Páscoa Feliz no Centro de Portugal!

. AGUIAR DA BEIRA

 Compasso Pascal: existe em todas as Freguesias do Concelho, efetuado no Domingo ou na Segunda-feira de Páscoa. A cruz, passa pelas casas que pretendem a sua receção e é sempre acompanhada por um grupo de pessoas, onde o representante ou Pároco da Freguesia  profere as seguintes palavras: “que a paz de Cristo Ressuscitado entre nesta casa, permaneça nela e em todos os que nela habitam”, seguindo-se o ritual de saudar a cruz

Terço dos Homens: uma tradição existente apenas na Vila de Aguiar da Beira. Tradição muito antiga que se recuperou há alguns anos. Os homens, pertencentes à Irmandade da Santa Casa da Misericórdia saem à rua todas as sexta-feira durante a Quaresma, devidamente trajados e empunhando velas, para rezar o terço e entoar cânticos de louvor. Mantendo a tradição, as mulheres não participam desta cerimónia, sendo que antigamente para assistirem, escondiam-se atrás de árvores ou espreitavam à janela para ver passar os senhores enquanto rezavam

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Créditos Álvaro Almeida_ jornal Caruspinus


. CARREGAL DO SAL

Tradições Quaresmais

A Quaresma é um período litúrgico que inclui um ciclo de tradições e um conjunto de rituais cristãos, com uma ambiência de reflexão e vivências que constituem um momento único.

Com a aproximação da celebração da Páscoa, o povo vive intensamente esta época das cerimónias da Quaresma, numa expressão coletiva de sentimentos e respeito constituindo um autêntico quadro vivo, onde se entoam ritmos de dor – a paixão de Cristo.

Há tradições que perpetuam no tempo. Na Freguesia de Oliveira do Conde esta época é vivida com especial fervor.

A Procissão do Senhor dos Passos realiza-se anualmente da localidade de Oliveirinha para Oliveira do Conde, no quinto Domingo da Quaresma (ou 15 dias antes da Páscoa) e, o povo participa nesta manifestação de fé, à qual se segue a celebração eucarística.

O andor de Cristo, com a Cruz às costas, de coroa de espinhos e veste roxa, é transportada por homens, aos ombros ou, mais recentemente num carro dos Bombeiros, enquanto que o de Nossa Senhora, a Mãe sofredora, segue o seu filho, também de veste roxa, de toalha branca nas mãos e é transportada por mulheres, adquirindo este ato o caráter penitente de todas as mães.

Domingo de Ramos é um ritual em que os fiéis se juntam no largo do Pelourinho, na localidade de Oliveira do Conde. O Pároco faz então a bênção dos ramos (de oliveira, louro e alecrim), da varanda da “Casa da Torre”, seguindo-se uma procissão até à Igreja Matriz seguida de Eucaristia.

Procissão de Enterro do Senhor é uma tradição vivida na Sexta – feira Santa, num ambiente de luto, silêncio e solenidade. A procissão é iniciada por uma cruz em madeira, de grande dimensão, com manto branco, ladeada por duas lanternas.

Atrás da cruz, vestidas de anjos segue um pequeno cortejo de crianças transportando os martírios do Senhor: a sentença, a lança, a esponja, os dados, a túnica do Senhor, o cesto com o martelo e os pregos, os chicotes, a bolsa de Judas, o Cálice, a coroa de espinhos e o sudário.

O esquife do Senhor é um andor antigo, onde se transporta o Corpo de Cristo, morto, uma imagem que remonta à própria origem destas tradições – século XVIII. O esquife é protegido por um palium preto, a partir da Capela de Nossa Senhora Mãe dos Homens, na Casa Grande e atrás segue a Mãe – Nossa Senhora vestida de luto, com uma toalha branca nas mãos, para limpar o rosto de seu filho e as suas próprias lágrimas, transportada por mulheres. Esta imagem sai da Casa da família Soares de Albergaria, numa tradição que passa de geração em geração.

O ambiente vivido é especial – as duas imagens, dada a sua expressão, extremamente emotivas e tocantes, a escuridão da noite, a luz das velas, o cheiro a incenso no ar, são elementos que exercem sobre os participantes e fiéis o luto, a tristeza e a solenidade própria deste momento. Também a banda filarmónica executa música fúnebre, sons que penetram no coração de quem participa e presencia esta procissão.

Depois de recolher à Igreja, seguem-se as cerimónias litúrgicas da Paixão de Cristo que muitas vezes conta com a representação cénica e termina com a Adoração da Cruz.

