A diversidade do Centro de Portugal é uma experiência sensorial. Avista-se nas paisagens, respira-se nas aragens, perceciona-se na cultura, vive-se nas tradições e sente-se na gastronomia. Há sabores do mar, do campo, da cidade, da montanha. É neste último sentido, o paladar, vamos concentrar a nossa sugestão. Uma viagem gastronómica pelo centro de Portugal, onde as gentes são calorosas e as mesas fartas. Mas, porque é Verão, nada como queimar as calorias saboreadas em revigorantes caminhadas nos muitos trilhos pedestres que cruzam as nossas montanhas ou a nadar no azul profundo das nossas costas marítimas.
A viagem começa na cidade. Coimbra, que vai ser Região Europeia da Gastromonia em 2021. Comece por perder-se nas labirínticas ruas históricas desta antiga capital portuguesa e entrar nas tascas cheias de tradições que se recusam a render perante o tempo. Atrás destas rústicas portadas de madeira há imensos petiscos à sua espera. Moelas, ossos, pica-pau, raia de pitau, entre outros. Ao jantar, delicie-se com um dos três pratos típicos desta cidade que já se chamou Aeminium, como a chanfana, o arroz de lampreia ou o leitão assado à moda da Bairrada. Como sobremesa, tem à sua disposição imensos doces conventuais, como a sopa dourada das freiras de Santa Clara. De seguida, pode fazer um pequeno desvio até ao Rabaçal, onde poderá provar o seu famoso queijo curado com leite de ovelha ou cabra. Após algumas (ou muitas) fatias, pode fazer um passeio a pé à villa romana do Rabaçal, onde estão as ruínas de um grande complexo habitacional romano do século IV. Já na época, havia o hábito de misturar queijo com mel. Porque não seguir essa receita ancestral? Entre no carro e arranque para a montanha. Destino: Lousã. É nas suas aldeias de xisto que vai encontrar mel caseiro, de cor âmbar escuro, quase negro, com um aroma peculiar, devida ao néctar das urzes. Delicie-se e passeie. Tem 12 aldeias cheias de charme nesta montanha para visitar. Agora está na altura de ir para a costa. Praia, sol e o cheiro de peixe fresco acabado de grelhar. Sentado numa das muitas esplanadas na Praia da Barra, em Ílhavo, ceda à tentação. Faça a digestão na agradável (e longa) ecopista que liga esta praia à praia da Vagueira. No regresso, a meio caminho, pare na Costa Nova e delicie-se com uma Tripa. Merece-a. Já agora, siga para Aveiro e compre alguns daquelas pequeninas barricas de madeira cheias de ovos moles. Algumas para si, outras para oferecer. Ao jantar pode aproveitar para comer a famosa caldeirada de enguias aveirense. Se for fã desta iguaria, tem também a opção de percorrer três dezenas de quilómetros até à Murtosa, famosa pela sua enguia em escabeche.
Deixe a bússola apontar um pouco para Sul. Já na Nazaré, prove a caldeirada Nazarena ou a cataplana de peixe. Passe o resto da tarde a nadar no seu mar azul-esverdeado ou, porque não, a aventurar-se no surf. Uma aventura mais tranquila na Praia Sul ou, se quiser uma experiência mais radical, na Praia Norte. Seja qual for a sua escolha, recompense-se com uma grelhada mista de peixe nas suas esplanadas ao anoitecer. Já sente saudades da montanha? Então dirija-se à mais alta de Portugal continental. Já na Serra da Estrela, é obrigatório provar o queijo da serra, de pasta semi-mole e amanteigado, que faz as delícias de todos os apreciadores deste laticínio. Para saborear com pão artesanal do Sabugueiro, feito nos fornos comunitários desta encantadora aldeia que muitos apelidam de “a mais alta de Portugal”. Desça até ao Fundão, rumo à Serra da Gardunha, onde o clima e os solos peculiares criam as condições ideais para fazer nascer as célebres cerejas carnudas e doces. A cereja no topo da sua viagem. Que não tem, nem deve ficar por aqui.