A mostra é comissariada por João Pinharanda, no âmbito da parceria da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha com a Fundação EDP, para a programação artística do Parque de Escultura Contemporânea Almourol (www.barquinhaearte.pt).

“As flores e plantas desta exposição não se colhem no Parque que nos espera e chama lá fora. Nem em nenhum outro Parque ou Jardim, Floresta ou Oceano do mundo que habitamos. São flores que o artista cultiva e colhe dentro da sua cabeça. Flores que vencem qualquer perigo de extinção e se multiplicam segundo a sua vontade.

As plantas e flores que aqui se mostram em grandes folhas espalmadas sobre as paredes poderiam funcionar como exemplares capturados num herbário fantástico.

Ao pintá-las, o artista simula a própria acção de crescimento e transformação da planta: assistimos ao registo de um alucinado processo de metamorfoses – formas que se transformam noutras formas, formas que vão para além dos limites discerníeis das formas originais. Esse processo metamórfico não se passa fora do corpo do artista, fora dos seus órgãos de visão, fora da sua capacidade de memória e imaginação, fora da sua motricidade: o artista transforma-se de cada vez que faz surgir a imagem de uma planta/flor.

É importante perceber se estas imagens artísticas imaginárias de Luís Silveirinha transformam também quem as vê; e, se alterado o nosso estado de consciência, nos obrigam a segui-las. Se assim for, conseguiremos entrar no jardim mágico, no mundo subaquático ou aéreo, nos paraísos artificiais onde elas tão poderosamente se inscrevem.”