Um pouco por todo o Concelho de Carregal do Sal vive-se o Domingo de Páscoa, que encerra um ciclo – a Festa da Ressurreição e da vida.  Um ambiente de alegria e partilha assola agora a comunidade cristã que vai permanecendo no meio rural, com o Beijar da cruz, de casa em casa.

A época do ano é propicia para a festa, com os campos em flor, a preparação das casas, no ar há cheiro a bolos e alecrim. As mesas enchem-se de petiscos da região, não falta o queijo da Serra, o cabrito assado e o Vinho do Dão.

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. CASTRO DAIRE

Tradições da Páscoa no Concelho de Castro Daire
O concelho de Castro Daire possui tradições comuns de Páscoa com alguns maneirismos peculiares ligados a história de Castro Daire. As tradições são quase todas elas ligadas a religiosidade católica, à gastronomia e aos valores familiares e de hospitalidade dos castrenses.
Em Castro Daire a tradição que dá abertura às festividades da Páscoa é a Procissão da Via Sacra que se realiza no inicio da quaresma (40 dias antes da Páscoa) seguida pelo Domingo de Ramos, realizado no domingo da semana antes da Páscoa. Na quinta-feira da Semana Santa realiza-se a Missa do Lava Pés, no sábado a Vigília Pascal chamada de Sábado Aleluia e no domingo e segunda de Páscoa faz-se a visita pascal chamada de Compasso Pascal.
Outra tradição bastante enraizada neste território é a confeção do Bolo Podre (o folar de Páscoa ) que tem designações diferentes consoante as várias freguesias.

Procissão da Via Sacra
A Procissão da Via Sacra, realiza-se no inicio da quaresma, consiste numa procissão com passagem por 14 pontos de via sacra simbolizando a caminhada que Jesus fez com a sua cruz as costas. Estes pontos estão identificados com pinturas pela vila de Castro Daire e a procissão começa na Capela do Calvário tendo fim na igreja matriz de Castro Daire. Na sexta-feira Santa repete-se a procissão, desta vez do Calvário até à Igreja Matriz.

Domingo de Ramos
O Domingo de Ramos é assinalado com ramos de alecrim e pernadas de oliveira representando os ramos com que Jesus foi acenado à entrada de Jerusalém montado no seu burro. Estes ramos são benzidos e segue-se a procissão para a celebração da missa. Depois são oferecidos às madrinhas no dia Páscoa. Uma outra peculiaridade de Castro Daire é benzer os bolos podres neste dia. Na maioria das restantes freguesias do concelho os ramos são
guardados para serem queimados em dias de trovoada pedindo à Santa Bárbara que a afastasse.

Missa Lava Pés
A Missa Lava Pés realiza-se na quinta-feira da Semana Santa e consiste na lavagem dos pés a 12 crianças pertencentes à comunidade e de forma aleatória representando a lavagem dos pés feita por Jesus aos seus discípulos.

Sábado Aleluia
No Sábado Aleluia realiza-se uma Vigília Pascal feita na noite antes da Páscoa onde se acende o círio pascal (vela gravada com Alpha e Omega) representado o principio e o fim de tudo. Os fiéis fazem uma grande fogueira com ramos e madeira chamada de “Queima de Judas”.

Visita Pascal
A Visita Pascal ou também designada de Compasso Pascal realiza-se por Padres, Seminaristas ou voluntários da comunidade consistindo na visita à casa daqueles que queiram receber o crucifixo de Cristo, que representa a ressurreição de Jesus Cristo, e para que as casas sejam benzidas e as famílias possam beijar a Cruz. Esta visita é marcada por um ambiente acolhedor familiar, com uma mesa de doces tradicionais de Castro Daire para oferecer, disponibilizando também um envelope com dinheiro, tendo já dado a côngrua antecipadamente. Nos meios rurais existe a particularidade de após a Visita Pascal, as famílias seguirem o Compasso, em procissão, e esperando que a visita seja feita em todas as casas, até à bênção geral que é feita nos largos de cada aldeia É uma forma de convívio e de reforço de laços familiares e de amizade entre as pessoas da terra mantendo, assim, as tradições.

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. MANGUALDE

O Município de Mangualde, em parceria com a Paróquia de Mangualde, apresenta uma programação especial dedicada à Quaresma e à Páscoa. São vários os momentos e locais que irão assinalar esta época pascoal.

