Uma visita ao Centro de Portugal é uma visita repleta de encontros entre várias crenças religiosas, da procura e encontro do indivíduo consigo mesmo e de encontro com as mais antigas tradições portuguesas. 
Dos misteriosos Templários às peregrinações a Fátima – Altar do Mundo.

A Virgem Maria era na Idade Média a padroeira de Portugal e hoje continua a iluminar a fé de um povo, mantendo viva a devoção Mariana em Portugal.

Basílicas, capelas, catedrais, conventos, ermidas, igrejas, mosteiros, museus de arte sacra e sinagogas fazem parte do património histórico-religioso edificado que a região Centro cuida com carinho para dar a conhecer a quem a visita.

Estas referências estão espalhadas por toda a região, desde a mais alta escultura em pedra alusiva à Virgem Maria, guia e protetora dos pastores, na belíssima Serra da Estrela; passando pela Sé Velha e o Convento de Santa Clara em Coimbra, descendo um pouco mais e entrando nos mosteiros Património Mundial: o Mosteiro de Alcobaça e o Mosteiro da Batalha, bem como, no Convento de Cristo, em Tomar (antiga sede dos Templários).

Nossa Senhora da Boa Estrela | Covão do Boi – Covilhã

Peniche é um destino que também o pode surpreender. Aparentemente vocacionado para a praia e atividades náuticas, tem uma rota religiosa que passa por onze templos. Localizado próximo do cabo Carvoeiro, mesmo junto à costa, o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios é um local de culto desde o século XII. Diz a lenda que a imagem de Nossa Senhora foi aqui encontrada, escondida numa pequena caverna situada exatamente no local onde hoje se ergue a capela  cujo interior é revestido por valiosos azulejos do século XVIII. Local de devoção e romaria, a Procissão em honra de Nossa Senhora dos Remédios realiza-se anualmente no terceiro domingo de outubro. A visita ao Santuário é uma oportunidade para conhecer a Rota das Igrejas, um roteiro que integra 11 templos no concelho de Peniche, abertos ao público, e onde se pode obter um conhecimento mais profundo da sua história.

A Nazaré é outro dos destinos que, associado à lenda e milagre de D. Fuas Roupinho, irá levá-lo ao Sítio certo.
No topo do promontório, que guarda e protege a enseada, encontra-se o Sítio – local de devoção a Nossa Senhora da Nazaré. A partir do século XII é aqui venerada a imagem de uma virgem morena trazida da Nazaré na Palestina. É no Sítio da Nazaré que se encontra o mais antigo santuário mariano da peregrinação popular e real. É também aqui que se ergue à beira da falésia, a Ermida de Nossa Senhora da Nazaré ou Ermida da Memória, em 1182, por iniciativa de D. Fuas Roupinho, após o milagre que o salvou nesse ano. 

Ermida de Nossa Senhora da Nazaré ou Ermida da Memória – Sítio, Nazaré

São muitos os lugares de oração, mas há um mundialmente conhecido. Local de peregrinação desde 1917, Fátima é hoje um dos Santuários marianos mais importantes de peregrinação do Mundo. Lugar de silêncio, retiro e espiritualidade, recebe milhões de peregrinos por ano. Na simplicidade universal da sua mensagem de Paz, é um espaço de paz e meditação.
De maio a outubro, nos dias 13 de cada mês e durante todo o ano, milhões de peregrinos percorrem anualmente os caminhos de Fátima para estar mais perto do local onde três pequenos pastores – Jacinta, Francisco e Lúcia – afirmam ter visto a Virgem Maria.

Conheça estes e outros caminhos de Maria e deixe-se guiar com calma, fé e tranquilidade, até locais de visita inteiramente dedicados ao culto de Nossa Senhora: os altares Marianos.

Nossa Senhora do Rosário de Fátima


SAIBA MAIS…

. GUIA Caminhos de Fátima e Altares Marianos no Centro de Portugal
. GUIA Caminhos da Fé
. MAPA Caminhos da Fé
GUIA Turismo Espiritual e Religioso do Centro | Boa Cama Boa Mesa | Expresso

Partir numa viagem espiritual pela Rota das Carmelitas

O percurso começa no Carmelo de Santa Teresa, em Coimbra, junto do memorial da Irmã Lúcia e termina no Santuário de Fátima. Ao longo de 111 Km percorremos seis concelhos – Coimbra, Condeixa-a-Nova, Penela, Ansião, Alvaiázere e Ourém – rodeados de espaços bucólicos que inspiram os sentidos e libertam a mente. 

A Rota das Carmelitas é um itinerário espiritual percorrido, todos os anos, por centenas de peregrinos. Tratando-se de uma experiência solitária ou em grupo, as motivações desdobram-se  nas vivências e no percurso de vida de cada um. Mas, a chegada ao Santuário traduz-se num sentimento coletivo de comoção, compaixão e libertação que permanece, para sempre, na memória de quem já vivenciou esta experiência.

