atividades que visam revelar e promover o património cultural material e imaterial associado à história das Invasões Napoleónicas em Portugal.

As atividades que integram esta Agenda dos Itinerários Napoleónicos dos são dirigidas a todos, incluindo às famílias que, entre julho e dezembro, poderão usufruir de experiências originais que terão palco em diversas localidades do país e que procuram contribuir para a diversificação da oferta dos territórios.

valorização turística do património histórico-militar associado às invasões napoleónicas são o mote para a realização destes eventos, de relevância para a dinamização da oferta de turismo cultural no nosso país, bem como para o desenvolvimento de um produto turístico diferenciador.

Consulte a Agenda e participe!