PROGRAMAÇÃO PÁSCOA E QUARESMA 2024

2 MARÇO
Via Sacra | Pastoral de Arciprestado da Beira Alta
21h00 | Igreja Paroquial de Mangualde

16 MARÇO
21h30 |  Igreja Paroquial de Mangualde

“Amentar das Almas”
Este ritual ligado à Páscoa consiste em cantar orações, em louvor dos que já morreram. 
Esta tradição, “Amentar das Almas”, também conhecida por ‘Encomendação das Almas’, surgiu após a Igreja Católica ter assumido, no Concilio de Trento, a existência do Purgatório.
Na década de 50, em muitas aldeias de Mangualde, ainda era habitual cumprir-se o “Amentar das almas”.  A tradição tem sido recuperada no concelho de Mangualde pelo Grupo Cultural e Recreativo de Santo Amaro de Azurara. 
Este ano, além do Grupo Amentar das Almas de Santo Amaro de Azurara, participam nesta iniciativa o Grupo de Encomendação das Almas de Cavernães (Viseu) e o Grupo de Encomendação das Almas de Monfortinho (Idanha-a-Nova).

23 MARÇO
Concerto Quaresmal | SPEI CHORUS
17h00 | Igreja Paroquial de Mangualde

24 MARÇO
Benção e Procissão de Ramos
10h30 | Igreja do Desterro – Igreja Paroquial
Missa de Domingo de Ramos
11h00 | Igreja Paroquial de Mangualde

28 MARÇO
Missa Vespertina da Ceia do Senhor
21h00 | Igreja Paroquial de Mangualde

30 MARÇO
Vigília Pascal
21h30 | Igreja Paroquial de Mangualde

31 MARÇO
Eucaristia de Domingo de Páscoa
11h00 | Igreja Paroquial de Mangualde

14 ABRIL
Concerto Pascal
Orquestra Clássica Juvenil Poema
Grupos Corais de S. Julião e Clave Jovem
16h00 | Igreja Paroquial de Mangualde

Período da QUARESMA | 14 de fevereiro a 27 de março
Período Pascal (Domingo de Páscoa a Domingo de Pentecostes) | 31 de março a 19 de maio

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. PENALVA DO CASTELO

Via Sacra em Penalva do Castelo: Uma Jornada de Fé e Reflexão

No próximo dia 17 de março (Domingo de Ramos), realiza-se, nas ruas da vila de Penalva do Castelo, a representação ao vivo da “Via Sacra – Uma Jornada de Fé e Reflexão”.
A Via Sacra é uma tradição e vivência cristã na qual se lembra o caminho percorrido por Jesus Cristo carregando a cruz, desde o Pretório até ao Calvário, onde foi crucificado. É uma caminhada de fé que ajuda a recordar o amor de Jesus por nós, ao longo das 14 estações que a constituem, vivida em comunidade.
Organizada pelo Agrupamento de Escuteiros 149 de Ínsua, é uma vivência em unidade interparoquial, das paróquias de Esmolfe, Ínsua/Penalva do Castelo, Sezures e Trancozelos, envolvendo a participação de várias associações na animação das estações (Grupos de Catequese de Esmolfe, Ínsua, Penalva do Castelo, Trancozelos, Sezures e Santa Casa da Misericórdia de Penalva do Castelo).

Programa:
Início: 14h30 junto à Capela de Sangemil
Percurso: ruas da vila de Penalva do Castelo
Término: Lar da Santa Casa da Misericórdia de Penalva do Castelo

Cerimónias de Semana Santa (missa + procissões da quinta e sexta-feira Santa) 
As cerimónias da Semana Santa atraem muita gente à sede do concelho, Penalva do Castelo. As comemorações iniciam na segunda-feira, antes da Páscoa, com a exposição dos andores na Igreja da Misericórdia de Penalva do Castelo e um concerto. 
Na Quinta-feira Santa realiza-se a Missa da última ceia e procissão e na sexta-feira Santa Celebração da Paixão e Procissão das velas. As ruas enchem-se de gente para participar nestas cerimónias.

Data: 28 e 29 de março
Local: ruas de Penalva do Castelo/Igreja da Misericórdia de Penalva do Castelo
Org: Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Penalva do Castelo

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. SATÃO

Na freguesia de São Miguel de Vila Boa, na sexta-feira Santa, dia 29 de março realiza-se na Igreja Paroquial a Via Sacra. Também na Aldeia do Castelo, nos dias 18 e 19 de março, podem presenciar a uma Via Sacra Encenada.

