Páscoa Feliz no Centro de Portugal!

Artigo em atualização. Aconselha-se a confirmação dos eventos abaixo enunciados.

. CANTANHEDE

Tradições e eventos da Páscoa – Município de Cantanhede
No Município de Cantanhede, continuam a realizar-se alguns eventos associados à Páscoa que mantêm vivas tradições muito antigas. Na Pocariça, localidade bem próxima da sede do concelho, a Associação Musical procura preservar a dimensão cultural do “Amentar das Almas” no período da Quaresma, executando em certos locais algumas músicas com quadras evocativas da memória de quem partiu do mundo dos vivos.
Em Covões, o ritual tem algumas semelhanças, ainda que sem a participação de instrumentistas. Neste caso, o ritual envolve a participação de um grupo de pessoas que vai de casa em casa cantar as “Almas Santas”, recebendo por isso uma esmola em dinheiro destinada à reza de missas pelas almas do Purgatório. “Fiquem-se agora com Deus / Que eu também com Deus me vou / Quem das Almas se alembrar / Reino do céu alcançou” refere uma das quadras do cântico entoado a cada paragem.
Outra tradição antiga é o “’Sarrar da Velha”, que ainda se realiza a meio da Quaresma na freguesia de Cadima. Também designada “Sátira aos Avós”, consiste em fazer uma enorme algazarra na casa das pessoas mais velhas, com gritos, ladainhas e usando como “instrumentos musicais” uma espécie de serrotes em madeira com que se “serravam” as portas, bem como funis, búzios e outros apetrechos ruidosos.  
Outrora comum em várias freguesias do concelho de Cantanhede, este uso local pretendia assinalar a passagem de senhoras para o “grupo das velhas”, quando atingiam uma certa idade, especialmente aquelas que passassem à condição de avós num passado recente, não esquecendo nunca as de idade mais avançada. As vítimas eram as que não gostavam de ser rotuladas como velhas e davam “troco”, lançando aos sarradores diversos tiposde objetos e o conteúdo dos penicos. No final, normalmente tudo acabava em bem, com as visadas a confraternizarem com os folgazões, em muitos casos oferecendo-lhes de beber aos folgazões. Esta atividade é dinamizada por um grupo de homens, maioritariamente pertencentes ao Grupo Típico de Cadima, embora também se formem grupos em outros lugares da freguesia, nomeadamente no Zambujal.  
Na localidade de Fornos, também na freguesia de Cadima, cumprindo uma tradição secular, no sábado de Aleluia – antes do domingo de Páscoa -, realiza-se a Queima do Judas depois de caída a noite.
É um costume que se perde no tempo e tem o carácter simbólico da expiação dos males e da purificação, através do fogo.
Num ritual encenado, satiriza-se e critica-se determinado acontecimento ou personagem que se destacou na comunidade durante o ano transato.
Para além da origem judaico-cristã, a traição de Judas para com Jesus Cristo, este rito tem uma forte conotação pagã. Celebra-se a despedida do ano velho, frio, improdutivo, e festeja-se a chegada da primavera – o período é o do solstício da estação – e de toda a fecundidade que a natureza manifesta a partir desta época. 
O boneco de palha, representando Judas, é queimado cerca da meia-noite e é uma tradição que está integrada, desde tempos imemoriais, nas festas religiosas dedicadas a São Bento, padroeiro do lugar dos Fornos. 
A visita Pascal também se mantém por todo o território, realizando-se no Domingo de Páscoa, na segunda-feira de Pascoela ou no Domingo de Pascoela.
Tradição centenária que ainda é cumprida um pouco por todo o concelho é a da oferta do folar – o Bolo de Ançã ou o Bolo da Páscoa – dos padrinhos aos afilhados, quando estes se dirigiam a suas casas, e em outros tempos pediam a sua bênção.  

