A viagem à descoberta da região de Aveiro começa bem a Norte, no Parque Ambiental do Buçaquinho. Os 24 hectares de espaço verde são uma boa opção para deixar as crianças brincar livremente, dar corda às sapatilhas e desenferrujar a corrente da bicicleta, que pode requisitar gratuitamente no local. As seis lagoas, o jardim de plantas aromáticas, o parque infantil e ainda os animais que por aqui andam fazem as delícias de miúdos e graúdos, valeram-lhe o Green Project Awards em 2016, na categoria de Cidades Sustentáveis.

E já que estamos por Ovar, paremos o carro para descobrir a cidade a pé, até porque uma das suas mais importantes tradições está atualmente bem expressa nas inúmeras fachadas azulejares de vários edifícios da cidade. Falamos da Rua do Azulejo, um projeto que promove visitas temáticas pela “Cidade-Museu Vivo do Azulejo”, designação atribuída por Rafael Salinas, primeiro diretor do Museu Nacional do Azulejo. O caminho pode ser percorrido a solo mas não deixe de passar pelo posto de turismo, para se fazer acompanhar de um mapa com as devidas explicações. Dada a importância do azulejo em Ovar, não é difícil compreender o sucesso do Atelier de Conservação e Restauro do Azulejo, onde se pode inscrever em muitas atividades. Mergulhe no mundo do azulejo e, quem sabe, descubra a veia artística que lhe faltava.

Igreja Paroquial de Válega

Só uma nota extra sobre a azulejaria ovarense: se realmente for uma paixão, siga até Válega, uma freguesia a cerca de seis quilómetros, onde a arte da pintura do azulejo é celebrada. A Igreja Paroquial de Válega é uma das mais impressionantes do país, principalmente ao pôr-do-sol, com as cores do céu a refletirem na bela fachada, virada a poente.

Já que andamos por aqui, não podemos deixar escapar a oportunidade de comer – e levar para casa – um Pão de Ló de Ovar, conhecido pelo seu delicioso recheio húmido. Feito com recurso a (muitos) ovos e cozido em formas de barro vermelho durante pouco tempo, para manter o seu interior quase líquido, é um dos cartões de visita da cidade e ninguém lhe fica indiferente.

A caminho de Estarreja, faça um pequeno desvio e encontre um bom exemplar de Arte Nova em Avanca. Comece a familiarizar-se com este movimento arquitetónico, tão presente nesta região, admirando a Casa Museu Egas Moniz, que revisita a vida do Professor e Prémio Nobel da Medicina.

No Centro da Arte Urbana

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Numa clara demonstração de riqueza artística da região, passamos da Arte Nova para outra mais recente, a arte urbana.

A Arte Urbana em Estarreja é já conhecida nos vários cantos do país. Espalhadas por toda a cidade estão obras de artistas de renome nacional e internacional, como é o caso de Add Fuel, Hazul, Bordalo II, Bosoletti e até Fintan Magee. Estacione o carro e perca-se pela cidade em busca dos melhores trabalhos

Depois de muitas fotografias tiradas, continue viagem até à BioRia, em Salreu, mas não pense já no destino. Pelo caminho – e se se mantiver atento – encontrará mais exemplares de arte urbana em casas e paredes. Mesmo ao lado da igreja de Salreu, repare ainda num dos exemplares da Arte Nova do início do século XX. Deixe-se surpreender antes de mergulhar na natureza em estado puro e no mundo que é a Ria de Aveiro.

Não é difícil chegar à BioRia. Se estiver a utilizar um GPS, coloque simplesmente Salreu e assim que aparecerem placas indicativas de algum percurso, siga-as. Ao chegar, deixe o carro para trás, continue a pé e respire o ar fresco. É neste percurso que encontra, também, o Centro de Interpretação Ambiental da BioRia. Além de ponto de acolhimento de visitantes, é também aqui que se sensibiliza o público para a importância deste património natural onde pode descobrir e identificar as várias espécies de aves que visitam diariamente a região.