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. TONDELA

. FÁBRICA DA QUEIMA – 24 a 29 de março
Desde 1996 que o Trigo Limpo Teatro Acert transforma uma ancestral tradição – o Ritual da Queima e Rebentamento do Judas – num espetáculo comunitário e de performances artísticas extremamente vanguardista, onde se fundem o teatro, a dança, a música e o fogo-de-artifício.
Divididos em grupos, os participantes integram diferentes equipas. Uns, constroem os elementos cénicos da Queima do Judas e o boneco que representa, em cada ano, os males que se querem expurgar; outros ensaiam com os músicos ou com os actores e bailarinos que actuarão em diversas frentes do espectáculo; outros, ainda, costuram figurinos, organizam a logística, preparam o fogo sob a cautelosa orientação dos mais velhos e experientes manejadores das chamas.
É uma semana de intenso trabalho, mas sobretudo de partilha, aprendizagem colectiva, troca de saberes e muitas emoções. Na Fábrica da Queima participam, há muitos anos, pessoas de todas as idades e não apenas de Tondela. Há quem chegue de longe, há quem o faça desde pequenino e há sempre espaço para a primeira vez de quem quiser experimentar.
No que se denomina por Fábrica da Queima, mais de 300 voluntários são enquadrados, nas várias áreas artísticas, pela equipa do Trigo Limpo Teatro Acert e por profissionais contratados para o efeito, numa envolvência plena da comunidade, que faz questão de dar continuidade a uma manifestação enraizada na ancestralidade e que se perde na memória dos tempos.


. QUEIMA DO JUDAS – 30 de março
Durante alguns anos, a tradição manteve-se e, à saída da missa, no Sábado de Aleluia, um boneco feito de palha e trapos velhos era queimado junto à Igreja Matriz de Tondela.
Posteriormente a tradição foi evoluindo dando origem a um espetáculo comunitário onde o teatro, a dança, a música e o fogo-de-artifício se aliam numa celebração onde se expurgam todos os males ocorridos desde o ano anterior.
É antiga a tradição de queimar o Judas. Com a Primavera instalada, o desejo de renovação expressa-se olhando para o passado recente e purificando pelo fogo tudo o que não se quer guardar. Em Tondela, há muito que o Judas arde. Desde 1987, tem ardido sob a batuta da Associação Cultural e Recreativa de Tondela, que organiza a função e mantém o espírito comunitário.
Pouco antes da meia-noite de Sábado Aleluia, o espetáculo desenrola-se ao ar livre, desfilando coreografias, canções e uma narrativa que percorre o ano que passou e lhe aponta os maus bocados.
No fim, as chamas devoram o Judas, por entre fogo-de-artifício e o som apoteótico dos músicos e actores que, acompanhados pelo público, celebram colectivamente esta renovação.
Quando o público abandona o recinto e os participantes começam a desmontar as estruturas, todos sabem que um novo ciclo está pronto a estrear.
Local de encontro, de proximidade e de partilha afectiva e emotiva, o Judas é encontro de celebração.
Este evento, que ano após ano atrai mais espectadores e aguça a curiosidade de todos, incluindo as dezenas de voluntários envolvidos, é considerado hoje a maior e mais impressionante Queima do Judas que se realiza em Portugal.

