Tomar é sinónimo de História, de estórias, de património, de gastronomia e de memórias. Lembra-se de Gualdim Pais? Como prometido, contamos-lhe agora um pouco da sua história. Portucalense, filho de cavaleiros e criado em Coimbra, foi companheiro fiel do nosso primeiro rei, Afonso Henriques, em muitas batalhas contra os mouros, durante o período de expansão do país. Partiu mais tarde para Jerusalém, onde combateu durante cinco anos sob a bandeira da Ordem dos Templários, distinguindo-se como nobre cavaleiro. De regresso ao jovem Reino de Portugal, Afonso Henriques confia-lhe o destino da Ordem no país, da qual se torna Grão-Mestre em 1157. É a partir daí que transfere o futuro dos templários portugueses para Tomar, onde funda o excecional Castelo e o Convento de Cristo, um dos Lugares Património da Humanidade do Centro de Portugal.

Convento de Cristo

A partir de Tomar, Gualdim Pais fortifica toda a Linha do Tejo até à fronteira com Espanha, abrangendo muitas das fortalezas que visitamos neste roteiro, para além do Castelo de Pombal, o de Idanha e o de Monsanto. Herói do cerco de Tomar em 1190, faleceu cinco anos depois, já com 77 anos. Por isso, e independentemente do que decidir conhecer primeiro em Tomar, não deixe de visitar o seu local de repouso na Igreja de Santa Maria do Olival.

Merecedores de visita são, ainda, a Sinagoga de Tomar, do século XV, um Monumento Nacional único que atesta a herança judaica em Portugal; a Mata Nacional dos Sete Montes, antiga Cerca do Convento e conhecida por ser um pulmão vivo de Tomar, cheio de trilhos e segredos para descobrir; e o monumental Aqueduto dos Pegões, um dos maiores e mais imponentes aquedutos portugueses, mandado construir nos finais do século XVI para abastecer o Convento de Cristo.

Aqueduto dos Pegões

E se os doces sabores tradicionais, como as célebres Fatias de Tomar e os Beija-me Depressa não lhe tomarem demasiado tempo (e estômago), reserve ainda parte da visita à descoberta de um outro segredo da região: os Vinhos do Tejo. Ocupando uma zona conhecida como “O Bairro” – na margem direita, entre o vale do Tejo e os maciços da Serra d’Aire e Candeeiros, – o território do Médio Tejo abrange duas das sub-regiões demarcadas de produção: a Chamusca (que integra Abrantes, Constância, Sardoal e Mação) e Tomar (que inclui Tomar e Torres Novas, Alcanena, Entroncamento, Vila Nova da Barquinha e Ferreira do Zêzere). Uma vez que está em Tomar, parta à descoberta destes vinhos surpreendentes, pela Rota dos Vinhos do Tejo: o “Tesouro Manuelino”, o Percurso 4, começa precisamente no Convento de Cristo. Depois de uma ou outra prova e de umas garrafas na mala, prosseguimos viagem até Ourém.

Castelo de Ourém

Conquistado aos mouros em 1136 e doado juntamente com a povoação a D. Teresa, filha de D. Afonso Henriques, o Castelo de Ourém apresenta características ímpares da arquitetura militar românica que fazem deste um Monumento Nacional de visita obrigatória. Além disso, qualquer fotografia a partir das muralhas do castelo ou dos torreões do Paço dos Condes de Ourém merecerá a atenção dos seus seguidores nas redes sociais. Se for atento à paisagem da Estrada de Ourém, reparará nas árvores que o vão acompanhando pelo caminho: são azinheiras. Foi precisamente uma destas árvores típicas da região que ficou associada, há pouco mais de um século, a um fenómeno que mudaria para sempre uma então anónima localidade do concelho: Fátima.

A 13 de outubro de 1917, no lugar da Cova da Iria, perante cerca 50 mil pessoas, a “senhora mais brilhante que o sol” ter-se-á apresentado a Lúcia dos Santos e aos seus primos Francisco e Jacinta Marto como a Senhora do Rosário, pedindo-lhes que ali erguessem uma capela em sua honra. A Capelinha das Aparições é, assim, o centro de uma fé que traz todos os anos centenas de milhares de peregrinos a Fátima. É, por isso, apelidada de “Altar do Mundo”, por ser um dos santuários cristãos mais visitados.

Hoje é difícil imaginar como seria o local antes das aparições, com a monumental praça de oração entre a Basílica de Nossa Senhora do Rosário, terminada em 1953, e a mais contemporânea Basílica da Santíssima Trindade. No entanto, e seja crente ou não, conte com alguns museus nas imediações que lhe possibilitarão uma experiência imersiva sobre os acontecimentos e as transformações que se seguiram: o Museu Interativo “O Milagre de Fátima”, o Museu de Cera e a Casa das Candeias. Não deixe, ainda assim, de visitar o Museu do Santuário – Fátima Luz e Paz, a Casa-Museu Aljustrel, onde a vida familiar na época das Aparições está retratada, e o museu Consolata – Arte Sacra e Etnologia. Fátima é, acima de tudo, um local aberto a todos.

Santuário de Fátima

Passe aqui o tempo que precisar ou bem entender: a nossa viagem pelo Médio Tejo termina aqui, num lugar onde a esperança parece acompanhar todos os que até aqui se deslocam.

Caminhos de Fátima

Embarque numa viagem espiritual que o levará a Fátima e descubra paisagens naturais de cortar a respiração, aldeias e cidades com história e estórias genuínas de gentes locais. Seja a pé ou de bicicleta, por cumprimento de promessa ou apenas em busca de paz interior, ganhe coragem e junte-se aos milhares de peregrinos que anualmente se encontram na região com destino à Cova da Iria. Dependendo do ponto de partida ou chegada que escolher, saiba que há vários caminhos sinalizados e que pode percorrer em segurança no Centro de Portugal. É o caso do Caminho do Tejo, com início em Lisboa e que cruza o Médio Tejo a partir de Alcanena; o Caminho do Norte, com início em Valença, atravessando as regiões de Aveiro, Coimbra, Leiria e Médio Tejo; o Caminho da Nazaré que, apesar de poder ser percorrido nos dois sentidos, é normalmente realizado no sentido de Fátima à Nazaré, já que depois de chegados a Fátima, muitos dos peregrinos optam por terminar a sua viagem no finisterra, junto ao mar e já na região Oeste; e, ainda, a Rota Carmelita, que a partir de Coimbra percorre as regiões de Leiria e Médio Tejo. Saiba mais em: www.pathsoffaith.com