Partindo da Idanha mais antiga, chegamos, entretanto, ao centro de Idanha-a-Nova. Nesta Cidade Criativa da UNESCO, eleita como Cidade Criativa da Música desde 2015, não estranhe encontrar vários festivais e eventos musicais, alguns de renome internacional, nem os muitos grupos de música tradicional que se vão fazendo ouvir em diversos pontos do concelho. Aqui, o adufe é rei. Embora noutros tempos fosse percutido com frequência noutras zonas do país, só aqui se mantém hoje vivo. É feito com pele de ovelha ou de cabra e é montado numa armação quadrada de madeira, dentro da qual são colocadas sementes, areia, soalhas ou mesmo caricas, para enriquecer o seu som característico. Tocado hoje sobretudo por mulheres – as adufeiras – alguns dos melhores exemplares são produzidos (quase sempre) no Centro de Artes Tradicionais e na Oficina de José Relvas.

Além da música, Idanha-a-Nova é também uma terra de sabores tradicionais únicos. Não deixe de degustar os peixes de rio e pratos de caça, os espargos silvestres à moda da Idanha e o pão caseiro, as papas de carolo ou arroz doce. Depois de experimentar a gastronomia da região, é ao som ritmado de um adufe que seguimos caminho até à próxima paragem, a apenas 25 quilómetros de Idanha-a-Nova: Alcains. Esta vila de Castelo Branco é conhecida como berço de queijos e da extração e transformação da pedra, ou cantaria. Considerado um dos melhores de Portugal, o granito de Alcains está patente na exposição permanente do Museu do Canteiro, onde são dados a conhecer, entre muitas outras dimensões associadas a este labor, os instrumentos e técnicas para trabalhar esta matéria-prima tão indissociável da história socioeconómica de todo o concelho, estando presente em muitas cidades de Portugal e do mundo.