Espreite um pouco de Constância…
Constância, vila ribeirinha que nasce no verdejante encontro do Tejo com o Zêzere!
Antiga Punhete, nome derivado do romano pugna tagi (luta do Tejo) pela rebeldia das águas na confluência dos rios. D. Maria II mudou-lhe o nome para Constância em 1836, pela constância que os seus habitantes demonstraram no apoio à causa liberal. Terra intimamente ligada aos rios que a abraçam, hoje vive essencialmente do aproveitamento turístico das suas belas paisagens, da fruição de todo o POMTEZE (Plano de Ordenamento das Margens do Tejo e do Zêzere) e da tranquilidade das águas que passam aos seus pés.
Conquistada aos mouros em 1150, foi feita vila em 1571 por carta de D. Sebastião. Aqui terá vivido Luís de Camões entre 1548 e 1550, por ocasião do desterro provocado pelos seus amores com D. Catarina de Ataíde, dama de honor da rainha D. Catarina. Em 1809 reuniu-se em Constância o exército inglês antes de marchar sobre Espanha, rumo à atalha de Talavera, em que Wellington derrotou os franceses. Ainda aquando das Invasões Francesas foi profundamente vandalizada. Mais tarde viria a ser recuperar, conservando hoje muitos pontos de rara beleza paisagística, arquitetónica e arqueológica.
A Igreja de Nossa Senhora dos Mártires, o Pelourinho, a Igreja da Misericórdia, o Jardim-Horto de Camões, a Torre do Relógio e a Capela de Sant’Ana são apenas alguns elementos do património desta lindíssima vila que guarda dentro das suas portas pedacinhos preciosos da nossa História, os quais originam magníficos roteiros turísticos. De posição altaneira espreita a Igreja Matriz. Construída a partir de uma capela inicial da segunda metade do século XVI, ostenta um teto pintado por José Malhoa em 1898. Lá do cimo até ao Tejo é como se percorrêssemos um presépio, cheio de vida.
No alto de Santa Bárbara, encontra-se o Centro Ciência Viva – Parque de Astronomia, uma infraestrutura que constitui um convite à participação em atividades baseadas na astronomia e noutras áreas científicas. O seu planetário faz a maravilha de nos deixar ver o céu como se estivéssemos noutro lugar ou vivêssemos noutro tempo. E desvendar o nosso próprio céu, no caso de as nuvens impedirem que o vejamos da rua. Um observatório solar deixa-nos olhar o sol cara a cara, que é coisa que uma criatura não pode fazer sem risco sério de cegar, e descobrir-lhe as manchas, as protuberâncias e a luz decomposta nas sete cores do arco-íris. E depois há dezenas de outros equipamentos, a maior parte ao ar livre, que nos permitem viajar pelo céu, apreciar a harmonia da grande máquina do mundo e ter a noção de como é grande o conhecimento humano, gigantesco o universo e minúscula a Terra em que vivemos.
Na margem norte do Tejo estende-se Montalvo, onde se situam o Convento de Nossa Senhora da Boa Esperança, habitado por uma comunidade de irmãs Clarissas, e a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção, do século XVIII.
A sul fica Santa Margarida da Coutada. A sua Igreja Matriz, seiscentista, guarda uma imponente imagem em pedra da Santíssima Trindade, do século XVI, de grande valor artístico. É também nesta freguesia que se localiza o Parque Ambiental de Santa Margarida, um espaço lúdico-pedagógico com cerca de seis hectares que proporciona aos visitantes o contacto com a natureza, podendo desfrutar de momentos de lazer e dispondo de informação e atividades relacionadas com o ambiente. Qualquer visitante pode, simplesmente usufruir do espaço individualmente ou em convívio com a família e amigos, ou então realizar atividades integradas em programas de educação ambiental ou em visitas temáticas. O Parque integra um conjunto de equipamentos onde se destaca o Borboletário Tropical. Trata-se de um espaço criado para dar a conhecer o mundo das borboletas, contribuindo para o conhecimento da biologia e ecologia destes insetos e servindo como modelo para compreender a importância da conservação da diversidade de seres vivos. No interior do Borboletário o tempo estará sempre quente e húmido. Desta forma é possível manter vivas, durante todo o ano, borboletas tropicais que esvoaçam por entre a vegetação.
Situado numa zona muito central do país, bem servido de acessibilidades, através da A 1, da A 23, da EN 3 e do caminho de ferro do leste, o concelho de Constância é um pequeno município que guarda grandes riquezas do passado e encara com otimismo o seu futuro, assente na diversidade dos seus recursos e na complementaridade do trabalho da sua população.
Fruto dos excelentes recursos naturais, nos quais o concelho é riquíssimo, Constância dispõe de uma panóplia de atividades de Turismo Ativo dirigidas aos diversos segmentos da população. O concelho de Constância, possuidor de um património histórico, cultural, paisagístico e geográfico de excelência, ocupando uma posição charneira entre a capital, o Alentejo e a Beira apresenta-se como espaço de promoção territorial, ambiental e turístico para as atividades de lazer desenvolvidas por terra, ar e água, que durante todo o ano temos para lhe oferecer.

Neste local de encontro entre Tejo e Zêzere tinha de haver uma vila. E os homens fizeram-na, no desenrolar das gerações: Punhete primeiro; Constância agora. Vista à distância, a vila é uma trepadeira de casinhas brancas, escalando a colina.

Desvendada por dentro, surpreende o visitante a cada esquina, na exuberância das flores, no asseio das ruas e escadarias, na frescura das margens, no calor humano, na alvura da cal, na beleza das coisas simples conservadas com carinho.

Constância é poema.
E é também terra de poetas. A tradição garante que aqui viveu Camões. A Casa dos Arcos está intimamente ligada à sua memória. Vasco de Lima Couto e Alexandre O’Neill estão ainda bem vivos na memória coletiva. Terão tido razões para escolher Constância e legaram-lhe o melhor de
si próprios.

Refúgio de poetas e de reis, Constância continua hoje recetiva a quem chega, disposta a oferecer-se aos que buscam a calma, a beleza natural, a riqueza do património, a evasão num ambiente poético.

A natureza transformou este lugar num ponto de encontro. De rios e de homens. Dos que sentem orgulho em viver aqui e dos que descobrem o prazer de a vir desfrutar.

Neste local tinha de haver uma vila. E os homens fizeram–na: Constância, Vila Poema.