Comovidos pela diversidade da natureza e da paisagem, seguimos caminho, sempre com a Ria como pano de fundo. Ao longo de dezenas de quilómetros de ecovias que acompanham a Ria, não deixe de aproveitar a bonita vista na Naturria. Observe a avifauna lagunar – com flamingos incluídos. Se estiver interessado numa visita guiada sobre rodas ou de pés bem assentes no chão, contacte o projeto “Murtosa Ciclável”, que as organiza por todo o território natural e cultural murtoseiro.

E é impossível falar da Murtosa sem referir a sua importância na indústria conserveira, uma tradição muito enraizada neste território e intimamente ligada às enguias. O Museu Comur conta histórias incríveis como a das tropas de Mussolini que, durante a Segunda Guerra Mundial se alimentaram de enguias de escabeche da Murtosa. Esta é, de facto, uma das imagens de marca da região, sendo o Comur – Museu Municipal da Murtosa único em Portugal. Mas vamos a uma pequena lição de história: durante décadas, as mulheres da Murtosa abasteciam não só a zona costeira mas também o interior do país com enguias fritas; quando os meios de produção começaram a mostrar-se insuficientes, juntaram alguns homens de negócios de Estarreja e fizeram nascer a Comur.

Repare nos tanques de lavagem, nas máquinas de embalar e nos tanques de fritar, preservados para que todos os visitantes possam sentir o espírito do local.

Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto

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Neste momento da viagem pela região de Aveiro tem duas opções: ou continua para Sul, em direção à Costa Nova, ou pode rumar a São Jacinto. Com uma área de aproximadamente 960 hectares (dos quais 210 são área marítima), a Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto é palco de algumas das mais bonitas paisagens desta aventura. O percurso, ainda de carro, inclui cerca de 30 quilómetros sempre com a ria do lado esquerdo. Primeira dica: os óculos de sol são essenciais nesta fase do trajeto, já que os raios solares refletem na água e podem dificultar a visão e a condução. A Reserva pode (e deve) ser visitada, mas é aconselhado que percorra o trilho com a autorização dos serviços desta Área Protegida. Se a receção estiver fechada, contacte diretamente a Reserva Natural para garantir que tudo corre bem.

Até lá chegarmos, passamos a Torreira e uma mão cheia de pequenas praias que, durante os meses mais quentes, se enchem de banhistas. Saiba, antes de seguir caminho, que a Praia da Torreira tem uma grande tradição de Arte Xávega, à semelhança do que acontece na Vagueira, com três companhias ainda com atividade regular. Confie nas sugestões dos locais, que conhecem a região melhor que ninguém, e rume à Praia de S. Jacinto. Conhecida pelo seu pôr-do-sol invejável, pelo areal claro e, acima de tudo, pela diminuta quantidade de toalhas por metro quadrado. Pode fazer todo o percurso inverso em direção a Aveiro, mas a nossa sugestão é que suba a bordo do ferryboat que liga S. Jacinto e o Forte da Barra. A viagem dura cerca de 15 minutos, sempre com o alto Farol no horizonte.

Assim que subir a bordo, siga as instruções dos funcionários, saia para apanhar ar e aproveite a vista para tirar algumas fotografias. Mas atenção: não se deixe apanhar desprevenido pela buzina que marca a última chamada.

Para chegar ao Farol da Barra não precisa de recorrer às novas tecnologias. Siga a grande torre vermelha e branca e, à chegada, será confrontado com um dos mais altos faróis do mundo, com 62 metros de altura. Construído em 1893, ainda tem faroleiros ativos e é visitável todas as quartas-feiras.

Palheiros da Costa Nova

Dez minutos de viagem separam a Barra da Costa Nova, um dos cartões de visita da região, muito por culpa dos seus palheiros. As casas às riscas coloridas, outrora casas de pescadores, enchem agora as redes sociais de muitos turistas e locais. Não deixe de dar um passeio de mão dada com a sua cara metade pela beira-ria ou de tirar a bola de futebol do carro para brincar com as crianças no grande relvado que ladeia a ria. Quer ver algo realmente especial? Procure a Avenida da Bela Vista e tente decidir que paisagem prefere: de um lado terá a Ria e do outro terá o mar.

E se a fome apertar, aproveite para degustar alguns dos ex-líbris da região, como a Caldeirada de Enguias ou os Rojões à Lavrador, numa mostra perfeita da relação harmoniosa entre a ria e a terra.