Existem ainda alguns pontos na região que merecem uma visita. Falamos da Aldeia Pedagógica do Milho Antigo, por exemplo, que o GPS reconhecerá como Macieira de Alcôba. Nesta pequena Aldeia Pedagógica, que remonta à Idade Média, poderá descobrir todas as tradições seculares ligadas ao milho, à sua produção e forma como moldou a paisagem local. Uma viagem no tempo aqui retratada de forma a agradar a toda a família. Em termos de percurso, o conselho é seguir pela IC2 e pela N333 e, a cerca de 15km do destino final, abraçar as curvas e contra-curvas da EM 574. Vá com cuidado e sem pressas.

Aproveite e faça um desvio até Albergaria-a-Velha. Pelo caminho, não deixe de passar (e parar) pelo Museu Ferroviário de Macinhata do Vouga, onde comboios históricos ganham vida. Se é um amante das linhas ferroviárias portuguesas, saiba que a linha do Vouga é o único ramal de via estreita ainda em funcionamento no país. Seguimos, agora, caminho até Albergaria-a-Velha, onde percorremos a Rota dos Moinhos vários percursos disponíveis para conhecer a totalidade ou apenas alguns dos nove núcleos (que incluem 12 moinhos com 17 casas de mós). Sabia que Albergaria-a-Velha é o concelho com o maior número de moinhos inventariados da Europa? Sendo um elemento fulcral da paisagem rural das linhas de água que percorrem todo o concelho, conhecer os caminhos que unem estes moinhos significa conhecer o território no seu todo, já que estão espalhados por algumas aldeias do concelho, como Vilarinho de S. Roque, Ribeira de Fráguas, Soutelo, Nossa Senhora do Socorro, Mouquim, Fontão e até Fial.

Aprecie a natureza – sempre com muito cuidado, claro – e não deixe de levar para casa um saco de farinha feita nos moinhos ainda em funcionamento. E repare que, também aqui, a Arte Nova se faz notar, à semelhança do que já vimos em Estarreja, Salreu, Ílhavo e Aveiro. Procure a Quinta da Vila Francelina, em Frossos, e volte e mergulhar nesta corrente arquitetónica, desta vez em Albergaria-a-Velha.

No caminho, descobrimos uma das mais bem guardadas raridades da região. As Mamoas do Taco são sepulturas coletivas do período Neolítico, anteriores à idade do Cobre e do Bronze. Ora, estes dois casos preservados em Albergaria são únicos no país, já que conseguiram resistir à pressão urbana, mesmo estando implementadas no meio de uma zona industrial. É agora tempo de seguimos para a Cascata da Cabreia, em Sever do Vouga, cuja beleza faz todas as curvas valerem a pena. O carro fica para trás quando já se ouve a queda de 25 metros de água e, a partir desse momento, todo o cuidado é pouco. É necessário descer uma grande rampa para aceder à água do Rio Mau e ao parque de merendas. Para além de um percurso pedestre devidamente sinalizado, a Cascata pode ser palco de mais uma grande sessão de fotografias, seja em família ou em casal.

E já que estamos em Sever do Vouga, não deixamos passar a oportunidade de comprar (e comer, claro) Mirtilos, em qualquer uma das formas em que nos são apresentados: ao natural, queijadinhas, compotas, doces, tartes e até gelados. Por outro lado, aqui também a lampreia é rainha à mesa, à bordalesa ou num arroz de comer e chorar por mais.

Seguimos, depois, para uma das mais belas ecopistas para gastar algumas das calorias que fomos acumulando durante esta viagem. Falamos da Ecopista do Vouga que, em Sever do Vouga, tem um trajeto de dez quilómetros. Sempre com o Rio Vouga como pano de fundo, a ecopista começa no Lugar da Foz e termina em Fontelas, na fronteira com Oliveira de Frades e com a vizinha Região de Viseu Dão Lafões. Pelo caminho atravesse cinco túneis e uma ponte centenária, a Ponte do Poço de Santiago.

Agora sim, de barriga e alma cheias, podemos voltar a casa, já a pensar na próxima aventura pelo Centro de Portugal.