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. COIMBRA

COIMBRA DOCE
Este evento decorrerá na Praça do Comércio, de 22 a 31 de março, no horário das 10h às 22h (todos os dias, incluindo fins de semana).
A inauguração será no dia 22 de março, pelas 18h. Trata-se de uma iniciativa destinada a famílias, que oferece um conjunto de oportunidades de lazer e entretenimento e muitos momentos de diversão para todas as crianças, com animações e outras atrações alusivas à Páscoa. Inclui carrinhos de choque, baloiços, insufláveis gigantes, um carrossel encantado e muito mais, nomeadamente jogos, como a caça aos ovos, xadrez gigante e matraquilhos humanos. Conta, ainda, com a presença de adoráveis mascotes e apresentações teatrais alusivas à Páscoa, bem como workshops criativos.

Coimbra na Páscoa
Outrora, no sábado de Ramos havia uma feira no Largo e Santa Cruz, onde pessoas do povo vinham, antecipadamente, benzer o ramo, na missa do Domingo de Ramos e traziam as cestas das arrufadas, decoradas com toalhas brancas de linho, para venderem a quem vinha à missa.
O Rancho Folclórico As Moleirinhas da Casconha recriam ainda hoje, na Sexta-Feira Santa, o Enterro do Bacalhau, um cortejo fúnebre, que pretende ironizar o fim da obrigatoriedade de comer peixe em tempo de Quaresma. A obrigação tem notoriamente motivações de ordem religiosa, na medida em que o cristianismo impõe, como penitência, jejuns e a abstinência de carne durante a Quaresma, o que tornava obrigatório o recurso ao peixe.
Em o Enterro do Bacalhau, recria-se um cenário de tribunal que inclui: juiz, oficial, delegado, testemunhas de defesa (pescadinha marmota e pescadinha rabitesa) e testemunhas de acusação (galo, mestre Zé vitelo e porco). Os testemunhos apresentam-se todos em verso. Aparecem também outras personagens: Quaresma (acérrima defensora do bacalhau), carpideiras e a Páscoa. No final há uma contradança, com uma coreografia que conta com a ajuda de uma cana da índia, onde são entrelaçadas oito fitas de cores diferentes e que depois se vão desentrelaçando.
A igreja católica continua a celebrar as tradicionais celebrações de Páscoa: Domingo de Ramos, Quinta-Feira Santa, a Missa da Ceia com lava-pés pelo Bispo de Coimbra (21h00); Sexta-Feira Santa, com a Celebração da Paixão (15h00) e a Via Sacra do Seminário à Sé Nova (21h30); Sábado de Aleluia, a Vigília Pascal (21h30 na Sé Nova) e no Domingo de Páscoa, a Missa da Ressurreição. Em algumas localidades rurais ainda se realiza a Visita Pascal.
Uma particularidade de Coimbra é a Via-sacra dos Estudantes que se realiza no dia 13 de março, na Pastoral do Ensino Superior. Uma iniciativa destinada à comunidade académica e também à sociedade em geral.

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. FIGUEIRA DA FOZ

Queima do Judas – São João do Vale
A Queima da Judas, “a negra lembrança de Judas Iscariotes que traiu Jesus e que haveria de ser espancado, difamado e enforcado” (A. Jorge Lé), que há alguns anos que não acontece, voltará a ter lugar no típico Largo de São João do Vale. Primeiro, a prova de destreza que recompensará com um bacalhau, uma garrafa de vinho do porto e uma regueifa quem se atrever e conseguir chegar ao topo do pau. Depois, será a vez da criançada bater no boneco de palha até que chovam as guloseimas que o preenchem.  Por último, na presença da comunidade, se há de queimar o Judas, castigando-o pela traição.

