A nossa viagem pela Beira Baixa inicia-se numa típica paisagem mediterrânica, pintada por cabeços de xisto, pequenas linhas de água, bosques, carvalhais e extensas áreas de azinheira. Respire fundo e aproveite a vista, já que estamos na Serra da Malcata, em Penamacor, um lugar onde a natureza alberga (ainda) um dos mais raros e ameaçados mamíferos do mundo, que é também o símbolo da Reserva Natural da Serra da Malcata: o lince-ibérico (lynx pardinus).

Entre as estradas idílicas (e dignas de filme) que cruzam a reserva, seguimos caminho até à Vila de Penamacor. Para além de contar com um centro de interpretação dedicado à Malcata, aconselhamos a visita ao Burgo Medieval e à Torre de Menagem, onde poderá admirar a vila e paisagem circundante a partir de um miradouro panorâmico. Aproveite e prove as Bolachas do Deserto, uma das muitas iguarias feitas com o azeite da Região.

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Durante os 25 quilómetros que fazemos ao longo da N332 vão surgindo indicações para a próxima paragem, revelando um nome familiar para os portugueses (mas não só): Monsanto. Suba à apelidada “Aldeia mais Portuguesa de Portugal”, estacione num dos parques que vão surgindo e prepare-se para uma caminhada de rara beleza pelos caminhos de pedra desta Aldeia Histórica de Portugal – a Rota dos Barrocais – com partida no Posto de Turismo. Do extraordinário casario à gastronomia local, passando pelo património histórico e pela contemplação da paisagem, a visita a Monsanto exigirá algumas horas, que lhe serão depois devolvidas em memórias únicas.

Antes da última paragem desta etapa, aconselhamos que faça dois desvios ao longo da N239 em direção a Espanha.

A poucos minutos de Monsanto, econtrará, primeiro, Penha Garcia numa posição de defesa privilegiada que terá estado na origem de uma ocupação que remonta ao Neolítico. Mas para além da herança medieval, o segredo de Penha Garcia são os icnofósseis, mais conhecidos por “cobras pintadas”. Este é um importante testemunho que, em pleno Geopark Naturtejo, nos ajuda a compreender a Terra e os seres que a habitavam há mais de 100 milhões de anos.

Penha Garcia

Já o segundo desvio leva-nos mais para Este, até à margem do rio Erges, e a uma das mais antigas e conhecidas fontes termais do país – as Termas de Monfortinho – onde poderá dedicar tempo ao corpo e ao bem-estar antes de seguir viagem.

Regressando ao itinerário principal, rumamos até Idanha-a-Velha. Sucessora da antiga cidade romana da Egitânia (Civitas Igaeditanorum), foi mais tarde ocupada pelos suevos e visigodos, mantendo até hoje vestígios de diversas épocas civilizacionais. Não deixe de passar por este complexo monumental e arqueológico, único a nível ibérico e, mais uma das Aldeias Históricas de Portugal. Sugerimos que percorra as muralhas romanas, o pelourinho, a Catedral, a Torre dos Templários, o Arquivo Epigráfico e, ainda, o Lagar de Varas. À semelhança do Complexo de Lagares de Proença-a-Velha, este último atesta a importância regional do azeite, ao ponto de ser produto de Denominação de Origem Protegida. Antes de seguir para a próxima etapa, aproveite para provar ou levar consigo uma boa dose de borrachões, os famosos bolos típicos desta região.