Não podemos falar de peixe fresco sem aconselhar que se sente à mesa para uma boa Caldeirada de Peixe. Os restaurantes da zona apostam (e bem) no peixe fresco, que praticamente salta do mar diretamente para o prato, daí não ser difícil encontrar uma casa que sirva a iguaria que junta, na mesma panela, peixes tão diversos como a lula, a sardinha, o carapau, a raia, o cação, o robalo e a tainha. Servida bem quente, com o tacho no centro da mesa e, de preferência, com muito molho para mergulhar o pão no final da refeição.

Depois de castelos na areia e de muitos banhos de sol e mar, siga com os miúdos até Vagos e não deixe de reparar nas Casas Gandaresas que vão aparecendo pelo caminho. Típicas de Vagos e até de Mira, estas construções organizam-se em torno de um pátio interior, para o qual davam várias dependências da casa, como os celeiros, os telheiros, os currais e os galinheiros. Intimamente ligadas à vida agrícola, as casas gandaresas eram construídas em adobes feitos de cal e areia e secos ao sol, com um telhado de quatro águas. Procure pela típica fachada, com uma combinação janela-porta-janela e portão, emoldurados em cantaria. Esta arquitetura típica da região é hoje preservada e até pode descobrir mais sobre o interior da casa gandaresa na Casa Museu de Santo António de Vagos, desde que faça marcação prévia.

Já no centro de Vagos, relembre os tempos de infância no Museu do Brincar, instalado no Palacete do Visconde de Valdemouro. Se pensa que este museu é só para crianças, desengane-se. Aqui, os visitantes são convidados a experimentar brinquedos de outros tempos e a participar em atividades lúdicas e didáticas.

Rumamos agora a Ílhavo e a uma das casas mais emblemáticas do país, a Vista Alegre. Fundada em 1824, a Fábrica de Porcelana da Vista Alegre e todo o complexo que a rodeia são reconhecidos internacionalmente pela qualidade e excelência da sua produção. Visitáveis são, hoje em dia, o Museu, a Oficina de Pintura Manual da Fábrica, a Capela e as duas lojas da marca. É impossível não se sentir noutra época assim que entra no Bairro da Vista Alegre. Criado propositadamente para os seus trabalhadores no final do século XIX, foi recentemente restaurado para que possa conhecer as casas amarelas e brancas e os outros edifícios que fazem parte da história desta instituição, como o teatro, o refeitório e a creche, que compõem o complexo. O Museu dá a conhecer a história da marca e da fábrica e a sua evolução estética através de mais de trinta mil peças originais e, algumas, únicas no mundo. A Capela de Nossa Senhora da Penha de França impressiona pela sua fachada imponente com a imagem da padroeira, pelos azulejos figurativos de finais do século XVII e pela talha dourada.