Enterro do Bacalhau – percurso pela cidade
Rua da República -> Mercado Eng. Silva -> Casino -> Praça 8 de Maio -> São João do Vale
É uma manifestação popular, que pretende ironizar o fim da obrigatoriedade de comer peixe em tempo de Quaresma. A obrigação tem obviamente motivações de ordem religiosa, na medida em que o cristianismo impõe, como penitência, jejuns e a abstinência de carne durante a quaresma, o que tornava obrigatório o recurso ao peixe para escapar a uma alimentação inteiramente vegetal. O bacalhau, por sua vez, foi eleito pela diáspora como alimento icónico, emblemático, para recordar os sabores da cozinha do seu país. Todo este envolvimento ruma no sentido de evocar, com respeito e grandiosidade, o bacalhau. E assim se enterra, como símbolo dos peixes, quando a ementa repetitiva o manda parar.
Foi a Sociedade Filarmónica Dez de Agosto que em 1928 recuperou este esquecido hábito popular, que, entretanto, o deixou novamente cair, para o retomar em 1980, aquando do centenário da coletividade, preservando-o até hoje.
Poder-se-á dizer que o Enterro do Bacalhau nasce da imaginação espontânea do povo e dele não pode sair. Não é marca exclusiva da Figueira, mas a ela se apegou, de forma carinhosa e marcante, há largas décadas.

Em que consiste?
O Enterro do Bacalhau é uma peça de teatro de rua… um cortejo “fúnebre”, na medida da cultura de paródia, adornado com um bacalhau gigante, previamente desenhado e pintado, a servir de pendão de abertura a um séquito de marca profana, com carpideiras vestidas de branco, que gritam pelo defunto (o fiel amigo). Em filas laterais lanternas e archotes ardem e aquecem a noite num percurso longo pela cidade.
Um atrevido pregador, a voz alta dos versos satíricos previamente escritos, que durante décadas seguia num dóri, suportado num carro de bois, e que discursa crítica, tem ainda em seu redor colheres de pau, panelas e outros improvisados utensílios, que combinam com o momento. O desfile programava inicialmente 10 paragens para que a versalhada, sempre original e oportuna, prendesse a atenção dos circunstantes. Hoje são apenas cinco: Rua da República, Mercado Municipal, Casino, Praça Nova e Rua da Restauração.
A fechar o cortejo, a banda toca uma específica marcha grave, um desenho melódico que entra na marcação binária do fúnebre e burlesco, naturalmente lenta e compassada.

Quando e onde se realiza?
Por tradição, o Enterro do Bacalhau realiza-se na véspera do Domingo de Páscoa.

. FIGUEIRA KIDS FEST
Vai decorrer de 23 a 31 de março, no Jardim Municipal da Figueira da Foz, o Figueira Kids Fest com várias iniciativas a pensar nos mais pequenitos:

  • Mascotes + Coelho
  • Workshop pintura “Ovos da Páscoa”
  • Pinturas faciais
  • Teatrinhos da Páscoa
  • Caça aos Ovos
  • Baloiço com Photobooth
  • Coração Instagramável
  • Ovos decorativos
  • Vária decoração alusiva à temática “Páscoa”
  • Animadores
  • Insufláveis*
  • Carrinhos de Choque Infantil ou Comboio de Carris*

* ingresso mediante o pagamento de 3€ que será da responsabilidade da entidade prestadora destes serviços.

Horário: todos os dias das 10h00 às 20h00.

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. GÓIS

PÁSCOA DE SABORES – Gastronomia e Tradição
De 28 a 31 de Março
Consulte os restaurantes aderentes AQUI


MERCADINHO DE PÁSCOA – Feira sem Regras
A autarquia promove um mercado para que a comunidade e visitantes possam adquirir produtos, lembranças e/ou presentes originais, personalizados, únicos e produzidos com arte e tradição, característica da Páscoa.
Porque quem produz artesanalmente investe tempo, criatividade e muito amor pelo que faz, a autarquia considera de extrema importância criar dinâmicas que fomentem o escoamento deste tipo de produtos, alguns com a etiqueta “100%Góis”.
A iniciativa “Mercadinho de Páscoa- Feira Sem Regras”, irá decorrer nas Galerias da Casa do Artista, nos dias 29 e 30 de Março, entre as 10h00 e 18h00, tendo como missão a divulgação e promoção dos artesãos e produtores do Concelho e da região, valorizando as tradições, o desenvolvimento local e a economia circular.
O Mercadinho permite a apresentação de trabalhos com inspiração de base local e/ou regional, que representem a riqueza cultural, histórica e a identidade popular da sua comunidade e que trabalhem ao vivo, durante os eventos.
Para mais informações poderá contactar o Posto de Turismo Municipal de Góis através do 235 770 113 ou por email: turismo@cm-gois.pt

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. LOUSÃ

Como é tradição, o Compasso Pascal percorrerá os Lugares do Concelho da Lousã, detendo-se nas habitações que manifestem a intenção de o receber, prestando-se homenagem ao Cristo Crucificado e provando-se broinhas de frutos secos e Vinho do Porto, Jeropiga ou Aguardente e recebendo-se o dízimo.

