“Leiria 1437” junta cerca de duas dezenas de grupos que vão levar teatro e sensibilização às ruas de Leiria, num modelo deambulante para evitar ajuntamentos de pessoas. Iniciativa substitui, este ano, o Leiria Medieval.

O Município de Leiria vai promover nos dias 18, 19, 25 e 26 de julho a iniciativa “Leiria 1437”, em substituição do Leiria Medieval que foi este ano cancelado devido à pandemia Covid-19.

Nestes quatro dias, a programação será assegurada pelos grupos Marimbondo, Tentart, Boca de cão, Thorsten, Lega Senso, Te-Ato, O Nariz, O Gato, Manipulartes, Teatro Apollo, Sport Operário Marinhense, Sport Império Marinhense, CaosArte, Teatro Alguidar, Espada Lusitana, Tocándar, Lôa Trovadoresca, Encerrado para Obras e Porta da Traição, que vão oferecer, num registo deambulante, momentos de diversão e sensibilização na cidade.

Tendo em conta o atual cenário de pandemia Covid-19, a organização opta por não anunciar horários nem locais, de modo a não contribuir para ajuntamentos de pessoas, optando-se por um registo que surpreenderá os utilizadores do espaço público que serão surpreendidos pelas atuações dos grupos participantes.

“Leiria de 1437”
“Até agosto, o país viveu mergulhado no afã febril dos preparativos diplomáticos, logísticos e bélicos para o assalto e conquista da cidade de Tânger, exaurindo os parcos recursos nacionais e esgotando todas as fontes de empréstimo. Depois do desastre de Tânger o reino sobreviveu submerso no desespero ainda maior gerado pela pesada derrota do exército de Portugal na costa marroquina, pela angústia e mágoa no desembarque dos feridos e estropiados e pela ansiedade e temor pelo futuro dos homens aprisionados e por aqueles que ficaram em Ceuta. Entre eles o infante D. Fernando, que como sabemos agora, morreria em 1443 no seu cativeiro em Fez. Em 1437 o país tem fome. As más colheitas, o despovoamento dos campos e as dificuldades crescentes de importação de cereais, levam, mais uma vez, ao desespero. A memória da grande e devastadora primeira vaga de Peste Bubónica que nos atormentou em 1348 e 1350, tinha deixado práticas de defesa que se vulgarizaram com efeitos relativamente positivos nos seus múltiplos recrudescimentos até ao século XIX. Mas, apesar de tudo, continuava-se a viver. As pessoas continuavam a gostar de estar juntas. Continuavam a comer e a beber, a trabalhar e a divertir-se, a dormir e a acordar, a amarem-se e a detestarem-se na esperança sempre de chegar ao outro dia e começar tudo de novo. Sabemos hoje que o conseguiram fazer”

Junte-se às comemorações!