SAIBA MAIS…

GUIA da Rota Carmelita
BROCHURA da Rota Carmelita
MAPA Rota Carmelita

Caminho Português de Santiago de Compostela

Outros caminhos levam-nos em peregrinação de sul para norte, até à Galiza – o Caminho de Santiago de Compostela.

Dizem que basta um peregrino para encher a estrada. No Centro de Portugal são muitos os peregrinos e são muitas as estradas que atravessam três itinerários oficiais e em vias de certificação: o Caminho Central ou Caminho Português de Santiago, o Caminho Via Portugal Nascente, bem como, o Caminho do Interior.

Estas alternativas de Caminho oferecem aos peregrinos diferentes experiências, dependendo das suas preferências pessoais, quer cheguem a pé ou de bicicleta. Prepare-se também para entrar nesta aventura rumo ao túmulo do apóstolo de Jesus Cristo, São Tiago Maior, na Catedral de Santiago de Compostela. Fazer o Caminho Português de Santiago é uma experiência única e transformadora, com passagem por alguns dos destinos mais pitorescos do Centro de Portugal.

Património judaico por explorar

A existência de outras religiões, como é o caso do judaísmo que manteve durante séculos a sua comunidade a viver “às escondidas” por força da envolvente política e religiosa, também deixou muitas marcas e conhecimentos que fizeram Portugal desenvolver-se. A comunidade judaica, aqui instalada desde o século V, produziu ao longo dos séculos, uma influência considerável na cultura e costumes portugueses.
E quando, apenas no século XX, os judeus sefarditas abriram ao mundo as suas sinagogas e judiarias, das quais destacamos Tomar e Belmonte, abertas a visitação, entendeu-se que o território nacional tem um imenso património cultural judaico por explorar.

É na região Centro que se encontram vários vestígios da sua presença em solo português, especialmente em Belmonte, que se tornou o epicentro da Rota das Judiarias, em Portugal. A Sinagoga “Beit Eliahu, entre ruas revestidas de pedra, e o Museu Judaico onde se encontram numerosas peças de origem judaica que durante séculos permaneceram escondidas da perseguição levada a cabo pela Inquisição.
Em Vilar Formoso, concelho de Almeida, encontramos o Memorial aos Refugiados e o ao Cônsul Aristides de Sousa Mendes  (o herói português que ajudou a salvar milhares de judeus que fugiam do Holocausto). Lugar cheio de simbolismo, conta uma verdadeira história viva.

Museu Judaico de Belmonte

Não perca ainda a oportunidade de visitar a Casa da Memória judaica da Raia Sabugalense, no Sabugal, Centro de Interpretação da Cultura Judaica Isaac Cardoso , em Trancoso, cuja sinagoga sefardita é apelidada de “Beit Mayim”, e a Casa da Memória da Presença Judaica e a Casa do Passal de Aristides de Sousa Mendes, em Carregal do Sal.

Se procura saber mais sobre a cultura Judaica, visite a CovilhãGuarda e Torres Vedras, AlenquerCastelo Branco e Celorico da BeiraFornos de AlgodresIdanha-a-NovaLinhares da Beira e Manteigas. Passe por Pinhel e PenamacorGouveia e Seia.

Aproveite e visite também o Museu do Moinho de Papel, em Leiria. Nesta cidade, viveu uma importante comunidade judaica e foi aqui que se instalou uma das primeiras oficinas de impressão tipográfica da Península Ibérica. E, claro, não pode perder ainda uma visita à Sinagoga de Tomar, situada em pleno centro histórico da cidade, também conhecida por Museu Luso-Hebraico de Abraão Zacuto.

Em Coimbra, as construções são a principal marca do passado da comunidade judaica na cidade, e o documento mais antigo que comprova a presença de judeus em território português pertence-lhe.

Aqui esteve instalada uma grande comunidade judaica, inicialmente circunscrita a uma zona onde vivia de forma independente do resto da cidade, ainda hoje conhecida como Judiaria Velha. Mais tarde, são obrigados a mudar-se para a zona da Baixa de Coimbra, apelidada de Judiaria Nova. Aqui, a arquitetura denuncia a sua presença com aquelas que ficaram conhecidas como “as casas dos judeus”, com um formato mais vertical do que o habitual, em lotes estreitos, normalmente com 3 ou 4 pisos, com duas portas na fachada. A maior correspondia ao espaço de oficina e a menor ao espaço de habitação, nos pisos superiores.

Em tempos capital de Portugal, hoje em dia terra de estudantes e de estudiosos, com uma das universidades mais antigas da Europa, Coimbra mostra agora um espaço que recupera a memória dos judeus que ali perderam a vida: o Pátio da Inquisição.