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. MEALHADA

Semana Santa – Celebrações de cerimónias religiosas em todo Concelho 17 de março a 1 de abril
Entre os dias 17 de março e 1 de abril, irão ter continuidade as celebrações religiosas efetuadas durante a Quaresma, iniciando no dia 17 de março com a Via-sacra dos Lázaros, na Mata Nacional do Buçaco e no dia 24 de março a cerimónia do “Dia de Ramos” nas freguesias do concelho de Mealhada. Na Paróquia de Luso, as celebrações do Dia de Ramos incluem a bênção dos ramos na Fonte de S. João seguida de procissão para a Igreja Paroquial.
No dia 31 de março, os festejos culminam com a Missa da Ressurreição, na manhã de dia de Páscoa, seguida da Visita Pascal. A Visita Pascal leva a cada casa, a Aleluia Pascal com a presença das cruzes processionais de cada Paróquia

Semana Santa – Luso Bussaco
Dada a proximidade da época festiva da Páscoa foi desenvolvido um programa para as celebrações da Semana Santa dinamizando a vila termal de Luso e Mata Nacional do Bussaco como destino turístico de excelência no concelho.

Missa e Via Sacra dos Lázaros – 17 março| 15h – Mata Nacional do Bussaco
Procissão e Missa dos Ramos – 24 março| 11h – Fonte de S. João – Luso
Missa do Lava-Pés – 28 março | 19h – Igreja de Luso

“Omnis Gloria Nostra in Cruce” – 28 março | 22h – Igreja de Luso
Celebração da Morte do Senhor e Procissão Solene do Encontro – 29 março | 21h – Igreja de Luso
Via Sacra encenada (Grupos Cénicos do concelho da Mealhada) – 30 março| 15h – Mata Nacional do Bussaco
Concerto de Páscoa pela Associação Filarmónica de Luso – 30 março |22h – Alameda do Casino – Luso
Missa Procissão da Ressurreição do Senhor – 31 março | 08h – Igreja de Luso

Queima do Judas
31 de março

Em articulação com Filarmónica Pampilhosense, o GEDEPA – Grupo Etnográfico e de Defessa do Património e Ambiente da Pampilhosa vai organizar a tradicional “Queima do Judas”, transformando esta tradição secular numa iniciativa dinâmica, que incluirá exposições e concertos. As características ancestrais e únicas desta tradição popular, baseada provavelmente numa punição para a traição de Judas Iscariotes a Jesus de Nazaré, mas também na expiação dos males e de purificação através do fogo, são reativadas e realizadas no Domingo de Páscoa, na vila da Pampilhosa. 

A queima do Judas é muito mais que queimar bonecos de palha, é também um processo de criação artística e literária popular, que explora e expõe de forma satírica, crítica e humorística os aspetos sociais e políticos mais próximos da comunidade local.  

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. MONTEMOR O VELHO

Nas semanas anteriores à celebração da Páscoa, a Solenidade do Senhor dos Passos continua a ser uma forte tradição no Concelho, realizando-se em quatro freguesias: Carapinheira, Pereira, Tentúgal e Montemor-o-Velho.

. Carapinheira e em Pereira do Campo
. Tentúgal

. Montemor -o-Velho, Via Sacra
. Montemor -o- Velho, Procissão Noturna, com partida da Igreja dos Anjos e destino ao Castelo.
. Montemor -o-Velho, Procissão de Domingo de Ramos, com partida do Castelo.