. O AMENTAR DAS ALMAS / EMENTAR DAS ALMAS
ALMAS SANTAS
As palavras “Amentar” e “Ementar”, do ponto de vista etimológico são descritas como tendo origem no latim Mens mentis, com o significado de intelecto, alma, espírito, aparecendo na língua portuguesa já no séc. XIII, com o significado de recordar ou trazer à mente.
É o Concílio de Trento, em Itália entre 1545 e 1563 (século XVI) convocado pelo Papa Paulo III, que tem, entre outros objectivos, o assegurar da unidade da Fé e a disciplina da Igreja, reafirmando os dogmas da fé cristã e condenando o protestantismo.
É neste Concílio que é instituído o Purgatório.
Segundo este Concílio, o Purgatório não se trata de um local, mas de um estado de onde é possível a purificação das almas.
Há assim a necessidade de realizar orações, preces ou missas por essas almas, para poderem ascender ao Céu.
Assim, a tradição do “Amentar das Almas”, “Ementar das Almas” ou ainda a “Encomendação das Almas”, ou outras denominações, consoante as várias zonas do nosso país, é uma tradição quaresmal e que consiste essencialmente em orações ou versos, falados ou cantados, em louvor dos que já morreram.
É uma tradição respeitada e acarinhada pelo povo, que cantava e ainda canta, às almas dos seus entes queridos, sujeitas às penas do Purgatório.
Em Portugal as tradições são distintas de região para região, tendo diminuído em meados do século XX, sobrevivendo hoje em dia em poucas localidades, embora esteja a ser alvo de revivalismo.
Em alguns locais, o grupo do amentar das almas vai para a rua rezar ou cantar no sentido de que, quem ouça, dentro de casa, se junte nas preces pela salvação de parentes e amigos falecidos.
Noutros locais, é feito por um peditório ritualizado, no qual um grupo de populares, vestidos de negro, percorre as casas da localidade, durante a noite, cantando orações numa melodia fúnebre, de forma a condoer os habitantes a efetuar donativos e orações pelas almas do Purgatório.
Ainda noutras localidades, não se visitam as casas, mas efetua-se o canto em locais centrais elevados, cruzamentos de caminhos, ou em procissão pelas ruas, para que as pessoas da aldeia o escutem e orem pelas almas.

As Almas Santas no Tourigo
É a tradição mais antiga desta povoação e, de acordo com a história, é também realizada na Quaresma.
Aqui, o grupo sempre foi conhecido pelo Grupo das Almas Santas, composto sempre por homens, tendo como objetivo o mesmo das outras localidades, ou seja, o amentar das almas.
Habitualmente, o grupo é composto por três homens à frente envergando opas brancas, segurando um o crucifixo e os outros dois lanternas, que são acesas aquando da chegada a cada casa.
O outro grupo, dito de resposta, pode ter número variável de homens.
Em tempos idos, este culto, estendia-se a outras povoações da freguesia e freguesias vizinhas.
No Tourigo esta tradição foi sempre cumprida, sendo só interrompida nos dois anos de pandemia de Covid.
Muitas vezes os donativos eram realizados em bens, sobretudo milho, os quais eram posteriormente entregues à Igreja.
O grupo reúne-se à noite, já depois do sol posto, e parte de casa em casa, para aí rezar ou cantar, conforme o desejo do morador daquelas.
Tem uma forma peculiar de apresentação. Em primeiro lugar, no chamamento do morador da casa que, a ser respondido, é saudado com as “boas noites”. O grupo anuncia-se e informa ao que vem perguntando, de seguida, se quer que se reze ou se canta.
É a pessoa da casa que decide se o Grupo das Almas Santas reza ou canta.
Nesta altura, para rezar, o grupo divide-se em dois, adota uma postura de oração e reza um Pai Nosso, uma Avé Maria e uma Glória.
No caso de pedirem para cantar, os grupos já divididos, começam a cantar os versos da ladainha das almas, alternadamente entre os três homens da frente e o restante grupo à retaguarda:
À porta das almas santas,
Bate Deus a toda a hora
As almas lhe responderam
Oh meu Deus que quereis agora?
Quero que deixais o Mundo
Para irmos para a Glória
Oh Meu Deus, quem nos lá dera
Oh Meu Deus quem nos lá vira
Em companhia dos Anjos
A mais a Virgem Maria
[…]
Aqui estamos de joelhos
Com o crucifixo na mão
Ou nos venham dar a esmola
Ou do céu venha o perdão
Lá no céu não há perdão
Dos pecados que fazemos
Dai a esmola que poderdesq
Para ver se nos salvamos
Essa esmola que vós dais,
Não penseis que a comemos
É para mandar dizer missas
É devoção que trazemos
É devoção que trazemos
Vós com devoção a dais
Já lá vão as vossas mães,
Vossos filhos, vossos pais.
[…]

Por fim, o grupo demanda a outra casa, ficando uma pessoa para recolher a oferta do morador, que é entregue na Igreja, com o desígnio de celebrar missas por todas as almas sufragadas.
Esta pessoa, despede-se do morador daquela casa, desejando uma boa noite com votos de “que as Alminhas vos agradeçam”.

. Via Sacra, na cidade de Tondela, que se realizará no dia 15 de março, pelas 21h00

. Festa do Senhor dos Aflitos, na povoação do Mosteiro de Fráguas, União de Freguesias de Vilar e Mosteiro. De tradição antiquíssima e muito procurada pelos fiéis. Celebrada a Eucaristia junto à Igreja que lhe é dedicada, segue-se participada procissão, convidando os numerosos fiéis a meditar na entrega de Jesus na Cruz, dando a vida para salvar, Senhor, a quem recorrem os aflitos nas diversas provações da vida.