Este local relata uma versão da história dos tempos da Inquisição na cidade, trazida para a linha da frente na exposição “Judeus de Coimbra: Da tolerância à perseguição – Memórias e Materialidades”.
A mostra relata tempos negros por entre paredes que assistiram a tantas mortes e punições, numa das casas de tormento mais severas do país, situada no Largo da Inquisição. Tal como noutras cidades portuguesas, ali era o sítio onde, a partir do século XVI, se estabeleceu o Tribunal do Santo Ofício da Inquisição e onde era feita a justiça.
Foi aqui que D. João III criou, em 1542, o Real Colégio das Artes, para jovens universitários que estudavam temas ligados às humanidades. O colégio foi, no entanto, substituído pelo Tribunal da Inquisição de Coimbra, tido como um dos mais cruéis do país, e assim se manteve até à sua extinção, em 1821.

A mostra, com entrada gratuita, desenvolve-se ao longo de 13 painéis, facultando ao visitante uma experiência sensorial. Está patente ao público no Pátio da Inquisição, junto à Rua da Sofia, de terça a sábado, das 13h00 às 18h00, mediante marcação prévia (T. 239 840 754 | T. 239 857 525 | museu.municipal@cm-coimbra.pt).


Festas e romarias seculares


Como incentivo à sua visita, aproveite para conhecer destinos espirituais, na época das festas e romarias locais. Estas manifestações, que tão bem complementam o património edificado, celebram momentos da história que não deixam ninguém indiferente. É hora de festejar e agradecer.

Participe nas Festas da Rainha Santa (Coimbra), nas romarias e círios a Nossa Senhora da Nazaré, na Semana Santa em Óbidos e visite Fátima nos dias 12 e 13 de maio, para sentir a espiritualidade que a cidade e o seu Santuário mariano concentram.

De quatro em quatro anos, não perca também, a grande Festa dos Tabuleiros ou a Festa do Divino Espírito Santo, em Tomar, deixando-se levar pelo encanto das flores que embelezam esta festa. A próxima Festa dos Tabuleiros acontece de 01 a 10 de julho de 2023.

Festa dos Tabuleiros – Tomar

A poucos quilómetros da Batalha, na Região de Leiria, encontra-se Reguengo do Fetal, uma freguesia com pouco mais de dois mil habitantes, mas com muito para oferecer a quem a queira descobrir. Da enigmática Festa dos caracóis à maravilhosa história do milagre de Nossa Senhora do Fetal, esta é freguesia cheia de encanto e tradições.

Aqui, como manda a tradição, no primeiro domingo de outubro, as ruas enchem-se para uma celebração secular. A festa começa nove dias antes, quando a Nossa Senhora do Fetal, que está habitualmente lá em cima, na Ermida de Nossa Senhora do Fetal, é transportada até à Igreja Matriz, na primeira procissão do ritual. Depois, começam os preparativos para o seu regresso, para a procissão que vai rua acima.

Mas quem acha que este ritual é apenas mais um, está enganado. Celebra-se o milagre da Senhora do Fetal, uma história que nos diz que, numa altura em que se passava fome, a Nossa Senhora apareceu no meio dos fetos (as plantas que dão nome ao local) e fez um milagre que trouxe alimento para toda a população. E o povo não esqueceu e todos os anos presta a sua devoção.

Na freguesia moram 2200 pessoas e na aldeia de Reguengo do Fetal, são cerca de 800 os habitantes. De uma forma ou de outra, todos colaboram na preparação da Procissão dos Caracóis.
A energia elétrica é cortada durante os períodos em que as procissões se realizam e todas as ruas e escarpas recortadas da aldeia são iluminadas através de milhares de cascas de caracóis. Estima-se que sejam cerca de 12 a 14 mil as cascas de caracóis utilizadas e que depois de secas, se enchem de azeite e um pavio, que mais tarde é aceso. Ainda que seja um ritual invulgar, a verdade é que nem os próprios populares parecem saber o porquê de isto acontecer. Uns dizem que foi por criatividade dos antepassados. Outros afirmam que não foi mais do que a necessidade de encontrar uma alternativa às velas. Mas a verdade é que a tradição se manteve até aos dias de hoje, inspirada na utilização de lamparinas de azeite como fontes de luz, até meados do século passado.

A Procissão dos Caracóis é candidata a Património Cultural Imaterial.



Viver a Páscoa no Centro de Portugal

De forma única, a região Centro de Portugal celebra a Semana Santa, em manifestações religiosas que renovam as profundas e ancestrais raízes da população portuguesa. Romarias e tradições trazem de volta os chamados filhos da terra, mas também atraem os milhares de turistas que procuram viver a Páscoa de forma diferente.
É tempo de viver tradições ancestrais, todas elas grandes manifestações artísticas de Fé que encenam, entre outros momentos, a Ceia do Senhor, o rito do Lava-pés, a Paixão e Morte de Jesus Cristo, a Procissão do Senhor Ressuscitado.

O momento alto acontece com a Via-Sacra ao vivo, emotiva cerimónia de orações e cânticos religiosos que recria as 14 estações, tal como indica o relato bíblico. E são milhares os participantes que na Sexta-feira Santa percorrem centros históricos para meditar sobre os mistérios da fé cristã, num percurso marcado pelo sofrimento mas também pela esperança.

Da oração ao milagre, tudo ganha mais sentido no Centro de Portugal.
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