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. OLIVEIRA DO HOSPITAL

Páscoa em Oliveira do Hospital é sinónimo de convívio em torno da mesa, de bem receber e de partilhar. A tradição não se altera, no Dia de Páscoa aguarda-se o Compasso Pascal para beijar a Cruz, uma prática religiosa com vários séculos, e em resposta ao sacerdote diz-se “Cristo ressuscitou, Aleluia, Aleluia”. Depois há lanche para todos, sobre uma mesa posta com a melhor toalha da casa, onde aguardam iguarias preparadas tal como foram ensinadas pelas avós!
A Páscoa não seria a mesma sem estes pratos. Cada família prepara este dia de festa que começa confecionando o tão esperado borrego assado (sempre que possível no forno ou no fogão de lenha), a tigelada, o arroz doce, os bolos doces de Lagares da Beira, que as madrinhas oferecem aos afilhados ou o bolo finto para apreciar acompanhado pelo majestoso Queijo Serra da Estrela, sempre presente nos dias de festa. 

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Bolo Finto com Queijo Serra da Estrela

. PENELA

CELEBRAÇÕES E TRADIÇÕES PASCAIS

Via Sacra
Impreterivelmente realizada na Quaresma, esta celebração terá tido origem no tempo das Cruzadas. A Via Sacra consiste numa
celebração/ dramatização religiosa na qual os fiéis refazem, por via de orações próprias, o caminho que Jesus terá percorrido desde a sua condenação até à crucificação, ou seja, a Via Dolorosa. Desde o Pretório de Pôncio Pilatos até ao Monte do Calvário, são percorridas 14 estações que resumem assim a Paixão de Cristo.

Domingo de Ramos
O Domingo de Ramos é assinalado no domingo anterior ao domingo de Páscoa e marca o início da Semana Santa. Pelas Sagradas Escrituras, Jesus terá entrado em Jerusalém, montado num jumento, sendo exultado pela população judaica que empunhava ramos de palmeira e oliveira, saudando-o e reverenciando-o como o novo messias, o filho de Deus, concretizando assim a profecia de Zacarias e dando nova esperança de libertação ao povo hebreu, então sob o jugo do império romano. Neste domingo é tradição levar-se à igreja um ramo feito com rebentos de oliveira e alecrim, a que eventualmente se juntam outras ervas aromáticas e flores. Enquanto que as meninas e os adultos, tradicionalmente as mulheres, levam os ramos, os meninos levam cruzes, decoradas da mesma forma,
qual delas a maior e mais ricamente enfeitada. Os ramos e as cruzes são benzidos durante a Eucaristia e são depois levados para casa, de forma a que a mesma fique igualmente santificada. É ainda comum a decoração de cruzeiros nas igrejas e ruas, com os mesmos elementos vegetalistas e tiras de tecido roxo, cor tradicionalmente associada à Quaresma, especialmente nos locais onde
passam as procissões de Domingo de Ramos e Vias Sacras.

Visita Pascal (em todo o concelho)
Durante a visita pascal, as entradas das casas são enfeitadas com tapetes de flores, de forma a tornar claro ao sacerdote e respetivos colaboradores, o desejo de que entrem naquele local. Ao entrarem, a família está reunida e sobre a mesa estão dispostas oferendas (comida e bebida), que é benzida e posteriormente partilhada com a comitiva que faz a visita.

Festa do Mártir São Sebastião
Realizada no domingo de Pascoela na localidade de São Sebastião, a parte solene da festa é a missa, seguida de procissão. Também existem ranchos folclóricos e vendas de fogaças. Durante o dia era ainda habitual a realização de jogos tradicionais, dos quais um se destaca pela sua barbaridade: o “matar do galo”. Este jogo consistia em enterrar um galo, com as patas e as asas atadas, num buraco no solo. Este era quase completamente coberto com areia, à exceção da cabeça. Os jogadores tinham os olhos vendados e, com recurso a um bastão de madeira, tentavam acertar no animal. Atualmente o animal foi substituído por uma lâmpada, sendo o galo o prémio dado ao vencedor. O baile é, desde há muito, um dos principais momentos de diversão desta comemoração. Antigamente acontecia ao ar livre e apenas com acordeões, porém, atualmente, faz-se com grupos de baile mais populares.