. Visita Pascal, que decorre entre domingo e segunda feira, verificando-se a mesma ainda no domingo de Pascoela em algumas das povoações do concelho, que representa momento de reunião familiar e de amigos. Vários grupos de leigos em conjunto com os párocos percorreram as ruas das diversas povoações do concelho de Tondela anunciar a ressurreição de Cristo.

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. VILA NOVA DE PAIVA

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. VISEU

Páscoa em Viseu
A Cidade-Jardim celebra época Pascal com mais de 100 atividades e estreia programação com fim de semana dedicado à doçaria regional e aos vinhos do Dão VISEU DOCE realiza-se nos dias 16 e 17 de março, na Pousada de Viseu.
O Domingo de Páscoa será marcado por um grande concerto da Orquestra Filarmonia das Beiras, na Igreja do Seminário Maior. O programa descentralizado conta ainda com várias celebrações religiosas e manifestações de fé.
De 16 de março a 1 de abril, a “Melhor Cidade para Viver” desperta para a nova estação primaveril com duas grandes iniciativas, importantes marcos da agenda cultural do concelho. O VISEU DOCE está de regresso, no fim de semana de 16 e 17 de março, abrindo as portas à programação da Páscoa, a qual se prolongará até ao início do mês de abril.
Este ano, a Pousada de Viseu acolhe 4ª edição do VISEU DOCE, o evento que junta, num só local, o melhor da doçaria e vinhos da região.
Mas são muitas mais as atividades programadas para esta altura.

Veja a programação completa AQUI.

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. VOUZELA

A ENCOMENDAÇÃO DAS ALMAS
Uma das tradições mais antigas de Vouzela é a “encomendação das almas”, um ritual quaresmal cuja origem se presume remontar ao século XIII, sendo provável que tenha a sua raiz em cultos pagãos, muito anteriores a essa data.
Tratava-se de uma forma de culto musical, no qual um grupo de populares entoava cânticos piedosos e orações, de forma cíclica e ritualizada, que visavam favorecer as almas que se encontrassem no Purgatório.
Estes cânticos eram entoados a altas horas da noite, num breu cerrado, apenas alumiado por candeias.
O grupo cantava em anonimato, com as cabeças cobertas de panos brancos ou estando completamente vestidos de negro e levavam consigo uma Cruz. Sempre que chegavam a um cruzamento da aldeia, acendiam as velas, ajoelhavam-se e, então, “encomendavam”.
Quem cantava, fazia-o por piedade e compaixão, num ato de caridade anónimo, como se se tratasse de uma esmola. E quem encomendava, fazia-o com o mesmo propósito caridoso, por saudade dos entes queridos.
A encomendação em si, também consistia no facto das famílias apontarem aos cantadores uma lista com os nomes dos familiares falecidos, que possivelmente estariam no purgatório, e que necessitavam de recomendações junto de Deus.

Semana Santa Vouzela. fotografia de João Ferreira

AMENTAÇÃO DAS ALMAS
Paralelamente a esta tradição existia também a “Amentação das almas”, ritual conhecido como o canto da esmola, no qual um grupo de pessoas cantava, percorrendo a aldeia, e recebia esmolas em géneros agrícolas, que depois eram vendidos em leilão e revertiam em missas, em sufrágio das almas do Purgatório.
No concelho de Vouzela, esta tradição praticava-se anualmente, até meados do século XX. Atualmente, ainda é mantida por alguns dos nossos grupos folclóricos, em eventos de natureza sociocultural.
Curiosamente, esta tradição chegou ao Brasil, levada pelos portugueses. Com toda a certeza, alguns desses colonos partiram de Vouzela, como foi o caso de João Ramalho, o enigmático vouzelense que já andava pelo Brasil quando se deu o descobrimento oficial. Ele, que ajudou a povoar o imenso território, que foi um bravo diplomata e que ficou conhecido na história do Brasil como o fundador da cidade de S. Paulo e pai dos brasileiros.
Mas isso… é outra história!

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Amentar das Almas – Fotografia cedida pelo Grupo de Cavaquinhos e Cantares à Beira Queirã


* Artigo em atualização. Aconselha-se a confirmação dos eventos acima enunciados.
Agradecemos todos os contributos para: comunicacao@turismodocentro.p