A Côngrua
A côngrua consiste na tradicional contribuição financeira dos crentes à paróquia, valor equivalente a um dia de trabalho anual (equivalente ao dízimo), ofertado com vista à subsistência da mesma e do pároco, remuneração dada pela prontidão do mesmo em todas as situações em que os seus serviços são requisitados. Atualmente o apelo à dádiva da côngrua é feito através da distribuição de um envelope criado especificamente para o efeito. O mesmo é distribuído na Eucaristia, durante o período da Quaresma, com vista a que a oferta seja voluntária e anónima.

A Serração da Velha
No Espinhal, a Serração da Velha realiza-se anualmente na terceira quarta feira da quaresma, sendo uma espécie de esconjuro da morte, de algum modo tão sagrada como profana, do que está velho, ultrapassado ou putrefacto através da exposição e do alarde dos defeitos e pecados do Homem. Antigamente esta tradição era feita de porta em porta, com os serradores mascarados acompanhados de instrumentos musicais ou objetos que ruidosos. Segundo Maria Margarida Gama de Oliveira, a «Velha, conhecida como Maria da Prosa, é serrada por ruas que pertencem a esta vila». Os intérpretes são residentes do Espinhal que representam o
temor da morte eterna, da perdição das almas, mas que levam a cabo uma exortação ao bem, à medida que vão sendo postos a descoberto as virtudes e defeitos dos vizinhos.

Hoje em dia a Serração da Velha enquadra-se noutros moldes culturais, pela mão dos grupos de teatro amador que, através da criação de sátiras sociais, focam as virtudes e defeitos de personagens anónimas, fazendo assim passar as mensagens de forma generalizada e não direcionada a ninguém em particular. Enfia a carapuça a quem ela servir, como se costuma dizer. A vertente musical dos espetáculos fica a cargo da Sociedade Filarmónica do Espinhal e do Coro Carlota Taylor.
“Fazemos uma paródia à Serração da Velha, com alguma adaptação do texto à atualidade e a preocupação de não ofender ninguém. Há sempre coisas novas a encaixar e um sentido crítico, mas sem ofensa”, explica José Antero, maestro da Sociedade Filarmónica do Espinhal.

Queima do Judas
A Queima do Judas é uma tradição pascal e tem como palcos as vilas do Espinhal, onde ocorre tradicionalmente no domingo de Páscoa, e de Penela, no sábado de Aleluia. Esta tradição que, erroneamente, se associam à traição de Jesus por Judas Iscariotes, tem a sua origem em tempos muito mais antigos, em tradições pagãs, cuja idolatria adotava símbolos de (re)nascimento, de fertilidade e de abundância como as flores, o coelho, o cordeiro e os ovos, abundantes nesta altura do ano no hemisfério norte. Estes são os mesmos símbolos que ainda hoje utilizamos para ilustrar a páscoa.
Posteriormente, o cristianismo trouxe uma nova roupagem a esta festividade, que vigora até hoje, na qual o renascimento da natureza (primavera) e a ressurreição de Cristo se fundem e confundem. 
O ato de queimar o que é velho (inverno) do paganismo e a necessidade de punir a traição feita por Judas aliam-se na Queima do Judas, ainda que pelas sagradas escrituras, Judas nunca tenha sido queimado. 

Folar da Páscoa
A Páscoa é o tempo em que os padrinhos e os afilhados têm tradições especiais: no domingo de Páscoa, os afilhados visitam os padrinhos e oferecem um ramo de flores e estes, por sua vez, oferecem as amêndoas ou o folar.
O folar, no seu significado mais lato, é um pão ou bolo à base de ovos e leite que é feito especificamente nesta altura do ano. Cada região tem a sua própria receita tradicional. Atualmente, por “folar” entende-se qualquer tipo de presente, mais ou menos valioso, podendo ir de uma peça de roupa a dinheiro ou mesmo um presente em ouro ou prata. Era também comum as madrinhas oferecerem peças para o enxoval das afilhadas, enxoval esse que começava a ser preparado desde o nascimento, em baús de madeira, especificamente adquiridos para o efeito ou passados de geração em geração.
Normalmente a obrigação de dar o folar era apenas interrompida aquando da maioridade ou do casamento do afilhado.
Era também comum os padrinhos de batismo serem convidados para padrinhos de crisma e/ou de casamento.
Segundo as normas da religião católica, os padrinhos são aqueles que assumem a responsabilidade de amparar a criança e de a criar dentro da doutrina, na eventualidade de qualquer fatalidade afetar os pais, no entanto, ao longo dos séculos, outros fatores foram concorrendo para essa escolha, como o estatuto sócio económico dos padrinhos, fator que poderia conferir alguns benefícios aos afilhados a longo prazo.
Assim, perante vidas de privações e sacrifícios, era comum escolherem-se para padrinhos as pessoas com posses e influência na comunidade. Conforme ainda hoje se ouve dizer: “Quem tem padrinho não morre pagão”.

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. SOURE

Páscoa no comércio local
De 28 a 30 de março, as ruas da Vila de Soure vão ser palco de várias iniciativas: animação de rua e insufláveis.
Venha daí e entre na festa!

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. VILA NOVA DE POIARES

Celebrações e Tradições do concelho de Vila Nova de Poiares
A Páscoa é por si só uma quadra cheia de tradições no concelho de Vila Nova de Poiares. Procissões nas aldeias, encenações teatrais, comidas tradicionais e doces fazem parte destas festividades no concelho. A Páscoa é o renascimento de Jesus Cristo, o Cristo Ressuscitado! É um período do ano que relembra a morte e ressurreição de Jesus Cristo, um marco no calendário religioso, o mais elevado da Fé Cristã, predominantemente católica. Nesta altura do ano, coincidente com o início da Primavera, as casas são arrumadas, limpas e arejadas abrindo-se a porta principal da casa, assim como a melhor sala/divisão “nobre” para poder receber com dignidade a “Cruz” do Cristo ressuscitado.
Hoje na mesa poiarense é de agrado ter amêndoas e doces, vinho do porto (quem pode) ou vinho da “safra caseira”, licores regionais e bolos conforme as posses, num lanche com produtos da terra e da região, onde amigos e vizinhos se encontram e visitam num ambiente de confraternização e festa. Referencia para a laranja onde se cravava uma moeda, quem podia de prata, ou conforme as posses de outro valor. Hoje a tradição de estar uma laranja à mesa é ainda usual, tendo um envelope com um valor monetário quem o entende. Em registos orais lembram os poiarenses de algumas das aldeias do concelho os tempos de pobreza e dificuldade, onde há falta de uma toalha para colocar sobre a mesa se ia pedir emprestada à casa do lado depois da cruz passar. 
No passado mais enraizado nas tradições religiosas, durante o período da Quaresma, o período de 45 dias que separa o carnaval da páscoa, eram de jejum e reflexão, mantendo-se nesse período a tradição de não comer carne todas as sextas feiras, culminando na Sexta-Feira Santa.
O domingo que antecede a Páscoa (Domingo de Ramos) assinala para os cristãos poiarenses o dia da entrada de Cristo em Jerusalém Em tempos antigos fazia-se procissão, hoje em desuso em muitas aldeias.
Como consta dos textos Sagrados, três dias depois da morte, Jesus Cristo ressuscitou dos mortos, sendo assim o dia de páscoa, um dia de festa, de comemoração e jubilo.
Na tradição gastronómica poiarense o almoço do dia santo de Páscoa é recheado de carnes, não fossem os antigos “marchantes” da Risca Silva, grandes negociantes de gado. Cabrito ou ainda borrego, galo ou outras carnes de onde não se exclui em alguma dessas casas estar presente na mesa também a chanfana. 
Dos muitos moinhos de vento, assim como azenhas, que existiam no concelho grande era a produção do pão de “testa” e folares que se encaminhavam para venda à vizinha cidade de Coimbra, em particular na aldeia da serra do Carvalho. Os folares eram amassados em grandes quantidades nos “fornos da poia”, característicos do concelho. Para esse mercado coimbrão os folares podiam levar os ovos em cima inteiros e tendiam-se umas tiras de massa que faziam cruz, chamando-lhe os populares dessa aldeia “courras”.
Em algumas casas do concelho, em tempos passados, também se faziam bolos salgados com carnes (as “boulas”), enfim num tempo de carência e dificuldade.
Hoje falar no folar de Poiares é diferente, é característico não ter ovo inteiro em cima, mas muito difundido ao longo do ano, visto que nos tempos atuais degustam-se bolos doces ao longo do ano. 
Por esta altura no calendário escolar existem as férias escolares, as chamadas férias da Páscoa. As famílias mais distantes, geralmente nas cidades, aproveitam para se encontrarem nas suas terras de origem, por vezes em casas tradicionais e de família, confraternizando e comemorando, abrindo “a porta à cruz”, enfim celebrando a Páscoa, o ressuscitar de “Cristo Salvador”.

EVENTOS PASCAIS

Presentemente o Evento mais característico que ficou dos tempos mais antigos é a visita pascal, o também designado “compasso”. Este simboliza a entrada de Jesus Cristo no lar do poiarense cristão. Os devotos vão antecipadamente ao campo onde apanhavam rosmaninho e junco, hoje outras flores campestres, para confeção de um tapete de flores a colocar à entrada da casa assinalando que esta pretende receber a Cruz de Cristo. 
A visita pascal é composta por 4 a 5 elementos devidamente identificados com túnicas vermelhas: um preside, o padre ou seu substituto, outro leva a cruz, outro a campainha, outro a caldeirinha e outro o que recebe as dádivas.
As bênçãos a essa família e a essa casa são feitas pelo padre, pelo seminarista, ou leigos preparados (pela falta recorrente de clérigos), dando a cruz a beijar a todos os presentes. (tradições suspensas nestes anos de pandemia)
Nas aldeias do concelho, todas com a sua capela de devoção, é tradição antiga no domingo de Páscoa ao fim da tarde, fazer-se um leilão de oferendas em favor da sua capela. As ofertas que as pessoas davam para esse leilão eram muitas vezes de promessas feitas ao longo do ano. Ofereciam um pé de porco que tinha sido guardado na salgadeira, ou juntamente com um salpicão ou chouriça pendurado na unha e, por vezes, juntavam um garrafão de vinho. Curioso é que na parte onde pegavam com a mão envolviam um papel pardo ou folha de couve para não tocar no produto oferecido com devoção e fé.
Nos dias de hoje, em algumas aldeias, as ofertas são variadas, ainda há quem ofereça o tradicional pé de porco, mas também oferecem milho, feijão, folar, garrafas de bebidas, bolos, animais vivos como coelhos, galinhas ou galos, revertendo todo o dinheiro angariado a favor da capela.
Também na tradição poiarense, na senda do resto das Beiras e do País, os presentes são dados pelos padrinhos e madrinhas aos afilhados ou afilhadas. 
O folar, na expressão “tirar o folar”, tradição da Páscoa antiga simboliza a abastança e fartura depois do jejum da Quaresma. Nem sempre no passado o folar era doce. Nas terras de Poiares, os afilhados desejosos de o receber ao longo do ano, recebiam um pão de centeio ou trigo por vezes com um ovo em cima, tendo no entanto que receber as bênçãos dos padrinhos.  
O folar de Poiares não possui no presente ovo em cima do doce, no entanto registos antigos remetem para bolos folares com ovo em cima e com cores. Falamos de folar com ovos e açúcar, mas também registamos folares sem massa de ovos e açúcar, ou seja pão apenas com um ovo em cima, registo de dificuldades das classes mais pobres.

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Artigo em atualização. Agradecemos todos os contributos para: comunicacao@turismodocentro.pt)